Pt. 10 Hugin & Munin

1887 Palavras
- Não, sabe que isso é tão pouco provável quanto me ver bagunçado. - Quem sabe? - Diz Jean sorrindo – ei, estamos organizando algo legal. Uma noite com os amigos. Eu vou, Amanda, tal de Ângela e Robson. Esta noite, ali no “Bar do Cuscuz”. Aparece lá às 20h. - Ah... Sei não. Tenho muito que fazer, tanto do caso de agora quanto na faculdade. Não sei se uma bebedeira não seria adequada agora. Jean afastou-se levemente e estirou os braços erguendo o dedo indicador e balançando, condizendo com sua resposta: - Ninguém aqui citou bebedeira! Falei de algo legal com os amigos, o resto é consequência. Dorian sorri e diz: - Sei... Manda os detalhes via w******p. - Mas você nem entra nessa porcaria. Por isso aproveitei do momento do trabalho, seu difícil. - É... Acho que vou. Então adianto algumas coisas em casa da faculdade, trabalho e apareço por lá. Agora tenho que ir. Chega de roubar seu tempo. Obrigado por deixar-me passar! - Disponha irmão. Vai lá! Dorian deu um belo abraço em seu amigo e correu às pressas para seu carro. Jean continuou sua investigação e solicitou que a equipe se encaminha o corpo para o legista. Amanda assim que viu Jean sem seus amigos ou possíveis inimigos; foi até ele para conversar, com o rosto completamente sério, como se fosse dar uma bronca no seu amigo: - Acha certo esse tanto de gente na cena do crime? - Não era muita gente! - Sim, verdade: eram quase todos os Palazzi e um repórter que nem é repórter. - Quatro Palazzi e um repórter e os policias. - Policias corruptos. Viu o quanto puxaram saco do Ruan? “Don Ruan, como vai?” “olhem a cara do Brasil” “Os abençoados Palazzi”, me poupe. - Não somos corruptos, Amanda. A PM fez o isolamento antes de chama-los e solicitou a perícia para cena do crime. Teremos os detalhes da equipe local, tanto da perícia, IML, quanto do nosso repórter. Dorian é de suma importância na nossa equipe, se der tudo certo, podemos dar um jeito dele entrar no nosso time oficialmente. - Tá... E Ruan? Está na nossa equipe? Jean expirou o ar, demonstrando impaciência e perdeu seu olhar. Passou a mão no rosto e disse: - Não tire essas conclusões de vosso trabalho, até porque você não disse NADA para Ruan enquanto conversávamos. Não obstante, nem quando falou com ele pediu para que se retirasse. Se me der licença, temos trabalho a fazer, senhorita Barbosa. Jean colocou seu boné e seguiu para seu veículo de trabalho. Jean e Amanda, mais cedo, haviam perguntado para todos no local se viram algo diferente que pudesse ajudar na investigação. Porém, todos disseram que não avistaram nada e somente pela manhã viram o cadáver. Um bêbado do local gritava “isso foi um açougueiro, tá com a moléstia”, porém isso se tornou irrelevante na investigação, por dois FATOS: por ser um bêbado e quantos açougueiros têm em Campina? Enfim, a investigação teria que ter um ponta pé inicial. O que se tinha até agora, era a precisão dos cortes, o molde de como estava inserido. Isso não foi feito de qualquer jeito, provavelmente teve planejamento. Desde como foi colocado ali até de quem foi sua vítima. Era praticamente uma declaração de guerra contra os Palazzi, um recado muito bem dado que custaria o juízo deles. Outra informação importante: quem, quando e como? Seja quem for, a pessoa tinha certa i********e com a vítima. O suficiente para atraí-la para o local certo. Isso tudo requer tempo, o jeito que o corpo foi preparado exigiu total dedicação para o que estava fazendo, mas não só dedicação. A pessoa tem certa riqueza de equipamentos para preparar tudo para satisfazer seus caprichos