Pov's Laura.
Nossas testas ficam encostadas uma na outra, enquanto o silêncio percorre. O som das nossas respirações ofegantes ecoam. Até que entreabro os olhos:
— Você precisa ir embora.— ele sussurra.
— Eu não quero.— entrelaço os nossos dedos.– Eu quero ficar aqui com você, e com Noah.
Ele se afasta, montando uma postura distante; seu comportamento muda.
— Ah gente demais na minha casa.
— Como assim?— franzo a testa.
— Você não sabe?— n**o com a cabeça.— Sua mãe e suas irmãs estão hospedadas lá em cima.
— Mamita? — disparo, incrédula.— Por Deus!— ponho a mão na testa.— Como ela saiu do México? Ainda trouxe as minhas 5 irmãs?— quando vejo-o confirmar, fico horrorizada.
— Elas vão ser deportadas, nenhuma tem visto. Irei cuidar disso. Minha família não vai ficar te incomodando, Arthur.— o garanto.
— Não estão incomodando.
— Mamita deve tá fazendo sua casa uma zona, ela é muita escandalosa!
— Um pouco! Ela não tem nada de você, Laura.— seu olhar carinhoso me atinge. Até que sinto a vontade em meu coração em dizer:
— Há uma coisa que você precisa saber, Arthur... Mas não há aqui, e nem agora.— olho em volta do carro, com medo de haver alguma escuta.— Me encontra amanhã.
— Eu não sei se posso.— hesita.
— Por favor, eu vou te contar tudo e você vai entender o que se passa.
Arthur fica pensativo, e imediatamente concorda:
— Tudo bem, amanhã às 9 horas, na cafeteira que fica atrás do prédio.
— Cadê seu celular?— o peço.
— Eu não trouxe.
— Me der o seu número.— pego o meu aparelho, digitando às pressas.— Amanhã te envio uma mensagem, boa noite Arthur.
Estico o rosto, me aproximando do seu, dando lhe um beijo na bochecha. Ele fica sem reação, e sai do veículo, sem se despedir.
A sobrinha dele aparece, adentrando. Seu tom de provocação percorre:
— Fez as pazes com o titio?
— Não é da sua conta.— respondo seca.— Dirige logo esse carro, eu tô cansada, quero ir pro hotel — mando.
— Russo não vai gostar nada de saber que você estava de trela com outro macho— ela insinua.
Meus olhos lhe encara de relance, e o comentário nem um pouco me intimida.
— Se abrir a boca para contar alguma coisa ao seu chefe, quem estará ferrada é você. Até porque, quem deveria está me vigiando, não fez o trabalho certo— mando a indireta, e a loira ri; soltando uma risada falsa.
— Coitada, eu tenho até pena.—a loira debocha.
— Pena, por quê?
Daí dá uma gargalhada, e solta:
— Se acha que o russo vai ficar com você, está iludida queridinha, ele se cansa rápido das mulheres e você é mais uma da lista.
— Se acha que eu tô implorando pela atenção do gringo, está enganada.
— Quando ele cansar de você, irá amanhecer morta num caixão. Igual que ele fez com as outras.
— Antes disso, eu estarei entregando você e ele pra polícia.
— Cuidado com que diz, Laurita! É assim que sua mãe lhe chama né?
— Limpe sua boca pra falar da minha mãe, sua bandida!— a xingo, indignada.
— Experimenta contar alguma coisa da Máfia pro meu tio. Não só você, como sua mamicta, pagarão caro.
A olho bem séria, ouvindo a chantagem. E ainda por cima, tendo que escutar o meu sotaque sendo motivo de zombação.
— Se você encostar o dedo na minha mãe, eu acabo com você!
Aperto o seu braço, com bem força. E a mulher continua rindo da minha cara.
— Está avisada, queridinha. Não experiente trair o negócio, porque o russo não irá te poupar, só porque você tem um rostinho bonito.
— Eu vou usar todas armas que for necessário.
— Nem todas, seu filho custa milhões de dólares. — quando cita Noah, estremeço.— Imagina ele crescer em outra família. — com a voz bem mansa, ela levanta a hipótese.
— Se você encostar um dedo no meu filho, eu te mato, sua ordinária!
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Hotel,
Itália.
Pov's Dmitry.
Jogo baralho, numa mesa cercadas por magnatas. A maioria desses velhos são entediantes, mas eu preciso ser falso, para aumentar os lucros.
Bebo mais um copo de uísque.
Essa reunião, está me dando sono. Mas é aqui que fechamos investimentos e lucramos.
Um dos chefes de outras organizações criminosas, me cutuca:
— Como vai, meu amigo?
Disseu bate em meu ombro. Queria fingir que não o vi, mas é tarde demais.
— Estou ótimo!— finjo simpatia, revirando os olhos.— E melhor agora...— círculo o olhar pra b***a da mulher, que o acompanha— Que tal fecharmos negócio naquela morena gostosa?
Aponto para belezura seminua, que se exibe nos servindo drinks.
— Não está a venda.— meu comparsa ri.— E vejo que está mais comportado hoje, Dmitry, da última vez você fez um show com as strippers.
— Agora mudei, sou um novo homem.— dou de ombros.— Tô casado, minha mulher tá esperando até um bebê.
— É sério?— meu amigo de longa data, grita próximo do meu ouvido, por o barulho do som está muito alta.— Quem é vítima da vez?
— Digamos que eu sou a vítima, porque eu ainda não tive coragem de matá-la.— beberico mais alguns goles de bebida.— Ela é uma perfeição.
— Está apaixonado?
— Apaixonado, um homem como eu? — gargalho.— Bandido não se apaixona, Disseu, bandido mata. Veja como ela é!
Amostro Laura na minha tela de bloqueio do meu celular, exibindo-a pro meu sócio.
— Sua mulher é muito linda, com todo respeito meu amigo.
— É porque você não a viu pessoalmente, a beleza dessa mulher é surreal— deslizo os meus dedos sobre retrato, enquanto admiro cada traço do rosto angelical que reflete na tela.— Ela é perfeita.
— Tem certeza que é só a beleza dessa mulher que te fascina, meu amigo?
— E o que mais seria?
Sorrimos, como cúmplices.
— Eu ainda sabendo que irá embora amanhã, gostaria que ficasse mais dias na Itália, como meu convidado.
— Infelizmente não dará, minha esposa está grávida e pode ter o bebê a qualquer momento, preciso me manter por perto. E ainda terei que comemorar o aniversário dela, farei uma surpresa.
— Quem diria, Dmitry Petrov, se importando com as mulheres. — ele tira sarro.
De repente, a notificação chega no meu celular. Abro a mensagem, e dou de cara:
"Tá aí chefe, o que sua mulherzinha apronta, enquanto está fora. Estava aos beijos, matando a saudade com o meu tio" - Scarllet.
Abro o vídeo, assistindo a cena dos dois se beijando num carro. Ela nunca permitiu que eu a beijasse, e está beijando esse velho.
— Vadia.— solto o palavrão, fechando a mão em punho.— Ela me traiu.— sussurro, quebrando com a raiva o copo de vidro que seguro nas mãos.
— Pra onde vai assim, Dmitry?— Disseu me para.
— Preciso ir pros Estados Unidos hoje. Providenciem o jantinho.
Aviso aos meus capangas, pegando meu revólver da mesa e colocando na cintura.
— Você estava tão feliz, meu amigo, o que houve?
— Descobri que eu sou um i****a, mas isso não vai ficar assim.