Capítulo 10:

2608 Palavras
Ashlyn   Adam piscou repetidas vezes enquanto não tirava os olhos de mim. - Boneca você ta nervosa. Ele deu dois passos na minha direção e eu me afastei três. - Não! Eu nunca falei tão sério em toda a minha vida. E você não ta realmente se importando com nosso namoro. - Como você pode dizer isso? - Você quer uma lista completa? No fim de semana que eu cheguei, você estava ocupado demais pra ficar com a sua namorada, eu passei o domingo sozinha. Durante a semana inteira você m*l foi no meu apartamento e que forma grosseira foi aquela de tratar meus amigos aquele dia no refeitório? E o que você fez sexta-feira na festa foi a gota d’água. - Eu estava nervoso. - Você me culpou porque um cara bêbado deu em cima de mim. Eu duvido que o Oliver ou o Austin iam agir assim com as meninas. E você saiu me arrastando de lá. - Também com aquela roupa o que você queria? - Está vendo? Você continua achando que a culpa foi mim. E ao invés de vir conversar comigo, você não me procurou no fim de semana e agora foi tomar satisfações com o Garrett. Quem é sua namorada ele ou eu? Ou melhor ex-namorada? - Me perdoa, eu to arrependido. - Sinceramente eu acredito que você esteja arrependido, mas pra mim já deu. Acabou Adam. - Não, eu não aceito, você não vai terminar comigo assim. - Quando um não quer, dois não brigam. E quando um não quer, dois não namoram. Sinto muito! - o encarei e dei as costas. Como eu imaginava Adam não veio atrás de mim. Ele era homem demais para se humilhar, com certeza os amiguinhos dele iam zoar com ele se viesse me pedir perdão. Bufando acelerei os passos e entrei no meu bloco como um tiro. Subi as escadas correndo e brequei quando vi Garrett. Ele estava sentado no chão do corredor ao lado da porta da minha sala, assim que me viu seu rosto transtornado foi tomado por um pouco de alivio. Ele se levantou e me abraçou. - Graças a Deus você apareceu. Suspirei retribuindo ao abraço, me sentindo estranhamente bem. A raiva que eu estava sentido tinha sumido completamente. - Quase fui atrás de você, ele te machucou? - Garrett segurou meu rosto entre as mãos e me estudou atentamente. - Eu juro que se ele relou um dedo em você eu vou acabar com ele, tive que prometer umas vinte vezes ao Oliver que eu não ia fazer nada, mas se ele ousou levantar a voz pra você, eu vou quebrar essa promessa em um minuto. - ele falava rápido, transtornado. - Garrett Grahan... Calma! - sorri, apoiando minhas mãos nos braços dele. - Acabou! - Que? Como assim acabou? - ele piscou perdido. - Adam não fez nada comigo e nunca mais vai fazer. Eu terminei tudo com ele. - Terminou, no sentido de que vocês não são mais namorados? É isso? - ele piscou confuso. - Exatamente. - assenti e senti e que estava falando com uma criança. Garrett deu um grito chamando a atenção dos alunos. Seus braços se fecharam na altura da minha cintura e ele me ergueu do chão, rodando comigo. - O que você ta fazendo? - acabei rindo, mesmo morta de vergonha. - Essa é a minha garota! - ele comemorou me colocando no chão. - O que você falou? - pisquei surpresa e mexida por ele ter dito que eu era sua garota. - Ai desculpa, foi m*l eu... Eu não sei o que me deu. Acho que o excesso de alegria e alivio por você ter se livrado daquele b****a, subiu à minha cabeça e danificou meu cérebro. - Tudo bem! - sorri, não queria assumir pra nós dois que tinha gostado do que ele falou. - Não tem nenhuma chance daquele i****a vir atrás de você né? - ele ficou preocupado de novo. - Não, seria humilhante demais pra ele vir atrás de mim. Na certa ele deve estar achando que eu vou me arrepender e vou correr atrás dele, implorando pra gente voltar. - revirei os olhos. - Você vai fazer isso? - Não, de jeito nenhum. - neguei com a cabeça. Garrett suspirou aliviado, seus ombros relaxando, como se uma tonelada tivesse sido tirada de cima deles. - Eu preciso ir pra aula e você também. - Tudo bem, eu sabia que você ia aparecer aqui por isso fiquei te esperando. Eu jurei que ia partir a cara daquele b****a se você subisse essas escadas chorando ou machucada de alguma forma. - Bom, eu estou ótima, você pode assistir sua aula tranquilamente. - sorri. - Beleza! - assentiu, respirando fundo. - Então eu já vou. Garrett passou por mim e quando estava indo pra minha sala, ele me chamou. Quando me virei, ele voltou e veio até mim. Mais uma vez ele me surpreendeu ao me puxar pela mão e dar um beijo no meu rosto. - Até depois! - sorriu e hesitou um pouco antes de dar as costas. Sorri tocando minha bochecha com uma mão. Mesmo sabendo que éramos amigos, eu gostei dele ter beijado meu rosto. Quando abri a outra mão, meu sorriso aumentou ao ver um anel de chaveiro. Um dia ainda iria perguntar pra ele como ele fazia pra sempre ter um anel desses à mão. Suspirando fui assistir minha aula, não era a aula mais divertida, mas com o bom humor que eu estava, eu iria encarar qualquer aula chata de boa. De repente me dei conta que desde que cheguei as melhores coisas que fiz foram: terminar com Adam e me tornar amiga de Garrett.     