Pt. 11 Hugin & Munin

1906 Palavras
- Já disse que não sou m*l-humorado, faço o que precisa ser feito. - É... Acho que o cigarro não tira essa marra mesmo. Mas e aí, só vou dar essa festa se você realmente curtir e for. Esquece um pouco o que tem que fazer. Ruan passou esfregou as suas mãos por seu cabelo, arrumando-o para trás, enquanto pensava em como poderia responder. Antes que Ruan respondesse, Carmen tomou a palavra: - Vamos, Ruan. Você merece, me diz o que fez de legal aqui assim que chegou? - Acontece que bateram no meu irmão, e isso não ficará assim. Ainda tenho o funeral de um de nós, que deus o tenha. - Não estou dizendo para esquecer as coisas. Vem cá! Carmen pediu para que Ruan virasse sua costa, tirasse o terno para poder massagear. - Olha, Ruan, pensa bem. Farei uma massagem parar retirar essa tensão toda acumulada que com certeza fará pensar sabiamente. Podemos ir juntos falar com líder deles e tentar acertar alguns termos. Agora estamos com uma grande vantagem, mas caso não aceitem, faremos as coisas a moda Palazzi. E porra... seus ombros são rochas, né! - É isso que você ganha liderando tudo isso, Carmen, mas sua massagem é ótima. Carmen abraçou Ruan novamente com muito apego, soltou o seu sorrisinho e, com sua voz sedutora e seu jeito persuasivo, falou: - Não está negando mais e parece tá pensando melhor. Então está de fato considerando em vir, certo? E curti. - Você ganhou, Carmen, irei para essa festa. Carmen soltou um grito de alegria e espremeu Ruan com o seu abraço: - EU SABIA QUE QUERIA! - Não coloque tantas expectativas. Outra coisa, mas dessa vez para você, Magno. - Diga, don Palazzi. - O repórter, me fala sobre ele. Aquele cara é familiar... - Ah... Então não lembrou dele? É o cara da entrevista. - Hm, infelizmente é o cara então. Entretanto, não sabia do que esse garoto era capaz. Ele é ousado e deve ter uma boa perspectiva sobre as coisas. Jornalismo não deve ser o caminho dele. - Ah, senhor acha? - Acho. Carmen, convide ele para nossa festa, querida. - Pedindo com esse charme, acho difícil. Consigo o endereço dele fácil. Com certeza será a maior festança que farei, e nem estamos no final do ano. - Carmen, você é f**a. Ruan retribuiu o beijo na bochecha que Carmen deu mais cedo, um abraço e recuperou o seu ânimo para a festa mais cobiçada de Campina Grande. Todos da alta sociedade traziam histórias da grande festa que Carmen realizara, e essa seria mais um marco. Uma festa com muitos rostos nem tanto familiar, mas há reconhecimento de quem era da alta sociedade e de pessoas que tinham também atividades perigosas, como Ruan. Durante o caminho, Ruan ainda pensou no que a yakuza escreveu-lhe e cogitou se a festa seria um local apropriado para o reencontro. Isso é tópico para ser discutido com os Palazzi, além disso, ainda teria que ter resposta do próprio oyabun. O lado mais interessante dessa festa, de fato, para Carmen, seria a ilustre presença do seu amado Ruan. Não se trata de um mero detalhe que Ruan aproveitasse como já aproveitou muitas vezes suas festanças, tratava-se de alguma satisfação que parece compreendido para Carmen. Porém, enquanto ela ansiava que Ruan aproveitasse como deveria, até mesmo nesses momentos ele pensava em negócios, mesmo que não houvesse nada do gênero. Não vale a pena desacreditar que don Palazzi iria somente a negócios, ainda sim, através de toda aquela ternura que Carmen tinha, poderia atrair Palazzi com os seus encantos e para seus braços com uma noitada perfeita. Algo marcante que ocorreu nesse encontro e desencontros, não mencionado com tanta atenção por Ruan. Dorian, um possível grande repórter que estava disposto junto a Amanda e Jean derrubar Ruan e sua trupe de uma vez por todas. Embora