Zonza.
Palavra perfeita para definir o estado em que Emma se encontrava após a injeção começar a fazer efeito. Alguém a havia dopado? Não. Bom, sim. Esta foi a única alternativa que encontraram para poderem sair do Manhattan Psychiatric Center. Uma única agulhada e plim! Os órgãos de Emma entrariam em estado de falência falsa por algumas horas e, o mais impressionante, sem deixar nenhum resquício no sangue.
Regina se encontrava apreensiva, no sentido figurado, seu coração estava na mão e sentia que a cada minuto ele errava batidas. Se tudo desse errado, ela perderia seu amor. Por um momento ela desacreditou da bondade do destino. O remédio que corria pelo corpo de Emma poderia ter um efeito contrário, causando-lhe sérios problemas ou descobririam o plano e ela seria presa, impedida de viver tudo que ela tinha em mente ao lado da sua amada.
A pequena caixa de madeira já estava pronta, seria usada como caixão. Uma van falsa de uma funerária as esperavam atrás do hospital, Archie cuidara dessa parte, o dinheiro realmente comprava a moral e princípios de algumas pessoas.
Era madrugada quando Mills foi ao quarto da loira e com um falso desespero, anunciou a sua morte. Como combinado, ou melhor dizendo, como fora pago, o médico que aceitou participar daquela história, fez seus falsos exames e no seu atestado de óbito, a causa seria desconhecida. Dizia também que seu estado estava avançado, seu corpo inchou de uma maneira que durante o velório, seria recomendável que não abrissem o caixão. Fora tudo tão bem calculado, que não seria necessário passar pelo IML.
Pouco tempo depois, o caixão vazio fora trocado pelo que estava com o corpo, enquanto isso, os pais da loira foram contatados, em alguns minutos eles estariam no hospital e, em alguns minutos, elas estariam hospedadas em um pequeno hotel na divisa da cidade e no outro dia, pegariam um avião com destino a Palawan, lugar de difícil localização, local ideal para que ninguém as encontrassem.
Regina tinha planos de mais para frente mandar sua carta de demissão, mas por enquanto sumiria, e Emma usaria documentos falsos.
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Eram 06:00 da manhã e Mills suava frio, Emma ainda não tinha dado nenhum sinal de que acordaria em breve. O Dr. Victor Frankenstein que as ajudaram na fuga, lhe informará que o efeito passaria poucas horas depois de injetado, porém, para ela já haviam se passado horas demais. Sua amada estava deitada na pequena cama do hotel, com uma expressão serena, como se estivesse no mundo lindo dos sonhos, com nuvens de algodão doce, bancos de barrinhas de Kit Kat e flores de gelatina colorida. Ela não conseguia imaginar outra coisa se quer isso, sua amada era tão inocente, com um ar infantil que lhe trazia paz, apesar de já ser mulher.
— Ah, Swan... abra seus lindos olhos para mim, meu amor. - Seus dedos acariciavam o rosto angelical a sua frente. A pele branca, sem nenhuma mancha, perfeita. Um verdadeiro anjo! — Abra seus olhos, tire essa aflição do meu peito. - Ela pegou uma de suas mãos e levou aos lábios, deixando ali um pequeno beijo.
Seu peito se enchia e seus olhos lacrimejavam, ela a amava demais.
— Acorde, Emma. Me deixe escutar sua voz, por favor... - seus olhos se fecharam, ficando assim por um tempo. Um leve respirar se ouviu, seus olhos se abriram fitando-a. Uma segunda e terceira respiração foram ouvidas, eram profundas.
Ela continuou a olhando, esperando pacientemente até que os olhos a sua frente se espremeram, como se não quisessem se abrir, mas parecia que o cérebro dela tinha outros planos, enfim, seus olhos se abriram, desnorteados olhando tudo em volta, até que encontraram os olhos negros a sua frente.
— Em… Emma, finalmente, meu Deus! Como você está? - o alívio era evidente na expressão de Regina.
