cap 02 garota atrevida

1332 Palavras
Gavião Vida no crime né mole pô, sou cria da Maré, moro aqui desde que me conheço por gente, papo reto. Entrei no crime com 17 anos, novão mesmo e por opção ainda. Em casa nunca faltou nada, mas eu sempre via os moleques com roupa de marca, tênis do momento, gastando em bebida. E eu comecei a querer ter – e o dinheiro dos meus pais não era o bastante pra luxar. Busquei trabalho no asfalto, mas só quem é favelado sabe como sofre discriminação. O mundo não dá as mesmas oportunidades pra quem nasce na comunidade e pra quem nasce em berço de ouro. Foi quando fui atrás do Th e pedi pra fazer os corre. Comecei lá de baixo mesmo, de fogueteiro até chegar aonde cheguei hoje: gerente geral. Levei minha mãe enganada por 2 anos ainda, contava a maior mentira. Dizia que trabalhava na pista, ela acreditava. Mas meu pai não era bobo, sabia que tinha algo de errado – quando ele me viu de pistola pela primeira vez me deu maior surra. Mas é f**a quando tu pega gosto por essa vida. Não vou negar que eu gosto. Tem a adrenalina, dinheiro, as festas, mulheres. E isso me agrada – não o suficiente, mas agrada. E é por isso que eu acho que nasci pro crime. (...) Garota folgada, não gosto de abuso pra cima de mim. Ainda mais me tirando de comédia – se não fosse aquele amigo dela eu ia acabar com a graça. Fiquei com dó porque estava nítido na cara dele o medo. Mas isso já me deixou bolado, só que não vai ser uma p*****a maluca a acabar com minha noite. Brotei no camarote e logo avistei a Marina, ela sorriu pra mim e eu só acenei com a cabeça em sinal de cumprimento. Meu lance com ela é de anos. Antes mesmo de eu entrar nessa vida. Chegamos até a namorar quando eu tinha 17 anos, durou 1 ano só e acabou – mas até hoje a gente mantém a relação: SÓ sexo e sem sentimento. Encostei ali e ela logo veio na minha direção, tava com um vestidinho decotado que deixava silicone do peito a mostra. Era pequeno, mas bonito. Proporcional ao corpo dela. Marina: nem foi lá em casa ontem né? Deixa você cara. – franziu a testa e cruzou os braços reclamando assim que chegou. Gavião: tava de plantão e fui numa reunião com Th, acabei me enrolando nos horários e não deu. Marina: hum, vou deixar passar. Posso ficar aqui com você? – apoiou um dos braços no meu ombro. Gavião: fica aí, só não fica grudada o tempo todo – tu tá ligada que não curto. Marina: suas marmitas não podem ver né? – debochou. Odiava quando ela fazia isso. Sem motivo. Gavião: isso mesmo pô – fui sincero, ela fechou a cara – se for pra ficar do meu lado desse jeito, pode ir pra onde tu tava. Tô com paciência não. Marina: você não faz nem questão que eu fique aqui, nossa Vinicius. Gavião: você que quis vim, não foi? Então pronto. Só não quero ninguém de cara feia do meu lado, só isso. Tá aqui pra curtir ou não? Rapidinho ela mudou o humor. Marina é cheia desses dramas porque sabe que eu dou a maior condição pra ela. Baile tava gostoso, cheio de gente de fora. Várias patricinha, só os rostinhos bonitos. Eu mesmo já não aguento ver as mulheres daqui – tudo já rodou no bonde todo. Sou chato pra mulher, não é qualquer uma que eu pego não. E quando pego, gosto de deixar tudo no oculto, mas não divido também. Sou egoísta mermo. Tá na essência de homem vagabundo gostar de exclusividade. R3: meu pitbull de raça – ele chega perto – tá de laço? – bateu no meu ombro rindo. Encarei ele com a camisa pendurada no pescoço, baseado entre a boca. Gavião: tô ficando maluco ainda não pô – dei risada – meter essa de laço é problema, se liga como Th fica aí – o Th desviou o olhar do celular e me encarou de r**o de olho. Th: to nem entendendo tu, menor – tô quietinho no meu canto aqui. Gavião: hoje tu tá escondido, eu que não tô te entendo irmão. Brigou com qual delas? Th: toma no cu pra lá, gavião – reclamou e eu dei risada – Vai encher saco de outro, filho da p**a. Quando tô com os de fé é assim mesmo, gestação pura. Agora quando tô com outros, menor, aí eu fico na minha – sou desconfiado pra c*****o e por isso nem dou corda. Th é meu chefe e máximo respeito, mas também tenho a liberdade de trocar um papo maneiro com ele. São muitos anos lado a lado. Marina tava dançando grudada em mim, chega me sufocar, papo reto. Puxei até o bonde pra fazer a ronda e tomar um ar. R3: nois taca o p*u em todas putianes. Vai passar, o trenzinho dos traficantes. – cantou levantando o fuzil. Ele tava na frente puxando a tropa e eu atrás, só marolando e de olho. Passamos na frente do camarote aonde tava aquela folgada do c*****o – olhei feio pra ela e a garota sustentou o olhar e comentou alguma coisa com a Suzana. Abusada pra c*****o ela, vai vendo. Com certeza ela nem era daqui, caso contrário não teria nem falado daquele jeito comigo. Todo mundo da favela me conhece e me respeita – ninguém bate de frente comigo não, até porque não dou motivo: dou a maior moral pros moradores e respeito todo mundo. Só sou rim quando tem que ser. R3: aí gavião, menor falou que a tua fiel lá no camarote discutindo. – falou próximo do meu ouvido com a mão no meu ombro. Marina era f**a p***a, conseguia cortar minha brisa legal. Passava vergonha toda vez. Era sempre a mesma história. Gavião: vou resolver essa p***a. – falei nervoso – por mim deixava ela ser cobrada. Mas iria sobrar pra mim, porque eu que iria ouvir reclamação. Querendo ou não, era meu vínculo. Voltei pra trás e deixei a tropa, bati no ombro de alguém – quando vi era a mesma garota. Perseguição já? Ou o destino sendo muito filho da p**a comigo. – c*****o, de novo, eu hein – ela resmungou franzindo a testa e levantando a sobrancelha preta. Ignorei ela e fui pro camarote aonde estava. Me bato de frente com a Marina discutindo com uma menina menor que ela. Gavião: qual foi Marina p***a? – segurei firme o braço dela puxando com força. Marina: essa garota aqui, tava me olhando e rindo – gritou e eu apertei o braço dela. – tu tá malucona eu hein, nem te conheço, se manca. Tava rindo mesmo, mas não era de você, estrela de Hollywood – Marina ia pra cima dela e eu só puxei ela pelos cabelos e levei pro canto dali. Gavião: toda vez a mesma p***a, consegue se por no teu lugar não? Tu vai mete o pé do camarote e vai ficar na pista – se fazer auê por lá tu vai se resolver com quem tiver no plantão, que se f**a – falo contra o rosto dela. Marina: eu não acredito Vinicius, tu tá me mandando descer? A garota tirando onda comigo e eu tô errada? Gavião: tô – e se não for por bem, vai por m*l. – aponteio dedo e dei as costas pra ela – tá avisada. Por essa e outras que ela não ta comigo hoje: não tem postura pra nada, vai virar fiel como? Não da pô. Só vi ela saindo do camarote sozinha chorando e dei as costas. A morena que me esbarrou vira e mexe me olhava, e eu só encarava de r**o de olho. Tava nem entendendo qual a dela comigo. Mas deixa ela pensar que tá passando batido, só deixa pô. Melhor hora eu cato ela na curva.
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