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Antes que eu te esqueça

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Sinopse

Cinco anos após um misterioso acidente de carro, Natasha Lee Ferraz retorna ao mundo que um dia conheceu — mas que sua mente insiste em esquecer. Sem memória do passado, cercada por segredos familiares e um noivado perdido em meio às sombras da sua mente, Natasha tenta reconstruir sua vida sob o olhar atento da mídia e da poderosa D.O.L Entertainment, empresa de seu pai.

Mas quando Enrique Seok Myung — o novo e carismático vice-presidente — surge em seu caminho, Natasha sente uma estranha e inexplicável conexão. Aos poucos, memórias fragmentadas de um amor esquecido começam a ressurgir, misturando sonhos, vislumbres de um campo de girassóis e a voz de alguém que ela não consegue lembrar, mas jamais conseguiu esquecer.

Entre o reencontro com o passado, os perigos de uma obsessão não resolvida e os mistérios escondidos pela sua própria família, Natasha descobrirá que o maior milagre da vida não é apenas sobreviver, mas encontrar o caminho de volta para si mesma — e para o amor verdadeiro.

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Prólogo - Nem Tudo o Que Está Esquecido Deixa de Existir
O quarto era branco demais. Branco nas paredes, nos lençóis, nas luzes frias do teto. Branco no jaleco da enfermeira que entrava a cada poucas horas para verificar os aparelhos. Branco no rosto da mulher sentada ao lado da cama, segurando a mão imóvel da filha como se pudesse mantê-la no mundo apenas pela força dos dedos. Natasha Lee Ferraz não se movia havia quase um ano. Os médicos chamavam aquilo de coma prolongado. A família, quando ainda tinha forças para nomear, chamava de espera. Mas naquela manhã, pela primeira vez, até a espera parecia cansada. O monitor cardíaco continuava marcando um ritmo constante. Bip. Bip. Bip. Aquele som havia se tornado parte da vida dos Ferraz. A Sra. Lee ouvia o monitor mesmo quando saía do hospital. O Sr. Lee sonhava com ele nas poucas horas em que conseguia dormir. TaeHyung, ainda jovem demais para entender certas despedidas, aprendera a orar no ritmo daqueles bipes. Naquele dia, porém, havia algo diferente no ar. O médico não entrou com a pressa habitual. Entrou devagar, acompanhado por uma enfermeira e por uma expressão que todos reconheceram antes que ele falasse. O Sr. Lee se levantou da cadeira. — Doutor? O médico olhou para Natasha antes de responder. Ela parecia adormecida, os cabelos escuros espalhados no travesseiro, o rosto mais pálido do que as fotografias que a família ainda carregava no celular. Havia algo injusto naquela aparência tranquila. Como se o corpo dela não soubesse o estrago que sua ausência causava. — Nós precisamos conversar — disse o médico. A Sra. Lee apertou mais a mão da filha. — Não. A palavra saiu antes da explicação. O médico respirou fundo. — Senhora Lee... — Não diga. TaeHyung estava perto da janela, segurando uma Bíblia pequena contra o peito. Ao ouvir a mãe, virou o rosto para a cama. Nos últimos meses, ele havia visto adultos chorarem em silêncio, discutirem em corredores, assinarem papéis com mãos trêmulas. Mas nada o preparou para a sensação de que todos estavam prestes a desistir de Natasha enquanto ela ainda parecia estar ali. O Sr. Lee passou a mão pelo rosto. — Há alguma chance? O médico demorou um instante. Esse instante foi c***l. — Clinicamente, as respostas são mínimas. O quadro não evolui há meses. Podemos manter os aparelhos, mas... Ele não terminou. Não precisava. A Sra. Lee soltou um som baixo, quase sem voz, e inclinou-se sobre a cama. — Minha filha está aqui. O médico não respondeu. TaeHyung deu um passo à frente. — Ela escuta? Todos olharam para ele. — Tae... — o pai começou. — Ela escuta? — insistiu, olhando para o médico. O homem pareceu escolher as palavras com cuidado. — Não podemos afirmar. Alguns pacientes em coma podem reagir a estímulos, mas no caso da Natasha... — Então ela pode escutar. — TaeHyung — disse o Sr. Lee, com a voz quebrada. Mas o rapaz já caminhava até a cama. Parou ao lado da mãe, abriu a Bíblia com dedos trêmulos e encarou a irmã. Por muito tempo, ele tivera medo de falar com Natasha como se ela pudesse responder. Agora, tinha medo de não falar e nunca mais ter a chance. — Nay — chamou baixinho. O apelido ficou suspenso no