Garrett   Nas duas semanas que se seguiram, tive que assumir que o b****a do Adam me surpreendeu. Ele não implorou de joelhos pra voltar com Ashlyn, mas em compensação, mandava flores e bombons pra ela quase todos os dias pedindo para ela voltar com ele. Por sorte Ash se manteve firme e não voltou. Como eu sei de tudo isso? Já disse como é bom quando seu primo, namora a melhor amiga da garota que você ta interessado? Pois é não fiquem surpresos. Ash e eu nos aproximamos ainda mais nessas duas semanas e eu comecei a ficar com dúvida se o que eu sentia por ela era só amizade ou algo mais. Adam não foi a única surpresa nesses quinze dias. Benjamin começou a namorar, e acredita o cara ficou radiante. Miguel é um rapaz gente boa, no último ano da faculdade de gastronomia. Apaixonado por música, o cara sabia compor, tocar violão, baixo e conga. Aquele instrumento cumprido, onde os caras ficam batendo a mão, produzindo um som maneiro. Passada a semana de provas o namorado do Ben, nos chamou para passarmos o fim de semana na casa de praia dele. Decidi que era a oportunidade perfeita de me aproximar de Ashlyn e resolver de uma vez se o que tínhamos era só uma amizade ou alguma coisa a mais.   A casa de praia do Miguel era grande, com dois andares, afastada da cidade e de frente pro mar. - Oi querido! - ele cumprimentou Ben primeiro. Era estranho ver dois caras se pegando, mas um deles era meu amigo e estava feliz, então eu não tinha o direito de pensar ou falar m*l deles. Pelo menos eles estavam pegando alguém. Será que era estranho pra Ashlyn também ficar sozinha no meio de três casais? - Gente podem levar as malas lá pra cima, escolham os quartos e fiquem a vontade. Miguel levou a gente até o segundo andar, as portas dos quartos estavam abertas pra que a gente escolhesse. Meus amigos obviamente ficaram em casais, desejei ter a mesma sorte. Ninguém quis desfazer mala nenhuma, então as deixamos nos quartos e descemos. Passando a sala abri a porta da varanda e admirei a praia logo à frente. - Nossa quantos instrumentos você tem aqui. - ouvi Ash dizer. - Você toca algum deles? - Miguel perguntou. - Ah... - Ela toca violão amor, mas é modesta demais pra assumir. - Ben respondeu. - De verdade? Bora fazer um som então. - Miguel soo animado. - Eu fico com vergonha. - ela respondeu, sorri imaginando as bochechas dela ficando vermelhas. - Acha não tem que ter vergonha não, adoro música, se você é amiga do Ben e curte música, já me ganhou. Ouvi quando ele mexeu nos instrumentos. Sai da varanda e voltei para sala. O pessoal se sentou no sofá e eu fiquei mais escondido. Fiquei de olho em Ashlyn quando ela pegou o violão. - Ta afinado? - Claro, vou ser um bom anfitrião e deixar você escolher a música. - Miguel sorriu. - Ta! - Ash sorriu, aparentemente sem jeito. Posicionando o violão, ela começou a tocar as cordas. Sorri reconhecendo a música. Give me Love, Ed Sheeran. Miguel sorriu gostando da escolha e foi acompanhando tocando as congas, ao encarar Benjamin ele começou a cantar. Meu amigo sorriu se derretendo todo. O cara tinha uma voz agradável, mas toda a minha atenção estava voltada para Ashlyn e na forma concentrada como ela estava tocando. Sorri, cruzando os braços e me encostei no batente da porta admirando-a, quando eu poderia imaginar que ela sabia tocar violão. Scarlett abraçou Oliver e Hilary encostou a cabeça no ombro de Austin, todos curtindo o som. No refrão Ashlyn se animou e cantou junto com Miguel. p***a, além da cara de anjo, ela tinha voz de anjo. Alguém tinha que dizer à ela que se um dia a Física não lhe desse dinheiro, que ela deveria arriscar a carreira de música. Se bem que se ela virasse cantora, Adam não seria o único b****a em cima dela. No segundo refrão todos já estavam cantando. Eu estava embasbacado demais pra fazer alguma outra coisa que não fosse olhar pra ela. Acho que naquele momento eu estava entregando meu coração à ela. Os dois acabaram de tocar e Ashlyn me viu, ela sorriu um tanto envergonhada. - Muito bem! - Oliver aplaudiu. - Você deviam formar uma dupla. - Acha que isso, eu não sirvo pra subir num palco. - Ash respondeu. - Concordo, a música para mim é um hobby, meu negócio mesmo é abrir um restaurante. - Miguel sorriu. - Vai fazer sucesso do mesmo jeito. - Benjamin sorriu. - Tomara! - Miguel segurou a mão