Capítulo 11:

2522 Palavras
Ashlyn   Fiquei extremamente surpresa quando Garrett me beijou. Primeiro foi um choque, mas depois que me acostumei com seus lábios sobre os meus senti meu coração disparar, de um jeito que nunca tinha acontecido antes. Minha lista de ex-ficantes era escassa e ex-namorados mais escassa ainda, porque eu só tinha namorado o Adam. Mas era suficiente para afirmar que eu nunca tinha sentido aquilo antes. Suspirei e deixei que a língua de Garrett acariciasse a minha. Senti meu sangue correr dentro das minhas veias e meu estômago dar cambalhotas. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas desde que Garrett e eu nos tornamos amigos, a sua presença simplesmente me fazia bem, e agora beijando seus lábios, eu me sentia nas nuvens. Acariciei seus cabelos, com calma, sem pressa para poder sentir os fios dele de encontro aos meus dedos. Seus cabelos eram mais macios do que eu tinha imaginado e era muito bom poder acariciá-los como tantas vezes secretamente eu quis fazer. Todos os sentimentos, os que eu sabia que estavam guardados e os que eu nem podia imaginar sentir por ele vieram à tona. Percebi que, não sei em que momento, Garrett e eu deixamos de ser amigos, talvez a gente nunca foi amigo mesmo, nossa aproximação se deu com segundas intenções, mesmo que nenhum dos dois tivesse se dado conta disso no começo. E mesmo com medo de me envolver com ele, mesmo com a minha cabeça gritando que ainda era cedo pra me envolver com alguém, e principalmente com ele, meu coração venceu aquela briga e me entreguei. Garrett mordiscou meu lábio inferior uma segunda vez, antes de, relutante, se afastar de mim. Quando abri meus olhos e o encarei, ele me olhava preocupado. - Você está fula da vida comigo? Está me odiando agora? - sussurrou. Sorri. Eu sabia que ele estava pensando que eu ia soltar os cachorros em cima dele. Talvez se ele tivesse feito isso no dia em que nos conhecemos eu provavelmente, teria ficado furiosa. Mas hoje não. - O que eu estou sentindo nesse momento está bem longe de ódio Garrett, mas... Por que você fez isso? Ele se sentou na areia da praia e passou a mão pelos cabelos, fiz o mesmo. Estava com medo da resposta. - Porque eu te vi assim tão perto de mim, tão linda que eu não resisti! - ele deu de ombros. - Sei que a gente é amigo, mas sinceramente Ash eu tô ficando na dúvida se amigos se tratam ou se sentem as coisas que eu sinto quando estou com você. Fiquei surpresa com as palavras dele, pela forma como ele estava sendo sincero comigo. - Eu também me sinto confusa às vezes. E nessas últimas semanas a gente se aproximou muito, às vezes eu confundo o que eu estou sentindo. Não sei se vejo você como amigo ou... Outra coisa. - confessei. - Eu tenho vontade de cuidar de você e de te proteger. Você não tem ideia do quanto me enfurecia saber que o Adam maltratava você. Eu nunca senti isso em relação a nenhuma outra garota. Você me confunde, me faz repensar em coisas que eu nunca achei que pudesse me questionar. - Que coisas? - sorri. - Sinceramente há três semanas, garotas não passavam de algo que caras como eu usavam para se divertir, passar o tempo e ter uma ereção. Nunca imaginei que pudesse me divertir com uma garota sem precisar t*****r com ela, nunca achei que uma garota me defenderia do meu pai e eu me abriria pra ela. Você me faz acreditar que certas coisas são possíveis e isso ta ferrando a minha cabeça porque eu sei que se eu fosse escolher um cara para você, não seria um cara como eu. Mas ao mesmo tempo eu quero que tudo isso se f**a, que dane-se o que as pessoas acham de mim. Eu quero ficar com você. - me encarou. - Eu também estou confusa. Há poucas semanas eu jurava que nunca me envolveria com alguém como você, mas conforme eu fui te conhecendo, as coisas foram mudando. Você também me fez mudar de ideia em relação à você. Garrett puxou meu rosto para perto e me beijou de novo. Apoiei as mãos nos ombros dele e retribui. Eu estava com medo, lógico que eu estava, mas essa atração que eu sentia por ele falava mais alto. Foi essa mesma atração que eu tentei negar que fez eu me tornar amiga dele e assim conhecê-lo melhor. - Grahan me promete que isso não vai afetar a nossa amizade? - sussurrei quando nos afastamos. - Eu juro que ela vai ficar melhor. - sorriu acariciando meu rosto. - Se a gente dá certo como amigos, imagina o que a gente não pode ser um para o outro como namorados. - Namorados?! - estreitei as sobrancelhas. - O que? Sinceramente você ta achando que eu só quero t*****r com você? Que eu tô falando tudo isso só pra levar