Alice já sentia suas esperanças de que Lorenzo estava a procurando diminuir, ela mais do que ninguém sabia da importância de encontrar a vítima dentro das primeiras horas. Ela então decide aproveitar a deixa para agir. Alice força os pulsos até que a corda comece a soltar o nó, de início não funciona muito bem por conta de ferir seus pulsos e a respiração ficar descompassada, junto da fita que tampa sua boca, limitando seu ar. Ouviu um barulho e se apressou em remover as cordas dos pulsos, mesmo que a cortasse, e finalmente Alice conseguiu. Ouvindo que os passos se aproximavam do quarto onde estava, ela com dificuldades conseguiu abrir a janela e escalou o telhado.
— Cadê ela, seu imprestável? — disse Maurício furioso, ao notar que o capanga que deixou responsável por Alice não cumpriu seu trabalho.
— Chefe, ela estava aqui há dois minutos, eu juro! — diz o capanga, com medo de Maurício.
Maurício não diz nada, leva sua mão até a arma que está presa em seu quadril e dispara contra o capanga, apenas para feri-lo, como uma punição por sua irresponsabilidade.
Em seguida, ele sai da sala furioso e vai ver se ainda encontra Alice no perímetro do lugar, pois acreditava que ela não tinha ido tão longe e realmente, era possível ouvir o som das folhas secas estalando sob seus pés parecia ensurdecedor. O coração de Alice martelava em seu peito enquanto ela se embrenhava na escuridão, os olhos atentos a qualquer movimento.
Ela não sabia onde estava, mas continuou correndo pela mata, até que por um descuido, esbarrou em alguém e esse alguém era Maurício.
— Achou que podia fugir de mim assim tão fácil? — perguntou ele dando aquele sorriso psicótico.
— Eu… — tentou falar, mas ele a pegou pelos pulsos e viu o sinal das cordas.
— Vamos voltar lá pra dentro. — disse ele a puxando de volta.
Mas Alice conseguiu se esquivar e voltou a correr pela mata, sem saber ao certo para onde estava indo.
Do outro lado, Lorenzo e Enrico foram até o bar se encontrar com Tito para ver se ele tinha alguma informação para ajudá-los, mas ele não queria colaborar muito, fazendo com que Lorenzo ficasse impaciente.
— Eu não estou brincando, Tito. — diz pegando ele pela gola da camisa.
— A única coisa que posso te dizer é que você tem que se apressar se quiser mesmo salvar sua princesinha. — Tito falou e deu uma risada assustadora.
Lorenzo de cabeça quente, dá um murro no rosto de Tito e ele sai de lá ainda rindo, mas não revidou.
Lorenzo e Enrico saem de lá, e ele se lembra de um local que Alice pode estar, ele pega seu telefone e liga para Marcos, pedindo reforços e é ele quem vai na frente. Ao chegar na casa de Maurício ele avisa Lorenzo de que Alice realmente está lá, pois a viu se esconder no armazém. Até pensou em ir lá, mas não queria parecer apressado, esperaria Lorenzo para que pensassem numa emboscada e acabar com Maurício de uma vez por todas, então ficou observando de longe.
[...]
A caçada era um jogo para Maurício, um quebra-cabeça do qual Alice não tinha saída. Alice se esgueirou para dentro de um armazém abandonado, os pulmões ardendo pela corrida. Suas mãos tremiam ao discar um número no celular, mas a bateria morreu antes mesmo de completar a ligação. O eco de passos próximos a fez prender a respiração, ela tinha apenas segundos para decidir qual seria o seu próximo movimento.
— Você nunca deveria ter se metido nisso, Alice. — disse ele com uma voz fria, calculista.
A lâmina brilhou na mão dele, refletindo a pouca luz que entrava pelo teto quebrado do galpão.
— Você acha que pode escapar de mim? Acha que pode desenterrar verdades sem consequências?
O desespero deu lugar à adrenalina e com um movimento rápido, Alice pegou um cano enferrujado do chão e se preparou, quando Maurício passou, desferiu um golpe, desequilibrando-o. Ela sabia que não podia vencê-lo na força, mas talvez na astúcia. Se ao menos conseguisse chegar à porta, poderia gritar e torcer para que alguém já estivesse lá fora e a ouvisse.
— Você perdeu, Alice. — disse ele parando de frente com ela, em um dos corredores.
Ele apontava a arma para ela, que levantou a mão em rendição e fechou seus olhos, esperando pelo seu final ali mesmo, mas o disparo que ecoou pelo galpão, não a atingiu. Ela abriu os olhos e viu Maurício cambaleando e levando a mão ao ombro ensanguentado. Alice piscou, tentando entender o que havia acontecido, até que viu a silhueta na entrada. Ainda tentando assimilar tudo, pelo medo e choque ela não reconheceu a pessoa e nem a sua voz.
— Fique atrás de mim — disse a voz firme, enquanto apontava a arma de novo.
No momento em que o homem ia disparar de novo, a polícia entra pelo armazém, anunciando sua chegada, eles vão até Maurício e o capturam. Alice e o homem misterioso caminham para fora do local e Alice precisa dar seu depoimento para a policial que estava cuidando do caso, enquanto isso, Maurício é algemado e jogado dentro da viatura, mas antes que fechassem as portas, ele se virou para Alice com um sorriso perturbador.
— Isso ainda não acabou sussurrou, enquanto a porta se fechava. — O jogo está só começando. Eu sempre termino o que começo. — disse antes dos policiais forçarem sua cabeça para entrar na viatura.
Alice respirou aliviada, por pelo menos ter conseguido solucionar o caso, mas aquela ameaça ainda mostrava que não estavam seguros. Nesse instante, ouviu uma voz masculina a chamando e ao se virar viu Lorenzo vindo até ela.
— Alice, você está bem? — perguntou abraçando e vistoriando ela.
Alice deu um sorriso fraco.
— Eu tô bem. Eu disse que pegaria o verdadeiro criminoso da história, não disse? — disse se aproximando dele.
— Eu nunca duvidei do seu potencial. Agora vem, temos que ir comemorar. — ele falou passando o braço ao redor do ombro dela e os dois caminharam na direção do carro dele.