Pt. 1 Em Meio aos Desencontros, me encontrei

1403 Palavras
Era 19:27, Dorian acordou no susto com fortes batidas em sua porta e o sonho que lembrara. 2 anos ainda não foi o suficiente para que relembrasse do que os Corvos eram capazes, pensando ou não nos efeitos colaterais. Seja qual seria a sua resposta, mas Siglieri teria que lembrar: para derrubá-los, teria que usar todas as variáveis possíveis e acreditar em todas as possibilidades. Dorian levanta-se e desce com a cara frustrada pelas repetidas e agressivas batidas em sua porta. Ao atender, mantém seu rosto fechado e fica surpreso com que encontra: Carmen em carne e osso, na porta de sua casa, parada com alguns homens atrás dela. Não estava com a mesma cara de quando estava com Ruan. Ela estava séria, impaciente e segurando um papel. Aquela voz doce de antes? Inexistente. Aquela Carmen era a Carmen que qualquer um conhece ou conheceu. - Boa noite, repórter. Espero não ter acordado a madame. Carmen se aproximou um pouco de Dorian, sentindo o cheiro de álcool que saia de dele. Em seguida, se afastou demonstrando estar enojada. Estava caçoando dele, o cheiro de álcool é completamente familiar para ela. - Espero tome cuidado para não chegar com esse cheiro lá. - Oi, Carmen. Acho que está na porta errada. A casa dos Palazzi fica muito longe daqui. - Era você mesmo que eu queria... Ou que restou de você. Para ser franca, não estaria aqui se não fosse Ruan. Ele solicita sua presença na festa para fazer uma proposta. - Uma proposta? Não tenho o que conversar com sua gente, Carmen. - Cuidado, garoto, não és protegido de Ruan. Matei gente por muito menos motivo que essa sua ousadia. Ruan entenderia. - Não me assusto com ameaça de vocês. - Achei que o aeroporto fosse suficiente. Achou que eu não saberia? Anthony causou uma boa impressão para você? Dorian ficou em silêncio, a encarando com puro desdém, com a vontade de esmurrar a porta em sua cara e voltar para seu quarto. - Fala o que você precisa de uma vez e deixe-me, Carmen, não preciso suportar sua ilustre presença sem motivo especial. - Calma, garoto, esse... Convite – Carmen retira de sua bolsa um convite muito bem feito, com algumas gravuras que registram a marca dos Palazzi – quis entrega-lo presencialmente. Ruan quer que nos encontre na minha festa. Geralmente minhas festas começam um pouco tarde, mas quis colocar para 21h. Está tudo bem ir? Aliás, se realmente for um bom repórter, acho que não perderia essa oportunidade por nada. Homens e mulheres de todo tipo estarão lá. Não se trata de um lugar qualquer. Como você disse? “presença sem motivo especial”? Acho que me deve sinceras desculpas. - Hm... Não vejo motivo para ir em um local onde só haverá baba ovo, interesseiros, mentirosos e gananciosos que estão torcendo para que alguém daquele lugar seja morto por um de vocês. Sou alguém que não compactua com o que fazem. - Coleguinha, acho que não entendeu o que eu quis dizer. Está CONVIDADO. Não estou entregando uma manta escrito “bem-vindo a família”. Você decide que merda fará com sua vida. Não se sinta especial, mas garanto a você... – Carmen vira a costa para Dorian, caminhando de volta para seu carro, junto com seus guardas. Antes de entrar, ela vira seu rosto e termina sua frase – Sua presença é realmente algo supérfluo, mas eu sou especial. Sinta-se agraciado por eu estar aqui. Nos vemos por aí. O motorista de Carmen deu partida no seu carro e foram embora. Enquanto saía, Carmen sinalizou para Dorian pela janela do seu carro, acenando e partiu. Dorian abriu o envelope e viu os detalhes de onde seria e o horário. Refletiu sobre o convite, cogitou eu não ir, estava certo em não se juntar com aqueles criminosos que tanto condena, mas não negara o quão valioso seria ter informações de outras pessoas sobre a máfia. Outra variável que foi muito bem lembrada é: a presença de inimigos. Sejam eles fortes e destemidos ou não tão influentes, como uma gangue local. Toda informação de outras pessoas do submundo era bem-vinda e seria chave para que entendesse muita mais