Ashlyn
Após fazermos amor de novo, acabei pegando no sono e acordei com a voz suave de Garrett no celular.
- Hum! - ele resmungou, roçando os lábios pela minha testa, uma das mãos brincando com meu cabelo.
Sorrindo, levantei o rosto e Garrett piscou para mim antes de me dar um beijo, ouvi uma voz de mulher do outro lado da linha.
- Tá bom mãe, vou falar com ela. - tive que confessar que parte de mim relaxou ao ouvir a palavra mãe. - Ok, pra você também. Beijos, tchau! - desligou.
Garrett me beijou antes que eu pudesse pensar de perguntar o que a mãe dele queria.
Virando nós dois na cama, ele ficou por cima de mim. Uma mão desceu pela minha coxa e sua boca desceu pelo meu pescoço. Dando risadinhas, envolvi um braço em volta do pescoço dele.
- De novo?! - ofeguei quando ele começou a lamber minha orelha, sua mão subindo pela minha perna.
- Eu adoraria! - ele resmungou e afastou o rosto para me encarar. - Mas temos um convite, melhor uma intimação. Minha mãe está nos chamando pra almoçar lá em casa, pra comemorar que eu fui solto. Falei que não precisava disso, mas ela faz questão e quer que eu leve pela primeira vez a minha garota lá.
Sorri sentindo o calor tomar conta de mim por ouvi-lo me chamar de sua garota, porque eu era totalmente dele.
- Você topa ir conhecer minha casa?
- Seu pai vai estar lá? - fiz uma careta não conseguindo evitar a pergunta.
- Vai, mas ele vai se comportar. Já avisei minha mãe, se ele fizer das dele vamos embora. - fiquei preocupada com o tom sério na voz dele.
- Bom, eu aceito. - dei de ombros.
- Enquanto eu estiver com essa coisa na minha perna, você vai ter que se acostumar a ir lá pra casa, meu amor. Infelizmente tô impossibilidade de dirigir.
- Tá bom meu amor. - retribui o elogio carinhoso, acariciando seu rosto. - E eu sei, por isso tô aceitando, mas... Eu não tenho roupa pra ir na sua casa, menos ainda para um almoço.
- Enquanto você dormia fiz uma coisinha.
- Que coisinha? - estreitei as sobrancelhas.
Garrett apontou para a beirada da cama, olhei e não vi nada, então puxei o lençol e me sentei. Havia uma mala de mão que não estava ali quando ele chegou.
- Scar trouxe umas roupas suas. - Garrett respondeu, acariciando meu braço.
- Ela foi no alojamento buscar? - o encarei.
- Sim, ela ia levar umas roupas pra Hilary, pedi pra trazer umas pra você. - deu de ombros.
- Posso tomar um banho antes? Você me deixou sem condições de apenas “trocar de roupa”.
- Nós vamos tomar um banho antes. - Garrett respondeu, sorrindo com malícia.
Garrett
Foi um saco tomar banho com essa d***a de gesso na minha perna, nem mesmo a presença da Ash superou o incomodo que aquela coisa causava. Pelo contrário, me deixou com mais raiva, porque graças ao gesso não consegui fazer o que queria com a Ash embaixo do chuveiro. Ou eu me equilibrava ou aproveitava sua companhia. No fim minha garota achou mais segurou e me convenceu da primeira opção.
Meu m*l humor porém, passou quando me deitei na cama e vi Ash se trocando na minha frente. Mordi o lábio enquanto ela colocava o sutiã, a calcinha e depois um vestidinho leve e perfeito para o almoço.
- Está bom essa roupa? - me perguntou após ir ao banheiro. - Por que está me olhando assim? - sorriu.
- Você está uma delícia com esse vestido, só consigo pensar em tirá-lo. - pisquei pra ela.
- Você devia estar se aprontando. - ela tentou disfarçar, mas vi que ela tinha ficado envergonhada, e que estava de olho em mim só de cueca. Amei aquilo.
- E deixar de apreciar a vista? Sem chance! - cruzei os braços. - Além do mais, eu só preciso colocar uma camisa, uma bermuda e um sapato qualquer.
