Regina pretendia tirar sua alma gêmea daquele lugar o mais rápido possível. Agora que tinha a reencontrado, não queria perder mais nem um minuto sem estar ao seu lado. Porém, ela sabia que teria que ter paciência, aliás, as circunstâncias eram outras. Emma, dessa vez, era mais inocente do que antes. Pelas histórias que seus pais contaram a direção do hospital, ela fora trancada em casa desde que os flashbacks começaram a invadir sua memória. Saía apenas para ir ao colégio e lá era supervisionada por uma educadora especial. Quando estava fora dela, fazia passeios apenas com seus pais, dessa forma eles encontraram um jeito de controlar pelo menos um pouco das suas ações e palavras. Quando conseguiam, a repreendiam.
Regina ficou revoltada ao saber dessa história. Se dependesse dela, eles nunca mais veriam a sua amada. Como pais eles deveriam procurar entender sua mente. Sentar e com paciência escutar o que saía da boca do seu pequeno anjo. Mas não. Trataram-a parecida como um animal, deixando-a trancada e quando dava vontade, levavam-na para o parque dar uma volta. Sentiu-se triste por ela, infelizmente a honra de ter uma mãe companheira e que entendia a história passada das duas e o destino que as laçava novamente, foi concedida apenas a ela. Emma nunca seria louca e, se fosse, seria apenas por ela. Mais uma vez.
Mills não via a hora de tê-la somente para ela. O amor já havia nascido em seu coração, ou estranhamente tinha apenas acordado depois de um logo tempo adormecido. Ela queria envolver seu pequeno corpo entre seus braços e deitar sua cabeça em seu peito, para fazê-la escutar os batimentos acelerados do seu coração que batia apenas para Swan. Queria beijar seus lábios finos e rosados, sentir o gosto que curiosamente sentia saudade. Mostrar a ela o amor que existia dentro de si, um mundo cheio de descobertas. Ela estava ansiosa e nervosa, seu corpo enviava ondas de eletricidade e na boca do seu estômago se formavam nós. Mas para ela, estranhamente eram sensações gostosas de sentir.
Desta vez, elas viveriam o amor de forma livre. Desta vez, elas se amariam e não se importariam se alguém iria descobrir ou escutar algo, mesmo fugidas. Regina almejava endeusar o corpo da sua amada, tratá-la como se fosse a coisa existente mais preciosa da terra, o que para ela era. Queria dedicar a ela todo o carinho acumulado que existia em seu ser, vê-la feliz e apaixonada desde os maiores aos mais pequenos gestos de amor. A trataria como nunca fora tratada. Porém, ela não podia esconder seu lado dominadora que felizmente não morreu com sua vida passada. Ensinaria Emma a servi-la do jeito que gostava e o mesmo faria por ela. Dominaria não apenas seu amor, mas seu corpo também, ensinando-o sempre a receber apenas seus toques. Colocaria Swan em seu mundo e ensinaria a ela tudo o que sabia, entre quatro paredes ela seria a sua única e preferida amante, mas sem deixar de demonstrar seu amor em cada ação. Ela estava ansiosa e se inspirando nisso, desde que entrou no hospital observou passo a passo das pessoas que ali trabalhavam, cada entra e sai e como era o movimento e, no meio disso, uma pessoa pairou em sua mente.
Archie Hopper, guarda noturno. Totalmente manipulavél, ela calculou em sua cabeça que uma boa quantia em dinheiro seria o suficiente para fazê-lo ajudar em seu plano e calar sua boca.
Bingo! Por cinquenta mil dólares ela havia ganho um novo aliado.
(Flashback on)
"Era madrugada e a médica estava de plantão. Noite calma, pacientes dormindo, momento certo para ir atrás do seu alvo. Após andar por todos os corredores que levavam até a recepção, respirou fundo e atravessou a porta de entrada, correndo os olhos pelas calçadas e jardins que naquele horário acomodavam o breu da noite. Não demorou muito ao avistar o homem perto do portão fumando um cigarro enquanto observava a rua vazia.
Seus pés se moveram em direção ao homem, certa de que ele aceitaria sem pensar muito. Ao chegar perto das suas costas, produziu com a garganta um som arranhado para chamar a atenção.
— Boa noite. Você se chama Archie, não é? - sua voz saiu suave quando ele se virou, como se não quisesse nada. O homem a olhou de cima a baixo antes de fitar seus olhos. Seja lá o que ele pensou, ela não se importou, com certeza ele gostaria bem mais da sua oferta.
