Ashlyn
A porta da sala se fechou quando entrei, e aflita encarei o delegado.
- Aproxime-se, por favor!
Sem jeito, me sentei na cadeira que Garrett havia sentado minutos atrás.
- Vou lhe fazer algumas perguntas e você me responde está bem? - assenti. - Você atualmente namora Garrett Grahan?
- Sim, namoro! - assenti.
- E antes dele namorava Adam James?
- Sim!
- Pode me contar como era o relacionamento com seu ex-namorado Adam James?
Mordi o lábio inferior com medo de contar tudo o que ele já tinha feito comigo, mas se eu não falasse Garrett poderia ser prejudicado e ficar preso por tempo indeterminado.
- Adam nunca foi uma pessoa fácil de lidar. Sempre foi ciumento, obsessivo... E várias vezes tive a sensação de que ele só estava namorando comigo, para ter uma namorada para exibir aos amigos.
- Como você conheceu Garrett Grahan?
- Depois que me mudei para cá. Eu não gostei dele no começo, mas depois nos tornamos amigos.
- E o que Adam achava dessa amizade?
- Ele não gostava, ele e Garrett se odeiam, são inimigos nas competições de Moto Cross. Ser amiga de um e namorar outro, piorou as coisas. - respondi.
- Como foi que você tomou a decisão de terminar com o Adam?
- Conforme a minha amizade com Garrett crescia, eu fui ficando confusa... Quando me dei conta de que era com ele que eu queria ficar, eu tentei romper com o Adam, mas ele não aceitou.
Pulei a parte que eu e Garrett nos envolvemos e brigamos e fui direto para o dia do meu aniversário.
- Como ele reagiu?
- Ele revirou meu quarto, ficou furioso comigo e me ameaçou. Disse que se eu não ficasse com ele, Garrett e meus amigos iam pagar. - respondi cabisbaixa.
Nos mínimos detalhes expliquei sobre aquele dia quando cheguei no apê, a ligação de Adam, os caras quase indo pra cima de Hilary e Ben.
- Acuada, aceitei continuar namorando com ele e me afastei do Garrett. Nesse tempo Adam me humilhou, me obrigou a passar as tardes no apartamento, limpando tudo para ele e me bateu repetidas vezes... Mas eu fiquei calada com medo de colocar a vida dos meus amigos em risco. Até ontem à tarde pelo menos.
- O que aconteceu ontem à tarde?
Expliquei a visita de Garrett, quando Adam descobriu, a ameaça dele e o telefonema tempos depois falando do assalto que Hilary sofrera.
- Ao meu ver senhor delegado foi o Adam quem armou esse assalto. Uma forma de me assustar e de me manter ao lado dele, mas isso para mim foi a gota d’água. Por isso contei tudo.
- Algo mais a declarar?
Repassei os fatos e neguei com a cabeça.
- Siga o guarda, por favor!
Assenti me levantando e quando a porta se abriu, Oliver foi chamado.
Enquanto ele depunha, acompanhei o guarda até uma sala, me perguntando onde Garrett poderia estar.
Quando entramos uma policial me esperava. Nunca pensei que passaria por uma situação como essas, ter que ficar nua na frente de uma policial para realizar um boletim de ocorrência contra Adam e fazer o exame de corpo de delito.
Quando terminei, sai da sala e o mesmo policial me acompanhou de volta. Fiquei preocupada quando só vi o Oliver.
- Cadê o Garrett?
- Ash ele vai ter que passar a noite aqui.
- O que? Como assim? Por quê?
- Ele confessou no depoimento que bateu no Adam. Vai ser mantido preso.
- Cadê ele? Quero falar com ele.
- Ele já foi levado para a cela. Acabou de sair, acompanhado de um policial.
Aflita, dei as costas para Oliver e entrei na sala do delegado.
- Vocês não podem fazer isso, não é justo prenderem meu namorado. Ele não fez nada.
- Ele agrediu uma pessoa e confessou, terá que ficar retido aqui.
- Por favor delegado me deixa vê-lo, por favor. - supliquei.
O delegado fez um sinal e levou eu e Oliver até o corredor das celas. Eu tentei segurar as lágrimas, mas quando vi Garrett detido atrás daquelas grades, não aguentei e comecei a chorar.
- Hei não fica assim! - ele estendeu a mão para fora da grade.
Agarrei a mão dele e me aproximei, foi um alento quando ele acariciou meu rosto.
- Estou orgulhoso de você. - Garrett sorriu.
- Orgulhoso de mim? Você está aqui por minha culpa, deveria me odiar.
- Você falou a verdade no depoimento, meu amor, isso que importa,. Você vai ver como logo vou sair daqui, não precisa se preocupar comigo, tá bom? - ele puxou minha mão pra dentro da grade e beijou.