- Isso é tão injusto, ainda tenho alguns minutos?
- Quantos você quiser, meu amor, ninguém vai servir nada enquanto não chegarmos.
Ashlyn me jogou um beijo e eu retribui lhe mandando outro.
Se inclinando sobre a malinha em cima da cama, ela tirou uma bolsinha dali e foi até o banheiro. Me inclinei para frente e sorri ao ver que ela estava se maquiando. Depois de passar um bastão estranho no rosto, **, um negócio nos cílios e um batom rosa, ela saiu do banheiro.
- Você ficou ainda mais linda! - sorri como todo i****a apaixonado e me inclinei para sair da cama.
Ashlyn pegou as muletas e se aproximou, estendendo as duas para mim. Quando olhou de relance para o gesso, fiz o mesmo e sorri vendo o coração que ela tinha desenhado.
- Vamos divulgar sua obra de arte. Obrigado! - beijei suas mãos antes de pegar as muletas.
Ashlyn sorriu envergonhada e me deu as costas. Voltou para o banheiro e começou a mexer no cabelo que pra mim estava lindo, mas pra ela - assim como todas as garotas - devia ter algo errado.
Peguei a bermuda que estava usando antes, uma camisa limpa no armário e vesti as duas, estava acostumado com o gesso então não atrapalhou. Calcei um par do tênis e larguei o outro no chão.
- Estou pronta! - Ash saiu do banheiro e parou. - Nossa, você está muito lindo para quem nem se arrumou.
- E você está cheirosa. - comentei me aproximando.
Inclinei meu rosto na direção do seu pescoço e quando senti aquele cheiro delicioso, não resisti e percorri todo o pescoço dela com a minha língua. Ashlyn gemeu e agarrou meus braços.
Larguei uma muleta no chão, envolvi meu braço em volta da cintura dela, colando seu corpo no meu, e chupei o lóbulo de sua orelha.
- A gente vai se atrasar Garrett. - suspirou, inclinando a cabeça para o lado.
Minha boca subiu pelo queixo dela e quase arranquei seu batom. Não sei de onde tirei forças para me afastar.
- Vamos, antes que eu te jogue nessa cama com ou sem perna quebrada.
Ashlyn sorriu gostando do que estava causando em mim, mas deu as costas e saiu na frente.
Quando saímos do quarto e chegamos na sala, encontramos Oliver e Scar vendo tv.
- Hum, aonde vão? - ela perguntou.
- Almoçar lá em casa. - respondi e mesmo sendo r**m com a muleta segurei uma mão de Ashlyn.
- Bom almoço pra vocês. - Oliver desejou.
- Valeu! - sorriu e indiquei a porta para Ash.
- A propósito primo.... - Oliver me chamou e me virei pra ele. - Gostei do desenho. - apontou minha perna.
- Invejoso! - retruquei antes de beijar o rosto de Ash e abrir a porta pra gente.
Ashlyn
O caminho até a casa de Garrett foi rápido demais para que eu conseguisse me preparar para o que estava por vir. Eu sabia que conhecer e almoçar na casa dele não seria problema, o problema era seu pai.
Não era segredo para ninguém que Ricardo Grahan não gostava de mim, por um motivo bem estranho. Eu estava do lado do seu filho, apoiaria qualquer coisa que Garrett quisesse fazer e era isso que Ricardo não gostava.
Quando o táxi parou, ajudei Garrett com as muletas e ele abriu a porta para entrarmos.
A sala que surgiu na minha frente quase me fez ficar de queixo caído. O piso era de mármore branco acompanhando as paredes pintadas no mesmo tom. À minha direita, tinha um sofá e duas poltronas pretas, uma mesinha de centro com vidro preto, um vaso de rosas vermelhas em cima e uma tv de tela plana na parede. À minha esquerda, havia uma mesa de mármore escura com quatro cadeiras no mesmo tom rodeando-a.
Quadros e esculturas enfeitavam a sala e no coração dela, de frente para mim, uma grande escada branca com corrimões de ferro. Encarei Garrett e não consegui disfarçar a admiração.