macabros. Outro detalhe: essa pessoa sabe de pontos cegos do local e deve ter algum cúmplice para que consiga transportar um corpo desses até aqui sem ser visto. Era questão de tempo até Jean e Amanda ligasse os pontos e ter alguma coisa em algum tempo. A não ser que isso seja algum problema relacionado com os Palazzi, a investigação seria comprometida. Ruan ao entrar em seu carro, aguardava Magno que vinha com Carmen. Ela, como sempre, estava deslumbrante! Ela veio sorridente em sua direção, enquanto Magno matinha um rosto aflito. Antes que Magno falasse qualquer coisa, Ruan impaciente tomou a frente: - Se outra pessoa que não seja um Palazzi ver esse seu rosto de medo, pode ter certeza que será o próximo. Agora, quero que fale coma funerária. Nosso irmão merecesse um enterro digno, com muito respeito pelo que ele já trilho com nossa família. Venha cá, Magno. Magno se aproxima com muita calma em sua direção, abaixando a cabeça onde rua estava sentado. Em seguida, Ruan abraça seu pescoço e diz: - Você é a p***a de um Corvo, se comporte como um! Você é intocável. - Ah... Desculpe-me, don Palazzi. - Não se desculpe. Agora quero que dirija. Assim que Magno saiu, Carmen segurou a impaciência de Ruan com seu jeitinho com as palavras. Parou na mesma janela que Magno estava e aproveitou para conversar com Ruan, que agora encontrava-se em outro semblante. - Oi, neném! Achei que estava fugindo de mim. Pelo menos pareceu – disse com aquela voz sedosa, soando como uma musica nos ouvidos de quem escutara. - Oi Carmen, achava que ia embora. Não esperava que nosso reencontro fosse desse jeito, em meio a esse caos. Mais um de nossos irmãos sendo morto desse jeito, estão zombando de nós. Não pretendo deixar isso passar! - Pode me oferecer uma carona? Podemos continuar nossa conversa sobre isso e... Sobre a festa que mencionei mais cedo. - Achei que estava de carro, senhorita Carmen. - Estou, mas peço pro motorista deixar lá em casa. Vim com ele, o coitado deve estar suplicando para voltar. - Hm, achei que fosse alguém familiarizado com tudo. - Mais ou menos, é um conhecido que tem outro conhecido de outra pessoa que pediu para achar alguma coisa para ele. Sabe como isso funciona, Ruan. - Ah, sim, como sei. Então entra aí, com certeza temos muitas coisas para conversar. Carmen sinalizou para seu motorista que se encontrava tão pálido que parecia um defunto. Seu rosto de demonstrava perfeitamente o quanto estava assustado, chocado com a cena do crime. Era nítido que não esperava que em alguns dias de trabalho não presenciaria uma cena desse gênero, entretanto, em um submundo como esses, não precisava de nem um esclarecimento do que poderia acontecer. Aqui, onde muitas leis eram flexíveis e outras completamente rígidas, se espera um mundo inverso do que vivemos em nossos dias. Carmen sentou ao lado de Ruan, quase em seu colo e soltou um olhar tão perverso, capaz de adentrar a alma daquele infeliz maculado pelo amor outrora, mas agora? Ruan era o don Palazzi, alguém com responsabilidades além do que precisava lidar. Coisas que outras vidas além da dele precisara sempre de atenção. Carmen mergulhou naquele olhar perdido e afogado pelos lamaçais de sangue que havia visto e causado com suas mãos. Depois, sorriu e o abraçou com muito afeto após a espera por todos esses anos fora de sua casa, sua cidade e seus amigos. De qualquer forma, Carmen enquanto desfazia-se do abraço um pouco m*l retribuído por Ruan, ela o fitava, notava que aquela homem fosse qualquer um, mas não era o mesmo Palazzi que ela vislumbrara antes. De fato, não era somente seu olhar