Eu não estava sóbria e fiquei menos ainda depois que saí do escritório e fui me sentar no bar da boate.Aquela noite estava bombando, tinham muitos clientes na casa e as meninas estavam empolgadas, me disseram que estavam sentindo falta de ver a boate assim.
Depois de mais ou menos duas horas de programa, a Sol saiu do quarto com o Cauã Medeiros e veio na minha direção, me entregar o dinheiro da casa.
_Correu tudo bem?_perguntei, já sabendo a resposta, ela estava com um sorriso de orelha a orelha.
_Bem até demais, Laura, ele paga muito bem, olha isso!_ela respondeu, me mostrando as várias notas de cem reais.
_É, estou vendo._ela correu na direção das meninas, empolgada para contar a novidade.Eu sabia que para elas, o dinheiro valia muito mais do que qualquer outra coisa, mas ainda assim, eu achava estranhas algumas atitudes desse cliente, ele tentava chamar minha atenção de todas as formas, mas talvez fosse só algo da minha cabeça.
América se apresentava no pole dance e enquanto todos aplaudiam e gritavam, eu a admirava me perguntando porque eu não tinha nascido com aquele talento e coragem, eu achava lindas as apresentações dela com todos aqueles figurinos brilhantes e toda aquela desenvoltura no palco.
_Olá, Laura._disse o Cauã se sentando no banco ao meu lado.
_Você de novo.
_Eu devo ir embora?
_Não...Quero dizer, você pode ficar o tempo que quiser, é um cliente._eu disse tomando um gole do vinho.
_Você é muito nova pra ser dona disso tudo, estou intrigado com isso.
_Eu herdei da minha mãe.
_Então dá pra entender bastante coisa..._ele disse, encostando no banco.
_Entender o quê?
_Nada...Durante o dia, o que você faz?Quer dar uma volta comigo amanhã para nós conhecermos melhor?_ele perguntou.
_E porquê você não chamou a Sol para dar uma volta?_perguntei, me levantando, ele fez um sinal para que eu esperasse.
_Você parece ser diferente de todas elas, eu quero saber o que você tem Laura.Desde a primeira vez que te vi, você não sai da minha cabeça._eu nunca iria acreditar naquele papo, eu já sabia que tipo de homem ele era.
_Eu acho melhor você pagar outro programa, eu não estou disponível._me levantei e fui na direção do escritório novamente, sem olhar para trás.
O Cauã era o típico rico mimado que achava que podia ter tudo e todos que quer na hora que queria.Eu já tinha conhecido muitos garotos assim enquanto vivi na alta sociedade com a minha mãe, mas ela tinha me ensinado a lidar com esse tipo de cara.
Meu telefone tocou assim que entrei na sala, por mais incrível que pudesse parecer, era o Vítor.
_Laura, onde você tá?_ele perguntou num tom de voz autoritário.
_Por quê você quer saber, Vítor?Você já sabe onde eu tô e o que estou fazendo.Estou trabalhando.
_Você vai mesmo continuar com isso, Laura?Eu estou indo aí falar com você.
_Não, Vitor, você não vai vir aqui atrapalhar o meu trabalho, amanhã a gente se fala._eu gritei no telefone, mas ele já tinha desligado.Corri para avisar ao Marcus para que não o deixasse entrar, mas já era tarde, ele estava na porta e ao me ver, veio na minha direção logo me segurando pelo braço, descontrolado.
_Me solta, Vítor!_gritei, enquanto Marcus vinha tentar tirá-lo de perto de mim.
_Você vai voltar pra casa agora, Laura!_só consegui ver uma sombra o jogando no chão e dando socos em seu rosto, era Cauã.