CAPÍTULO 3

612 Palavras
Hoje o palácio parecia mais sufocante do que nunca. O ar carregado de perfume caro e madeira antiga me envolvia, e cada corredor parecia observar meus passos. Eu me perguntava se alguma vez me acostumaria a viver entre o luxo e o perigo, entre a beleza e o veneno. Mas, acima de tudo, eu me perguntava, como poderia manter o controle quando Lorenzo De Santis estava tão perto, sempre? Ele apareceu sem avisar, como se pudesse sentir minha presença antes mesmo de entrar na sala. — Isabella — disse, a voz grave atravessando o silêncio. — Posso ter um minuto? Engoli em seco e tentei soar natural, apesar do coração acelerado. — Claro, senhor De Santis. Ele se aproximou, medindo cada passo, cada gesto, como se eu fosse uma peça no tabuleiro dele. Fiquei imóvel quando ele parou a poucos centímetros de mim, o cheiro dele é mais intenso do que jamais imaginei. — Tenho observado seu progresso — murmurou. — Seu trabalho é impecável, mas… há algo mais que me intriga. Senti o calor subir, e meu corpo reagiu mesmo quando minha mente dizia para permanecer fria. — O que seria? — tentei disfarçar o tremor na voz. Ele se inclinou, os olhos escuros queimando os meus, e o tom baixou, quase um sussurro. — Você. Sempre tão controlada e ainda assim, impossível de ignorar. Senti um arrepio percorrer minha espinha. — Controlada é meu nome do meio — respondi, tentando manter o olhar firme. Lorenzo sorriu, lento e perigoso, aproximando-se ainda mais, até que sua presença preenchia meu espaço, minha respiração e minha mente. O toque dele foi quase acidental a ponta dos dedos roçando meu braço e o impacto foi devastador. Um frio que queimava, uma tensão que eu não podia ignorar. — Isabella — disse ele, a voz rouca, carregada de comando e desejo — você sente isso também, não sente? Senti. Cada fibra do meu corpo gritava que sentia. Mas não podia ceder. Não ainda. — Sentir o quê, senhor De Santis? — perguntei, mantendo a máscara de calma, enquanto cada músculo do meu corpo tremia. — O perigo e a atração — respondeu, com um sorriso que misturava desafio e promessa. — Dois jogos que você sabe manipular melhor do que qualquer pintura. Ele se inclinou levemente, tão perto que pude sentir a temperatura da pele dele, o perfume amadeirado envolvendo-me como uma armadilha. — Um dia — murmurou, quase contra meus lábios vou testar todos os limites que você consegue suportar. Senti o coração disparar, e uma parte de mim queria recuar, mas outra, mais profunda, queria desafiar. — E se eu não tiver limites? — disse, baixinho, quase desafiando o próprio medo. Os olhos dele se estreitaram, intensos, predadores. — Então, Isabella — murmurou, encostando a testa na minha por um instante, só para sentir teremos problemas. Um toque de sua mão nos meus cabelos fez meu corpo estremecer, e, por um segundo, tudo se tornou confuso. Desejo e perigo misturados em uma chama que eu não podia controlar. Ele recuou, mas a tensão permaneceu, pairando no ar entre nós. Quando ele se afastou, meu corpo ainda sentia o calor do toque dele, o cheiro dele, a presença dele. Respirei fundo, tentando recobrar o controle. Mas sabia que estava perdida, mesmo antes de ceder. Lorenzo De Santis não era apenas um homem de poder e perigo. Ele era o inferno que eu não podia evitar, e eu, Isabella Romano, a mulher que carregava segredos e vingança, já começava a se render mesmo sem admitir. O jogo estava apenas começando. E eu já sentia que, naquele tabuleiro, perder não seria apenas uma possibilidade séria inevitável.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR