Capítulo 6

2517 Palavras
Benicio Lambertti —Boa noite Morena - a cumprimento e ela engole seco, acredito que tenha ficado sem graça por conta do que fala a pequena, mas não vi como algo r**m, e sim um ensinamento sobre a vida, fora que algo me diz que vai além disso. — Oi! - sua voz sai baixa, afinal foi pega de surpresa - Boa noite, tudo bem? - vai falando com mais segurança — Sim, tudo ótimo - nos encaramos e ficamos ali naquela bolha que acabamos sempre criando quando nos olhamos — Que é o rapaz bonito tia? - somos tirados da nossa bolha, com a voz doce e cheia de curiosidade da pequena, então Ceci se vira e me apresenta —- Este rapaz bonito e um conhecido da tia meu amor, o nome dele é Benício - Acabo sorrindo, pois ao invés dela ficar sem graça pela sobrinha me chamar de bonito, ela me surpreende e repete o que a pequena diz e isso me faz sorrir internamente. Me abaixo e olho em seus olhinhos que brilham —- Tudo bem princesa? - olha para tia e depois para a mim — Tudo bem sim, você é de onde? - bem curiosa e esperta —- Eu sou lá de São Paulo, você sabe onde é? - pergunto e ela balança a cabeça em positivo. — Na verdade não sei onde é, mas sei que é uma cidade grande que aparece nas novelas da minha vovó e que a minha tia diz que vai viver um dia - se aproxima de mim com a mãozinha de lado da boca como se fosse me contar um segredo - a minha tia diz que um dia vai morar numa cidade grande igual está aí que você mora, ela não gosta muita da nossa cidade diz que tem muita gente esnobe e… - diz rindo e eu não aguento e acabo rindo também, porém ela não consegue finalizar os seus segredos que me revelam um pouco da morena “ adoro saber.” — Flavinha! - a morena a repreende - não se conta sobre a nossa vida assim para estranhos - me levanto e ficamos próximos —- Podemos resolver esta questão - franze a sobrancelha e acabo rindo - de sermos estranhos e só fazer o que a sua amiga falou ontem, me levar para conhecer a cidade e assim vamos nos conhecendo também - indago e ela me encara e antes que diga alguma coisa Samanta diz que vai levar a pequena para tomar sorvete enquanto combinamos, Cecília a fuzila com olhar enquanto a sobrinha pula de felicidade, e assim ficamos só nós dois - e aí o que me diz? - a questionei e ela, coloca a mexe de cabelo que cai em seu rosto para trás, e isto faz eu ter certeza que é um tick que tem quando fica nervosa. —- Não tenho tempo, afinal trabalho o dia todo, só tenho o fim de semana de folga, e isso quando não trabalho alguns sábados - me aproximo um pouco mais dela com as mãos no bolso sem tirar meus olhos do dela —- Não tem problema, acredito que tenha alguns lugares para se conhecer a noite, fora que não penso em ir embora tão cedo então consigo aproveitar suas folgas - se aproxima de mim com um sorriso — Está me cantando, mochileiro - Acabo rindo, pois ela gosta de debochar e provocar, já que expliquei que não sou mochileiro, que dizer meio que sou, já que viajo sem rumo às vezes. — Digamos que difícil não seria já que você é linda e tem algo que ainda não consegui identificar e como amo enigmas, estou louco para desvendar. - agora é ela que sorri, na verdade gargalha —- essa nunca tinha escutado, gostei, pois não sou um livro aberto, gosto da minha privacidade, mesmo que a aqui - aponta em volta - nesta cidade, o povo seja bem fuxiqueiro e ame saber da vida alheia, ainda assim, a minha vida tento deixar bem trancada. - ficamos assim nas indiretas e provocações até que a pequena volta feliz, com a boca suja de chocolate e isso faz com que nos afastemos um pouco — Pelo visto o sorvete estava bom né - a morena diz para sobrinha - já agradeceu a tia Samanta? - a pequena balança a cabeça em positivo - então vamos embora que já está tarde e nos acordamos cedo, você para ir para escola e eu para ir trabalhar. - pega na mão da sobrinha que me dá tchau com a outra mãozinha e se despede, apenas com aceno, e vai embora — Pelo visto o bonitao está babando pela minha amiga… - diz e me empurra com o ombro, nisso a olho é ela está sorrindo - olha não te conheço, mas acho que e uma pessoa boa, bacana, então só não brinca com a minha tá, ela já tem muitos problemas na vida dela, não precisa de um novo, na verdade o que ela precisa é de diversão, se desligar um pouco de certas coisas, por isso insiste nela te apresenta a cidade, fará