Ruan parou por um instante e soltou um leve sorriso, um sorriso que definiu muito bem “agora temos prioridades”. Em seguida, disse:
- Peguem um daqueles crucifixos e coloquem em um dos caminhões. Coloquem martelo e os pregos especiais. Ah! E ponham uma faca muuuuito boa... A de caça. Hoje vamos brincar. Fredo vai com Carlo para favela, depois chego lá. Só não faça merda.
Fredo fechou-se em preocupação, mas concordou com a cabeça e chamou Carlo. Ruan esfregou a mão no queixo como se estivesse pensando, depois disse “Magno, Túlio chame mais quatro homens, vou pesquisar bem rápido sobre o pastor e seus amigos íntimos da igreja. Será só um bom dia, como se diz”, disse Ruan todo sorridente e surpreendendo até seus amigos.
Após cerca de duas horas, Ruan e os demais Palazzi dirigem até a igreja. Algo que levou pouquíssimos minutos. Ao chegar, Ruan entra na igreja cheio de pompa e cinismo... O pastor para de falar e olha para Ruan como se tivesse visto o próprio d***o vindo busca-lo! O medo exposto em seu rosto satisfazia ainda mais Ruan, principalmente em saber que tanto o pastor quanto seus amigos tentavam demonstrar não estar com medo. Ruan então diz:
- É... Isso é culto, pastor? Conheço você, conheço aquela moça e o marido machista pra caralho... A senhora. Aquele moço ali também... Oiiiii – disse Ruan com a mais falsa alegria – como estão? Posso me sentar?
Péricles emudeceu-se... Não sabia como falar com Ruan, talvez nem imaginasse que ele retornaria. Então Ruan prosseguiu:
- O gato preto comeu sua língua, pastor? – disse Ruan encarando-o como se soubesse de todos os seus pecados –, soube o que fez e... c*****o, você tem colhão, hein?
- Não ouse profanar a casa de Deus com suas palavras de baixo calão! – disse Péricles tentando manter a postura firme e intensificando sua voz.
Ruan fecha seu rosto e caminha lentamente até o pastor. Ao se aproximar, olha bem nos olhos de Péricles e aproxima-se do seu ouvido:
- Ou o quê, pastor? Vai me matar em nome de Deus? Deus vai impedir? Por que não tenta gritar novamente? – Logo, afasta-se levemente do pastor e diz –, mostrarei o que acontece quando corta a língua de alguém. Posso acender um cigarro?
Antes que Péricles dissesse algo, Ruan respondeu a si:
- Claro que sim, né? O que é o fumo perto do que fez... Perto do que fizeram. Soube de uma merda insana que muitos de vocês estão se unindo para tentar me derrubar, ou coisa assim. Achei show de bola. Ninguém solta a mão de ninguém, não é?
Ruan caminhara inocentemente pela igreja, então disse “Magno, Túlio... Fechem as portas”, em seguida, olhou para o altar e disse:
- Soube que a escola de ensino fundamental e médio Ruan Montillo Palazzi sofreu ataques? Incêndio e tals... Adiantei o máximo que pude para reformar. Soube também que postos de saúde e alguns hospitais também sofreram. Terreiros de umbanda e candomblé... Ficaria menos triste e aborrecido se tentassem me matar – Ruan jogava seu cabelo para trás com a mão e prosseguiu –, porque sei o que faço. Sabia que fui do candomblé? Mas sai... Escolhi outra vida.
Ruan olhou para trás e então bracejou:
- VOCÊS SÓ ME OLHAM COM ESSES OLHOS PERDIDOS E LAVADOS DE PECADOS, MAS NUNCA OS ENXUGAM! NÃO FALAM p***a NENHUMA.
Ruan respira fundo e diz:
- Tentaram destruir as câmeras, mas não sou i****a. Tenho olhos, uma infinidade de p***a de olhos por todo canto, e por infortúnio, alguém tirou o pedaço de pano do rosto. E quem era? Agora estou fazendo sorteio – disse Ruan sorrindo.
Todos ficaram aflitos e não responderam. Ruan então grita.
- É PRA FALAR, p***a! QUEM ERA? ADVINHEM – Ruan então segurou a cabeça de Péricles e disse –, SENÃO EU JURO QUE DOU TANTO SOCO EM VOCÊ ATÉ DEFORMA A p***a DO SEU CRÂNIO. ATÉ TRANSFORMAR A p***a DA SUA CABEÇA EM MOÍDO DE CARNE.
