Capítulo 5

2212 Palavras
Cecília Rios Às vezes achamos que estamos tendo um péssimo dia, mas aí um anjo aparece e muda tudo. Júlio quase acabou com a minha noite passada, mas meu salvador não deixou e me salvou das garras do lobo m*l. Porém nem sempre terei meu salvador por perto né, ilusão acreditar em contos de fada, na verdade a anos nem penso mais nisso, pois príncipes não existem, assim como o amor, sentimento que também acredito que não, pelo menos nunca precisei um, o que presenciei e presencio até hoje na minha vida é desilusão, traição, mentiras, falsidade, egoísmo e individualismo. (...) Acordo e, após fazer a minha higiene matinal, saiu do meu quarto que divido com a minha mãe, que já não está mais na cama e sigo para a cozinha — Bom dia minha filha, como foi a sua noite? - me questiona toda carinhosa, me aproximo dela peço a sua benção e após ela dá eu me sento e começo a contar — Foi boa mãe, consegui me distrair um pouco - omito a parte que o namorado da filha dela me encurralou não tem tempo para você - minha mãe sempre pensando no meu bem estar —- Vou tentar mãe, prometo, vamos ver, se eu conseguir uma promoção lá na escola, ganharei um pouco mais e assim poderei terminar o meu curso e quem sabe sair mais — Que bom filha… você precisa sair mais, trabalha tanto, cuida de mim, da Flavinha e também - indago confiante — Eles vão te dar sim filha, você é ótima no que faz, e agora que a administradora saiu de lá, nada mais justo que você que é assistente a um tempo e já sabe como lidar com tudo lá, ganhe o cargo, mesmo que não tenha concluído seu curso ainda. - diz positiva como sempre —- Assim espero mãe… e a Flavinha já chegou da casa da amiguinha? - pergunto e passo manteiga no pão, e pelo olhar da minha mãe já sei que aí tem coisa. —- Não, sua irmã ainda não levantou - “diz as palavras devagar, sem vontade de me contar —- Como não mãe, já são onze horas da manhã, ela nem saiu ontem - indago com a voz já alterada e nesta hora minha mãe meio que desvia o olhar de mim, o que me faz ter certeza que aí tem coisa — Na verdade um pouco antes de você chegar ela deu uma saída e só voltou após você já estar em casa - fico perplexa, pois ela disse que não ia sair e esse foi um dos motivos pelo o qual eu saí também, não gosto de deixar minha mãe sozinha, por conta das tonturas repentinas que ela tem, entre outras coisas. Outra coisa que me chama atenção é ela ter a acordado várias vezes, afinal após tomar seu remédio da noite, ela capota —- Mãe, sobre a louca da Celina já conversamos, mas agora me conta o porquê de ter acordado tanto? - a questionei e ela começa a ficar agitada, pois fica nervosa —- Só acordei um pouco filha, pois levantei algumas vezes para ir ao banheiro - a encaro, pois sei que está mentindo —- Cadê a caixinha dos seus remédios, dona Valéria? - começa a mexer na xícara e isso entrega de vez seu nervosismo - Mãe? — Desculpa filha, o remédio da noite acabou, sei que este mês você teve muitos gastos extras comigo e está apertada, não poderia te dar mais esta preocupação - sua voz sai triste, minha mãe se sente péssima por não conseguir ajudar tanto em casa, após sua saúde ficar um pouco debilitada, diminuiu o ritmo de trabalho, ela costurava e fazia faxina para completar a renda do mês e não deixar faltar nada a mim e a minha irmã. Mas agora ela só faz umas costuras ou outras. Me levanto da minha cadeira e dou a volta na mesa e sento ao seu lado, ela se vira para mim e ali sinto a sua dor, então respiro fundo para não pegar pesado com ela —- Mãe, sua saúde sempre estará em primeiro lugar, seus remédios não podem faltar, sempre darei um jeito - acaricio a sua mão e ela enfim em olha —- Você tem as suas coisas e já ajuda tanto meu amor - seus olhos ficam marejados e sua voz