bem para ela se distrair também, fora que estará na companhia de um Gato, então, não me decepcione - presto atenção em tudo o. Que ela diz e fico pensativo, pois sinto que a morena é alegre, toda sorridente, mas seu olhar diz outras coisas. Aviso que não tenho a intenção de magoar a amiga e assim entendido voltamos para a pousada (...) —- E aí preparado para ir até a escola? - Timóteo aparece na pousada logo cedo, só não entendo porque não me ligou, agora está na mesa tomando café comigo — Sim, quero vê de perto os talentos que tem lá - Digo e bebo um. Gole do meu café, então Samantha aparece e é vai até a mãe e nesta hora percebo que não sou o único que acompanha os seus movimentos, o que me faz pensar que alguém não veio só me encontrar. Ela me vê e quando vem me cumprimenta, repara que não estou sozinho, já que seu sorriso, morre quando percebe quem está comigo —Bom dia Benício, dormiu bem? - Balanço a cabeça em positivo — Bom dia Samanta, não vai me cumprimentar - seu tom é de deboche, provocativo — Bom dia para você também - diz seca, então volta a olhar para mim, minha vontade é de rir, da cara que ele faz, me me seguro — Garota eu te fiz alguma coisa para estar me tratando assim, afinal antes me tratava muito bem - sinto uma certa malícia no que ele diz, mas fico na minha, não sei ainda o que rola entre esses dois — acontece que as pessoas mudam, crescem e percebem que nem tudo é como pensamos ser, nem as pessoas, afinal elas acabam sendo falsas - diz olhando dentro dos olhos dele, então antes que ele a responda eu me adianto e tomo a frente afinal estamos num lugar cheio de pessoas, incluindo a mãe dela que está olhando para a nossa mesa —- Sá! posso te chamar assim né? - pergunto e ela sorri,já o Timóteo me fuzila com olhar, mas ignoro - Você poderia pegar um suco para mim - peço, pois assim ela se retiraria e acabaria aquele clima — Claro, já volto - sai e nisso encaro o meu amigo — Cara, já tinha reparado que as coisas entre vocês eram tensas, mas p***a o que tu fez para a garota? - pergunto baixo e ele coloca o cotovelo na mesa e me encara —-Nem eu sei, só sei que de um dia para outro ficou assim azeda - começo a rir, até que a dona Joelma traz o meu suco, diz que a filha foi ajudar um hóspede, agradeço e ela nos deixa sozinhos. Então finalizamos o café da manhã e saímos (...) Chegamos na porta da escola e o Timóteo diz que havia esquecido de me dizer algo, porém quando vou perguntar o que é, uma senhora aparece, então deixo o assunto para depois. Ele me apresenta, mas só com o meu primeiro nome, não gosto de quando chego nesses lugares falar o sobrenome Lambertii, só após conhecer bem os artistas, afinal muitos se aproximavam de mim por saber das nossas redes de galerias, afinal somos a rede mais conhecida neste mundo da arte, todos querem ter uma chance lá, porém não conseguimos atender a todos, então quando chego agora, vou devagar, até porque já tive caso de pessoas querendo passar a perna no amigo, fora que quero saber como serei recebido pelos curadores, e responsáveis dos locais que vou, sem que saibam quem eu sou, afinal minha mãe sempre nos ensinou que devemos sempre tratar todos iguais, independente da posição social, todos merecem respeito, e assim ela sempre fez ao longo da sua carreira, nunca discrimino nenhum artista, ele vindo de classe baixa ou alta, afinal nem sempre fomos assim poderosos, meus pais começaram de baixo e lutaram muita para chegar onde chegaram. — Bom dia, seja bem vindo Benicio, Timóteo disse que você é um grande apreciador da arte - diz simpática, mas sinto um certo deboche no final, afinal quem sou eu né, para me dizer que sou apreciador da arte se nem artista sou. Outra coisa que percebo é a forma que me olha, ela já é uma mulher mais velha, bonita mas nem chama a atenção — Sim, amo arte, cultura, olhar a vida com um olhar diferente, por isso adoro viajar e tirar fotos, está é minha paixão e não as telas, porém sim entendo e admiro muito quem consegue transmitir o que sente para uma tela, digamos que consigo captar alguma coisa quando vejo uma pintura - me o observa meio com desdém até que vamos caminhando pelos corredores e nisso vejo em uma das paredes uma obra magnífica que diz muito, porém visivelmente ela não tem tanto sentido, então paro e automaticamente ela também, começou a descrever o que sinto ao