- A sua casa é grande mesmo, mas eu entendo porque você prefere o apartamento. - sorri.
- Ashlyn querida, que bom te ver. - Ruth desceu as escadas animada.
Garrett soltou minha mão com um sorriso nos lábios. Mesmo sem jeito, sorri e fui pega de surpresa quando a mãe dele me abraçou.
- Obrigada por ter aceitado o convite. - ela me soltou.
- Não foi nada, Garrett insistiu e eu não podia dizer não. - sorri.
Ouvi os passos na escada e meu sorriso murchou quando vi Ricardo descendo os degraus. Na mesma hora Garrett se colocou na minha frente, como se fosse um escudo disposto a me proteger do seu pai.
- Olha querido não é ótimo eles terem aceitado nosso convite? - Ruth sorriu, claramente tentando apaziguar o clima pesado entre pai e filho.
- Sim, ótimo. - Ricardo assentiu sem tirar os olhos de Garrett.
De costas para mim não podia ver os olhos do meu namorado, mas era possível para sentir, pelo jeito como segurava minha mão, que ele também estava sério.
- Vocês devem estar com fome, o que acham de irmos comer? A mesa está posta lá na área da piscina. - Ruth sorriu e gentilmente puxou o braço do marido, o levando para fora.
- Viu eu disse que ele ia se comportar. - Garrett se virou para mim e sorriu.
- Se você o olhou com metade da tensão que ele olhou para você... O relacionamento de vocês sempre foi assim? - perguntei.
Com a muleta Garrett andava mais devagar, nos dando mais espaço para conversarmos.
- Nunca fomos os melhores amigos do mundo, mas a coisa piorou com a faculdade e a divergência de profissão.
- Sinto muito que seja assim. - eu realmente sentia.
- Tudo bem, seria pior ser infeliz o resto da vida apenas para agradar ele.
- Isso você tem razão. - dei de ombros.
Garrett beijou meu rosto e piscou para mim quando chegamos na ala da piscina. Acho que cabiam dois alojamentos onde eu vivia dentro daquela área da piscina, e três dentro daquela sala.
O chão era todo de tijolos e a piscina era gigante, devia ter uns dois metros de profundidade e um 50 de cumprimento. Tinha duas escadinhas em ambas as laterais para você entrar ou sair e um trampolim e uma cascata, no que eu julguei ser o início dela.
Cadeiras de sol com guarda-chuva estavam dispostas ao fundo da piscina e na frente estava a mesa com as cadeiras, tudo pronto para o nosso almoço. No fim do corredor onde estavam as mesas tinha uma área de churrasco. Tudo muito moderno e sofisticado e por um segundo me imaginei nadando ali com Garrett.
- Gostou? - ele perguntou atraindo minha atenção.
- Sua casa é linda. - sorri.
Ele retribuiu meu sorriso e depositou um beijo na aliança que eu usava.
- Um dia, quando eu estiver sem essa coisa, quero te trazer aqui para darmos um mergulho.
- Eu topo! - assenti e acariciei seu rosto com a outra mão.
O jeito que Ricardo me encarava, sentado na minha frente, fez meu estômago embrulhar e abandonar a ideia do mergulho. Era óbvio que eu não era bem vinda ali.
Garrett percebeu minha mudança de humor, quando afastei minha mão. Quando viu que seu pai nos encarava, com cara de poucos amigos, ela também ficou sério. Na certa Ricardo tinha nos ouvido.
- Por favor Ash, sinta-se em casa. - Ruth sorriu, mas vi quando olhou de soslaio para o marido. - Fique à vontade para se servir do quanto quiser.
- Obrigada Ruth! – sorri.
Garrett me dissera para chamar sua mãe pelo nome, porque ela não curtia muito ser chamada de senhora, a fazia se sentir velha. O sorriso que ela me deu foi a confirmação de que eu tinha acertado em seguir o conselho do meu namorado.
Garrett fez questão de me servir e eu agradeci. Estava sem graça com a primeira visita, e a forma como Ricardo prestava atenção a tudo que eu e ele fazíamos juntos, não ajudava.