- Queria que fosse embora com a gente. - enxuguei o rosto com a outra mão.
- Você vai ver que isso aqui não vai virar nada. - Garrett sorriu e me perguntei se ele estava sendo sincero ou falando aquilo só para me acalmar.
- Vocês precisam ir! - o policial atrás de nós se manifestou.
- Não, não quero ir! Não quero deixar você aqui!
- Você vai ter que ir, meu amor, mas antes precisa me prometer que vai ficar com o Oliver. - ele apertou minha mão. - Não vou conseguir ficar tranquilo aqui, sabendo que você está sozinha naquele alojamento. Me promete que vai ficar com o meu primo.
Assenti enxugando o rosto, quase suplicando ao guarda que o soltasse.
- Vai ficar tudo bem Ash. Eu avisei os pais dele e eles vão contatar o advogado. - Oliver respondeu.
- Está vendo? Amanhã provavelmente eu vou ser solto! - Garrett olhou para mim.
- Vamos, por favor. - o guarda me puxou.
Tentei segurar a mão de Garrett mais uma vez antes de ser levada, mas não consegui.
Garrett
Foi h******l ver Ashlyn sumir naquele corredor e ter que me separar dela, mas eu precisava ser rápido e me assegurar de algumas coisas. Então agarrei o braço de Oliver antes que ele fosse embora.
- Leva ela para o nosso apartamento e não tira os olhos dela. Não deixa aquele desgraçado fazer nada com ela, eu não sei quanto tempo vou ficar aqui. Preciso que cuide dela pra mim!
- Pode deixar, aquele desgraçado não vai se atrever a chegar perto. Vou tomar conta dela pra você.
- Valeu... Como meu pai reagiu quando você ligou?
- Ficou furioso, mas disse que vai trazer o advogado aqui. Daqui a pouco ele aparece.
- Tudo bem!
- Vamos senhor! - o policial voltou.
- Cuida dela Oliver, por favor! - pedi segurando seu braço com força.
- Relaxa cara, não vai acontecer nada com ela, confia em mim. - sorriu.
Assenti e fui obrigado a ver meu primo ser levado de lá.
- Filho da mãe! Eu mato você Adam se tentar aproveitar que eu estou aqui para aprontar das suas. - sussurrei comigo mesmo.
Minha perna engessada começou a incomodar devido ao tempo que eu estava de pé. Me apoiando nas muletas sentei no chão e apoiei as costas na grade, meu companheiro de cela me encarou.
- Bela garota, está aqui por causa dela?
- Também, mas acredite ela vale a pena. - respondi.
- Sei bem como é isso. - sorriu concordando comigo.
Forcei um sorriso e encostei a cabeça na grade.
Essa noite ia longe, mas com sorte amanhã eu estaria livre e o próximo que ficaria preso seria o Adam. Se eu estava ali, ele também merecia estar.
Eu acho que cochilei, pois acordei com o policial batendo aquele porrete contra a cela.
- Oh da muleta, seu advogado chegou!
Suspirei usando as barras e as muletas pra ficar de pé.
- Boa sorte aí. - meu companheiro sorriu.
- Valeu, boa sorte pra você também. - eu não sabia o que ele tinha feito, mas era bom ter bons relacionamento dentro da cadeia, ainda mais com seus companheiros de cela.
O policial abriu a porta para mim e o segui pelo corredor até a sala de visitas. Quando ele abriu a porta não era bem meu advogado quem estava me esperando, mas sim meus pais.
Minha mãe veio na minha direção assim que me viu e aos prantos me abraçou.
- Mãe, fica calma, isso é por pouco tempo!
- Você quer nos m***r do coração ou de desgosto Garrett? - meu pai atacou não me dando refresco. - Como você se atreveu a espancar aquele rapaz? Você sabia que ele está internado?
- Ótimo, porque uma grande amiga minha também está internada e aposto que por culpa dele.
- Você não pode sair fazendo acusações e tirando conclusões precipitadas, olha no que deu. Agora você está preso. Será que sempre vai agir sem um pingo de responsabilidade?
- Você não sabe o que aconteceu, então não fica me julgando. Adam quem deveria estar na cadeia, não eu.
- Você e esse rapaz sempre se odiaram, eu sabia que ia dar m***a. Com tantas garotas para você se envolver, tinha que ser com a namorada dele? Você não tem garotas o suficiente atrás de você?
- Ashlyn e eu estamos apaixonados pai, é comigo que ela quer ficar. E se eu precisar brigar e esmurrar a cara daquele i*****l para ficar com ela, é isso que eu vou fazer. - respondi.
- Oliver me explicou o que aconteceu, se esse cara realmente fez tudo que vocês estão dizendo, deveria ter deixado a polícia cuidar disso. Uma queixa bastava.