sai triste —- E continuarei ajudando, então me prometa que nunca mais vai deixar de me avisar, por favor - ela balança a cabeça em positivo - ok se não terei que tratar a senhora como criança é dar remédio na boquinha, assim ficarei atenta quando acabar - Digo sorrindo, para descontrair e ela acaba ficando mais calma, então peço o nome dos remédios que estão acabando, que comprarei mais tarde, mesmo que seja com o último dinheiro que tenho, que havia separado para passar o resto do mês, sendo que não é muito e tenho gastos na escola, pois vira e mexe preciso ficar mais tempo trabalhando e acaba que tenho que comprar lanche na cantina que tem lá, mas nestes 10 dias que faltam para acabar o mês, terei que ficar sem comer até chegar em casa. Mas não ligo já estou acostumada a não me priorizar. Afinal minha mãe é minha e a Flavinha são as minhas prioridades. Voltamos a tomar o café, que dizer eu, já que ela só me acompanha, pois logo sairá o almoço — Bom dia! - Celina aparece com a cara amassada e antes que eu diga algo minha mãe segura na minha mão, o que faz eu recuar… —- Bom dia filha - minha mãe a respondeu —- Eita que alguém dormiu descoberta esta noite, o que foi maninha sua noite não foi boa? - minha mãe me olha, mas por mais que eu queira é difícil ficar quieta com a provocação dela. —- Eu tive uma noite ótima, me diverti muito, agora me diz você o que fez na sua, já que saiu de fininho na madrugada - o sorrisinho dela morre, pois não é mais segredo sua escapadinha —- Eu sai mas não demorei nem 1 hora, foi rápido - assume —- Você é muito irresponsável, sabia que a mamãe estava sozinha, mas ainda assim foi atrás daquele verme, o que aconteceu ele veio te pedir colo - seus olhos aumentam de tamanho, pois percebe que sei que ele apanhou é isso me faz rir - o que foi, ele não te contou que levou uma coca na boate, onde estava na noite passada rodeado de vagabunda, enquanto você está aqui suspirando por ele e no fim ainda te procura para cuidar dele e claro você vai correndo —- Sim ele corre para mim, pois eu sou a mulher dele, e sim eu sabia que ele ia até a boate, pois foi comemorar o aniversário de um amigo, e não sou essas namoradas pegajosa, confio nele, sei que está mentindo sobre ele estar rodeado de vagabunda, afinal me quer longe dele. - Acabo gargalhando, pois a trouxe finge que não vê, mas sabe lá no fundo que tudo o que digo é verdade — Ele te contou porque apanhou? - a questiono, não falarei nada, mas quero saber até onde vai a cara de p*u do filho da p**a. — Sim, foi defender um amigo de uma briga e acabou entrando na roda - responde e continuo rindo - que saber não tenho que te dar satisfação, mãe cadê a Flávia? - muda de assunto, porém ,é outro que me deixa p**a, pois ela sabia que tinha que buscar a Flavinha de manhã, pois a amiguinha tinha compromisso com os avós —- Está te esperando, já que esqueceu de buscar a sua filha - respondo pela minha mãe, ela me fuzila com o olhar antes de se virar e voltar para o quarto, já que estava de pijama, deve ter ido se arrumar para enfim buscar a filha —- Ceci, não precisava pegar pesado falando das garotas que estavam com Júlio - minha mãe sempre querendo amenizar as coisas —-- Não vamos mais falar deles mãe, vou finalizar meu café e te ajudo com o almoço tá - beijo a sua bochecha e volto a tomar o meu café, não demora e a Celina sai do quarto e em seguida sai de casa batendo a porta, olho a para a minha mãe e acabo rindo, pois ela pode ser mais velha que eu, mas continua sendo uma menina mimada e pirracenta. Ficamos ali na cozinha, conversando, ajeitando as coisas, coloquei uma música , pois adoro dançar , cantar enquanto arrumo a casa e faço comida , ficamos lá até que a nossa princesinha chega e claro corre para o meus bravos , o que