Jade narrando
Me irrito com sua risada e reviro os olhos mais uma vez, o garçom vem até nós e antes que fale algo o Antoni entrega os cardápios em sua mão sendo totalmente autoritário e sem educação.
— Para começar, água mineral com gás. Como prato principal, duas porções de polenta taragna acompanhadas de funghi porcini.
Para a senhorita, um suco de uva orgânico. E minha bebida, uma taça de Brunello di Montalcino — ele diz rapidamente e o atendente concorda se virando agora para mim.
— Desculpe-me, deseja escolher uma sobremesa? — ele pergunta diretamente para mim, e eu confirmo com um aceno de cabeça
aliviada.
— Vou querer uma porção de tiramisù, se tiver, por favor.
Digo e ele assente saindo, o Antoni encara as costas do homem furioso e fico sem entender sua reação.
— Você também queria pedir sobremesa?
Pergunto e ele n**a respirando fundo, até tenta desfazer sua cara nervosa mas não consegue me apresentando uma sessão de
expressões engraçadas, quase como um emoji em definição.
— Quer que eu chame o moço? — pergunto tentando ser pró-ativa e uma veia na testa dele salta o deixando vermelho e mais
irritado, o que esse homem tem?
O moço volta com a água e o Antoni o encara sério.
— Pode passar sua função da nossa mesa para outra pessoa, quero outro atendente — ele diz e fico confusa, ele é doido?
— Desculpe senhor, mas houve algum problema? Se eu puder resolver farei o possível.
— Houve um enorme, você falou e olhou para a minha mu... secretária, não quero mais seu atendimento, pode ir — ele diz e o
coitado sai cabisbaixo.
— Precisava ser m*l educado assim? Coitado
— Está defendendo-o ?— ele diz me encarando de braços cruzados e respiro buscando paciência, bem que a Julia falou que ele é
doidinho, tenho que me controlar, senão serei demitida em muito breve.
— Não, apenas sei como é ser maltrata em serviço, horrível e sem necessidade, e você ainda me destratou nessa ordem toda, como se
eu não soubesse falar por mim mesma — digo e ele parece relaxar os ombros enquanto vou falando — E não precisava brigar com o rapaz apenas por ele não perguntar da sua sobremesa.
— Não foi por isso — ele diz simples e fico esperando que complete a frase — Ele queria algo meu, e eu cuido muito bem do que
me pertence para ninguém tomar ou desejar.
— E o que é seu aqui? — ele abre a boca para falar, mas na hora se fecha pensando melhor.
Fico em silêncio olhando para as outras mesas e esperando a comida, mas ele parece um doido que nem pisca enquanto me olha.
— Jade quais os planos para amanhã? — ele pergunta e me viro o olhando novamente sem vontade, queria meu almoço em paz e
tranquilidade.
— O senhor tem apenas que revisar documentos e assinar algumas coisas com o financeiro, é possível uma reunião online no período
da tarde, mas não foi confirmada com seu remetente, nada muito grande, e a sua antiga secretária tinha reservado seu almoço em um
lugar de comida árabe, mantive a reserva
— Você irá me acompanhar no restaurante — ele manda e assinto ficando aliviada com a comida chegando
Como em silêncio e com pressa querendo acabar logo com isso, ele fica me encarando o tempo todo enquanto come já me irritando.
— Vou acabar tendo gastura se você continuar me olhando — digo sincera e ele curva a cabeça com um pingo de raiva, problema
dele.
— Pois se acostume, eu gosto de olhar o que é meu, e você é minha... secretária.
Reviro os olhos torcendo para ter paciência, aí se eu não tivesse tanta coisa para pagar no cartão de crédito, eu já tinha me demitido
[...]
Termino meu trabalho e fico olhando entediada para o computador, não tem ninguém com mais fichas, nenhuma esposa irritada me
ligando querendo saber o que seu marido está fazendo que não atende seus recados, e sinto mais falta ainda do café que passava
periodicamente.