os negócios dos Palazzi. Dorian puxou seu celular do bolso e lembrou de outro convite que tinha, algo mais pessoal, entre amigos e mais prazeroso, talvez, comparado onde poderia estar. Não titubeou sobre o que fazer, decidiu se organizar para sair e se livrar daquele cheiro de álcool. Esquecer sua crise e se ter um momento para desopilar. Não era tão longe da sua casa, nem um nem outro. A festa que seria dado pelos Corvos seria em sua mansão enorme e pomposa, que Dorian pela primeira vez visitaria caso decidisse ir. No entanto, o que pensara agora era em reencontrar seus amigos, ou seu amigo Jean, que o ajudou em uma época bem difícil. Já eram 20:07, ele estava pronto para ir, não levou nada além do necessário e saiu andando. A caminhada não era tão longa e era uma descida de onde iriam se encontrar. Cerca 12 minutos, talvez. Chegaria atrasado, mas sentia-se bem por estar indo fazer algo diferente comparado aos últimos dias. Ao chegar, lá estava Jean e Amanda. Dorian ficou surpreso por ver somente eles 2, esperava 3 pessoas sentada a mesa, mas faltou alguém. Ao entrar no bar, foi onde Jean estava e quando estava prestes a se sentar, Jean se levantou e deu um abraço caloroso em seu amigo, com algumas tapinhas em sua costa. - Aeeeeehhh, DORIAN, p***a! Achei que não viria, cara. Como tá? Chegou quase cedo para amanhã, hein. - Não enche. Tive alguns empecilhos. - Coisa da universidade, né? - É... Mas adiantei muita coisa, então tive que aproveitar esse tempo, não é? - Pô, ei, EI! – Jean gritava chamando o garçom escandalosamente –, traz um copo aqui. Favor! - Jean, para de gritar. – Retrucou Amanda impaciente. - Deixa de ser chata, ah... Esse é o amigo que estava comentando mais cedo. - Já sei quem é. O repórter de mais cedo. Não costumo me dar bem com repórteres. - Prazer em conhece-la também. Sou Dorian, você é? – Dorian ergueu seu braço, deixando sua mão aberta, convidando Amanda para apertar sua mão, porém, ela olhou com desdém, ignorou sua gentileza e retrucou. - Amanda, prazer. Cuidado por onde anda, nosso amigo em comum não pensa direito ao deixar você comprometer nossa cena do crime. Quantas vezes esteve em uma? Dorian retira sua mão, senta-se à mesa e retruca: - Algumas vezes, tudo que está relacionado aos Palazzi, devo estar a par. Preciso fazer alguma coisa, assim como vocês, para derrubá-lo. Se isso lhe incomoda... - Incomoda porque como repórter, há outras coisas que pode fazer além de ficar no cangote deles. Seu trabalho não é derrubar os Palazzi, mas trazer a verdade. - Acontece que parece que... Nem seus colegas tem interesse nisso. - Em trazer a verdade? - Também, mas quis em trabalhar. Se dependermos de vocês, os filhos dos filhos de Ruan estarão aqui. - Hm... Realmente nunca me dou bem com repórteres. - p***a, galera. Para de falar de trabalho. Numa noite dessas, sexta-feira linda, com um bom som, uma boa bebida. Vamos nos divertir, esquecer um pouco de quem é quem e se divertir. Pronto! Tá proibido falar de trabalho. - Relaxa, Jean, não ficarei muito tempo. Tenho um compromisso mais tarde. - Que? Ah, não. Releva isso, precisa ficar aqui, cara. Descansar, limpar a mente, abstrair, pô. Não é pra se estressar! - Não tem nada a ver com o que tá acontecendo. Recebi um convite importante, se pudesse, traria vocês comigo. Certeza que gostariam. Quando olharam para o garçom que chamou a atenção deles, trazendo mais uma garrafa e um copo, Dorian avistou um rosto muito familiar, um pouco diferente. Talvez fosse o tempo de não ter avistado ela há 2 anos, ou algo tinha mudado. A convidada que estava na mesa não era uma estranha de fato, era alguém que Dorian tinha consolidado sua amizade que deve ter sido abalada por causa de seu afastamento. Nem afastamento, mas desaparecimento. Não sabia se estava bem, se estava seguro, nem onde estava. O rosto familiar do qual chamou atenção dele e que foi quase imediatamente reconhecido, era a mesma Ângela da universidade que ainda não tinha notado seu amigo... Ou colega.
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