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Resiliência é a capacidade de um indivíduo de se adaptar, recuperar-se ou superar adversidades, traumas e situações difíceis, retornando ao seu estado original ou evoluindo após uma crise.
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— Você já vai? — perguntei enquanto observava ele se vestir, continua sendo assim mesmo depois de quase cinco anos.
— Infelizmente sim, Michele está me esperando. — respondeu sem nem me olhar — Preciso que revise o formulário sobre as novas instalações, eu encontrei alguns erros hoje pela manhã.
— Sem problemas! — minha vontade de gritar e manda-lo para a p**a que pariu era enorme.
Quando eu comecei a trabalhar para o Sr Hernandes ninguém queria o cargo, ele é filho da p**a chato para um c*****o, mas como eu tinha total disponibilidade de horário eu apenas me adaptei, durante um ano nossa relação nunca passou da de chefe e secretário, mas em uma das milhões de festas que eu o acompanhei, acabamos passando do ponto, ele ainda não estava noivo, tínhamos uma ótima sintonia, combinamos que era apenas algo carnal, jamais deveria passar disso.
Dois meses depois da primeira vez ele apareceu com uma namorada, dois anos depois estava noivo, mas nunca deixou de passar na minha casa toda noite depois do nosso expediente.
Me chamo Arin, tenho 23 anos, toda a minha família veio refugiada de um dos países mais pobres da África, eu era bem pequeno na época mas consigo lembrar dos esforços dos meus pais para me dar uma boa educação, algo que eles nunca tiveram.
Me formei em contabilidade aos 18 anos, sempre fui focado nos estudos, e trabalhar na companhia Hernandes era uma ótima maneira de ingressar o mercado, eles eram os maiores.
Hernandes tinha 27 anos, sem dúvidas um dos homens mais bonitos que já havia visto na vida, noivo a um ano e meio.
Tudo começou a desandar quando na manhã de uma terça feira passei tão m*l que não tive condições de ir ao trabalho, fiz tudo de casa, Hernandes veio a noite saber como eu estava, ficamos conversando amenidades abraçados, apesar do seu jeito frio ele sempre estava preocupado comigo, eu não via futuro naquela relação, eu sabia que eu jamais passaria de um amante, mas eu não podia fazer meu coração não se apaixonar por aquele homem.
No sábado vomitei tanto que meus pais ficaram assustados, rapidamente me obrigaram a ir ao hospital, foi quando saiu a notícia que nem eu acreditei; Eu estava grávido.
Eu estava feliz mas sabia que tudo ia desandar partir daquele momento, o desespero me bateu tão grande, meus pais não moravam comigo e não sabiam que eu tinha um caso com meu chefe, mas eles sabiam que eu via alguém.
Nós trás apenas ficamos nos encarando, meu pai Adeben, tinha 50 anos, e minha mãe Adisa, 48. Meu pai foi o primeiro a quebrar o silêncio.
— Ele vai assumir essa criança? — Meu pai sempre foi muito esperto, ele provavelmente estava vendo o pânico estampado no meu rosto. — Arin? Me responda!
— Calma, Ad, ele está grávido agora, não pode se stressar! — disse minha mãe tomando a frente, e logo em seguida comecei a chorar.
Faltei a semana toda o trabalho, fugi do Hernandes todos os dias, eu não contaria a ele de forma alguma, não existia essa possibilidade na minha lista.
Assim que a semana passou tomei a decisão da minha vida, passei no RH e pedi demissão, eu ainda não tinha falado ou respondido o Hernandes com suas milhões de mensagens, entreguei o apartamento que era alugado, pago pelo Hernandes, e mudei para outra cidade, não tão longe assim meus pais poderiam me ajudar. Eu tinha um bom dinheiro guardado então conseguiria me manter por um bom tempo.
Eu havia me apaixonado por aquele homem, mas tinha minhas dúvidas se em algum momento cheguei a significar algo para ele, qual seria o sentido de contar que teríamos um filho?
O tempo passou, três meses foram suficientes para que as mensagens e ligações parassem de chegar, para que só me restassem as lembranças.