Capítulo 17

1154 Palavras
Alice estava imersa e concentrada nos papéis a sua volta, o ar estava pesado na sala e Lorenzo não queria a incomodar, sabendo que estavam chegando ao momento mais crucial das investigações. Ela respirou fundo, sua mente girando com as peças que finalmente se encaixavam, ergueu o olhar para o nome de Maurício, com seu coração acelerado. — Então foi você esse tempo todo, não foi? — disse para si mesma. — Eu nunca duvidei de você. — diz Lorenzo se aproximando de Alice, com uma xícara de café. — Obrigada! — diz ela, estendendo a mão para pegar a xícara. Ele se senta ao lado de Alice e eles juntos começam a tentar entender o motivo pelo qual Maurício estava tentando incriminar Enrico. Talvez motivado por uma vingança pessoal ou até mesmo um segredo mais obscuro do que pensavam. Mas na verdade, ele queria roubar Alice de Lorenzo. E novamente a mente dela é invadida por flashbacks de quando partiu. Alguns dias antes de deixar Lorenzo: Alice acabava de sair do supermercado e ao caminhar pelo estacionamento até chegar em seu caro, notou uma movimentação estranha, um carro estava a seguindo, era um Crossfox vermelho, e Alice não se lembrava de conhecer alguém que dirigia aquele modelo de carro. Aumentou a velocidade que dirigia a fim de despistar, mas acabou por ser enquadrada em um beco. Sem ter para onde correr, Alice apenas travou as portas do seu carro, mas não foi o suficiente. Um homem alto, loiro e musculoso conseguiu abrir a porta dela e a tirou de lá. — Quem é você? O que quer comigo? — ela perguntou sentindo o desespero crescer. — Um nome que você vai ouvir muito, Maurício Fontanna. — ele aproxima seu rosto do ouvido de Alice. — Sabe, eu sempre quis o que Lorenzo tinha. O poder. A confiança dos Ricci. E você. — disse ele tocando o rosto dela. — Eu não posso. — diz ela, tentando se esquivar dele. — Eu quero que você termine com ele. — disse Maurício. — E se eu não fizer isso? — perguntou confrontando ele. — Você e ele vão sofrer. Te garanto que uma noite comigo vai compensar muito, eu vou te fazer gozar tantas vezes que você nunca mais vai esquecer meu nome. — diz e Alice sente um calafrio, de nojo. — Eu não posso. — diz ela. — Se você não fizer isso, estará assinando a sentença de morte dele. Imagina quando ele souber, nas últimas, que você mandou matá-lo. — Ameaça. Alice viu que não tinha outra escolha, a não ser seguir o que Maurício falou, mas se recusava a quebrar seus valores de passar uma noite com ele. — Tudo bem, eu vou terminar com ele. — ela diz e Maurício abre um sorriso satisfeito. [Flashback off] — Eu lembrei. — Alice falou e Lorenzo olhou para ela. — Ele disse que queria ter a vida que você tinha. E ameaçou te matar em meu nome. Lorenzo levantou as sobrancelhas em surpresa. A confissão fez Alice o fez prender a respiração. E na mente de Alice, flashes: o olhar insistente, os toques sutis, as palavras que antes pareciam gentis, mas agora soavam predatórias. — Isso é uma loucura! — Lorenzo se levantou, indignado. — Você está inventando isso! — Claro que não. — Alice se sentiu constrangida pelo que diria a seguir. — Ele quis passar uma noite comigo também. — O quê? — Lorenzo disse gritando. — E você aceitou? — perguntou sentindo seu sangue ferver. — Óbvio que não! Estou te contando isso, porque você se recusou a acreditar em mim. Alice disse num tom alto também. Lorenzo percebeu que tinha passado dos limites e tentou se acalmar. — Desculpa. — disse ele se sentando novamente ao lado dela. — Eu só estou tentando entender tudo. — pegou em uma das mãos dela. — Tudo bem. Sei que é difícil, mas agora que chegamos a esse ponto, temos que conseguir provas mais concretas e levá-lo à justiça. — Alice disse e Lorenzo assentiu com a cabeça. Mas Alice ainda via certa hesitação nele. [...] Na parte da tarde, Lorenzo precisou sair porque tinha uma reunião e Alice ficou sozinha em seu apartamento. De repente, ela ouviu a campainha tocar, achando que era o entregador com seu lanche, abriu a porta de uma vez, e se deparou com uma grande surpresa, Mauricio estava ali, com um sorriso psicótico, olhando para ela. — Você falou demais, Alice. — O tom dele era carregado de um aviso gélido. Alice mudou sua postura, assustada com o motivo de ele estar ali. O medo tomou conta de Alice quando Maurício se aproximou dela, mas ele estava mais forte do que se lembrava e a enlaçou facilmente em seus braços, impedindo que ela lutasse contra. Com um pano molhado de álcool, Maurício conseguiu desmaiar Alice, e deixou sob a mesa, um bilhete para Lorenzo antes de sair com ela. Seus pés batiam contra o chão de paralelepípedos, o eco de seus passos misturando-se com os sons distantes da cidade. Alice despertou lentamente com a visão turva, mas sentia que estava sendo carregada por alguém, voltando a dormir devido ao balanço que a pessoa fazia. Ele a levou para um dos seus quartos, e depois de amarrá-la bem firme na cadeira, com as mãos para trás, a despertou. — Bem-vinda de volta, Alice. — disse ele e ela começou a olhar ao redor, se dando conta de que tinha sido sequestrada. — Por favor, atenda… — ela tentou falar, mas Maurício se aproximava. Logo escutou um som atrás dela de si, o que fez seu sangue gelar. — Não é pessoal, Alice. — Ele sorriu, a faca brilhando sob a luz fraca. — Mas você estragou tudo. Agora, tenho que consertar. — Você sabe que eu não tive escolha! — disse. — Mas você tem que pagar pelo que fez. — Isso é o que nós vamos ver. Foi o que Maurício disse antes de sair pela porta e deixá-la lá, sozinha. Do outro lado, Lorenzo acaba de chegar em seu apartamento e percebendo que Alice não estava em nenhum dos cômodos, caminhou até a sala onde ela estava trabalhando, e tudo que encontrou foi um bilhete, e Lorenzo sabia muito bem o que aquilo significava. Pegou seu telefone e discou o número de Enrico. — Alô? — atendeu. — Parabéns por sua irresponsabilidade. Preciso que você me encontre aqui fora do meu apartamento, porque agora o negócio ficou sério e eu preciso que você me ajude, já que a culpa foi sua. — Lorenzo fala enfurecido. — Do que você está falando? — perguntou Enrico. — Alice foi sequestrada… — deu uma pausa. — Por Maurício Fontanna. — Droga! Eu estou indo. — disse e desligou a ligação. Lorenzo colocou o telefone no bolso, saiu do apartamento trancando a porta e descendo para a garagem.
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