- Só que você me conhece, não consegui ficar quieto. Muita coisa teria sido evitada se Adam não tivesse chantageado Ash, inclusive o meu acidente. É tudo culpa dele, ele devia ter se metido comigo antes de ir pra cima dela. - respondi. - Não me arrependo do que fiz, não sou covarde como ele e faria tudo de novo.
- Realmente isso eu tenho que admitir, você não é nenhum pouco covarde. Falei com o delegado e na presença do seu advogado ele me falou do seu depoimento, com sorte você vai sair daqui amanhã.
- Pronto, então chega de drama. - suspirei aliviado.
Minhas suspeitas estavam certas, eu não ficaria muito tempo preso e longe de Ash.
- Vou chamar o advogado, enquanto isso tenta acalmar sua mãe, nós não criamos filho para ficar na cadeia. - meu pai me encarou e deu as costas.
Minha mãe me ajudou a sentar na cadeira e ficamos um de frente para o outro. Com uma mão ela enxugou as lágrimas e com a outra, segurou minha mão.
- Então você e essa garota estão apaixonados? Agora você acredita que ela te ama?
- Sim mãe, agora tudo se encaixou perfeitamente. Eu entendi tudo o que ela fez e porquê.
- Eu a escutei dizer no hospital que te amava, que você a perdoasse. Ouvi mais de uma vez!
- E por que a senhora nunca me contou? - arregalei os olhos.
- Porque eu te conheço filho. Você estava muito magoado, estava com seu ego abalado, qualquer coisa que eu te dissesse você poderia interpretar errado. Eu quis dar espaço para você tirar suas próprias conclusões e não achar que uma coisa era real só porque eu estava dizendo que era. - deu de ombros.
- Eu entendo, obrigado mãe. - sorri.
- Nunca te vi usando uma aliança. O namoro é oficial então? - ela encarou minha mão.
- É sim mãe, nunca achei que poderia ficar tão feliz por usar uma coisa dessas. - sorri.
- Vai ser um grande prazer receber ela lá em casa, enquanto você estiver lá.
- Acha que o pai vai encher o saco? Ele não gosta muito dela, eu vi nos olhos dele que ele está jogando a culpa da minha prisão em cima dela. Mãe eu não vou deixar ele fazer isso, a gente vai brigar f**o se ele não tratá-la com o mínimo de educação. - avisei.
- Não se preocupe com isso. Seu pai está nervoso agora por causa de todo esse transtorno, foi um choque para todo mundo quando Oliver nos telefonou daqui. Assim que você sair, a poeira vai abaixar um pouco e vocês vão se entender. Seu pai vai ter que aceitar seu namoro e eu acho ela uma garota ótima para você.
- Ela está do meu lado, é disso que ele não gosta nela. Acho que a vida inteira ele esperou eu encontrar uma garota que ele pudesse usar para me manipular. Ele sempre tentou me influenciar, usou a senhora, depois o Oliver e já percebeu que com a Ash também não vai dar certo.
- Seu pai é cabeça dura, mas no fundo ama você. Deixe entrar por um ouvido e sair pelo outro as coisas que ele fala e te desagrada. Não vale a pena brigar. - ela sorriu e acariciou minha mão.
- Contanto que ele não se meta com a Ash... - deu de ombros.
- Você está mesmo apaixonado por essa garota né? - minha mãe sorriu admirada. - Nunca na vida te vi assim por garota nenhuma. E olha que você já dormiu com várias em casa, e já perdi as contas de quantas ligaram para lá atrás de você.
- A Ash é diferente mãe. Ela não deu a mínima para mim no começo e acho que isso criou uma necessidade em mim de chamar a atenção dela. Numa dessas eu acabei mudando e conquistei a amizade dela... E aí a gente se apaixonou sem se dar conta, conforme a necessidade de um ficar perto do outro crescia.
- É bonito ouvir você falando assim.
- Pode parecer meio melodramático, mas é o que eu sinto e não tenho vergonha de admitir. Oliver sempre me zoo falando que um dia eu ia me apaixonar seriamente e aconteceu... Não vou mover um dedo para esconder isso de mim e dos outros. Ash e eu já perdemos tempo demais separados, o que eu mais quero agora é sair daqui voando e ir ficar com ela. - sorri.
A porta se abriu e meu pai entrou com o advogado.
- Querida, ele precisa conversar com nosso filho, vamos esperar lá fora.
Minha mãe assentiu ficando de pé e beijou meus cabelos antes de me deixar a sós com o advogado. Como ele era advogado do meu pai eu já o conhecia, então foi dispensável as apresentações.
- Garrett preciso que me diga exatamente o que aconteceu ontem.
Assenti e como fiz com o delegado expliquei detalhadamente tudo o que eu tinha feito.