- A comida está deliciosa. - sorri para Ruth, decidindo fingir que Ricardo não estava ali.
- Obrigada, temos uma cozinheira de mão cheia. - Ruth sorriu.
Ficamos comendo em silêncio até Garrett começar a brincar comigo.
Afastando meu cabelo para o lado, ele percorreu o dedo atrás da minha orelha me causando arrepios. Que bom que o mau humor do pai dele, não o tinha afetado, pelo contrário, ele parecia muito feliz e relaxado em estar ali comigo.
- Você está linda! - sussurrou no meu ouvido e beijou meu rosto. - Mãe, pai, minha namorada não é linda?
- Linda e encantadora. - Ruth sorriu e me perguntei o que eu tinha feito para cair nas graças dela.
Encarei Garrett envergonhada e repousei a mão livre na perna dele, meu namorado piscou para mim.
- Você está linda! - sussurrou no meu ouvido.
- Você também! - sussurrei de volta e beijei seu rosto.
Quando me endireitei na mesa vi Ricardo me encarando, enquanto tomava um gole do vinho. Cada vez que me olhava assim, eu me sentia m*l. Garrett percebeu, pois apertou minha mão, repousada em sua perna.
- Não dá bola! - cochichou e eu forcei um sorriso antes de voltar a comer.
Quando acabamos, Ruth nos ofereceu sorvete de chocolate e baunilha, cobertos de chocolate dentro de taças enormes de vidro. Achei que ia passar m*l com tanto sorvete.
Ricardo se levantou da mesa e pedindo licença Ruth se levantou indo atrás dele.
Fiquei olhando os dois até Garrett bater sua colher cheia de sorvete na minha boca. Antes que eu tivesse tempo de brigar com ele, sua boca estava sobre a minha, lambendo meus lábios e todo o sorvete.
O que era pra ser um xingamento, se transformou num suspiro quando agarrei seu antebraço.
- Estava louco para fazer isso com você. - sorriu, cheio de malícia.
- Engraçadinho! - brinquei e revidei, mas não fui boazinha como ele e o sujei de sorvete no nariz.
- Assim não vale! - ele reclamou enquanto eu ria.
- Ashlyn, quero falar com você! - pisquei atordoada.
Aquele clima descontraído se desfazendo com a presença de Ricardo de pé atrás de mim.
- Comigo? O que eu fiz? - o encarei perdida.
Olhei para dentro da sala pela porta de vidro e vi Ruth com uma cara angustiada. Acho que ela tentou, mas não conseguiu impedir o marido.
- Venha comigo ao meu escritório!
- Tá! - respondi sem alternativa.
Fiz menção de levantar, mas Garrett agarrou meu braço e me fez ficar sentada.
- Qualquer coisa que quiser falar com ela, vai falar na minha frente.
- Eu só quero conversar com ela no escritório, poss...?
- Não! - Garrett respondeu de forma brusca, cortando o pai. - Ou fala na minha frente, ou não fala nada.
- Eu não vou comê-la viva se esse é o seu medo. Só quero conversar com ela.
Encarei Garrett. A mão em meu braço me segurava com firmeza, mas não a ponto de machucar. Seus olhos estavam estreitos e furiosos encarando seu pai. Ricardo o olhava de volta, mas com frieza.
- É... Amor, acho que não tem problema ir com ele...
- Sem chance Ash! - ele me encarou, seus olhos agora estampando sua preocupação comigo.
- Te espero no escritório. - Ricardo deu as costas e entrou.
- Não tem problema, o que ele pode fazer afinal? Eu já volto, fica tranquilo. - o beijei.
A mão dele afrouxou no meu braço e usei aquilo a meu favor para me levantar.
Eu estava com medo do que Ricardo queria comigo, mas era bom a gente ter uma conversa e pôr as coisas no lugar. Garrett tinha me escolhido, assim como eu o havia escolhido. Seria mais fácil se Ricardo aceitasse a ideia e era isso que eu iria dizer para ele.