Capítulo 37:

2806 Palavras
Ashlyn   Entrei no escritório e quando a porta se fechou senti um arrepio na espinha. O que esse homem queria comigo? - Sente-se, por favor. - ele deu a volta na mesa e apontou a cadeira de frente para ele. Sem escolhas, obedeci. - Eu não sei bem por onde começar, estava observando você e meu filho e pude constar que ele realmente gosta de você. Não sei porque, dado que meu filho nunca foi de se apegar a uma garota só. Encarei ele e achei melhor ficar quieta e não lhe responder nada. - Eu lembro muito bem do jeito que você o defendeu aquele dia. Agora te pergunto, você quer ter um bom relacionamento comigo? Porque enquanto meu filho estiver morando aqui com a gente, você vai me ver bastante e se esse namoro continuar vamos nos encontrar com frequência. - Não depende de mim ter um bom relacionamento com o senhor. - respondi, sem saber de onde tinha tirado coragem de falar aquilo para ele. - Ah não? - ele sorriu, surpreso com minhas palavras. - Não, depende do senhor. Como pai do Garrett eu o respeito, mesmo não concordando com a forma como trata seu filho às vezes. Ele não tem culpa de não querer ser arquiteto como o senhor ou o primo. Eu sei que ele finge que não liga, que está acostumado com essa rixa entre vocês, mas no fundo eu sei que ele se importa. Que ele gostaria que fosse diferente, que o senhor o apoiasse mais. - Apoiá-lo? - ele me olhou incrédulo. - Você viu aquele gesso na perna dele? Aquilo não teria acontecido se Garrett me escutasse. Se ele parasse com essa mania de querer participar daquele exibicionismo chamado Moto Cross... Enquanto ele estava em coma, eu quem tive que consolar minha esposa. Garrett pode ter 23 anos, mas é um garoto, não sabe o que quer da vida. Eu na idade dele também não tinha me resolvido totalmente. Se você quer ter um bom relacionamento comigo, me ajude. - E como eu vou ajudar o senhor? - fiz de tudo para não cruzar os braços e olhá-lo de cara f**a. - Me ajude a persuadir o Garrett a abandonar o Moto Cross. Ele quase morreu na última competição e eu sei que a primeira coisa que ele vai fazer quando tirar aquele gesso e subir naquela moto. - Achei que seu maior problema com ele fosse a profissão. Não foi o senhor quem deu a moto para ele? - Foi, mas porque ele tinha passado no vestibular, eu não imaginava que ele ia fazer Engenharia Mecânica. Ele nunca me falou nada a respeito, ele me enganou, me fez acreditar que queria Arquitetura também. Eu estava contando com ele Ashlyn para um dia tocar os negócios e ele me abandonou. - Desculpe, mas eu acho que foi o senhor quem achou que o Garrett seria Arquiteto. O senhor se enganou sozinho, pois, basta uma única olhada para ele, para ver que a paixão dele não são as construções. - Tudo bem! Eu prometo para você que eu vou tentar aceitar o falto de que meu filho não quer seguir meus passos, isso dói num ego de um pai, mas eu vou tentar entender... Se você me ajudar a convencê-lo a abandonar o Moto Cross. Eu sei que se você me ajudar, a gente pode conseguir isso. - Desculpa, mas não posso fazer isso, você está pedindo ajuda para pessoa errada. Não vou obrigar o Garrett a escolher entre duas coisas que ele ama. - Mas se você ameaçar terminar com ele, pode dar certo, ele parece se importar com você! - Isso sim eu nunca vou fazer! - perdi a paciência e me levantei. - Eu nunca faria o Garrett escolher entre o Moto Cross e sua profissão ou entre mim e eles. O senhor está completamente enganado se acha que eu vou te ajudar. - respirei fundo e tentei esfriar os ânimos, afinal de contas estava na frente do pai do meu namorado. - Se o senhor tem tanta certeza de que o Garrett está indo para o lado errado, tente convencer ele sozinho. Não peça minha ajuda para isso, porque eu não vou ajudar. - Agora entendi porque meu filho gosta de você. São iguaizinhos, eu vi isso aquele dia no apartamento, quando te conheci. Sabia que cedo ou tarde você ia entrar nessa casa de mãos dadas com ele. - Que bom que o senhor não se enganou quanto a isso, porque naquela época estávamos caminhando exatamente para esse momento. - virei minha mão, mostrando a aliança. - O senhor tem algo mais a dizer? - Não! - respondeu muito sério. - Ok, com licença então. - dei as costas e sai do escritório, m*l acreditando que tinha sobrevivido aquilo.     