Capítulo 5 - Malu

1270 Palavras
Malu Saio de casa acompanhada da minha mãe e do PH, completamente nervosa com a movimentação que está acontecendo na Rocinha. Desde que meu pai ligou, não consigo entender que p.o.r.r.a está acontecendo. O morro está cheio de homens armados que claramente não são do meu pai. Tem moradores entrando desesperados dentro de casa, comerciantes fechando as portas e alguns vapores rendidos nas esquinas. Minha mãe tenta ligar para meu pai novamente, mas ele não atende. O PH está com a mão na cintura, perto da arma, e eu já falei umas três vezes para ele não fazer nenhuma besteira. Hoje era para ser um dia tranquilo, principalmente depois da confusão do meu aniversário, mas parece que a desgraça resolveu bater na nossa porta. — Mãe, que p.o.r.r.a tá acontecendo? Esses homens não são nossos! — Eu não sei, filha. Seu pai só pediu para levar você até a boca. — Então por que tá todo mundo armado? — PH questiona, olhando para os homens que estão perto da entrada. — Phelipe, pelo amor de Deus, não arruma confusão! — minha mãe pede. Continuamos andando até a boca, e meu coração praticamente dispara quando encontro meu pai, Pit e Sirigueijo cercados por vários homens armados. Um homem que não conheço está parado na frente deles, segurando uma pistola. Minha mãe toma um susto tão grande que segura meu braço imediatamente, enquanto PH dá um passo à frente. — Pedro! Que p.o.r.r.a é essa? — minha mãe grita. O homem vira o rosto na nossa direção, mas nem olha para minha mãe. Seus olhos param diretamente em mim, e ele abre um sorriso que me dá vontade de acertar a cara dele. — Então você é a famosa Maria Luiza? Cruzo os braços, tentando controlar a raiva. — O que você quer e por que meu pai está rendido? — Seu pai já conversou com você sobre o acordo que nós fizemos? Na mesma hora, entendo quem é aquele desgraçado. Aranha. O pai do infeliz que resolveram escolher para ser meu marido. — Já! E eu quero que vocês enfiem esse acordo no r.a.b.o! Eu não sou moeda de troca! PH se coloca ao meu lado, encarando Aranha. — Você invadiu a Rocinha, então foi você que quebrou o acordo primeiro! Viro o rosto imediatamente para meu irmão. — Você também sabia? Ele fecha os olhos por um instante. — Maria Luiza, agora não é hora da gente brigar. Depois a gente conversa. — Depois a gente conversa é o c.a.r.a.l.h.o, Phelipe! Todo mundo sabia dessa p.o.r.r.a, menos eu? — Malu, filha, calma! — minha mãe pede, segurando meu braço. Aranha solta uma risada, chamando nossa atenção novamente. — Eu não quebrei acordo nenhum. Mas acho que seu pai não ia cumprir o acordo, então resolvi vir ter uma conversa amigável. Pit olha para ele, indignado. — P.o.r.r.a, se isso é amigável, não quero nem ver quando for uma conversa de m.e.r.d.a! — Cala a boca, Pit! — Aranha responde, perdendo o sorriso. Meu pai continua parado, com os punhos fechados, enquanto os homens mantêm as armas apontadas para ele. Nunca vi meu pai naquela situação e, por mais que esteja com raiva dele, sinto um aperto horrível no peito. — Fala logo o que você quer comigo! — exijo. Aranha guarda a pistola na cintura antes de responder. — Meu filho foi preso e você vai visitar ele. Olho para meu pai, esperando que ele fale alguma coisa, mas ele apenas encara Aranha com tanto ódio que chega a me assustar. — Eu não vou para p.o.r.r.a de lugar nenhum! Aranha vira o rosto lentamente para um homem que está ao lado dele. — Jacaré, pode matar os três. Meu coração praticamente para quando escuto os homens destravando as armas que já estão apontadas para meu pai, Pit e Sirigueijo. PH