bc

Comprada pelo CEO

book_age18+
338
SEGUIR
4.1K
LER
bilionário
Sombrio
proibido
família
diferença etária
os opostos se atraem
herdeiro/herdeira
colarinho azul
drama
tragédia
bxg
sérieux
cidade
escritório/local de trabalho
segredos
assistant
like
intro-logo
Sinopse

Maria vive acorrentada pelo desespero e pela miséria, forçada a vender seu corpo em um clube exclusivo para bilionários para sustentar sua família endividada, enquanto um segredo sombrio ameaça desmoronar sua alma. Virgem e traída, ela encontra no luxo a mais c***l das humilhações e o mais inesperado dos abismos. No auge de seu tormento, surge Arthur Sterling, um CEO bilionário, devastado pela perda recente de sua esposa e arrastado para aquele mesmo inferno por amigos bem-intencionados. Arthur não busca prazer, mas uma fuga silenciosa de sua própria dor. Em meio a encontros onde o toque é proibido, mas a tensão é palpável, uma conexão inesperada começa a se formar. Intrigado pela inteligência e pela melancolia velada de Maria, e testemunhando a brutalidade de seu mundo, Arthur oferece um contrato irrecusável: um emprego como sua secretária pessoal, uma saída disfarçada de negócio, um ato de pragmatismo que esconde um desejo crescente de controle e uma sutil compaixão. Enquanto Maria luta para curar as feridas de sua família e as suas próprias, um passado sombrio a persegue, ameaçando expor a verdade e destruir a frágil ponte que ela construiu com o homem que a salvou. Será que o amor pode florescer onde o desespero semeou a vergonha, e a redenção ser alcançada quando o mundo insiste em julgá-los?