Garrett   Eu estava quase invadindo o escritório, quando a Ash apareceu na sala. - O que ele queria com você? - Filho, porque vocês não conversam lá no quarto? - minha mãe sorriu. - Mostra onde está dormindo. - É pode ser. - assenti, não gostei de ter que usar as muletas e não poder segurar a mão dela. Quando entramos no quarto, Ashlyn encarou as mobílias em tons de marrom. - É um quarto de hóspedes padrão, tô ficando aqui só pra dormir mesmo. - sentei na cama e encostei as muletas na parede. - Vem cá! - estendi as mãos para ela. Deitei na cama e Ash sorriu antes de se aproximar e deitar do meu lado. Deitando de lado, ela repousou a cabeça no meu ombro e apoiou uma mão na minha cintura. Envolvi um braço em torno dela e minha outra mão cobriu a sua. - O que meu pai queria? - beijei a testa dela ao perguntar. - Na versão resumida, ele queria minha ajuda para te convencer a abandonar o Moto Cross. Se você abandonasse as corridas, ele tentaria aceitar a profissão que você escolheu. - ela me encarou ao responder. - E por que ele queria a sua ajuda? Pensei que ele não gostasse de você. - Não gosta e acho que depois de hoje vai gostar menos ainda. Mas ele achou que eu podia persuadir você, porque você gosta de mim e poderia me ouvir. - ela revirou os olhos. - Ele até sugeriu eu fazer você escolher entre nosso namoro e o Moto Cross, mas eu disse para ele que nunca faria isso. - Aí ele te expulsou do escritório? - sorri de bom humor, dava tudo para ver minha garota em ação de novo. - Não, ele me disse que nós dois somos iguaizinhos, que ele percebeu isso aquele dia quando nos conhecemos e que sabia que uma hora eu ia aparecer aqui de mãos dadas com você. - Nisso ele acertou em cheio. - puxei o rosto dela para perto do meu e a beijei. - Naquela época eu já estava afim de você, lembra que eu te contei da piadinha que o Oliver fazia comigo? Sobre me apaixonar? - Sim e eu pedi para você me apresentar a garota, quando a conhecesse. - sorriu. - Pois, naquele dia quase que eu disse que essa garota era você! Minha Emily. O sorriso de Ashlyn se ampliou e gostei quando suas bochechas ficaram vermelhas. - Você nunca vai esquecer isso né? - Que você começou nosso relacionamento já mentindo pra mim? De jeito nenhum! - sorri. - Eu acho até que devia tatuar Emily no meu braço, bem a vista para você nunca se esquecer disso. - Não, por favor, sem tatuagem com o nome de Emily. Eu nunca vou esquecer do dia que eu te conheci e você também não vai me deixar esquecer. - Nunca, vou te atormentar sobre isso pelo resto da sua vida Emily. - sorri e virei nós dois na cama ficando em cima dela. - Nossos filhos e netos vão saber que você mentiu pra mim quando nos conhecemos. Ashlyn riu, envolveu os braços em torno do meu pescoço e a beijei. Foi impossível não mergulhar minha língua pelos lábios dela, deixar seu sabor se misturar com o meu. Desci minha mão pela sua perna e dobrei um de seus joelhos, acomodando-a embaixo de mim. Minha mão subiu as poucos, acariciando sua pele macia. Ash suspirou de encontro a minha boca e suas mãos foram se esconder embaixo da minha camisa, as unhas arranhando minhas costas. Foi o que bastou para as peças começarem a ser atiradas no chão e perdermos o controle. Ainda bem que eu tinha trancado a porta do quarto.     