Péricles desesperado então diz:
- EU NÃO SEI, NÃO SEI... SOLTE-ME, POR FAVOR, RUAN!
Ruan então puxa-o pelos cabelos e diz:
- BAAANNNN, RESPOSTA ERRADA, FILHO DA p**a – e defere um golpe, derrubando-o no chão –. A resposta correta, pastor, era “meu seguidor Marcos?” – disse um pouco inclinado e encarando-o.
Ruan novamente joga o cabelo para trás com as mãos, respira fundo e diz “podem sentar, irmãos”. Jogou o restante do cigarro pelo chão da igreja e continuou:
- Você poderia dizer “mas é problema dele”, porém, mesmo que VOCÊ não estivesse envolvido, pagaria. Você só tinha que dizer “aceito que todas as casas, reconhecidas como sagradas, não pagassem impostos”, mas você quis fazer drama, quis ser um mártir porque... – Ruan se aproximou de seu ouvido e disse – recusei financiar as suas merdas. Achou que isso fosse algum livro ou ficção. Aqui não tem respawn, não tem super força ou... O amigo da vizinhança. Liguei os pontos e em 2 horas descobri que estava envolvido com os ataques. Descobri que Abraão e Maria, esse casal bobo, estão ligados a essas merdas que estão atacando lugares que tem minha proteção, mas eu sei que é só porque machuquei seu ego, e você... – foi até Marcos e pôs um de seus braços por trás do pescoço, como um meio abraço – nosso amiguinho aqui. Está por trás de quase tudo, mas sei que tem outro filho da puta...
Em seguida, Ruan soltou e disse “todos em fila... AGORA!”, todos se enfileiraram cabisbaixo a espera do que estaria por vir. Então Ruan disse “tirem suas roupas... Todos. A moçoila também”. Maria entrou em desespero e logo se escorreram as lágrimas. João, seu marido, então bracejou:
- Não vou deixar você envergonhar minha mulher!
Ruan caiu na gargalhada e retrucou:
- Você bate nela... O que ela tem a perder? Se... – Ruan tira do coldre sua Magnum. 44 e aponta na cabeça do João – eu matasse agora, ela choraria de alegria.
Ruan guarda novamente sua arma e diz:
- Mas não! Tenho planos artísticos para cada. Darei um mês para esta igreja antes de transformá-la em um orfanato. Legal, né? Bem benevolente f**a-se. Agora tirem as roupas.
Todos despiram-se e esperavam pela próxima ordem. Ruan se aproximou de Maria e secou uma de suas lágrimas delicadamente com o dedo indicador e tomou, em seguida disse “não farei nada que não queira... Agora, como Deus nos vê... Também vejo”. Ruan virou-se e deu a ordem “tragam o crucifixo, a marretinha e os pregos. Daremos este luxo para... Péricles”. Seus homens trouxeram um crucifixo e os demais equipamentos. Ruan pensou, entrou em profunda concentração e disse:
- Túlio... Quero música. Especificamente de Johannes Ockeghem, um dos mais importante compositor da segunda geração da escola franco-flamenga.
- Ma bouche rit?
- Exatamente esta música, Túlio.
Túlio colocou a música e disse “podemos começar, Don Ruan?”, Ruan concordou com a cabeça e apontou para Péricles. Seguraram o pastor no crucifixo, que diante do desespero, o mesmo rezava o “Pai Nosso”. Ruan aumentava o volume cada vez mais do som e dizia:
- Incrível com essa música toca nessa alma. Assim que sinto Deus... Quais as suas palavras, pastor?
Com a voz trêmula, Péricles diz:
- Que Deus tenha piedade da sua alma.
- Naaaam... Não sou eu quem está deitado no crucifixo perto de morrer artisticamente, pastor. Diga isso para Ele.
Ruan pega a marreta, o prego e os prepara. Antes de dar a primeira marretada, diz “AQUI VAMOS NÓS!” e defere o golpe. Os berros de dor do pastor ecoavam por toda igreja, fazendo com que pessoas fora da igreja parassem o seu trajeto para atiçar a sua curiosidade. Ruan martelava tranquilamente, como se fosse uma simples escultura, uma obra a ser feita. O pastor m*l aguentava ficar acordado. Ruan não ficava satisfeito e dizia “apliquem epinefrina diretamente nas veias, quero ele acordado”. Quando terminou o seu trabalho, levantou-se, admirou e disse “quero o crucifixo de ponta cabeça”.