Hazel
Você precisa ficar longe de mim.
Aquilo era algo que ele nem precisa se preocupar em me pedir. Eu não estava nenhum pouco a fim de burlar a sua regra de não aproximação. Não era como se eu estivesse desesperada para entrar na sua casa enorme ou em um dos seus quartos de hóspede. Eu acho que incomodada era a palavra que definia como eu estava me sentindo.
Incomodada com seus olhos azuis, incomodada com ele não vestir uma camisa enquanto me escoltava pela casa, com seu short que deixava suas coxas a mostra, com o quanto sua b***a era bonita e redonda e muito, mas muito incomodada com as tatuagens pelo seu corpo. Eram desenhos aleatórios, uma cruz no pescoço, alguns símbolos, frases escritas em idiomas estranhos, um tigre, algo que parecia uma flor no peito.
Eu não fui sempre uma noviça, eu conhecia o mundo, tive desejos e conheci alguns homens como ele. Ricos e perigosos. No meu colegial tinha alguns filhos de pais ricos. Eles ficavam com as garotas e depois descartava como lixo. Eu aprendi a sempre evitar caras assim.
— Hazel. — Luke caminhou até nós, sorrindo. Ele parecia ser legal. — Que bom que ele deixou você ficar. Eu estava pensando em um jeito de convencê-la a vir comigo.
— Isso não vai acontecer. — Nate falou. — Ela vai ficar aqui o tempo que quiser.
— Bom, isso é o ideal. — Luke falou, mas sem tirar os olhos de mim. — Mas se você precisar de mim, você pode falar. Eu posso ter seu número?
— Isso também não vai acontecer, o celular dela está quebrado. — o Nate respondeu por mim.
— Descarregado, na verdade. — corrigi. — Mas eu vou carregar ele algum dia. Então, eu te dou o meu número. — dei um sorriso discreto.
O Nate fez um barulho como se estivesse algo preso em sua garganta. Ele estava sendo protetor comigo? Aquilo era estranho.
— Você tem um quarto agora, Hazel. Será que podemos ir até ele? — ele soou irritado.
— Nós vemos por aí, Hazel. — Luke falou.
O Nate deu espaço para eu subir na frente. Dei uma olhada rápida na casa. Era enorme, cheia de janelas e portas de vidro. Cortinas claras que serviam para cobrir as janelas. O mármore era branco e detalhes dourados na lateral da escada. Quando eu cheguei no topo da escada, esperei que o Nate me guiasse até o quarto.
— A direita. — ele falou.
O corrimão dourado continuava e de cima dava para ver a parte de baixo. Quartos cercavam todo o local.
— Qual é o quarto?
— Qualquer um, todos são quartos de hóspedes. Você pode escolher qualquer um.
— Bom, eu acho melhor você escolher.
Ele passou por mim, arrastando minha mala e abriu um dos quartos. Entrei atrás dele e meu queixo quase caiu. Era lindo, com detalhes rosa-claro e bege. Uma cama king que cabiam umas dez de mim e parecia alta demais para alguém de um metro e cinquenta e sete. E também tinha uma enorme porta de vidro aberta com cortinas voando.
— Ali é a varanda. Tem uma boa vista. Estamos perto do mar, então é bem ventilado. Recomendo que você feche as cortinas se não quiser ser acordada pelo sol pela manhã.
— Ah, sim. Obrigada.
— Meu quarto é do outro lado. Se houver alguma emergência não me chame. Eu não sou sua babá e nós não somos amigos. E isso de meio-irmão não vai acontecer. — ele falou, ríspido. — Tem vários empregados na casa, eles podem ajudar se precisar de algo.
— Como o que quebrou minha caminhonete? — murmurei.
— O que você disse?
— Nada.
— Só fique longe do meu campo de visão, Hazel. É o melhor para você. — aqui soou estranho. Uma ameaça, talvez. O que ele poderia fazer comigo, me socar como ele faz em suas lutas clandestinas? Ele me deixou ficar, ele não poderia ser tão r**m assim.
Ficamos nós olhando por alguns instantes. Silêncio absoluto pairava entre nós, mas tinha outra coisa no clima, algo que me deixava nervosa e com a respiração pesada. O Nate era um homem mil vezes mais bonito que o Flynn e com certeza o Flynn não tinha aquele corpo todo trabalhado e aquele olhos.
Meu Deus, Hazel. Pare de desejar o que não pode ter.
O Nate se virou para sair.
— Nate. — chamei e ele parou, segurando a porta. — Obrigada.
Ele não respondeu, só bateu a porta com força. Sendo um completo bad boy sem educação.
Bom, pelo menos eu tinha um quarto e uma cama enorme e confortável. Coloquei a minha mala na cama, mas notei que ela estava molhada.
— Essa não!
Coloquei a mala de volta no chão e abri. A água molhou o chão, saindo da mala. As minhas roupas estavam encharcadas, mas pelo menos a minha bolsa com documentos e o meu celular se salvou. Não podia dizer o mesmo do meu carregador, que não poderia ser usado hoje.
Coloquei a mala de lado, eu não poderia usar roupas molhadas. Talvez amanhã encontrasse um lugar para lavá-las.
Entrei no banheiro e fiquei surpresa com o tamanho. Era quase maior que o meu dormitório no convento. Estava todo equipado com produtos de higiene e as toalhas mais macias que eu já senti na vida.
Tomei um banho e coloquei um dos roupões. As minhas roupas estavam sujas e eu ia ter que dormir de roupão hoje. Deitei na cama. Aquela era a cama mais confortável que eu já havia deitado. Nada em comparação com as esteiras que eu muitas vezes tinha que dormir no convento. Eu poderia facilmente me acostumar com aquela vida de rico.
Essa não é a sua vida, Hazel.
Espantei o pesamento. Amanhã eu iria procurar um emprego. Eu vi algumas lanchonetes no caminho. Talvez alguma delas precisasse de uma garçonete com zero experiência. Também tenho que arrumar um jeito de consertar a caminhonete. Não daria para sair andando para todos os lugares.
O problema é que eu não tinha dinheiro. Minha avó me deu oitocentos dólares das suas economias e um conserto devia ser caro. Tudo nesse lugar parecia caro. E esse dinheiro ia ter que durar até eu conseguir um emprego.
Fechei os olhos e comecei a rezar silenciosamente, falando com Deus sobre meus projetos. Eu ia precisar da benção divina neste momento, apesar de Deus não ser muito meu fã agora. Mas estava tão cansada que minha mente apagou completamente.