minha melhor amiga pra cama? - ele me olhou incrédulo. - Você ficaria surpreso se eu pensasse isso? - arqueei as sobrancelhas. - Não, porque infelizmente você tem razão em pensar assim. Vamos fazer o seguinte então. - ele segurou minhas duas mãos e me olhou nos olhos. - A gente vai devagar, para nós dois podermos entender o que ta acontecendo e a nossa amizade não ser afetada. Sinceramente a última coisa que eu quero é perder minha melhor amiga, e foi isso que você se tornou para mim. - sorri. - A gente pode manter isso em segredo então? Não quero que você e o Adam saiam no soco outra vez e ele ainda ta no meu pé. Dá um tempo para ele desistir de vez e a gente entender direito o que ta acontecendo. Pode ser? - Ta sugerindo que a gente fique às escondidas? Porque ou é isso, ou eu vou te arrastar lá pra casa e dizer pra todo mundo que a gente ta junto. f**a-se se eu tiver alguns socos e arranhões por isso. - Ficar às escondidas? - sorri gostando da ideia dele. - Isso ou assumir para todo mundo. Já vai ser difícil me comportar como antes na frente dos outros, você precisa me dar algum estímulo para manter minha força de vontade e eu não estragar tudo. - Está bem, mas vamos ser discretos, por favor. Garrett assentiu e olhou em volta. Quando viu que ainda estávamos sozinhos, ele puxou meu rosto e me beijou. Tentei empurrá-lo, com medo que nossos amigos aparecessem, mas Garrett segurou minhas mãos e se inclinou na minha direção. Acabei deitada de costas na areia, com o peso dele confortavelmente em cima de mim. Minhas mãos que deveriam estar empurrando-o foram parar em seus braços. Acariciei as tatuagens dele, me lembrando de em algum momento prestar mais atenção nelas e ver quais eram os desenhos que tinha ali. Por enquanto tocá-las com os dedos estava de bom tamanho.     Garrett   Caminhei pela praia de mãos dadas com Ashlyn até avistarmos a casa de Miguel. Mesmo sem querer eu soltei a mão dela e entramos lado a lado. - Acho que vou ficar com hematomas nas costas. - Ash brincou. - Onde vocês estavam? - Scarlett nos encarou. Estava, todos sentados no sofá da sala. Os instrumentos tinham sido guardados e em cima da mesa, havia pratos com pequenas porções pra beliscarmos. - Estava tentando ensinar este ser a dar estrela. - provoquei. - É, só não contávamos que ele fosse ser um péssimo professor. - ela sorriu me dando um cutucão. - Vocês precisam provar esses bolinhos do Miguel. - Hilary elogiou. Miguel apontou um lugar vazio no sofá. Me sentei ao lado de Ashlyn e tive que fazer força para não segurar a mão dela. Provei os tais bolinhos e realmente estavam muito bons. - Caramba Miguel, me avise quando abrir seu restaurante, prometo que irei te visitar todos os dias. - Ash elogiou. - Eu falo pra ele que poderia ter orgasmos apenas comendo as delicias que ele prepara. - Ben sorriu. - Mas e ai a gente vai ficar aqui só acumulando calorias? - Scar perguntou. – Miguel, fala um lugar maneiro pra gente ir. - Acho que como ainda ta de dia, podemos ir ao shopping, a gente almoça por lá. Lá dentro tem pista de patinação, cinema 3D, restaurante, lanchonetes e a sala de games. Ai a noite se ainda estiverem com pique podemos ir num barzinho ou para uma balada. - Eu topo! - Hilary sorriu animada. - Eu vou tentar estar de pé até a noite. - Austin sorriu. - Não se preocupe amor, eu vou manter você acordado. - Hilary piscou com malícia e o beijou no rosto. - Fechou shopping então? - Miguel perguntou. - Beleza! - meu primo assentiu. O pessoal se levantou e se dispersou. Hilary, Austin, meu primo e Scarlett subiram. Benjamin e Miguel levaram as coisas para a cozinha. Quando todo mundo sumiu de vista, puxei o rosto de Ash para perto do meu e a beijei, ao mesmo tempo em que depositava um anel de chaveiro na mão dela. - Como você faz isso? - sorriu encarando a mão. - Como faz para sempre conseguir me entregar um desses? - Ah isso é segredo, não vou te revelar nem sob tortura. - respondi me gabando. - Me conta, parece que os anéis andam com você o tempo todo. - Se é isso que você acha, então é assim que eu consigo eles. - dei de ombros. Ashlyn estreitou as sobrancelhas desconfiada, voltei a beijá-la e me afastei correndo quando ouvi barulhos na escada. Nossos amigos voltaram e levou poucos minutos para a irmos ao shopping.   