Ashlyn   Depois de viver num verdadeiro inferno, eu me sentia andando nas nuvens. Uma semana tinha se passado desde o assalto de Hilary e minha reconciliação com Garrett, e as coisas finalmente estavam entrando nos eixos. Minha amiga recebeu alta do hospital e estava planejando outra vez deixar o alojamento e ir morar com Austin. Dá vez anterior ela desistiu da ideia por minha causa, porque viu que eu não estava bem e precisava dela e eu não poderia ser mais grata pelo que ela fez. Agora eu seria a primeira a incentivá-la a ir, mesmo que soubesse que aquele alojamento não ia ser o mesmo sem ela. Infelizmente todos os depoimentos e meu exame de corpo de delito, não foram suficientes para colocar Adam na cadeia e não encontramos provas de que ele estava ligado ao assalto. Hilary não tinha conseguido ver o rosto dos assaltantes, apenas tinha ouvido suas vozes. Então tudo que conseguimos foi uma ordem de restrição minha contra o Adam. Ele por sua vez revidou como pôde e como o advogado de Garrett alertou, ele abriu um processo contra meu namorado. Garrett a partir de agora tinha que tomar alguns cuidados, como não se meter em encrenca para não ser preso de novo. Com a ordem de restrição, Adam não poderia chegar perto de mim, então automaticamente ficaria longe de Garrett e dessa forma meu namorado ficaria longe de problemas. O fim do semestre se aproximava e comecei a ficar preocupada com as provas finais. Semana que vem viriam as últimas provas e na semana seguinte seria a semana das provas substitutivas. Aquela que os alunos fazem quando não conseguem atingir a nota mínima na disciplina. E sinceramente eu tinha ido muito m*l em algumas provas e estava com medo, porque com certeza eu iria fazer mais de uma prova sub.   Depois de mais uma aula de física aplicada, onde me senti um pouco perdida, desci os degraus agradecendo por poder ir para casa. Eu ia ter que enfiar a cara nos livros se não quisesse reprovar esse semestre, mas não estava afim de me preocupar com isso agora. Parei nos degraus da escada quando vi Adam parado na porta. Seu rosto estava com vários roxos e alguns arranhões, uma de suas mãos estava enfaixada e o lábio inferior se recuperando de um corte. Pisquei vendo a forma que ele me encarava e por dentro senti orgulho do meu namorado por ter dado uma lição naquele i****a. Achei que ele ia dar as costas e ir embora, ele sabia que não podia se aproximar. A ordem de restrição era clara e ele devia ficar no mínimo a 500 metros de distância de mim. Quando ele deu um passo na minha direção, saquei tudo, dei meia-volta e corri de volta para o segundo andar. Foi um erro olhar para trás e ver que Adam estava vindo atrás de mim. Quando fui entrar na sala dei de frente com meu professor. - Ashlyn tudo bem? - Me ajuda professor, por favor. - supliquei agarrando seu braço. Eu não tinha para onde fugir e não tinha nenhum aluno na sala, só o professor. - Eu tô sendo seguida! - ofeguei morrendo de medo. Para ajudar Adam surgiu no corredor naquele momento, mas a uma distância segura que não violava a ordem de restrição. O professor Hernando Garcia olhou por cima do meu ombro, ele era meu professor e do Garrett. Eu sabia que Hernando havia comentado do meu mau rendimento com Garrett, inclusive hoje mesmo na aula ele me elogiou por ver que eu andava atenta de novo e também viu eu e Garrett nos beijando. Ou seja, ele sabia que eu estava com Garrett e não mais com Adam. - Esse rapaz está perturbando você? - ele perguntou ao avistar meu ex. - Todos os alunos já foram, tenho medo dele tentar falar comigo ou fazer algo. Depois que eu tinha feito a denúncia e que Adam estava proibido de chegar perto de mim, eu