puxa a arma imediatamente, e minha mãe faz a mesma coisa, apontando para Aranha. — Manda eles Abaixarem essas armas agora! — PH grita. Aranha começa a rir, como se estivesse achando aquela situação a coisa mais engraçada do mundo. — Ótimo! Todos nós vamos morrer aqui! — Você é maluco! — grito, olhando para ele. — Sou! Seu pai sempre soube disso! Escuto mais um barulho de arma sendo engatilhada e sinto minhas pernas ficarem bambas. Meu pai começa a mandar todo mundo abaixar as armas, enquanto minha mãe continua apontando a dela para Aranha. PH está completamente transtornado, e eu sei que basta alguém apertar o gatilho para começar uma tragédia. — Não! Eu vou visitar ele! — grito, levantando as mãos. — Abaixa essas armas, c.a.r.a.l.h.o! Eu vou! Aranha ergue uma das mãos, e os homens interrompem os movimentos, embora continuem mantendo as armas apontadas. — Ótimo! Arruma algumas coisas, você vem comigo. Minha mãe arregala os olhos. — Como assim minha filha vai com você? — É só para garantir a visita. Amanhã eu trago ela de volta. Meu pai finalmente perde a paciência. — Nem f.o.d.e.n.d.o! Minha filha não vai sair daqui contigo! Aranha olha para ele, irritado. — Temos um acordo! Você prometeu ela para o meu filho, p.o.r.r.a! Ela é dele! Sinto meu sangue ferver novamente. — Eu sou dele é o c.a.r.a.l.h.o! Eu vou, mas vou acabar com ele naquela cadeia! — Malu, você não vai sair daqui com esse homem! — PH avisa, segurando meu braço. — E você quer que eu faça o quê? Deixe eles matarem nosso pai? — Ninguém vai matar ninguém! — meu irmão responde, olhando para Aranha. — Então manda ele tirar essas armas da cara do nosso pai! Minha mãe se aproxima de mim, segurando meu rosto com as duas mãos. Consigo perceber que ela está tentando não chorar, e isso só aumenta minha vontade de acabar com aquele desgraçado. — Filha, olha para mim. Você não precisa fazer isso. — Preciso, mãe! Você tá vendo o que tá acontecendo? Eles vão matar o papai, o Pit e o Sirigueijo! — Eu vou resolver isso! — meu pai afirma. — Vai resolver como, pai? Com uma arma apontada para sua cabeça? Ele fica em silêncio, e eu respiro fundo, tentando controlar as lágrimas que ameaçam cair. Não vou dar ao Aranha o prazer de me ver chorando. — Eu vou pegar minhas coisas e volto. Mas quero minha mãe e meu irmão comigo até em casa. — Sem problema, princesa! — Aranha responde, sorrindo. Aponto o dedo na direção dele. — Não me chama de princesa! Eu não sou p.o.r.r.a nenhuma sua! Jacaré abaixa a cabeça, tentando esconder uma risada, enquanto Aranha continua sorrindo. — Agora entendi por que meu filho ficou tão interessado em você. — Seu filho deve ser outro maluco igual a você! — Tu nem imagina, menina! Reviro os olhos, completamente revoltada. Meu pai se aproxima, mas um dos homens imediatamente movimenta a arma na direção dele. — Abaixa essa p.o.r.r.a! — Aranha ordena. — Deixa o homem falar com a filha. Meu pai segura minhas mãos, olhando diretamente nos meus olhos. — Maria Luiza, eu não queria que nada disso acontecesse. Tu sabe disso, né? — Depois a gente conversa, pai. Ele concorda, claramente magoado, mas não insiste. Olho novamente para Aranha, que está conversando com Jacaré perto dos carros. Não faço ideia de como vai ser essa visita, muito menos do que aquele tal de Garfield espera de mim. Só sei de uma coisa: se ele acha que vou chegar naquela cadeia toda apaixonadinha porque nossos pais fizeram uma promessa quando eu era bebê, está muito enganado. Vou visitar aquele desgraçado. Mas ele vai escutar poucas e boas.
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