- Mas não é uma vida criminosa – disse Amanda sem sequer olhar para Ruan –
- Uau, não esperava por essa... Aliás, esperava sim. Senhorita Barbosa – Ruan leva sua mão até o bolso, pegando seu maço e isqueiro, colocando na boca e acendendo –, o que acha desse assassino?
- Acho que ele é a mesma coisa que você.
- Você acha? Bom... Não discordo. Gosta de sorvete?
- Não quero e jamais sairia com você.
- p***a, calma aí... Relaxa o cu. Não convidei você para sair e muito menos pagaria algo para você. Foi apenas uma pergunta.
Amanda vira o rosto em direção do Ruan com uma expressão de nojo e pergunta:
- Gosto sim, senhor Palazzi! E daí?
- Daí que é problema seu. Quero um sorvete e... – Ruan coloca novamente no bolso e tira R$2 – Quero um. Pode comprar, por favor? – Ruan sacudia o dinheiro e fazia uma cara de maior inocência do mundo, como ele não é inocente de nada, com certeza era deboche –
- Ruan, pelo amor de deus. Se toca! – Amanda vai embora com passos impaciente sem dar mais uma palavra. Ruan fica rindo só e perde seu olhar também. Em seguida, desce do monumento e traga mais uma vez seu cigarro. Ruan parecia pensativo, perdido nos próprios pensamentos sobre os objetivos da família, então soltou um leve pensamento pela boca “tornarei esse país melhor sendo o m*l necessário, país livre da homofobia, racismo e quaisquer desigualdades”. Alguém acelera os passos e põe ambas as mãos nos olhos do Ruan e diz “advinha quem é, gato”, Ruan impaciente diz “eu estava pensando, Carmen. Evite essas brincadeiras”, assim fez Carmen: tirando as mãos dos olhos de Ruan e parando na sua frente. Seu olhar era tão leve. Todos viam e sabia o quão ela importava-se com Ruan. Após um breve momento de silêncio, Carmen pergunta a Ruan:
- Oi... Com vai? Tentei ligar para você acho que... Dois dias atrás. Pensei: ou está ocupado ou... Perdido.
- Por aí... – diz Ruan tentando driblar o acerto de suas adivinhações –
- Por que não saímos agora?
- Bom... Somos Corvos, não somos? Você lidera João Pessoa e Recife. Não sei por que recusou Brasília. Uma mulher na bancada faz muito mais que 10 homens que se enrolam nas próprias palavras. Principalmente você, meu bem.
Carmen solta um leve sorriso de felicidade e diz:
- Meu bem? – enquanto sorria –
- Sim... Por que não quis Brasília?
Carmen ficou bem séria e respondeu firmemente e sem titubear:
- Não vejo meu futuro lá... Solicitei que Anthony cuidasse de tudo. Mandei pelo seu w******p até. Você só lê e-mail quando está entediado.
- Sim. Excelente escolha. – Ruan se desfaz do cigarro restante e prossegue – Preciso resolver isso... Estão matando nossos irmãos.
Carmen olhou para o corpo, respirou fundo e disse:
- Sim... É o 3º e não temos provas. Só simbolismo detrás de mais simbolismo.
- Sim... Logo resolveremos. Que merda... Tantos Palazzi no açude e ninguém vê essa merda acontecer ou passar com a merda do corpo. Enfim... Vamos esperar.
- Temos bons investigadores. Ainda não respondeu: vamos sair?
- Por qu... – Antes que Ruan terminasse sua fala, Carmen diz –
- MELHOR! Quero que compareça em uma festa em casa. Terá muitas mulheres e homens gatinhos a sua disposição – disse Carmen piscando um dos olhos –
- Não se... – novamente Carmen o interrompe e diz –
- Teremos bebidas e música! Não faça desfeita. Será às 23h. Apareça! Tenho surpresas para você.
Ruan respira fundo e diz:
- OK, eu vou. Amanhã resolvo algumas coisas.
Carmen deu um forte abraço em Ruan e um beijo na bochecha e lentamente foi afastando seu rosto de Ruan, mantendo somente seus braços em volta do mesmo e encarando-o como se tivesse andando por sua mente e seus sentimentos. Então Carmen disse “por que n**a seus próprios sentimentos por mim? Toque-me com seus lábios e tire desse mundo medíocre e leve-me para andar nos astros”, antes que Ruan falasse, algo roubou sua atenção mudando repentinamente sua feição demonstrando leve desconforto. Era Jean e Dorian a caminho da cena do crime. Ruan imediatamente soltou-se dos braços de Carmen e foi até Jean:
- Ei, que p***a é essa? Quem é esse? Repórter, detetive ou o quê?
