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Melinda
Eu nunca imaginei que minha vida fosse mudar de forma tão abrupta. Sempre fui uma pessoa tranquila, seguindo o fluxo, tentando sobreviver no caos que é a cidade, mas, naquela noite, algo escuro me encontrou. Eu não sabia, mas meu destino já estava selado quando pisei naquela rua. Era só mais um caminho sem importância, mais uma parte da minha rotina cotidiana. Agora, olhando para trás, consigo ver que não passava de uma ilusão de liberdade.
Eu caminhava de volta para casa, com a cabeça cheia de pensamentos bobos e sonhos que não pareciam nem um pouco ameaçadores. O vento frio da noite acariciava meu rosto, e as luzes dos postes me davam a sensação de que tudo estava bem, tudo era seguro. Até que ouvi o som de um carro se aproximando. O barulho dos pneus raspando no asfalto era comum àquela hora, mas algo na forma como o veículo se aproximou me fez sentir um arrepio na espinha.
Me virei, e foi o suficiente. O carro parou abruptamente ao meu lado, e eu vi o vidro escurecido deslizar para baixo. Uma mão surgiu de dentro, e antes que eu pudesse reagir, ela me puxou com uma força imensa. Meu grito foi abafado pelo som do motor, e em segundos, eu já estava dentro daquele carro, sem saber para onde estava indo. O pânico tomou conta de mim, e tudo o que consegui fazer foi me encolher, tremendo.
— Não tente gritar. Não vale a pena — a voz que ecoou na escuridão do carro era grave, sem emoção, quase como se fosse parte do cenário, como um instrumento que não se importasse com o que estava acontecendo.
Eu não sabia quem era. Não sabia quem estava ali comigo. Mas algo no tom daquela voz me deixou em alerta. Era implacável, como uma sombra. Nada humano parecia tão frio e distante.
— O que você quer de mim? — Perguntei, minha voz tremendo. Não era coragem, mas desespero. Eu queria entender o que estava acontecendo. Era difícil respirar.
A mão no meu braço apertou mais uma vez, como se me lembrasse de que não tinha controle. Não importava o quanto eu me debatei, a força dele era maior.
— Vamos fazer uma coisa. Você vai ficar quieta e vai me ouvir, Melinda. Você está sob minha proteção agora. Não vai sair de onde estamos indo até que eu permita.
Eu congelei. Como ele sabia o meu nome? Não fazia sentido. Eu não o conhecia. Não tinha ideia de quem ele fosse ou como sabia sobre mim. Minha mente começou a correr, buscando qualquer explicação, mas a única coisa que consegui visualizar foi um rosto sombrio refletido na janela do carro. Um homem alto, com uma expressão fria e implacável.
O carro parou de repente, e eu não tinha mais tempo para pensar. As portas foram abertas com um estrondo, e em questão de segundos, me vi sendo arrastada para fora do veículo e empurrada contra a parede de um prédio. Minhas mãos estavam amarradas atrás de mim com força, e o medo quase me cegou.
Ele me virou de frente para ele. E eu vi o que ainda não havia notado: o homem à minha frente era imponente, com uma presença que parecia esmagar qualquer resistência. Ele tinha o olhar afiado, como se pudesse ver através de mim. Eu não sabia se ele era perigoso ou apenas uma figura amedrontadora, mas eu sabia que estava em perigo.
— Quem é você? — Minha voz saiu mais fraca do que eu queria.
Ele não respondeu de imediato. Em vez disso, ele simplesmente me olhou, estudando cada centímetro da minha expressão. Parecia que ele estava tentando entender algo em mim, algo que eu não conseguia ver.
— O que você quer de mim? — Eu repeti, agora mais firme. Não ia me deixar levar pelo medo. Não mais.
Damom. Era esse o nome que ele disse, mas não de forma comum, como se me chamasse, como se fosse algo que ele já soubesse sobre mim antes de eu sequer ter ouvido esse nome. Ele não se preocupou em me explicar o que estava acontecendo, ou qual era seu plano. Ele apenas observou.
Eu, por outro lado, não conseguia parar de observar aquele homem. Ele parecia ter algo de perigoso, algo tão claro em seu olhar, como se estivesse no controle da situação, e eu fosse apenas uma peça em seu tabuleiro.
Eu tentei me mover, tentei puxar minhas mãos para fora de suas amarras, mas ele foi mais rápido, e sua mão envolveu meu braço, me impedindo de fazer qualquer movimento.
— Não se engane. Aqui, você não tem mais controle. Eu sou quem decide o que acontece. E se você pensar em fugir, será a última coisa que fará.
Minhas pernas fraquejaram, e o ar parecia faltar. Eu sabia que ele não estava brincando. Eu estava nas mãos de um homem implacável, e ele tinha um poder que eu não conseguia nem mesmo entender.
Ele me puxou em direção a uma porta de ferro, que se abriu com um ranger. Era um corredor escuro, e eu pude sentir o cheiro de umidade e algo mais, algo que me deixou nervosa. À medida que caminhávamos, a única coisa que ouvia era o som dos meus próprios passos e o ritmo constante de minha respiração. Estávamos entrando mais e mais em um lugar desconhecido.
Quando finalmente chegamos a um quarto, ele me empurrou para dentro. O ambiente era sombrio, m*l iluminado, mas o suficiente para revelar as paredes frias de concreto e os móveis pesados e austeros. Ele me forçou a sentar na cama, e então, se afastou, indo até uma mesa onde havia vários documentos.
— Não tente nada. Você vai entender logo onde está. Mas agora, fica aí e cala a boca. Eu decido o que fazer com você. — Sua voz estava mais baixa, mas ainda assim, cortante como uma lâmina.
Eu queria gritar, queria lutar, mas algo dentro de mim dizia que não era o momento certo. Eu não sabia o que Damom queria de mim. Não sabia o que ele esperava, mas a sensação de estar em suas mãos me fazia tremer. Cada palavra, cada gesto dele, parecia ensaiado, mas cheio de malícia. Ele não era como os outros homens que eu conhecia.
E foi ali, naquele quarto isolado, que percebi pela primeira vez que minha vida estava prestes a mudar. Não era mais uma simples vítima. Eu estava envolvida em algo muito maior do que eu poderia imaginar. Algo que, talvez, fosse tarde demais para escapar.