Jade narrando.
Desço do ônibus chegando ao lado da empresa e assim que passo meu cartão na catraca um segurança para ao meu lado.
— Bom dia senhorita — ele diz parando ao meu lado e sem me olhar.
— Bom dia, algum problema? — pergunto e ele n**a com a cabeça ainda sem me olhar.
Ignoro indo até o elevador e me irrito por ele ficar a dois passos de mim me seguindo, entro no elevador e quando ele entra junto
bato o pé no chão.
— Algum problema?
— Nenhum.
— E porque está me seguindo?
— Estou apenas fazendo meu trabalho.
— Quem te mandou me seguir? — ele fica em silêncio e ignoro revirando os olhos.
Assim que chego em meu andar resmungo mentalmente ao ver que minha mesa não está para fora, ainda tinha a mínima esperança
dele ter mudado de ideia.
Pego o celular que toca na minha bolsa e atendo a Julia agora sorrindo.
Ligação onn.
— Oi minha gostosa, desculpa não ter te levado pro trabalho hoje, o senhor Russo me ligou pedindo para ir direto para a casa dele e
vim trabalhar aqui.
— Aconteceu algo?
— Não que eu saiba, ele só queria que eu o avisasse das últimas coisas e tudo mais, ainda tomei um café da manhã chique.
— Vai passar o trabalho todo aí?
— Acho que sim, só queria avisar para não me esperar na hora de ir embora, tenho que ir agora amiga, te amo.
— Também te amo, se cuida maluca.
— Se o maluco fizer algo você grita e chuta ele ok? Se precisar me liga que eu vou te socorrer.
— Pode deixar — digo e escuto sua risada antes dela desligar.
Ligação off.
Bato na porta para saber se o Antoni está mas como não tem resposta eu entro, suspiro aliviada por estar vazio e ligo meus aparelhos.
[...]
Mordo a tampa da caneta concentrada respondendo os e-mails e pego minha xícara de café que solta fumaça.
— Bom dia — dou um pulo de susto e derrubo a bebida quente em mim me fazendo gritar irritada.
— Ah merda, um... um segundo — corro para o banheiro e assim que fecho a porta arranco minha blusa e passo papel com água
gelada já minha pele já vermelha.
— Jade? — o Antoni bate na porta — Está bem? Se queimou? Me responde por favor.
— Não sei, mas molhou toda minha blusa — passo um papel úmido na minha saia e limpa o pouco que respingou, já minha blusa
coitada, sorte que foi na barriga e o sutiã pelo menos salvou, talvez tenha algum uniforme ou algo do tipo no armário de perdidos.
— Senhor Antoni? — começo envergonhada.
— Estou aqui.
— Você pode ir até o achados e perdidos por favor ? Qualquer blusa serve, apenas para eu não andar seminua pelo escritório — peço
com medo dele me demitir por pedir favores a ele.
— Não fale mais nada, eu já volto — ele diz e tento lavar a blusa na pia vai manchar e ser pior depois.
Espero um tempo e logo escuto batidas na porta, me escondo atrás e abro apenas a fresta pegando a blusa que ele oferece, tranco novamente me vestindo com pressa.
Dou risada me olhando no espelho, a blusa é duas vezes o meu tamanho, tento colocar dentro da saia mas ainda fica absurdamente
grande me fazendo rir.
Dobro as mangas e torço a minha molhada antes de sair, abro a porta e vejo que meu chefe espera de braços cruzados encostado a
uma parede.
— Você ficou bonita — ele diz e sorrio lembrando como estou, no mínimo cômica.
— Obrigada, para uma roupa perdida está super cheirosa, e quentinha — digo cheirando a gola da blusa e ele sorri.
—É minha — arregalo os olhos com vergonha de minhas falas e ações agora
— O que? Mas o senhor tirou por mim? O Senhor realmente não precisava — ele assente e anda para a sua sala me fazendo ir atrás
apressada.
— Não se preocupe, eu tinha esse suéter e vesti, fica mais bonito em você do que em mim de qualquer forma — ele fala e assisto
sem graça, ele poderia ter me dado o suéter na verdade, mas não irei comentar.
— Obrigada — ele fecha a porta atrás de mim.