Emma demorou um momento a responder, como se tivesse esquecido como se falava. Sua língua deu a volta em seus lábios que pareciam estar secos, tentando umedecê-los.
— Á- água. - sua voz saiu falha, sem conseguir se segurar um sorriso cheio de dentes rasgou o rosto de Mills.
Ela havia ouvido seus pedidos e a atendeu.
Tudo estava correndo bem até ali, a parte mais difícil para ela, passou.
— É claro, meu amor.
Após beber a água, Swan sentiu a ansiedade tomar conta do seu interior. Ela queria saber como tudo ocorrerá.
— Pode perguntar, Em.
Respirando fundo, ela iniciou seu questionário.
— Como foi? Quanto tempo fiquei apagada? E meus pais? Como reagiram? - Eram tantas perguntas que Regina não conseguia acompanhar, Emma estava agitada, precisava se acalmar.
— Calma, Emma, calma. Uma pergunta de cada vez.
Emma respirou fundo parecendo perceber o estado que se encontrava.
— Ok. Então... como foi? - ela mordeu seu lábio inferior, claramente tentando acalmar a euforia dentro de si.
— Tudo ocorreu como o planejado, não tem nada com o que se preocupar. Com um bom plano e dinheiro, não tinha como dar errado.
Respirando fundo, ela prosseguiu.
— Quanto tempo fiquei morta?
Mills engoliu em seco. Foram poucas horas, mas foram horas que a deixou com medo.
— Não diga essa palavra, por favor. Sei que você esteve por algumas horas, mas prefiro acreditar que estava dormindo. - engoliu uma grossa saliva. — Foram quase sete horas, as piores sete horas que passei na minha vida.
Ela não se acanhava por falar estas coisas, não havia motivos para isso.
— Eu-eu me sinto fraca, imaginei que teria sido isso mesmo.
Regina balançou a cabeça e caminhou até a janela, olhando através da fina cortina branca, o sol começava a nascer saindo de trás das nuvens cinzas, não seria um dia de calor.
— Seus pais obviamente que ficaram desesperados, era de se esperar. A carta que você deixou talvez conforte o coração deles. Agora não tem mais volta.
Emma olhava um ponto fixo na parede. Ela sabia que não tinha mais volta, pensando bem, ela não queria que tivesse. Ela sabia que isso era um ato frio, mas também a fazia humana. Aliás, todos precisam de amor. E ela queria viver o dela.
— Sim, não tem mais volta.
Sua voz saiu baixa, ela deitou a cabeça no travesseiro lembrando da carta que deixou para as pessoas que lhe colocaram no mundo e que também, queriam tirar o seu mundo.
"Olá, mamãe e papai. Espero do fundo do meu coração que estejam bem. Bom, alguém tem que estar, então, que sejam vocês. Vocês me colocaram aqui achando que sou louca, que meus sonhos e lembranças eram loucuras que a minha mente projetava, m*l sabem vocês o quão equivocados estavam. Mas, não vim aqui para despejar minhas mágoas, eu estranhamente sinto que estou sendo obrigada a me despedir daqui, desse mundo, de mim e de vocês. É uma sensação que machuca, mas que trás paz. Cheguei a conclusão de que meu lugar não é aqui, talvez seja no mundo em que a minha mente sempre fez questão de viajar. Eu não sei em que momento partirei, mas sei que quando lerem eu não estarei mais aqui. Mamãe e papai, existem certas coisas que médico algum pode curar ou melhorar. Que psicólogo pode mudar. Que psiquiatra possa receitar. Mamãe e papai, a mulher dos meus sonhos me chama e, mesmo que não acreditem, eu não vejo a hora de encontrá-la, meu peito se enche de alegria ao lembrar de seu olhar para comigo. Um olhar de amor. A mulher dos meus sonhos me ama! Mamãe e papai, sempre estarei com vocês, seja o mundo em que eu estiver, sempre olharei por vocês. Mamãe e papai, não se perturbem com minhas palavras, por favor, é apenas a minha realidade. Mamãe e papai, eu os amo.
Com amor, Emma."