Amara
Roma à noite tinha um charme c***l.
As ruas estreitas iluminadas por postes antigos, o aroma de café e vinho misturado à brisa úmida, tudo parecia conspirar contra a razão.
Mas o Palazzo De Santis era outro mundo.
Dentro dele, cada sala, cada corredor, cada obra de arte parecia observá-la, como se os fantasmas do passado sussurrassem segredos que só ela podia ouvir.
Eu ainda sentia o calor do toque de Lorenzo no capítulo anterior, mesmo que ele tivesse se afastado.
Era impossível não sentir.
Ele deixava rastros, traços invisíveis de sua presença que se alojavam na pele, na respiração, no coração.
Eu precisava me concentrar no trabalho na pintura , mas minha mente insistia em retornar aos olhos escuros dele, à voz rouca, ao modo como controlava tudo e todos à sua volta sem esforço aparente.
🌑
Senti o ar mudar quando ouvi os passos atrás de mim.
— Ainda está aqui, Isabella? — a voz dele cortou o silêncio, grave, firme e provocante.
Não precisei me virar para reconhecer cada nuance.
— Preciso terminar o relatório, senhor De Santis — disse, tentando manter a compostura, mas a respiração traía meu nervosismo.
Ele se aproximou lentamente, cada passo ecoando pelo salão, o som intenso e quase ameaçador.
— Sabe — disse, baixando a voz perto da minha orelha — gosto de mulheres que se dedicam.
Mas gosto ainda mais de mulheres que não desistem quando sabem que há perigo.
Senti um arrepio percorrer a espinha.
— Perigo é relativo — murmurei, mantendo meus olhos fixos na pintura.
— Então, Isabella — ele respondeu, segurando meu queixo de leve, inclinando meu rosto em direção ao dele você sabe como me provocar.
O toque dele era sutil, quase imperceptível para qualquer outra pessoa.
Para mim, era devastador.
Cada fibra do meu corpo reagia, mas a mente gritava, controle, controle, controle.
— Não é provocação — disse, firme — apenas observo o que você tenta esconder.
Ele sorriu, lento, como se entendesse perfeitamente cada máscara que eu usava.
— E o que estou escondendo? — perguntou, baixando a voz.
— Eu gostaria de descobrir.
O espaço entre nós era mínimo. A tensão, quase palpável.
Quando ele se aproximou mais, pude sentir o calor do corpo dele, o cheiro de couro, tabaco e madeira misturado em um aroma inebriante que me desestabilizava.
Minha mão, que segurava o pincel, tremeu levemente.
Ele percebeu.
— Trema — disse ele, quase um sussurro — e me diga que não é por medo.
— Não é — respondi, quase inaudível, mas nem eu acreditava na minha própria voz.
O silêncio caiu entre nós, pesado, carregado de algo que ia muito além da atração.
Ele recuou apenas o suficiente para manter a aparência de distância, mas a tensão não diminuiu.
— Vejo que gosta de desafios — murmurou, a ponta dos dedos roçando o meu braço.
— E eu também.
Ele se afastou, mas o olhar dele não me deixava.
A sensação era como caminhar na beira de um abismo, cada movimento, cada respiração, poderia ser a queda ou a libertação.
O que ele queria? Testar-me? Me dominar? Ou apenas observar o quanto eu podia suportar antes de ceder?
A verdade é que eu não sabia e isso me enlouquecia.
— Isabella — disse ele finalmente, aproximando-se de um dos quadros este trabalho exige concentração máxima.
Cada detalhe conta, Não posso me dar ao luxo de distrações.
Eu queria rir.
Ou chorar.
Ou me jogar nos braços dele e esquecer todas as regras.
Mas mantive o rosto sério, os olhos fixos na pintura, tentando me convencer de que era apenas uma profissional focada.
Ele caminhou em minha direção mais uma vez.
— E se eu disser que sua presença é uma distração?
— murmurou, inclinando-se o suficiente para que minha respiração se misturasse à dele.
O calor do corpo dele, o perfume, a presença, tudo me fez perder o controle por um instante.
Mas eu não podia ceder.
Não agora.
— Então, senhor De Santis — respondi, baixinho, controlando o tremor na voz — você precisará se acostumar.
Não sou facilmente dominada.
Os olhos dele se estreitaram, intensos, como se aquele desafio fosse a coisa mais excitante do dia.
— Eu gosto disso. — A ponta dos dedos dele roçou levemente meu ombro novamente, e eu quase sucumbi ao contato.
— Eu gosto de mulheres que desafiam.
E ali, entre o silêncio, o calor e o perigo, entendi uma coisa, o jogo entre nós havia apenas começado.
E, no fundo, eu sabia que seria impossível vencer.