— Joga isso fora — ele diz pegando a blusa torcida da minha mão e jogando no lixo, eu fico em silêncio, o mais sem graça, mas não
irei pegar agora ou entrar em defesa de minha roupa — Queimou muito?
— Não — digo e coloco a mão por cima mas gemo com dor — Tudo certo.
— Não está, já volto — ele diz e sai correndo.
Me encosto na minha mesa e ergo a camisa querendo ver, está bem vermelho mas logo sai, uma pomadinha e pronto.
Abaixo a blusa e o Antoni chega com uma pomada de queimaduras.
— Levanta a blusa... por favor — ele diz perto de mim e seguro mostrando a parte vermelha, nem está tão r**m, eu só tomaria um
analgésico e pronto.
— Eu posso fazer isso— digo tentando pegar o tubo dele, mas recebo um leve tapinha em minha mão.
— Silêncio — ele diz aplicando em mim e dou um pulinho de susto com seu toque meio grosseiro na pele ainda sensível.
— Com cuidado — reclamo e fecho os olhos com força — Deixa que eu faço isso Antoni.
— Eu sou seu chefe, obedeça enquanto eu cuido de você.
— Isso é abuso de poder — digo rindo da ironia da situação
— Você nem imagina o que se passa em minha cabeça quando penso em abusar do poder.
Ignoro o comentário para não falar algo que não devo, é o segundo dia com ele e não posso ser grossa, não ainda.
[...]
Após almoçarmos na sala dele e sem nenhuma discussão apenas falas sobre trabalho posso dizer que o dia foi maravilhoso.
Bem, também acho melhor anular os olhares estranhos e duradouros que ele me deu, mas eu ignorei e vida que segue.
— O senhor tem mais alguma tarefa para mim? — pergunto vendo que ainda faltam trinta minutos para o fim do meu horário, e
terminei absolutamente tudo.
— Um segundo que penso em algo.
O telefone dele toca e ele se retira da sala para atender, arrumo minhas coisas pronta para dar no pé daqui, assim que ele entra espero
dizer que não tem nada e posso ir.
— Jade pode se retirar um pouco? Terei uma teleconferência de emergência com um fornecedor de peças — ele diz e penso que por
isso devemos ter minha mesa do lado de fora de sua sala.
— Caro, posso já ir embora? É que faltam apenas trinta minutos — ele fecha seu semblante com meu pedido e não entendo, se não
vão precisar de mim.
— Me espere que irei te levar, é... é perigoso ir embora sozinha essa hora Jade.
— Senhor eu realmente estou acostumada com ir de ônibus — ele me interrompe colocando a mão no meu braço.
— Ficará obrigatoriamente até o último minuto do seu horário, e se demorar mais me espere — ele fala e saio emburrada sem
responder, poxa eu só queria pegar um ônibus sem lotação.
Ele fecha a porta e me sento no banquinho de espera, o mesmo segurança de hoje cedo fica me encarando e o encaro de volta.
— Piscou —digo para ele que dá uma risadinha — É sério porque você fica me seguindo?
— Já falei que são ordens.
— Se eu sair mais cedo você vai me dedurar? — questiono honestamente.
— Com certeza —ele diz e dá risada — Não sei porque mas tenho que te observar ou algo do tipo.
— Se acham que sou do FBI pode ter certeza que não, qual é só quero ir mais cedo para casa — falo e ele n**a.
— Não posso permitir, até se passar do seu horário irá ficar aqui — ele diz e resmungo deixando meu pescoço cair.
— Qual o seu nome ? O meu é Jade — pergunto curiosa e ele pensa se fala ou não.
— Lamar, mas o patrão não gostará se você me chamar, ou se falar comigo.
— Balinha? — pergunto abrindo um pacote de fini que tinha na bolsa e ele olha de canto — Eu não vou levantar, você é atleta e todo
da segurança, vem pegar.
Ele levanta sério arrumando o paletó e vem pegar o pacote de mim, enche a mão e volta para cadeira dele.
— Só para constar no próximo turno de babá, eu prefiro a fini de amora ou a de ursinho.
— Vai ter uma próxima? Se depender do meu humor junto com o do Antoni serei demitida — falo e ele solta uma risada sem querer.