chap-preview
Pré-visualização gratuita
Capítulo 1: O Gosto da Poeira
Maria: O cheiro era a primeira coisa que se notava ao entrar em casa. Um odor de mofo, de umidade entranhada nas paredes e na alma, misturado a um cheiro azedo de desespero. Era a fragrância da nossa vida, o ar que meus pulmões de dezenove anos se acostumaram a respirar. Lá fora, o sol do Rio de Janeiro castigava o asfalto, mas aqui dentro, na penumbra perpétua do nosso pequeno apartamento térreo, o frio da miséria era mais penetrante que qualquer ar condicionado. Na cozinha, a cena era um quadro diário da nossa decadência. Ana, com seus sete anos e olhos grandes demais para o rosto magro, raspava o garfo no prato de ágata esmaltada, buscando um último grão de arroz. Do outro lado da mesa de fórmica amarelada, Pedro, meu irmão de doze anos, observava com uma quietude de velho. Ele tinha empurrado dois terços da sua porção para o prato dela, um sacrifício silencioso que apenas eu notei. — Come tudo, Ana. Pra você ficar forte — ele disse, a voz já começando a engrossar, tentando soar como a de um homem, como a do nosso pai. — E você, Pedro? — perguntei, minha voz um pouco mais áspera do que eu pretendia. Ele deu de ombros, evitando meu olhar. — Comi mais cedo. Não tô com fome. Mentira. A fome era uma criatura viva em nossa casa, um terceiro irmão invisível que dormia conosco e se sentava à mesa em todas as refeições. O orgulho de Pedro era a única coisa que a mantinha à distância dele, e isso me partia o coração em mil pedaços. Do corredor, o silêncio do quarto da minha mãe era um grito. Dona Lúcia. Desde que papai fora levado, ela havia se encolhido para dentro de si mesma, a depressão como um casulo denso e cinzento. Eu a via como uma fotografia desbotada da mulher que um dia fora. Agora, era apenas um corpo na cama, um olhar perdido na parede manchada de umidade, alheia à fome dos filhos, à minha exaustão, ao mundo. Meu pai. A palavra arranhava minha garganta. Um homem honesto, porteiro a vida inteira, apodrecendo numa cela por um crime que não cometeu. A palavra de um morador rico contra a de um zé-ninguém. A justiça, aprendi da forma mais amarga, tinha um preço, e nós não tínhamos como pagar nem a primeira parcela. Sua última súplica na visita da semana anterior ainda me assombrava. *“Cuida da sua mãe e dos seus irmãos, filha. E não se meta em encrenca por minha causa.”* Mäl sabia ele que a pior encrenca já tinha batido à nossa porta. Como um relógio macabro, o telefone fixo na parede começou a tocar, seu som estridente cortando o ar pesado. Vi os ombros de Pedro enrijecerem. Ana se encolheu. Era o toque do medo. Ninguém mais nos ligava. Apenas eles. Deixei tocar, o coração martelando contra minhas costelas. A chamada caiu na secretária eletrônica, um luxo inútil que veio com o aparelho antigo. Uma voz arrastada, grossa como piche, preencheu o silêncio. — Princesa... sei que está aí. O relógio não para de girar. A paciência do chefe também não. Estamos de olho nos seus irmãozinhos. Seria uma pena se eles se perdessem no caminho da escola, não é? A mensagem terminou com um clique. Princesa. Era como eles me chamavam. Um escárnio crüel, uma profecia do que eu ainda não entendia. O ar ficou rarefeito. A ameaça não era mais abstrata. Tinha nome, tinha voz, e sabia o caminho da escola dos meus irmãos. Meu turno no mercadinho do Seu Manuel era meu purgatório diário. Oito horas em pé, varrendo, repondo prateleiras, pesando legumes para mulheres cujas maiores preocupações eram se o tomate estava maduro o suficiente. O salário era uma piada, uma esmola que o aluguel e as contas engoliam antes mesmo de chegar ao meu bolso. A verdadeira tortura, no entanto, era a vitrine dos frios. Ali, sob uma luz branca e fria, repousava uma peça de alcatra. Vermelha, marmorizada de gordura, prometendo suculência, sabor, vida. Eu parava em frente a ela todos os dias. Minha mente, traiçoeira, criava a cena: eu, deslizando a carne para dentro da minha bolsa puída; o cheiro dela fritando no óleo; os olhos de Ana e Pedro se arregalando de alegria; uma refeição de verdade, talvez a primeira em meses. A fantasia era tão real que eu sentia o gosto na boca. Mas o medo era mais forte. O medo de ser pega, de perder aquele emprego miserável que era nosso único fio de sustento, de terminar numa cela como meu pai. E a fantasia se desfazia, deixando para trás apenas o gosto da poeira e da minha própria impotência. Naquela noite, a escuridão chegou mais cedo. A luz da cozinha piscou duas vezes e morreu. A conta não paga finalmente nos alcançou. Acendi uma vela, sua chama trêmula projetando nossas sombras como monstros dançantes na parede. Foi nesse cenário de escuridão e desespero que a mão do diäbo bateu na porta. Não era uma batida agressiva como a dos