quarto. O monitor continuou. Bip. Bip. Bip. TaeHyung engoliu o choro. — Eu não sei se você consegue me ouvir. Todo mundo diz que talvez não. Mas eu preciso acreditar que alguma parte sua ainda está aí. A Sra. Lee cobriu a boca com uma das mãos. O Sr. Lee virou o rosto, mas não saiu. — Você sempre dizia que eu orava como um velho — TaeHyung continuou, tentando sorrir e falhando. — Então eu vou orar como um velho agora, tá? Ele segurou a mão livre da irmã. — Deus... se ainda existe algum caminho para ela voltar, mostra. Se ainda existe alguma coisa dentro dela lutando, ajuda. E se ela estiver perdida em algum lugar que a gente não alcança... deixa alguém chamar ela de volta. No mesmo instante, Natasha sonhou. Ou talvez aquilo não fosse um sonho. Ela estava em um campo de girassóis. O céu tinha a cor dourada do fim da tarde, e o vento movia as flores como se todas respirassem juntas. Natasha caminhava descalça pela terra morna, usando um vestido claro que não reconhecia. Não havia hospital. Não havia aparelhos. Não havia dor. Só o campo. E uma voz. — Naylee. Ela parou. O nome a atingiu no peito, familiar e impossível. — Quem está aí? A resposta veio em forma de música. Notas de piano atravessaram o campo, suaves, distantes. Natasha seguiu o som até ver uma figura entre os girassóis. Um homem. Alto, de cabelos escuros, rosto escondido pela luz. Ele estava perto demais para ser desconhecido e longe demais para ser lembrado. Seu coração reagiu antes de sua mente. — Eu conheço você? — perguntou. O homem não respondeu de imediato. Apenas ergueu a mão. Entre os dedos dele havia um colar dourado, com um pingente em forma de girassol. Mas o pingente estava partido. Faltava uma metade. Natasha levou a mão ao próprio pescoço. Vazio. — Você prometeu lembrar — disse ele. A voz era baixa, ferida, carregada de algo que parecia amor e despedida ao mesmo tempo. Natasha sentiu medo. — Eu não sei quem você é. A luz ao redor dele tremulou. — Então volta — ele pediu. — Volta antes que esqueça tudo. No quarto do hospital, o monitor falhou por um segundo. Um som diferente atravessou o aparelho. A enfermeira ergueu a cabeça. — Doutor... O Sr. Lee se virou imediatamente. A Sra. Lee ficou imóvel, ainda segurando a mão da filha. TaeHyung parou de orar. No campo de girassóis, Natasha tentou se aproximar do homem, mas o vento aumentou. As flores começaram a se desfazer em luz. O piano ficou mais distante. — Espera! — ela gritou. — Me diz seu nome! O homem deu um passo em sua direção. Por um instante, ela quase viu seu rosto. Quase. Então ele sussurrou: — Eu vou esperar você, Naylee. Natasha abriu os olhos. O primeiro som que ouviu foi o monitor disparando em um ritmo rápido. O segundo foi o choro da mãe. O terceiro foi TaeHyung dizendo seu nome como se tivesse visto o impossível acontecer diante dele. — Natasha? Ela piscou contra a luz branca. Tudo doía de um jeito confuso. A garganta estava seca. O corpo parecia pesado demais. Rostos se aproximaram, borrados pela claridade e pelas lágrimas. Uma mulher chorava sobre sua mão. Um homem olhava para ela como se o mundo tivesse acabado e recomeçado no mesmo segundo. Um rapaz tremia ao lado da cama, segurando uma Bíblia contra o peito. Natasha tentou falar. A voz saiu fraca. — Quem... são vocês? O quarto inteiro ficou em silêncio. A alegria que acabara de nascer no rosto da mãe se partiu. O Sr. Lee fechou os olhos. TaeHyung levou a mão à boca, incapaz de responder. Natasha olhou de um para o outro, assustada, perdida dentro da própria vida. Não lembrava daquelas pessoas. Não lembrava daquele quarto. Não lembrava do acidente. E, em algum lugar profundo, a voz do homem no campo de girassóis começou a desaparecer antes que ela pudesse segurá-la. Horas depois, longe dali, em um apartamento escuro, Henri Seok Myung acordou com a mão fechada sobre um colar partido. A metade do girassol estava quente contra sua pele. Ele ficou sentado na beira da cama, respirando com dificuldade, como se tivesse ouvido alguém chamá-lo de dentro de um sonho antigo. Então olhou para o pingente em sua mão e sussurrou: — Você voltou. Os olhos dele se encheram de lágrimas. — Tudo bem, Naylee. Eu vou esperar. Porque nem tudo o que está esquecido deixa de existir. E algumas promessas continuam vivas, mesmo quando a memória desaparece.

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