de Ben e sorriu. - Deixa eu mostrar para vocês meu santuário. - Você vai ensinar a gente a fazer aqueles bolinhos? - Scar sorriu animada. - Se quiserem aprender. - Miguel deu de ombros. - Eu topo. - Hilary sorriu. Todo mundo se levantou, menos Ashlyn. - Você não vem gata? - Ben perguntou. - Eu já vou. - ela sorriu encarando o violão. Aproveitei que ficamos sozinhos pra me aproximar. - Então você estava escondendo o jogo? - brinquei e me sentei no sofá ao lado dela. - Ah isso? Aprendi com a minha mãe. Fazia tempo que eu não tocava. - suspirou e colocou o violão de lado. - Você podia me ensinar. - sugeri. - Você ia gostar de aprender? - Claro, a mulherada adora um cara que sabe tocar violão. Ashlyn revirou os olhos e me encarou de cara f**a. - To brincando, mas eu ia gostar de aprender. Ainda mais com você me ensinando. - sorri. - Quer começar suas aulas quando? - A gente combina um horário. Boa de cálculo, expert em andar sobre muretas, boa cozinheira e agora descubro que você sabe tocar. Tem alguma coisa que você não sabe fazer? - Hum! - Ashlyn entortou os lábios pensativa. - Dar estrela. - Você não sabe dar estrela? - arregalei os olhos e escancarei a boca, num falso ar de surpresa. - Não, só cambalhota e muito m*l por sinal. - ela riu. - Então vem, vou te ensinar a dar estrela, vamos fazer isso na praia porque assim teremos bastante espaço, você não quer quebrar nada da sala do Miguel né? - Não! - ela riu ficando de pé. O pessoal estava entretido na cozinha, então puxei Ashlyn pela mão e saímos da casa. Estava fresco lá fora, apesar da probabilidade da água estar fria ser grande. Esperei a gente se afastar um pouco da casa, sinceramente não queria ser visto, menos ainda interrompido. - Aqui é o lugar perfeito. - Ok! - ela sorriu, cruzando os braços. - Vamos pra parte teórica então. Primeira coisa, você tem que manter um pé afastado do outro. Eu sugiro que como é sua primeira vez, mantenha o pé direito na frente. - coloquei meu pé direito à frente e Ashlyn me imitou. - Você pode dar estrela com os dois braços pra cima, ou com um só. Como é sua primeira vez vamos deixar os dois braços pra você ter mais apoio e segurança quando tocar o chão. - Ok! - ela assentiu prestando atenção. - Com o pé direito à frente, você dá impulso com o esquerdo e joga o corpo pra frente, assim. - dei a estrela. - Viu como é fácil? - Uhum! - ela me encarou um tanto desconfiada. - Eu vou te ajudar, a maior dificuldade na primeira vez é manter o equilíbrio nas mãos e deixar as pernas pro alto. Vamos começar devagar, apoia as mãos no chão. Ashlyn fez o que eu pedi. A primeira tentativa começou bem, mas quando as pernas dela ficaram no alto, não deu tempo de segurá-la. Ash caiu com as costas batendo na areia. - Você se machucou? - me abaixei preocupado. - Não! - ela riu negando com a cabeça. - Foi divertido. Ela estava linda com o rosto alegre daquele jeito e os cabelos espalhados pela terra. Seus olhos azuis e sua boca estava perto demais de mim, aquilo não ia prestar. Suspirei, o clima descontraído indo embora. - Você vai ficar fula da vida comigo. - Porque você é um péssimo professor e ainda por cima me deixou cair? - ela sorriu. - Não! - neguei com a cabeça. - Por isso aqui! - a encarei nos olhos. Mesmo morrendo de medo do que ia acontecer depois, não aguentei e a beijei. Um suspiro escapou da minha garganta quando toquei os lábios dela, parecia que eu tinha esperado anos por aquilo ao invés de três semanas, eles eram muito mais macios e deliciosos do que eu imaginei. Pensei que ela iria me empurrar e começar a me xingar, mas eu estava disposto a aguentar a bronca pelo prazer de provar daqueles lábios cinco segundos que fosse. Meu coração que já estava batendo disparado, acelerou ainda mais quando Ashlyn suspirou e entreabriu os lábios. Suas mãos foram parar no meu cabelo. Meu Deus, o jeito como ela acariciou meus cabelos, cheia de carinho, como ninguém tinha feito antes, acabou com meu auto controle. Eu a queria e pelo jeito ela também me queria. A ponta da minha língua invadiu a boca dela, contornando seus lábios, não resisti e puxei o lábio inferior dela entre os dentes. A forma como ela suspirou, derretendo-se embaixo de mim acabou comigo. Gemi encontrando sua língua e não perdi mais tempo. Minha mão agarrou a cintura dela e vasculhei toda sua boca, o gosto dela explodindo na minha língua. A beijei de verdade, sem reservas, sem medos, do jeito que eu queria ter feito na primeira vez que a vi. Acho que Oliver estava certo, um dia uma garota ia aparecer na minha vida e eu não ia querer mais ninguém. Pois bem, eu estava beijando essa garota naquele momento.
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