que breve e desconcertante, esse encontro foi necessário para que Ruan planejasse uma manobra ousada para o destino que Dorian poderia assumir. Como mencionado antes: jornalismo não é seu caminho. Dorian ao chegar em casa, abriu uma gaveta de uma mesa localizada em sua sala, e nessa mesma mesa, havia uma infinidade de documentos, tudo relacionado a sua pesquisa sobre Ruan e os Corvos. Eram texto, notícias, análises e marcações que Dorian colocara junto aos documentos anexados. Tudo demonstrando o quanto ele acompanhava os Corvos. Uma aparente obsessão que Dorian, em alguns momentos, tinha dúvida, algumas inseguranças se Ruan cairia. Uma realidade que parece fantasia, mesmo que Palazzi não se passasse de apenas um homem que sangra, sente e que em alguns momentos pode ser tomado pelas suas emoções e ser afetado em tomada de decisões. Dorian senta pega uma garrafa de bebida, um copo que ele verifica se está limpo e depois coloca sobre sua escrevania. Em seguida, senta e encara todos aqueles papéis e pensa “será que é só questão de tempo? Queria que agora estivesse aqui, Emil, acho que você ajudaria colocar ideias melhores na minha cabeça”. Não fazia muito que Dorian trancou a universidade e estava sobrevivendo com as finanças de sua mãe, alguns pequenos trabalhos escrevendo para alguns sites e blogs, mas nada demais. O possível exímio repórter, após 2 ano da ida de sua melhor amiga, passou por algumas crises e ausentou-se das atividades da universidade. Ângela não tinha mais notícias suas, o mesmo mudou de número por perder, pois, não se comprometia em efetuar recargas para manter o funcionamento do seu chip. O que sabiam de Dorian era que conheciam antes, mas somente ele encontrava-se em um ponto que não sabia mais sair. Sem tirar a roupa do corpo, sozinho e com seus pensamentos, Dorian sobe para seu quarto, deita-se em sua cama praticamente se arremessando contra ela, e põem a encarar o teto de sua casa. Olhando incansavelmente, refletindo sobre o que faria agora onde não parecia ter volta. Dorian fecha os olhos e diz para si “pelo menos, acho que agora tenho alguma coragem para ir aquele jantar que Jean convidou. Acho que ele mandou mensagem para algum estranho”. Em posição fetal, completamente agarrado ao seu travesseiro, Dorian dorme quase de imediato e aceita de fato ir ao encontro de seu amigo. Dorian estava sendo atormentado por um pesadelo terrível, algo do qual não queria ter passado novamente. Ele estava naquele aeroporto, na mesma situação de antes, brigando com aquele segurança negligente. Siglieri tinha traumas por causa daquele dia porque ali ele presenciou de fato do que um Palazzi é capaz. Não que fosse diferente do que já viu antes, como o caso dos Anuckles, mas a primeira vez trouxe a ele algo mais intenso. A percepção do que os Corvos podem fazer. Dorian falou novamente com a segurança que, rispidamente, disse: - Você enlouqueceu?! Não posso fazer nada! Fique calado, se tem amor a vida – disse sussurrando. - Matará inocentes porque teme contrariar uma ordem? – retrucou Dorian impaciente. O segurança então cochichou algumas palavras em seu rádio e disse a Dorian: - É melhor sair, acionei a segurança! - Espera, como assim?! Assim que Dorian perguntou, um enorme estrondo de explosão em direção da pista pôde se sentir e escutar. Todos se abaixaram e alguns simplesmente se jogaram no chão. O primeiro pensamento veio à cabeça de Dorian: o avião em que Emil estava! Dorian foi arremessado contra a parede, a explosão afetou momentaneamente sua audição. Estava sangrando, mas não conseguia encontrar a ferida. Ele estava em choque, atordoado ainda por causa da explosão. Aos poucos, ele se levantou, mas escorando-se nos cantos. Dorian não pensou