Não Olhe

1379 Palavras
Jade narrando Me irrito com sua risada e reviro os olhos mais uma vez, o garçom vem até nós e antes que fale algo o Antoni entrega os cardápios em sua mão sendo totalmente autoritário e sem educação. — Para começar, água mineral com gás. Como prato principal, duas porções de polenta taragna acompanhadas de funghi porcini. Para a senhorita, um suco de uva orgânico. E minha bebida, uma taça de Brunello di Montalcino — ele diz rapidamente e o atendente concorda se virando agora para mim. — Desculpe-me, deseja escolher uma sobremesa? — ele pergunta diretamente para mim, e eu confirmo com um aceno de cabeça aliviada. — Vou querer uma porção de tiramisù, se tiver, por favor. Digo e ele assente saindo, o Antoni encara as costas do homem furioso e fico sem entender sua reação. — Você também queria pedir sobremesa? Pergunto e ele n**a respirando fundo, até tenta desfazer sua cara nervosa mas não consegue me apresentando uma sessão de expressões engraçadas, quase como um emoji em definição. — Quer que eu chame o moço? — pergunto tentando ser pró-ativa e uma veia na testa dele salta o deixando vermelho e mais irritado, o que esse homem tem? O moço volta com a água e o Antoni o encara sério. — Pode passar sua função da nossa mesa para outra pessoa, quero outro atendente — ele diz e fico confusa, ele é doido? — Desculpe senhor, mas houve algum problema? Se eu puder resolver farei o possível. — Houve um enorme, você falou e olhou para a minha mu... secretária, não quero mais seu atendimento, pode ir — ele diz e o coitado sai cabisbaixo. — Precisava ser m*l educado assim? Coitado — Está defendendo-o ?— ele diz me encarando de braços cruzados e respiro buscando paciência, bem que a Julia falou que ele é doidinho, tenho que me controlar, senão serei demitida em muito breve. — Não, apenas sei como é ser maltrata em serviço, horrível e sem necessidade, e você ainda me destratou nessa ordem toda, como se eu não soubesse falar por mim mesma — digo e ele parece relaxar os ombros enquanto vou falando — E não precisava brigar com o rapaz apenas por ele não perguntar da sua sobremesa. — Não foi por isso — ele diz simples e fico esperando que complete a frase — Ele queria algo meu, e eu cuido muito bem do que me pertence para ninguém tomar ou desejar. — E o que é seu aqui? — ele abre a boca para falar, mas na hora se fecha pensando melhor. Fico em silêncio olhando para as outras mesas e esperando a comida, mas ele parece um doido que nem pisca enquanto me olha. — Jade quais os planos para amanhã? — ele pergunta e me viro o olhando novamente sem vontade, queria meu almoço em paz e tranquilidade. — O senhor tem apenas que revisar documentos e assinar algumas coisas com o financeiro, é possível uma reunião online no período da tarde, mas não foi confirmada com seu remetente, nada muito grande, e a sua antiga secretária tinha reservado seu almoço em um lugar de comida árabe, mantive a reserva — Você irá me acompanhar no restaurante — ele manda e assinto ficando aliviada com a comida chegando Como em silêncio e com pressa querendo acabar logo com isso, ele fica me encarando o tempo todo enquanto come já me irritando. — Vou acabar tendo gastura se você continuar me olhando — digo sincera e ele curva a cabeça com um pingo de raiva, problema dele. — Pois se acostume, eu gosto de olhar o que é meu, e você é minha... secretária. Reviro os olhos torcendo para ter paciência, aí se eu não tivesse tanta coisa para pagar no cartão de crédito, eu já tinha me demitido [...] Termino meu trabalho e fico olhando entediada para o computador, não tem ninguém com mais fichas, nenhuma esposa irritada me ligando querendo saber o que seu marido está fazendo que não atende seus recados, e sinto mais falta ainda do café que passava periodicamente. — Terminou?— dou um pulinho de susto e olho para o Antoni, tinha até esquecido que ele está me encarando, estou começando a me acostumar nessa loucura. — Sim senhor, eu vou ao toalete com licença — digo me levantando e saio antes dele falar algo que me impeça. Fecho a porta atrás de meu corpo e a Julia larga o seu celular vindo até mim me abraçando com carinho — Aí meu santo Deus, você está viva, o que aquele doido fez com você amiga? — Olha ele é meio doido mesmo, mas ainda não fez nada, só fica me encarando até o momento, ficar naquela sala é desconfortável. — Você devia entregar currículo amiga, tenho um pressentimento r**m com o Antoni perto de você. — Eu também — digo e abraço ela de novo. — Quer que eu te leve no toalete minha Jade? — o senhor Antoni pergunta e suspiro me separando da Ju. — Não senhor, já estava indo. — Eu te acompanho — ele diz e n**o com a cabeça mas ele pega em minha mão me levando mesmo assim — Pronto. Ando com raiva para o banheiro e só não bato a porta porque no fim ele ainda é o meu chefe e pode me demitir. [...] Fico esperando dar a hora de ir embora já que fiz tudo e ainda adiantei o serviço dos próximos dias, esse serviço é moleza comparado com o que eu dava conta. — Está liberada Jade, vamos — ele diz desligando o computador e sorrio fazendo o mesmo. Pego minhas coisas e abro a porta animada pela minha liberdade, finalmente. — Tchau senhor Antoni, até amanhã. — Eu te levo em casa — ele diz e n**o indo para fora do seu escritório com mais pressa. — Não precisa, a Julia me leva — olho para a mesa dela e estranho estar vazia. — Meu pai teve que a requisitar para algo fora da empresa, vamos eu te deixo em casa, não aceito "não" como resposta — ele diz e para ao meu lado oferecendo seu braço para eu segurar. Apenas ando até o elevador privativo sem dizer mais nada, e esperamos em um silêncio desconfortável para mim. Quando a caixa de metal finalmente chega, entro primeiro e aperto o térreo como de costume, mas ele aperta o subsolo. — Jade vai ter uma reunião e eu preciso que você prepare alguns slides dos ganhos e divisões feitos com os últimos lançamentos de aparelhos eletrônico. — Ok senhor — falo e ele se apoia na parede de olhos fechados, finalmente sem em olhar. — Qual perfume você usa? — Por que? — pergunto achando estranho, será que ele é um psicopata ou tarado? — Só fala logo — É o Baccarat Rouge 540 — falo e ele só mexe no celular logo guardando no bolso, tive que parcelar em várias vezes, mas pelo jeito pra ele são só trocados. Chegamos na garagem e ele coloca a mão nas minhas costas me empurrando devagar até seu carro. Ele abre a porta para mim e sinto cheiro de couro novo, quando ele bate a porta fecho meus olhos cansada e querendo sentir melhor o cheiro, eu bem queria um carrinho meu, mas é tão difícil o processo para tirar a carta. Me assusto com ele tocando em mim mas ele apenas fecha meu cinto de segurança sem nem me perguntar. — Quando sair do prédio vira a esquerda — digo indicando. — Eu sei o endereço — fico tensa pensando em como ele descobriu isso, aí meu Jesus, será que a Julia estava certa esse tempo todo e o Antoni é doido? — Eu vi nos dados da empresa hoje, só um maluco saberia sem ser necessário. Ele diz e dá uma risadinha, sorrio para não ficar feio e relaxo minimamente, parece até que ele estava lendo minha mente. Isso é impossível né? Tudo bem que a empresa dos Russos é de inteligência artificial, aparelhos eletrônicos e um monte de coisa do tipo, mas acho que ele não me investigaria, essas coisas nem existem, só em filmes e livros mesmo.
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