Espero que gostem.
Tenham uma boa leitura.
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Regina tinha certeza que o sorriso que estava estampado em seu rosto naquele momento era o maior que já havia dado em toda a sua vida. Finalmente tinha encontrado ela, sua noviça, ao observar sua face, que estava iluminada pelas luzes peroladas que entravam pela pequena janela, pode observar que ela era ainda mais linda do que pelos sonhos e flashes que sempre invadiam sua mente, se é que isso era possível. O rosto jovem assim como suas memórias tinham guardado, lhe aqueceu o peito. De amor? Sim... Era amor! Aquele amor de séculos atrás estava enraizado no coração dela. Finalmente elas poderiam viver juntas! Finalmente!
Ela estava ali!
Fechando a porta atrás de si, Regina acendeu a luz do quarto e se aproximou da cama, vendo Emma se sentar rapidamente. Obviamente que o sono que ela estava sentindo, evaporou do seu pequeno e delicado corpo. Os olhos arregalados e ainda meio assustados e surpresos, fitaram Mills. Ela ainda não estava acreditando que todos os sonhos que teve ao longo de todos os anos de sua vida, eram reais.
Regina ao parar ao lado da loira, pode visualizar em sua mente imagens da primeira vez em que viu a linda noviça, olhando-a com olhos surpresos e inocentes. E, não diferente das outras vezes, sentiu na pele o mesmo desejo que tomou posse de seu corpo há séculos atrás, na primeira vez que seus olhos pousaram nela.
— Então você se lembra de mim? - Regina perguntou.
Em meio aos planos que ela tinha feito, decidiu ir com calma em relação a Emma. Ela já tinha aceitado o destino delas e estava satisfeita, porém não sabia quais seriam as reações da loira.
— Eu... - ela respirou fundo e engoliu sua saliva antes de continuar. — Parece que sim, desde que eu era apenas uma criança venho sonhando com... nós duas. - ela soltou uma risadinha nervosa. — E tudo parece ser tão real... eu consigo sentir a dor que meu eu do passado, esse que eu não sei se realmente existiu, sentiu quando supostamente viu você morrer... - respirou fundo.
Emma pensou que se Regina perguntou se ela se lembrava dela, então ela devia saber dessa situação que talvez elas passaram no passado.
— Não diga supostamente, nós vivemos isso no passado. É... eu sinto tantas coisas quando lembranças de nós duas me vem à mente. Você não é louca, nós apenas estamos destinadas a ficarmos juntas, mais uma vez o destino nos colocou frente a frente. Eu vim atrás de você. - É. Isso não estava em seus planos, soltar essas informações em cima de Emma tão rápido, mas elas simplesmente voaram de sua boca sem que ela tivesse tempo de filtrá-las.
— Então por quê todos dizem que sou louca? Por quê eu estou aqui trancada? - A Emma que estava em sua frente, era a Emma de séculos atrás, a Emma inocente. — Por quê nem os médicos acreditaram em mim? - Seus grandes olhos esmeraldas lhe fitavam desolados, demonstrando grande tristeza e ressentimento por ninguém ter lhe entendido e deixado ela em um hospício.
— Porque quando se trata do destino, ninguém entende. Você está aqui, porque essa foi a forma mais fácil que ele encontrou de nos juntar novamente. Você está aqui, porque ele sabia que não demoraria para eu lhe encontrar e acontece, que só eu lhe entendo, pois eu também passei e ainda passo pelas mesmas coisas que você.
Regina pronunciava aquelas palavras com todo o cuidado. Existia uma ansiedade dentro de si que a fazia querer com que Emma entendesse a história delas o mais rápido possível, mais uma vez saindo da trilha de seus planos. Emma ainda a olhava com olhos tristes, mas que estavam aceitando o que a mulher a sua frente dizia. Ela sabia que aquelas palavras eram verdadeiras, seu interior gritava em plena e completa felicidade. Ela não passava por aquilo sozinha. Ela não estava mais sozinha. A sua mente lhe permitiu formar a seguinte frase: "O destino dessa vez estava sendo bom para elas." Mas ela também sentia medo, o que aconteceria de agora para frente com elas?