agiotas. Eram toques leves, quase hesitantes. Era Dona Marta. Eu a conhecia de vista, uma vizinha de poucas palavras que, de repente, parecia ter ganhado na loteria. Seus vestidos de chita foram substituídos por roupas de marca, e seu rosto, antes marcado pelo cansaço, agora ostentava uma maquiagem cuidadosa. Abri a porta e o contraste foi violento. Ela, parada sob a luz fraca do poste da rua, parecia uma miragem de luxo. Seu perfume, doce e caro, invadiu nossa casa, uma afronta ao nosso cheiro de mofo. Seus olhos passaram pela nossa sala na penumbra, pela vela sobre a mesa, e um lampejo de pena — ou seria triunfo? — brilhou em seu rosto. — Maria, minha querida! Que bom te encontrar. Vim trazer uma luz para a sua vida — ela disse, a voz, um xarope de simpatia. Ela entrou, analisando tudo. Sentou-se na beirada do sofá, a bolsa de couro falso no colo. — Eu sei o que vocês estão passando. E meu coração dói por vocês. Por isso, quando surgiu essa oportunidade, pensei em você na mesma hora. A esperança é uma erva daninha. Mesmo sabendo que não devia, eu a deixei brotar. — Oportunidade? — Um trabalho, querida. Mas não qualquer trabalho. É algo... especial. Para uma moça bonita, inteligente e discreta como você. — Ela se inclinou, baixando a voz. — É para fazer companhia a homens de negócios. Pessoas muito ricas, que viajam sozinhas. Eles querem uma presença agradável, alguém para conversar, para acompanhar num jantar. Alguém que os faça esquecer o estresse do trabalho. A palavra "prostituta" piscou em neon na minha mente. Meu rosto deve ter se fechado, porque ela gesticulou rapidamente. — Não, não! Pelo amor de Deus, não é nada disso! É algo de classe, Maria. De altíssimo nível. Ninguém vai te tocar se você não quiser. É sobre charme, sobre conversa. Você é boa com as palavras, é inteligente. Eles pagam por isso. Pagam muito bem. Ela se aproximou, o cheiro do perfume dela me sufocando. Ela sussurrou um número. Uma quantia tão absurda, tão pornográfica, que meu cérebro se recusou a processar por um instante. Era mais do que eu ganharia em cinco anos no mercadinho. Era o dinheiro para o melhor advogado do Rio. Era o dinheiro para a melhor clínica para a minha mãe. Era o dinheiro para tirar meus irmãos daquela miséria e colocá-los em uma escola onde "filho de ladrão" não fizesse parte do vocabulário. — Por que... por que pagariam tanto só por uma conversa? — consegui perguntar, a garganta seca. O sorriso de Dona Marta foi de uma benevolência quase maternal. — Porque para eles, dinheiro não é nada, querida. O que eles não têm é tempo. O que eles querem é uma ilusão. A ilusão de uma companhia perfeita por algumas horas. E você pode dar isso a eles. Eu olhei para a escuridão do quarto da minha mãe. Ouvi o estômago de Pedro roncar no outro cômodo. A ameaça do agiota ecoou em meus ouvidos. *“Estamos de olho nos seus irmãozinhos.”* A realidade era um alicate apertando meu pescoço, e Dona Marta me oferecia a única chave para afrouxá-lo. — Eu... eu não sei se consigo — sussurrei, mais para mim mesma do que para ela. A mão dela pousou sobre a minha. Era fria. — Claro que consegue. Você é uma sobrevivente. Pense nisso como um... um teatro. Você interpreta um papel por algumas horas, e no fim da noite, sua família está salva. O que vale mais? Um pouco de orgulho ou a vida deles? O golpe foi certeiro. Ela sabia exatamente onde me atingir. Orgulho. O que era orgulho diante da fome de um irmão? Ela se levantou, a missão cumprida. Tirou da bolsa um cartão retangular, grosso e de um branco imaculado. Parecia queimar sob a luz trêmula da vela. — Este é o endereço. É um clube privado, muito exclusivo. Vá amanhã à noite. Procure por Madame Simone. Diga que fui eu quem a mandou. — Ela me olhou nos olhos, o sorriso agora fino, quase uma fënda. — Use sua melhor roupa, querida. A primeira impressão é tudo. E com isso, ela se foi, deixando para trás o cartão e o fedor de sua mentira perfumada misturado ao nosso cheiro de mofo. Fiquei parada no meio da sala escura, segurando aquele pedaço de papel. Ele era pesado. Pesava como uma sentença. De um lado, o abismo conhecido da nossa miséria. Do outro, um abismo desconhecido, mas que prometia a salvação. Naquele momento, sob a luz solitária de uma vela, eu fiz minha escolha. Eu venderia minha alma ao diäbo. E rezaria para que ele, ao menos, pagasse o preço combinado.

editor-pick
Dreame-Escolha do editor

bc

A Secretária Virgem do CEO

read
36.3K
bc

Paixão sem limites

read
1.6K
bc

CASADA COM O FILHO DO MEU MARIDO

read
2.0K
bc

Amando Katharine

read
6.4K
bc

A Vingança da Esposa Desprezada

read
5.0K
bc

O Lobo Quebrado

read
130.6K
bc

Tudo Pode Acontecer - No Alto da Rocinha

read
8.1K

Digitalize para baixar o aplicativo

download_iosApp Store
google icon
Google Play
Facebook