— Terminou?— dou um pulinho de susto e olho para o Antoni, tinha até esquecido que ele está me encarando, estou começando a
me acostumar nessa loucura.
— Sim senhor, eu vou ao toalete com licença — digo me levantando e saio antes dele falar algo que me impeça.
Fecho a porta atrás de meu corpo e a Julia larga o seu celular vindo até mim me abraçando com carinho
— Aí meu santo Deus, você está viva, o que aquele doido fez com você amiga?
— Olha ele é meio doido mesmo, mas ainda não fez nada, só fica me encarando até o momento, ficar naquela sala é desconfortável.
— Você devia entregar currículo amiga, tenho um pressentimento r**m com o Antoni perto de você.
— Eu também — digo e abraço ela de novo.
— Quer que eu te leve no toalete minha Jade? — o senhor Antoni pergunta e suspiro me separando da Ju.
— Não senhor, já estava indo.
— Eu te acompanho — ele diz e n**o com a cabeça mas ele pega em minha mão me levando mesmo assim — Pronto.
Ando com raiva para o banheiro e só não bato a porta porque no fim ele ainda é o meu chefe e pode me demitir.
[...]
Fico esperando dar a hora de ir embora já que fiz tudo e ainda adiantei o serviço dos próximos dias, esse serviço é moleza comparado
com o que eu dava conta.
— Está liberada Jade, vamos — ele diz desligando o computador e sorrio fazendo o mesmo.
Pego minhas coisas e abro a porta animada pela minha liberdade, finalmente.
— Tchau senhor Antoni, até amanhã.
— Eu te levo em casa — ele diz e n**o indo para fora do seu escritório com mais pressa.
— Não precisa, a Julia me leva — olho para a mesa dela e estranho estar vazia.
— Meu pai teve que a requisitar para algo fora da empresa, vamos eu te deixo em casa, não aceito "não" como resposta — ele diz e
para ao meu lado oferecendo seu braço para eu segurar.
Apenas ando até o elevador privativo sem dizer mais nada, e esperamos em um silêncio desconfortável para mim.
Quando a caixa de metal finalmente chega, entro primeiro e aperto o térreo como de costume, mas ele aperta o subsolo.
— Jade vai ter uma reunião e eu preciso que você prepare alguns slides dos ganhos e divisões feitos com os últimos lançamentos de
aparelhos eletrônico.
— Ok senhor — falo e ele se apoia na parede de olhos fechados, finalmente sem em olhar.
— Qual perfume você usa?
— Por que? — pergunto achando estranho, será que ele é um psicopata ou tarado?
— Só fala logo
— É o Baccarat Rouge 540 — falo e ele só mexe no celular logo guardando no bolso, tive que parcelar em várias vezes, mas pelo
jeito pra ele são só trocados.
Chegamos na garagem e ele coloca a mão nas minhas costas me empurrando devagar até seu carro.
Ele abre a porta para mim e sinto cheiro de couro novo, quando ele bate a porta fecho meus olhos cansada e querendo sentir melhor o
cheiro, eu bem queria um carrinho meu, mas é tão difícil o processo para tirar a carta.
Me assusto com ele tocando em mim mas ele apenas fecha meu cinto de segurança sem nem me perguntar.
— Quando sair do prédio vira a esquerda — digo indicando.
— Eu sei o endereço — fico tensa pensando em como ele descobriu isso, aí meu Jesus, será que a Julia estava certa esse tempo todo
e o Antoni é doido? — Eu vi nos dados da empresa hoje, só um maluco saberia sem ser necessário.
Ele diz e dá uma risadinha, sorrio para não ficar feio e relaxo minimamente, parece até que ele estava lendo minha mente.
Isso é impossível né? Tudo bem que a empresa dos Russos é de inteligência artificial, aparelhos eletrônicos e um monte de coisa do
tipo, mas acho que ele não me investigaria, essas coisas nem existem, só em filmes e livros mesmo.