ver o quadro e quando a olha está com de boca aberta. — Meu deus, nunca ninguém falou tão bem desta obra, a descreveu com tanta sabedoria, sim a artista em questão, passava para a tela os seus sentimentos, sentimentos esse que acabou de descrever, ela estaria muito feliz em saber disso, mas não está mais entre nós - franzo a testa então ela explica que o quadro em questão é da sua mãe a fundadora da escola, que infelizmente não está mais entre nós, digo que sinto muito. Então continuamos conhecendo a escola, vamos em várias salas, vejo alguns talentos que se destacam, mas por hora não digo nada. Só observo, afinal pretendo vir mais algumas vezes, já que quero ganhar a confiança dela para assim perguntar da artista que me trouxe a esta cidade. No final ela nos leva até a sala dela onde fica a secretária, e assim que estamos entrando, meu telefone toca e vou o pegar do bolso o que faz eu não olhar para frente e acabo esbarrando em alguém que deixa um líquido gelado cair na minha roupa.. — Aí perdão - escuto aquela voz e sinto meu corpo logo reagir, assim como meu coração vacilar, levanto olho para frente e lá está a minha morena, a boneca que não sai dos meus pensamentos, nos encaramos e antes que um de nós diga algo, uma voz severa, grossa se faz no ambiente —- Meu deus Cecilia, olha o que você fez, precisa prestar mais atenção - nesta hora a nossa bolha se rompe e vejo seu rosto queimar de raiva, porém ao se virar ela para a mulher respira fundo e da seu melhor sorriso, e isso me faz pensar, em como ela deve engolir sapo aqui dentro — Não foi por querer Abgail - se vira para mim novamente - Desculpa não queria te sujar - sinto que ela está sem graça, porém noto que não diz meu nome, então prefiro ser profissional, afinal estamos no ambiente de trabalho dela pelo o que parece — Tudo bem a culpa não foi sua e sim minha que peguei o telefone e não olhei para frente - Digo olhando nos seus olhos, ela sorri timidamente para mim e se retira avisando que irá buscar um pano, nisso vejo que Timóteo vai atrás dela. — Desculpa Benício, Cecília é meio desastrada às vezes - agora diz f**a simpática — Como eu disse não foi culpa dela, agora se me der licença, melhor deixarmos para finalizar a nossa conversa outra hora, afinal preciso trocar está blusa - aponto para a minha blusa e ela sorri, diz que tudo bem, que vai adorar me ver novamente, sua voz sai até meio melosa, então marcamos para nós encontrar no dia seguinte, saiu da secretária e sigo o corredor que dá para o pátio, onde imagino que a Cecília foi com Timóteo, e acabo estando certo eles estão perto da cantina e pelo andar da morena de um lado para o outro, mostra que está p**a, caminho devagar até eles e escuto o que ela diz — Essa mulher é uma narja, se faz de simpática, mas é uma cobra, as coisas aqui com a a mãe dela eram melhores, ela sim tratavam todos iguais e com respeito essa aí só sabe ser fria e ama humilhar os outros, deve ter atendido seu amigo, porque está com você né - diz aí Timóteo, ela fala tudo rápido, coloca o cabelo várias vezes atrás da orelha e bufa, realmente está muito p**a e eu não a recrimino, a mulher foi horrível. Enfim ela para de caminhar de um lado para o outro, já que uma moça a chama e entrega um rodo, pano e balde, então se vira e me vê ali, Timóteo esconde o sorriso, pois já havia me visto e não disse nada a ela, até que ela o olha e o fuzila com o olhar — Desculpa novamente não foi mesmo a minha intenção - me aproximo finalmente dela. —- Relaxa está tudo bem, é só uma blusa molhada e já te disse a culpa foi minha, eu tenho que te pedir desculpa por todo transtorno que causei - enfim ela relaxa e dá um sorriso - quem sabe se você aceita jantar comigo, assim me sentirei melhor e já poderá começar a me mostrar lugares diferentes da cidade - tento aproveitar a deixa e ela percebe, pois semicerrados os olhos e sorri para mim colocando a mão na cintura —Você não perde tempo e não irá desistir de me fazer sua guia turística né? - Balanço a cabeça em negativo - tudo bem estou merecendo me desestressar, pega meu contato com Timóteo, pois agora preciso lá vê a bruxa - Acabo rindo com o. Que ela diz no final e assim nós despedimos. “ Aí aí morena, pode deixar que farei você desestressar “ - penso ao vê-la se distanciando. Continua
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