em mais nada, não continha mais travas ou algum empecilho que o controlasse. De onde estava ele gritou o nome de Emil várias vezes enquanto corria para se aproximar do local. Os seguranças o impediram e Dorian acabou entrando em uma briga com um segurança, mas outros vieram e o contiveram. Enquanto ele estava sendo subjugado, com a cara no chão, enxergou Anthony o encarando com um sorriso cínico. Ele acenou para Dorian e foi embora, aumentando ainda mais a fúria de Dorian que se tornara inútil com a contenção dos seguranças. Os seguranças o conduziram para a sala que ficavam e levavam os passageiros que teria que passar por algumas perguntas, mas levaram Dorian até ali para que ele se acalmasse. O deixaram sentar, trouxeram uma água e tentaram iniciar alguma conversa. Nada pode ser escutado, este exímio futuro jornalista não tinha interesse em seu bem-estar, não dava a mínima para seus ferimentos vistos como pequeno ao que de fato queria saber. Nada tinha retorno do que era perguntado, parecia que Dorian estava inconsciente, perdido em um mundo com seus medos, seus “e se”. No meio do caos, ainda acreditou que o pior tinha acontecido e que nem sequer pode se despedir de sua amiga como devia. O pobre homem estava se torturando antes da certeza, se culpando pelo que aconteceu e esquecendo por alguns instantes dos criminosos: os malditos Palazzi. Depois de algumas horas, Dorian parecia mais calmo, mas ainda parecia estar atônito, mas só um rosto familiar pôde ajuda-lo naquele momento: Jean. Entrou na sala e procurou por Dorian e sentou para tentar tirar alguma palavra de sua boca: - Dorian... Siglieri. Sou Jean, seu amigo. Acho que deve estar perturbado pelo que aconteceu, porém, sei que o motivo de estar assim não é somente a explosão. Tem a ver com Emil? Dorian se levantou furioso da mesa, esmurrou-a com toda força e apontou o dedo na cara do seu amigo. Ele estava ameaçador, algo que Jean nunca antes tinha visto: - NÃO OUSE FALAR DA EMIL, SEU DESGRAÇADO! VOCÊ NÃO SABE DE NADA! - Calma, Dorian, cara, sou eu. Estou aqui para ajudar. Deixei-me apenas falar sobre o voo dela. Jean o ajudou a se sentar e prosseguiu: - Acho que você deve ter se desligado um pouco, por poucos instantes, mas ela já tinha saído. Estavam só esperando por ela. Claro, ainda houve muitas vítimas, mas Emil não foi uma delas. Tenta se acalmar um pouco... Tá bom? Tome água, volta pra cá, Siglieri. Dorian respirou mais aliviado, quase deitou-se na cadeira. Esfregou seu rosto algumas vezes, ficando com um semblante mais aliviado e simplesmente se levantou. Pediu educadamente para sair, mas desde que estava lá, recusou tratamento, ainda tinha feridas. Dorian ao se levantar, apenas disse “me leve para casa”, mas desmaiou ao dar poucos passos. Jean o levara para o hospital e acompanhou sua recuperação. Ninguém mais vinha visita-lo a não ser Jean. Vezes que Dorian acordava, ficava calado, um pouco pensativo. Com o passar dos dias, soltou-se mais, conversava com Jean e pediu desculpa por seu comportamento explosivo no momento. Não demorou muito para ganhar alta, mas Jean ainda o levou para casa. O deixou até a porta, mas antes que voltasse para o carro, Dorian disse com uma vez retraída. Ainda abatida pelo pouco tempo que ficou no hospital, pela situação de extremo estresse e a calmaria que ainda restaurava-se : - Ei, Jean... - Diga meu amigo. - É disso que esses Corvos são capazes. Nunca esqueça daquele dia, daquelas vítimas. Escutei gritos, sirenes, tudo. Esses são os Palazzi... - Não pense muito nisso agora, certo? Descanse e entre em contato comigo se precisa de alguma coisa. Dorian ficou em silêncio e entrou em sua casa cabisbaixo.
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