Como estávamos sem fome, graças a comida que Miguel fez para a gente, a maioria optou por irmos patinar um pouco. Todo mundo colocou os sapatos adequados e em pares entraram na pista de gelo. Quando encarei Ashlyn, ela ainda estava sentada no banco e encarava os patins desconfiada. - O que foi? - Eu nunca andei nessa pista, quer saber? Acho que vou esperar vocês aqui fora. - Nada disso! - me ajoelhei na sua frente e cobri as mãos dela, impedindo-a de tirá-los. - Eu te ajudo. - E se eu cair? - Eu te seguro, mas você não vai cair. Parece que descobri outra coisa que você não sabe fazer. - sorri. Ashlyn sorriu dando de ombros. Travei os patins dela e a ajudei a ficar de pé. O pessoal já estava andando na pista quando ela segurou meus antebraços com força. - Você ta muito nervosa, precisa relaxar. - sorri. - Não consigo em cima dessa coisa. - ela suspirou olhando pros nossos pés. - Ash, olha pra mim! - ordenei. Quando ela levantou o rosto fui tomado mais uma vez pela choque ao ver como ela era linda. - Meu Deus! - O que foi? To fazendo algo errado? - ela me olhou insegura. - Não. É que você não faz ideia de como eu gostaria de beijá-la agora. - sorri. Ashlyn sorriu e percebi quando suas bochechas ficaram coradas. - Eu também. - ela abaixou a cabeça. Pensa rápido Grahan, precisava me distrair com alguma coisa, ou ia fazer uma loucura e beijá-la. - Vamos brincar de jogo das 21 perguntas. - a encarei. - Ta falando sério? - ela sorriu. - To, preciso te distrair e me distrair, antes que eu te agarre na frente dos nossos amigos e te beije. E acredite isso é um risco em potencial, ainda mais com você tão perto assim de mim. - Ta, só que eu pergunto dessa vez. - ela sorriu erguendo o queixo. - Cor preferida? - Laranja! Achei que fosse meio óbvio, já que a cor da minha moto é laranja e meu apê é cheio de detalhes laranjas, como as luminárias que você viu. - Foi só para ter certeza. - ela sorriu. - Comida preferida? - Lanche! Mas eu como de tudo. - dei de ombros. Se sentindo mais segura Ashlyn deslizou as mãos pelos meus braços, aquela carícia suave e sem malícia me arrepiou e acordou alguém que não deveria estar acordado. Entrelaçando nossas mãos, ela ganhou mais apoio para patinar. Comecei a puxá-la, enquanto andava de costas. - O que você mais odeia nesse mundo? - ela continuou perguntando, sem se dar conta do que estava fazendo comigo, me tocando e me olhando com aquele ar inocente. - Injustiça e pessoas desonestas. - Comédia romântica, romance ou drama? - Ficção cientifica. - respondi e ela sorriu. - Olha se não quer mesmo estragar nosso disfarçar é melhor parar de me olhar com essa carinha anjo, e sorrir desse jeito para mim. Só eu sei a força de vontade que estou tendo que ter. - Ah então não posso nem olhar e nem sorrir pra você. - ela cruzou os braços e quase caiu. - Assim não?! - a segurei. - Como devo te olhar então? Assim?! - ele ficou vesga e colocou a língua pra fora. Em seguida imitou uma risada horrorosa, parecendo de bruxa. - Melhorou! - acabei rindo. Ashlyn riu junto comigo e quase se desequilibrou, a segurei com força. Nem ferrando a deixaria cair. - Continuando... - ela respirou fundo, se equilibrando - Praia, montanha ou cidade? - Montanha! - Quente ou frio? - Frio! - Está copiando as minhas respostas daquele dia? - ela me encarou desconfiada. - Você não acredita em coincidências não? Eu também amo montanha e frio. - me defendi. - Ok. Lugar preferido? - Aquela praça onde te levei e a lanchonete onde fomos, mas eu juro que é pelos sanduiches. - Ok, vou fingir que acredito. - ela estreitou as sobrancelhas. - É sério! - dei risada e tentei segurá-la apenas com uma mão. Não que eu quisesse me afastar dela, mas nossos amigos tinham que acreditar que eu estava apenas ajudando-a, e para dar certo, ela tinha que conseguir se soltar, pelo menos de uma mão. - Ta, o melhor dia da sua vida? - sorriu. - O dia de hoje, mais precisamente nosso momento na praia. - sorri. Ashlyn derrapou no gelo e quase caiu no chão. Agarrei a cintura dela com força e a puxei de encontro ao meu peito. Ashme encarou nos olhos, a respiração ofegando, não sei se pelo susto ou pela mesma razão que eu. Porque estávamos perto demais e o desejo estava começando a falar mais alto. “Foco Grahan, foco!”, pensei, lutando contra a vontade insana de beijá-la. - Vocês querem ajuda ai? Me virei e meu primo me encarava com um sorrisinho malicioso nos lábios. Endireitei Ashlyn e com muito custo consegui me afastar dela, de forma que pareceu natural. - Não tudo bem, acho que já acabamos. Eu acho melhor eu voltar para o banco. - ela sorriu me olhando. Vi em seus olhos que ela só estava dizendo aquilo porque se continuasse ali perto demais de mim, nem ela ia conseguir resistir. Ao que parece um romance às escondidas tem seus pós e contras.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR