Tâmara Souza 💫 - Coque | Recife 🌙
Me remexo sentindo o corpo todo doer, mas a dor maior era na minha b****a, tava ardendo como nunca, dolorida, só de mexer as pernas doeu pra p***a, abro os olhos devagar tentando entender onde eu estava, tava tudo escuro, sem uma fresta de luz e eu já comecei a surtar sem entender onde estava.
Forço as minhas pernas a levantar e me sento sentindo o corpo doer pra caramba, a b****a latejar e a cabeça também, passo o olhar pela sala escura e os relapsos de tudo que rolou começa a surgir na minha mente, meu Deus, em que merda eu me meti?
__ galego? - murmuro baixo chamando e não tenho resposta.
Me forço a levantar, me sentindo estranha, cheia de dor e não era só física, sei lá, sentimento estranho no peito, sensação r**m, o choro logo querendo se fazer presente.
Prefiro não procurar por ele, se ele meteu o pé, melhor ainda, não tô procurando romance nem nada, só quis dar, ele quis comer e pronto, alcanço meu shorts e meu corset no chão, a calcinha ele rasgou, então só pus o shorts no corpo juntamente do corset e engoli em seco passando o olhar uma última vez naquela sala.
Procuro minha sandália com o olhar e lembro que deixei no terraço, vou em direção ao mesmo e calço a sandália, quando vou em direção a porta de vidro e tento passar ela para o lado, minha ficha cai no mesmo momento, as lembranças dos comentários, dos falatório do povo, os boatos que ele mantinha as meninas em cárcere privado depois de t*****r veio na mente, meus olhos automaticamente enchem de lágrimas, não, não pode ser!
Forço minhas mãos tentando abrir e nada, ele não pode fazer isso comigo, meu Deus porque eu sair de casa, que ódio.
__ SOCORRO, ALGUÉM ME AJUDA. - grito o mais alto que posso, mas é inútil, ninguém ao menos colocou a cara no portão, o dia lá fora já tinha ido embora dando lugar a noite, e minha mente consequentemente foi até meus pais na minha casa.
E foi nesse momento que eu me arrependi amargamente por ter mentido pra eles, por ter fugido de casa pra curtir coisa que não vale a pena, eu daria tudo pra estar em casa, ou até na igreja com a minha irmã, eu só quero ir embora.
Me sentei no chão do terraço sem esperança alguma dele aparecer ou alguém me salvar, as lágrimas desciam sem parar por meu rosto e eu só queria o colo da minha mãe nesse momento, eu tava me sentindo presa, sem ar, desesperada e com medo, p***a, eu só faço merda.
•••
Eu já tinha perdido todas as esperanças, já gritei, chorei, gritei de novo, até rouca eu estava, não sei que horas é, minha barriga está roncando de fome, mas esse é um detalhe mínimo comparado ao medo e desejo de ir pra casa.
Minha garganta está dolorida, tanto por ter gritado pra c*****o aqui, quanto por mais cedo, se arrependimento matasse, eu estaria morta, maldita hora que eu conheci esse macho.
Saio dos meus pensamentos com o portão abrindo, levanto rápido enxugando o rosto que estava molhado de tanto chorar, por um momento pensei que seria ele, mas não era, era um cara qualquer com várias sacolas na mão, o cheiro de comida invadiu o ar e mais uma vez sentir a barriga doer, p**a que pariu!
__ galego mandou deixar essas coisas aqui contigo e mandou tu parar de gritar feito maluca, quase nove da noite já, os vizinhos querem descansar, ele mandou tu ir fazer o mesmo, tem tv, Netflix, mandou entregar comida japonesa aqui pra tu e pijama, toma um banho e descansa, amanhã ele brota aí pra falar contigo. - falou todo cheio de ordem e moral, quem disse que eu vou ficar aqui até amanhã? p***a, que ódio.
__ eu não quero nada disso bofe, eu só quero ir embora. - falei quase desesperada e ele riu debochado, mas no fundo me olhou com pena. - o que foi, abre isso aqui logo, por favor moço, me deixa ir embora, meus pais devem tá desesperado atrás de mim, só me deixa ir. - pedi e ele respirou fundo negando com a cabeça e mais uma vez as lágrimas caíram no meu rosto, junto com a minha ficha.
Ele realmente iria me prender aqui e eu iria ser só mais uma das várias meninas que ele mantém pelo coque, maldita hora que eu não botei fé nos boatos, agora ia ter que arcar com as consequências.
__ foi m*l ai novinha, mas eu só cumpro ordens, ele é o dono, quer um conselho? Segue o bagulho de boa, faz o que ele quer e quem sabe ele não enjoa fácil e te deixa ir? Vou deixar as coisas aqui, a chave reserva da porta tá dentro do armário na cozinha, só pegar, o portão tá fechado, nem tenta abrir se não tu vai arrumar mais caô pra mente. - nem me deixou responder e saiu, trancando o portão.
Respiro fundo tentando parar de chorar e acreditar no papo desse cara, será mesmo que se eu cooperar ele vai enjoar e me deixar ir embora, mas aí quanto tempo isso? Eu só queria ver meus pais e pedir desculpa por tudo que eu tô fazendo eles passar novamente, não queria ser uma decepção igual o meu irmão, mas agora eu não tinha opção, eu fodi com a minha vida e se arrependimento matasse eu tava morta, eu devia ter escutado meus pais e ter feito o que eles mandou, mas agora era tarde, eu não sei nem quando vou ver eles novamente, só espero que alguém consiga avisar e ajudar eles de alguma forma me livrar de tudo isso.
Sem pensar muito eu tento cessar o choro e caminho até a cozinha, pela primeira vez, já que quando entrei aqui fiquei pela sala e na sala mesmo eu apaguei, passo o olhar por ela vendo a geladeira enorme que tinha ali na cor branca, a mesa de seis cadeiras, nem sei pra quê se nem aqui ele mora, a pia de mármore com o escorredor de pratos e alguns em cima, o fogão na cor branca também e o armário que tinha um microondas e uma Airfryer em cima, caminho até ele e abro a primeira gaveta que vejo, dentro só tinha uma chave e eu deduzi ser a da porta, seguro nas mãos e volto para o terraço, encaixo a chave na porta e arrasto a mesma para o lado fazendo ela abrir e por um segundo eu conseguir respirar o ar livre do quintal.
Olho por alguns segundos para aquele portão, a mente tentando me sabotar, a ideia de abrir e sair correndo passou várias vezes por ela, mas eu sabia que na hora que eu saísse lá fora sem a autorização dele, eu seria morta sem dó nem piedade, e mesmo querendo muito morrer, eu sei que não é isso que meus pais querem para mim, então, pelo menos nesse momento eu penso neles.
Me agacho pegando as sacolas e entro novamente na casa, fecho a porta com chave e volto para a cozinha, coloco as sacolas na mesa e guardo a chave no mesmo lugar.
Primeiro eu abro a sacola de comida, como ele falou, era duas marmitas com comida japonesa e eu só queria saber quem foi o satanás que avisou a ele que era minha comida predileta, junto tinha uma coca e um bilhete que me deu mais ódio ainda.
“Pô cachinhos, maneira aí nos gritos, tô ligado que você não tá numa situação legal, mas foi você quem procurou, me amarrei na tua e te liberar tá fora de cogitação, quero curtir um bagulho mais sério contigo e espero que você esteja na mesma sintonia que eu, não quero ter que te machucar….
Teu bandido.”
Leio aquilo com os olhos cheios de lágrimas, um embrulho surgi no meu estômago e a vontade de vomitar me atinge em cheio, mas eu não faço, engulo o choro e a vontade de vomitar, é como ele falou, eu procurei, agora eu teria que encontrar uma forma de ir embora, chorar e fazer escândalo não vai ajudar em nada.