Melanie Petrov.
Casinos de VEGAS.-
A noite- 21:30 PM.
Las Vegas era conhecida como a cidade do pecado, a cidade que nunca dormia. Os diversos cassinos eram as atrações principais; como as discotecas e o jogo de luzes.
Viktor estava comemorando a sua vinda nos EUA, em grande estilo, num cassino. Ele bebia horrores, o uísque, colocando toda a garrafa na boca.
Nós estávamos em volta da mesa de power, meu esposo estava jogando apostado junto com seus irmãos, que curtiam a noite, ao lado das suas esposas.
Todas armas estavam em cima da mesa. Era um costume do mundo do crime, de não trapacear. Qualquer um que tentasse passar a perna, estava sujeito a ser punido.
— Ganhei de novo, caralhoooo!
Meu cunhado Dmitry vibrou ao jogar carta de baralho sobre a mesa, pegando todas as fichas e beijando Irina, que sorria orgulhosa.
Eu estava arrumada altura, de quem se espera de alguém do meu patamar. Havia me submetido aquilo para agradar Viktor, eu queria que ele me olhasse com outros olhos, e não só com pena.
Um dos garçons parou à mesa.
— Minha esposa é aquela....— ele apontou com dedo, e sorri brevemente, feliz.
Até que eu estava sendo notada, e por incrível que pareça, me sentia incluída.
— Está aqui, madame, a sobremesa.
— Thank you! (Obrigada)— agradeci em inglês, mas imediatamente recebi os olhares feios.
Viktor me repreendeu através do olhar duro. Toda animação sumiu do seu rosto. Lhe enxerguei do outro lado da mesa, apertar o garfo de com força.
– Traga também uma taça de vinho para ela.— Giulia pediu, fazendo o garçom imediatamente se retirar.
O clima ficou tenso.
— O que eu disse de errado?— sussurrei baixinho, e encolhi os ombros, na hora que meu marido quase se levantou da cadeira.
Ele gritou irritado:
— Esses bostas que devem se virar para falar o nosso idioma, e não, nós os deles! Já basta o dólar ser a moeda mais valiosa do mundo, não podemos nós curvar a essa gente.
Seu tom era cheio de preconceito; o mesmo pensamento que muitos russos tinham.
Abaixei o olhar.
— Vacilou legal, Melanie.— Irina comentou, jogando a indireta.
— Essa i****a ainda está apegada a esse país de m***a!— escutei o xingamento.
— Mano, tenha calma, foi sem querer. — Boris tentou contê-lo, mas Viktor estava bêbado. — Não arrume confusão por besteira.
A taça de vinho foi colocada na minha frente, pelo garçom.
— Não quero.— afastei a taça.
— É só alguns goles, acho que não terá problema para sua deficiência.— a minha cunhada italiana falou.
A olhei incrédula.
– Já disse que não quero beber.— rebati, virando o rosto incomodada.– A minha deficiência, não é da conta de ninguém.
Direcionei a atenção para minhas pernas que estavam sobre a cadeira de rodas.
— Perdão, eu nao falei para afeta-lá— a mulher de olhos verdes tentou se corrigir.— Mais você é muito sem sal, Melanie. Não sente medo que o seu marido vá procurar outras mulheres?
Logo, encarei Viktor, que novamente se divertia, arremessando sobre a mesa vários dólares para comprar mais fichas.
Ele gritava igual um louco, tão eufórico. Seus irmãos também já estavam embriagados.
As únicas que estavam enrolando na bebida eram as minhas cunhadas.
— Se ele for procurar outras mulheres, quem irá perder é ele, e não eu.– meu tom saiu ressentido.
— Perdoaria uma traição?
A voz de questionamento da mulher de cabelo escuro, me fez ficar pensativa.
— E-eu...
— Porque eu não perdoaria o Boris, se o canalha me traisse.— ela disse, colocando todo o copo de vodka na boca.— Você quer?
Giulia me ofereceu um cigarro, com d***a. Neguei com a cabeça.
— Os Estados Unidos é o país da maconha, e você está recusando americana.— ela debochou.– Irina pega.— ela entregou para outra.
As duas começaram a fumar, e soprar para o ar. Aquele cheiro estava me deixando enjoada.
Todos estavam curtindo e rindo. Eu era a única que estava séria naquela mesa.