que estava perdido, mas ainda assim, mantinha seu sorriso sincero de felicidade de poder estar perto de seu quisto amigo de novo. Logo, a própria Carmen ordenou a Magno: - Pode ir a mansão dos Palazzi, não precisa ficar nos bisbilhotando. Fazia tempo que não via esse lindo. - Argh... Não estava bisbilhotando, Carmen. – Retrucou Magno nervoso. - Faça o que ela disse. Só vá. Também senti sua falta, Carmen, lidar com aquelas merdas de Brasília não parece pra mim, você me entende. Anthony parece ser muito mais impaciente e lida como deve com aquilo, escalou muito bem naquele negócio. Não sei menti, tampouco sei se meu espaço na política ainda pode existir. - Ruan pessimista? Não combina com você. - Não é isso. Só não consigo ficar indo naquelas merdas. Todos estão segurando minhas bolas aonde quer que eu vá para poder pedir favores. - Se tornou um homem poderoso, Ruan. Achei que tinha se acostumado com isso. Todos querem um favor seu e... Provar um pedaço seu. Acho que alguém deve pensar como és na cama. - Pelo amor de deus, Carmen. - Qual é, Ruan. Quanto tempo que não tem noites como aquela? Você recebeu meu recado mesmo, né? Quer saber, esquece o restaurante. Vamos a outro lugar, fazer a festa que mencionei mais cedo, com a temática “O Corvo Chefe e seu Retorno”. A gente coloca um andar específico pra fazer... Cê sabe o quê. – Carmen sempre falava de um jeito muito eufórico quando não se trava de negócios. Era bem espalhafatosa e charmosa. Sempre achavam engraçado o excesso de gesticulações que ela fazia enquanto falava. - Carmen, aceitei naquele momento, mas avaliando bem a situação, realmente não é hora. - E quando será? Vamos, Ruan, não seja chato. Tenho certeza que queres aproveitar. Nem precisa de temática, basta dizer que vai e muitos vão querer vir para onde estiver. Podes beber, comer e... – Carmen pegou em sua coxa e o encarou como uma tigresa faminta – quem sabe não façamos um andar extra para convidados com gostos mais peculiares como nós. - A festa pode acontecer. Preciso enfatizar para muitos sobre meu retorno, fortalecer algumas relações para poder realizar muitas coisas por aqui. Soube do problema que aconteceu naquela favela? - Sempre disse que é difícil realizar algum acordo com aquele pessoal, Ruan. Eles te veem de um jeito totalmente diferente de nós. Tu vestes terno, tem esse jeito mandão em todo lugar que chega... Isso complica muita coisa. - É isso que me torna um Palazzi. Não vou baixar a p***a da minha cabeça para ninguém, nem para um bando de traficantes que acham que mandam em alguma coisa. Posso simplesmente fazer eles desaparecerem daquele lugar. Ruan tirou um cigarro de seu maço, deu algumas tapinhas em seu cigarro e colocou em sua boca. Ofereceu a Magno e a Carmen, que teve uma expressão inusitada além da recusa do cigarro, exceto Magno que aceitou. - Parou de fumar? - Você fuma Hollywood, eu prefiro alguns com sabor. - Não experimentei esses, sou bem clássico. Carmen tira o cigarro da boca de Ruan antes que ele acendesse, jogando para fora do carro. Depois tira de seu short um maço de cigarro mentolado com canela, e tira um cigarro e coloca em sua boca. Assim que ela acende, traga o cigarro uma vez e põe na boca de Ruan. O mesmo traga com muito gosto e expira a fumaça. Em seguida, expira o restante da fumaça pelas narinas e o tira da sua boca, pondo-se a admirar o cigarro com muita satisfação. - Isso realmente é bom pra c*****o. Deu até paz! Que negócio satisfatório. - Não é? Deveria ter experimentado muito antes! Seria muito mais bem-humorado.
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