— Tudo o que você sonhou, tudo o que você viu mesmo quando estava acordada, não é loucura sua, não é sintomas de esquizofrenia ou qualquer outra coisa. Nós tivemos outra vida no passado, fizemos história, mesmo que muitos repudiaram. Nossa história acabou cedo, e cá estamos nós mais uma vez tendo oportunidade de vivê-la livremente. Os anos são outros, vários tabus foram quebrados, eu lhe encontrei e você me encontrou antes mesmo desse momento de agora, nossos destinos foram traçados com nós impossíveis de soltar. - Mills falava com suavidade e firmeza, de um modo convincente, o que, não era tão necessário já que Emma tinha isso dentro dela também. A loira sentia a emoção em cada palavra que adentrava em seus ouvidos. Seu estômago se apertou em uma felicidade tímida por poder escutar aquela voz novamente. — Eu sei que você tem medo e que - deu uma pequena risadinha - vou usar um pequeno ditado popular brasileiro, estou indo com muita sede ao pote, mas isso não é algo novo para nós, é apenas mais uma oportunidade que estamos tendo e que eu sei que você quer agarrar tanto quanto eu. Medo eu também tenho, mas estou disposta a enfrentar qualquer coisa por você, mais uma vez.
Emma ao escutar aquela última frase, sentiu sua garganta se apertar de leve e seus olhos ficarem úmidos. Em poucos minutos do reencontro das duas almas, Regina havia lhe devolvido a felicidade. E mais uma vez estava disposta a lutar por ela.
Ela sentiu que aquilo fosse demais para aguentar, mas queria e tiraria forças do fundo das suas estruturas para viver, mais uma vez, com a sua alma gêmea. Tomando coragem, olhou nos olhos chocolates a sua frente e fez a pergunta que naquele momento martelou em sua mente.
— Como vamos fazer para viver o nosso destino?
Mills esboçou um sorriso de felicidade acompanhado com ironia.
— Eu tenho um plano, querida. Por enquanto, serei apenas a sua médica, mas não vai demorar para sairmos deste lugar.
Swan lhe olhou espantada. Como sairiam de lá?
— Como vamos sair daqui? - Sua pergunta saiu carregada de curiosidade, fazendo com que Regina soltasse uma risadinha divertida.
— Por enquanto estou estudando o local e conhecendo as pessoas. Não se preocupe. - A morena disse num tom como se estivesse tentando passar confiança a loira a sua frente.
— E se nos pegarem? - Emma ao fazer aquela pergunta, sentiu seus pequenos braços pálidos se arrepiarem. Ela queria sair dali, mas seu interior se retorcia com a ideia de serem descobertas.
— Não vão nos pegar, haja com naturalidade enquanto isso. Quando formos fugir daqui, só saberão quando estivermos bem longe. - Regina levou sua mão direita aos cabelos da loira, fazendo um carinho gostoso, tirando um pouco do nervosismo que havia tomado conta do corpo da loira.
— E meus pais? - a pergunta fez com que Regina parasse com o carinho e voltasse seus olhos que antes estavam em sua mão que se movia sob o cabelo dela, para as duas orbes verdes claras.
— Eles não te deixariam sair daqui, Emma. Eles te colocaram aqui porque acham que você tem problemas. Se vamos fugir juntas, você tem que saber que não os verá mais.
Emma não queria ficar longe por completo de seus pais. Mesmo ela trancada naquele lugar, eles iam visitá-la. Não era sempre, mas iam. No hospital ela não era feliz e não queria continuar vivendo assim, mas, ainda eram seus pais. Porém, seu amor de séculos passados havia voltado para a sua vida novamente, fazendo-a sentir-se viva e não mais sozinha. Sem contar, que ela era seu amor deste século também. Sua mente era uma bagunça, mas ela sabia o que queria.
— Quando formos fugir, peço que me arranje um papel e uma caneta, quero me despedir deles.
Um grande sorriso rasgou o rosto de Regina. Ela se levantou da cadeira que havia se sentado e levou seus lábios em um beijo demorado na cabeça de Emma. O tempo de espera acabou, elas finalmente poderiam continuar de onde haviam parado. As duas conversaram por mais um tempo, Mills sanando as dúvidas de Emma e procurando acalmá-la. Quando a morena viu que a pequena figura pálida em sua frente estava lutando para deixar os olhos abertos, a cobriu, beijou sua bochecha e se despediu. Mas antes de passar pela porta, a fitou e disse:
— Esse é o nosso segredinho, minha linda noviça.
E saiu do quarto fechando a porta com cuidado atrás de si. Seus lábios rasgando a sua face.
Como era bom ter a oportunidade de amá-la nessa vida também. Pensou, andando pelos corredores, logo depois agradecendo aos céus e ao seu agora, melhor amigo, o destino.