- Calma Ruan. Outra coisa: falou alguma coisa para Amanda?
- Pedi um sorvete.
- Ai, ai... Você quiça as coisas!
- Quem é o garoto?
Antes que Jean apresentasse-o, Dorian Siglieri estendeu sua mão e disse:
- Ruan Montillo Palazzi... Em carne e osso. Sou Dorian Siglieri. Um estagiário! Estou colhendo informações para meu futuro emprego. A repercussão do “Estripador do Açude Velho” é enorme.
Ruan faz uma leve expressão de desprezo e disse:
- É só um assassino que acha que ficará impune por muito tempo. Os dias dele está contado.
- Aos olhos do poder judiciário ou os olhos dos Corvos?
Ruan soltou um leve sorriso de sarcasmo e disse:
- Ora, ora... O que você quer dizer?
- Quero dizer que uma forte dualidade de poder, senão predominância. Você não acha?
- f**a-se... Agora; sua voz é familiar. Nos conhecemos ou só é um fã, admirador ou sei lá... Já transamos?
Dorian soltou uma leve gargalhada e disse:
- Não faz o meu tipo, porém, como eu disse: estou apenas coletando dados. Licença.
Dorian partiu deixando somente Jean e Ruan, que por sinal, aproveitou e indagou:
- Sujeito ousado... Gostei dele. Deve estudar em alguma instituição Palazzi.
- Então – Jean coçou a cabeça como se fosse dizer algo desconcertante – ele meio que escolheu a UEPB. Não é adepto de muitas coisas sua... Senão todas. Ele é quase meu amigo de infância. Era muita mais velho, então cuidava dele às vezes. Grande homem.
Palazzi jogou o cabelo para trás e concordou com a cabeça, não demonstrando importância. Em seguida, fez um leve sinal para Magno avisando que partiria e saiu sem falar mais uma palavra. Enquanto isso, Dorian vislumbrava a cena do crime e realizava algumas anotações. Jean aproximara devagar sem querer atrapalhá-lo e pergunta:
- Acha que pode ser algum médico?
- Não sei... Talvez seja muito cedo para afirmar algo. De qualquer forma – disse Dorian enquanto buscava mais informações para anotar –, quantos médicos têm em Campina?
- Fui sarcástico, Dorian.
- Ah... Desculpa. Fazia tempo que não o via. – Dorian parou sua breve investigação e aproximou-se de seu amigo – Vejo que seguiu seus sonhos. Dizia isso desde o meu 9º ano.
- É... Houve momentos que ficava desestimulado, mas parece que você sempre adivinhava e dava-me forças. Você sabe o quão difícil foi àquela época. Depois que Ruan Palazzi tomou controle, coisas ficaram melhores e deve reconhecer isso.
Dorian vira o rosto e permanece em um breve silêncio, demonstrando desacordo com a afirmação de Jean, que logo percebeu e disse:
- Reconhecer o lado bom das coisas, mesmo perante o caos, é mais que sensatez, Dorian. – Jean toma uma postura mais discreta e prossegue – Temos nosso grupo de investigação contra os Palazzi e cedo ou tarde a justiça vem à tona. Mas devemos manter o legado dele. Viu o que ele teve que fazer para lidar com várias discriminações? Hoje vemos negros como eu... Mulheres, a cultura LGBTQIAP+ fazendo parte do cultural, sem quase discriminação. Agora finalmente aceitaram a natureza, finalmente, ou estamos no caminho. Estamos nos unindo e Ruan empurrou isso de uma vez por todas e...
Antes que Jean continuasse, Dorian o interrompe educDorianente:
- Licença, mas não quero que exalte este crápula na minha frente. Os Corvos fizeram um “excelente” trabalho, mas a custo de quantas vidas? Você fala em uma perspectiva que discordo! Prefiro evitar o assunto, se não for incômodo.
- Será, caso queira desmanchar o que foi necessário.
- A meu ver, nada é mais necessário que derrubar Ruan e sua família. Consegui entrar em contato com um m****o indignado com a direção do Ruan e quer derrubá-lo.
Jean fica incrivelmente surpreso e diz:
- O quê? Como?
- Longa história... Estou coletando muitas informações com o que é repassado, fora que ele tenta colher o máximo de provas. Com exceção de algo: que ele não seja citado.
- Está vendo? Os meios justificam os fins!
Dorian olha bem sério para Jean e diz:
- Você ama desde pequeno irritar-me, não é? – soltando um leve sorriso.
- Claro... Amo você, irmão – dando leve tapa nas costas do Dorian.
- Bom, adorei revê-lo, caro amigo, mas tenho que ir. Há dias tento falar com uma amiga, não consigo, e hoje é o dia.
- Namorando?