— Boa noite. Sim, me chamo Archie Hopper e você é...? - Sua voz era rouca por culpa do cigarro, enquanto falava, Regina percebeu que seu peito roncava, com certeza cheio de um catarro podre grudado em seus pulmões, o que fazia com que seu hálito saísse com um cheiro horrível. Quente com cheiro de nicotina e algo parecido com uma quase carniça. Ela se controlou para não fazer cara de nojo, tarefa quase impossível.
— Eu me chamo Regina Mills, sou médica daqui há pouco tempo. Bom, vim aqui porqu... - Sua fala foi interrompida por uma risada misturada com tosse que vinha do homem em sua frente.
— Eu sei o que as enfermeiras e médicas daqui querem há uma hora dessas comigo. Não se preocupe, não vou te julgar, você é bem gostosa por sinal. Se você não se importar nós podemos ir atrás daquela árvore que está mais escu... - Mills interrompeu o que o homem falava, dessa vez não conseguindo evitar que uma expressão de nojo tomasse conta do seu rosto. Como elas se submetiam a isso? E com ele? Ele era fétido e seu olhar exalava depravação. Não era feio, porém também não era bonito. O pior era quando abria a boca. Como elas aguentavam?
— Não vim aqui para isso. Vim aqui porque lhe observei de perto e sei que você faz alguns trabalhos para os médicos. Estou errada? - Seu olhar mudou, primeiro demonstrando surpresa e logo em seguida malícia.
— Sim. Faço, mas já que você não quer me pagar do jeito que eu quero...- Mais uma vez Regina o interrompeu, segurando a ânsia de vômito.
— Cinquenta mil dólares está bom para você? - Ela olhou para os lados pra ver ser não tinha ninguém, após confirmar isso, continuou: — Cinquenta mil dólares e você me ajuda a tirar uma paciente daqui de dentro. Vinte e cinco mil antes e vinte e cinco mil depois, assim você não fica em dúvida se vou te pagar mesmo e você não me passa a perna, sei que vai querer o resto do dinheiro.
O olhar do homem a sua frente mudou completamente para o que parecia ser soberba. Ela tinha certeza que na próxima semana estaria em Palawan com Emma, longe de tudo e todos, mas isso ele não precisava saber.
— Quero que me ajude e que fique de boca fechada, caso eu cair, você cai também. - Regina naquele momento com sua cabeça levantada e nariz empinado, viu em sua mente a imagem dela em sua pose de Madre Superiora, controladora e sem medos.
— O que eu tenho que fazer?
Um sorriso vitorioso rasgou seu rosto, suspirando de prazer explicou ao homem como seu plano funcionaria."
(Flashback off)
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A médica entrou no quarto encontrando a loira com um olhar longe observando a janela. Ela estava triste por ter sido deixada ali por seus pais, mas isso logo mudaria. Já fazia uma semana desde que tinha comprado Archie para ajudá-la em seu plano, em dois dias ela tiraria Swan do hospital e não voltariam para lá nunca mais. Durante esses dias que se passaram, Mills conseguiu fazer a loira entender tudo por completo, ela estava mais que disposta a fugir de lá. Entendendo o que a morena lhe contou, tomou para si a disposição de viver ao lado dela o que o destino lhes preparava, e não muito diferente de Regina, também estava ansiosa.
A morena sentou-se de frente pra ela em sua cama, chamando a atenção da mesma. Seus olhos verdes chocaram nos castanhos e no mesmo momento, um brilho se acendeu neles, enchendo o coração de Regina. "Eu já estou começando a causar efeitos nela novamente", pensou e se permitiu soltar um pequeno sorriso tímido.
— Eu tenho uma novidade. - Sua voz suave acalmava Emma, fazendo-a querer ouvi-la falar perto dela a todo o momento.
— O que? - Seus olhinhos curiosos fizeram Regina se desmanchar mais um pouco por ela.
— Daqui há dois dias fugiremos, o destino está do nosso lado, Swan.
Emma apenas sorriu e circulou o pescoço da morena em um abraço, logo sentindo os braços dela rodearem sua cintura. Ainda era novo para ela entender tudo aquilo, porém, ela sabia que Regina estava certa em tudo, não tinha como negar, os flashes que saíam do seu subconsciente falavam por si só.
— O destino está do nosso lado, Regina. - Sussurrou ela, aconchegada no abraço de Mills.