Aprisionado

4665 Palavras

31 Entraram na sala, e uma onda de pavor pulou de rosto em rosto. Apertei o play, e o violoncelo pesaroso de Bram Stocker's Dracula os acolheu num abraço de cemitério. Tentando manter o semblante de pêsames, entreguei um caixãozinho a cada um. Dentro, um batom e um soneto de Augusto dos Anjos. No interior da urna mesmo eu espalhara trechos de Brás Cubas, Allan Poe e Daphne Du Maurier. Eles se sentaram em círculo, com medo apaixonado. Eu também tinha esse sentimento. Coy abriu as pernas e meteu a mão em concha no meio. Me observou do princípio ao fim, buscando alguma falha, um instante de bote, um deslize qualquer. Pedi que se voluntariassem a entrar no caixão. Disse-lhes que se entregassem ao desconhecido. E citei Clarice. Fechei a porta. Não queria que nenhuma irmã embranquecesse meu

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