tinha perdido o medo que sentia dele. Bom ainda tinha medo dele, mas não ao ponto de esconder das pessoas o que ele estava fazendo. Agora quando eu pedia ajuda aos outros e me sentia mais segura. - Tudo bem, eu vou descer com você. - Hernando sorriu. - Tem alguém te esperando em algum lugar? - Vou almoçar com meus amigos e o Garrett no refeitório. - Coincidência, estou indo almoçar lá, você pode me acompanhar e falaremos sobre seu projeto no caminho. - Hernando sorriu começando a andar e entendi a desculpa que ele deu, pois Adam nos ouvia. A estratégia funcionou e fiquei aliviada quando ele sumiu no corredor e desceu as escadas.   Quando cheguei no refeitório, avistei meus amigos e Garrett e sorri mis tranquila. Meu namorado só não tinha ido me buscar na porta da sala, porque com aquele gesso era muito r**m e cansativo ficar subindo escadas e também pedi que nos encontrássemos no refeitório. Iria me lembrar de não fazer mais isso e correr o risco de ser pega sozinha nos corredores. - Obrigada professor! - De nada querida. Estude para a prova semana que vem, se você for bem, consigo passar você sem a sub. - Farei o possível para ir bem. - sorri, eu estava confiante apenas na matéria dele. Garrett usou uma das muletas para ficar de pé quando me aproximei. Com a mão livre ele me abraçou, me beijou e sacou na hora que alguma coisa tinha acontecido. - O que foi? - sussurrou no meu ouvido. Nossos amigos riam de alguma coisa perto de nós e decidi não incomodá-los. - Adam apareceu no meu bloco, não violou a ordem de restrição, mas acho que foi por pouco. Ou isso, ou ele quis me assustar. Seja o que for deu certo, porque tô com medo de andar sozinha aqui e ele aparecer. Garrett me soltou e afastou uma mexa do meu cabelo. - Logo a gente estará de férias e vocês não vão mais se encontrar até as aulas voltarem. Talvez isso ajude para ele aceitar que perdeu você e te deixar em paz. Mas enquanto isso eu vou te acompanhar até a porta da sua sala e te pegar lá no final das aulas. - Garrett, as escadas... - Não tô nem aí para as escadas Ash e minha perna já não dói tanto como no começo. Mais duas semanas acabam as aulas e quando voltarmos já terei tirado essa coisa. Vamos ver como tudo fica depois das férias, tá bom? - ele segurou meu queixo e me beijou de novo. - Eu te amo! - sorri, ele era a única pessoa que fazia eu me sentir 100% segura. - Eu também te amo, minha linha. - ele piscou para mim e eu acabei sorrindo diante do apelido carinhoso. - Quer parar de monopolizar a minha amiga. - a voz de Hilary chegou até nós e um guardanapo atingiu o braço de Garrett. - Logo eu não estarei mais morando com ela e só terei esses momentos para fofocarmos! - Desculpa! - Garrett ergueu a mão que estava apoiada em minha cintura. Dando risada sentei ao lado de Hilary e a abracei. - Olha eu já avisei para todas as meninas e está tudo em cima para o seu chá de lingerie no sábado ok? - Scar sorriu empolgada. - Temos que fazer sua despedida do alojamento à altura. Garrett sentou ao meu lado e envolveu um braço em torno da minha cintura. Virei o rosto para ele e o beijei. - Ai Jesus isso não vai dar certo! - Hilary deu risada. - É claro que vai sua boba, você vai chegar naquele apartamento em grande estilo. - Benjamin provocou. - Eu posso ir com vocês nesse chá? - Nada disso, só meninas estão convidadas. - Scar respondeu. - Querida e eu sou o que? - Ben colocou as mãos na cintura. Todo mundo na mesa acabou rindo e o restante do almoço continuou assim, com Scar fazendo planos para o chá, Ben implicando com ela e Garrett sempre roubando minha atenção para ele com beijos e carinhos. Eu não podia estar mais feliz do que ali, rodeada pelas pessoas que eu amava.
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