— Melanie, vem para cá.— Viktor me chamou, até me surpreendi quando quis que eu me sentasse ao seu lado.— Não sai de perto de mim.
Ele agarrou a minha mão, entrelaçando os nossos dedos. Meus olhos brilharam ao encarar o gesto carinhoso.
Viktor me puxou para sentar em seu colo e começou a me ensinar a jogar power. Ele estava ganhando, e sua alegria era tanta, que estava me dando a sua atenção.
Seus lábios começaram a beijar o meu cangote, cheirando ao arredor. Era seu lugar favorito, quando tínhamos i********e.
Já faziam 2 meses que ele não me beijava dessa forma, em público, na frente de todo mundo. Acho que a bebida estava fazendo algum efeito.
Encostei a minha testa na dele, enquanto sorria. Quis dá-lo um selinho, mas Viktor intensificou, fazendo o selinho se tornar um beijo.
O nosso beijo era com gosto de álcool. Seus lábios beijavam rapidamente de forma molhada, se encaixando em minha boca. A sua língua pedia passagem na minha. Nos beijavamos, sem nos importar com os olhares.
Enquanto isso, eu puxava alguns fios do seu cabelo levemente, sentindo-o descer as mãos para minhas curvas, apertando.
— Te amo.— em meu ao beijo, o ouvi sussurrar. — Você tem o cheiro mais gostoso do mundo.— seu tom rouco soou no canto do meu ouvido.— Eu sou completamente louco por você.
Abri os olhos, quando ouvi a última frase.
— Por que estava me rejeitando ultimamente? — questionei, e ele riu fraco.
— Sabe quando eu olho para você, minha chérie... sabe o que eu consigo enxergar? — nossos olhos se guiaram até as minhas pernas.— O tiro que eu teria levado. Eu me culpo em te ver nesse estado, numa cadeira de rodas. Eu tenho vergonha de você.— abaixei a cabeça, ficando sentida.— Não da forma que você pensa, Melanie, mas sim por eu ter sido um covarde em não ter te protegido. Quando eu nos seus olhos, eu sinto pena de mim mesmo, porque era para eu estar aí...
Ele apontou para cadeira de rodas vazia.
— E eu nunca seria o chefe da Máfia— Viktor desabafou. — Porque a minha família nunca confiaria num fracassado.
Pela primeira vez, meu marido estava mostrando um lado que eu desconhecia, um lado sentimental.
— Você não pode se culpar a vida inteira, a culpa não foi sua. Já passou, não há como voltar. Agora temos que focar no presente e no futuro.... E por mais que o nosso mundo seja complicado, Viktor...—desci a mão dele, até a minha barriga, prestes a revelar que estava grávida.
Porém interrompi a frase, quando ouvi:
— Quero que você faça um favor para mim, Melanie.
— Que favor?— franzi o cenho, olhando-o confusa.
— Eu tenho muitos inimigos, eles podem querer usar você, para me atigir. Quero que você volte para Moscow e fique lá em segurança.
— Mas iríamos ficar separados.— aleguei, com a voz triste.— Não quero ficar de longe você, Viktor. — o abracei, e momentaneamente fui afastada vagarosamente, e suas orbes azuis me preencheram;
— Ou então eu terei que te internar numa clínica aqui nos EUA.— ele sugeriu.
— Eu sou um fardo para você?— fui direta.
— Não leve para esse lado, Melanie.
— Você diz que me ama, mas parece querer me descartar o tempo todo. Se está cansado, pede o divórcio, c*****o! — gritei, perdendo a paciência, enquanto recebia os olhares.— Posso me virar sozinha. "Aleijada" aqui, não precisa de ninguém. E muito menos de um filho da p**a!
— Não me afronte, Melanie.— ele apertou o meu braço, me lançando um olhar ameaçador.— Pare de me xingar. Você pensa que tá falando com quem?
— Já não sou a sua esposa, olha o jeito que você me trata!— apontei, quase chorando.
— Não seja dramática, Melanie. Quer ficar do meu lado? Você fica p***a, mas se você morrer, a culpa será exclusivamente sua. Não vou te poupar por você ser a minha esposa, irá trabalhar também para Máfia. E se cometer qualquer erro, eu juro que eu te mato.