Raisa As panquecas não têm sabor. À distância, vejo-me levantar um garfada da massa tenra em minha boca. É pesada na minha língua, como mastigar um suéter molhado, mas eu como mesmo assim. Em parte porque preciso de forças para o que vai acontecer hoje. A outra razão é que estou sendo vigiada. A jovem que espera na porta da copa está usando trajes semelhantes aos de Helena. O dela tem um tom mais claro, mais siena do que terra, mas o vestido cai no mesmo comprimento nos pulsos e tornozelos. Ela mantém o cabelo preso em um par de tranças loiras que chegam até a clavícula e, ao contrário de Helena, ela não tem nenhum vestígio de joia que eu possa ver. Mesmo que ela tenha as bochechas rosadas, reconheço uma sentinela quando vejo uma. — Você não precisa ficar aí parada — digo a ela. — Eu n