não tenho de ligação com a minha irmã tenho com a minha sobrinha que se parece mais comigo do que com a mãe o que a deixa mais p**a , minha irmã é loira e eu morena e minha sobrinha e igual nas os olhos são verdes e não azuis iguais os meus esta parte já é da minha irmã —-E ai meu amor se divertiu na casa da sua amiguinha , foi legal a festa do pijama ? - pergunto ,já sabendo a resposta pois seus olhos brilham , então ela diz que sim que brincaram muito . Ela fica ali conversando comigo, Celina vai para o seu quarto . Passamos a tarde juntas , almoçamos brincamos e já no final do dia, minha pequena pergunta para a minha irmã se elas na pracinha comer pipoca e tomar sorvete ,como ela havia prometido mais cedo, porém a preguiçosa disse que estava cansada , detalhe nem fez nada hoje e agora só está assistindo Tv poderia muito bem levar a filha para um passeio. Flavinha fica triste e isso corta o meu coração . então digo que vou - lá para brincar na pracinha. — Você sempre mimando a minha filha - Celina resmunga, mas a ignoro, pois não quero mais brigar, então nós duas vamos até o quarto nos arrumamos, ela coloca um shorts e uma blusinha e eu coloco uma roupa parecida, um shorts de malhinha e um cropped. Ela passa um batom, pois é toda vaidosa e faz eu passar também, já que não sou tão vaidosa, me cuido, mas não tenho tempo e nem dinheiro para ficar comprando para mim, enfim nós olhamos no espelho após estarmos prontas e ela diz que é estamos linda. Acabo sorrindo e a abraço. Seguimos até a sala onde minha irmã nos olha de r**o de olho, mas não diz nada, nem que a filha está linda. E antes que eu me aborreça, levo a minha pequena para passear. —- A pipoca estava uma delícia, mas queria muito um sorvete também - chegamos na pracinha, ela brincou um pouco, enquanto eu ficava ali observando sentada no banco, até que ela lembrou da pipoca. Como eu tinha ainda um trocado guardado, fomos até o carrinho, pedimos a pipoca e ela comeu com muito gosto, realmente estava com vontade. Porém ela não esqueceu do sorvete, então explico que hoje não dará, que depois fizemos outro passeio e vamos na sorveteria para ela comer um bem grande, ela ainda tenta argumentar, pois minha irmã por não ser uma mãe muito presente, quando sai com ela da tudo o que ela quer para compensar, mas não é assim que as coisas funcionam, amo minha sobrinha dou tudo o que ela quer, mas ela precisa entender que as coisas não dão assim fáceis, ela já tem sete anos, após eu explicar ela sorri, mas é nítido que por dentro está triste e antes que eu diga mais alguma coisa a maluca da Samanta chega por trás de mim, e claro que a Flavinha pula no seu colo, pois a adora. — Eita o que a Flavinha tem que está triste? - Samanta percebe a carinha da pequena. — A maluca da Celina prometeu que sairia com ela hoje, e que iriam comer, pipoca, sorvete, enfim várias guloseimas e ela já comeu a pipoca, mas o sorvete não vai rolar e ela tem que entender, afinal dinheiro não cai de árvore - Digo o final num tom de brincadeira, mas no fundo estou chateada por não poder dar a ela o que ela quer, sei bem o que é querer um doce e não ter dinheiro. Olho para as duas e vejo que ambas mudam a fisionomia, Samanta me olha meio que tentando me avisar algo, já minha sobrinha olha para atrás de mim com olhar de encantamento. E aí sinto uma presença atrás de mim e me viro., só não estava preparada para vê, quem acabo de ver. —Boa noite Morena - sua voz sai rouca, suave e seu olhar me desconcerta, até que lembro o que acabei de dizer, engulo seco, afinal penso no que ele irá pensar. “ p**a que pariu eu e minha boca, espero que não pense que sou uma pessoa r**m, já que neguei um sorvete a uma criança “ - pénso Continua
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