Nota da autora: Esse livro não é máfia, mas é um romance Dark. Não, o mocinho não é c***l, ele é um amorzinho. Eu prometo que vocês iram se apaixonar pelo Nate. Tem algumas cenas de violência e narração de acontecimentos passados, mas vou amenizar o possível para tornar tudo bem agradável ao leitor. O objetivo é que vocês se apaixonem, não que se sintam tristes, mas pode haver alguma lágrima derramada no processo.
Os fatos sobre a igreja católica que não narrados no livro, é fruto de pesquisa da autora. Podem ser verdadeiros ou fictícios. Não estou narrando nenhum acontecimento específico. Que fique claro que isso não é uma crítica religiosa, é apenas ficção.
Espero envolvam com a estória e entendam a narrativa. Essa é uma estória forte, mas que tem um lanço profundo de amor e redenção.
Nate
Oklahoma - Estados Unidos
Quando o primeiro soco atingiu o meu maxilar, eu sabia que aquele seria um último soco que aquele miserável daria naquela luta. Nem nos meus dias mais fracos alguém conseguia me socar. Eu era chamado de “o anjo da morte” nas arenas por um motivo bem peculiar: eu sempre destruía meus adversários rapidamente. Não dava chance para eles me tocarem. Apesar do que todos achavam, os anjos eram criaturas mortais. Não é à toa que a minha mãe colocou o meu nome de Nathaniel. O nome de um anjo. E eu me agarrei a isso para lidar com todas as merdas do meu passado.
— Vai, Nate! — a minha garota da noite gritou para mim.
Ela era muito gostosa e também o motivo de eu ter levado um soco nessa luta. Sexo antes de uma luta nunca caia bem. Era uma das minhas regras. Eu poderia ter o que eu quisesse depois, mas antes não. Mas eu não consegui resistir quando ela me atacou no banheiro da arena e se ajoelhou no meu p*u. Nenhum homem resistiria desse jeito. Aquela era uma final, uma luta importante que me fez passar horas em um maldito avião e vir todo o caminho de Palm Beach até Oklahoma só para quebrar a cara daquele vagabundo.
— Vamos, Nate! Cara, você precisa focar! — meu amigo, Luke. Gritou atrás da corda. Ele era o mais próximo de um treinador que eu tinha na vida. A luta para mim não era um esporte, eu só fazia por diversão e para manter a mente sã. Por incrível que pareça, quebrar alguns maxilares me ajudava a não surtar.
O sino tocou, e o ringue se encheu de ação. Voltei para minha postura, sacudindo fervorosamente os ombros. O meu adversário tinha um leve sorriso quase dominando seu rosto. Ele ia perder aquele sorriso - junto com os dentes. Jack "O Demolidor", aquilo era um nome tão óbvio para um lutador. Mas ele era bom, ele tinha um maldito cinturão. Uma pena que a única coisa que seria demolida hoje, seria ele. Aquele cinturão seria meu.
— Acaba com ele, Nate! — Luke gritou.
Avancei em direção a Jack, lançando golpes rápidos e precisos. Ele respondia com socos, buscando acabar comigo o mais rápido possível, mas eu era bom em me esquivar. Se não fosse bom, não duraria tantas lutas. A plateia rugia a cada troca de golpes, e eu sentia a adrenalina fervendo em minhas veias.
Finalmente vi uma a******a. Lancei um gancho de direita em direção ao queixo de Jack, e acertei em cheio. O impacto foi avassalador. Jack perdeu o equilíbrio e caiu no chão. A plateia foi à loucura, aplaudindo e gritando, testemunhando o nocaute espetacular.
— Anjo da morte! Anjo da morte! — gritava a plateia.
O árbitro levantou minha mão, me declarando como vencedor, enquanto a plateia corria para dominar as cordas da arena, gritando ao meu redor. Luta clandestina era assim, a única regra é que não tinha regra.
Um barulho alto de sirene soou e logo as pessoas correram em direção às saídas. Aquele era um aviso de que os tiras estavam na área.
— c*****o, Nate! Vamos correr daqui. — o Luke me puxou para longe, segurando firme o meu ombro.
Me empurrei no meio da multidão, correndo para onde eles nos levavam, até o ar frio da noite tocar minha pele.
— p***a! Tem polícia por todo lado — eu disse, ainda correndo para o lado oposto das sirenes.
— Vamos entrar na rua de baixo. Eu conheço um lugar. — o Luke avançou na minha frente e eu o segui. Entramos em uma rua escura. Me escondi numa parede que tinha um espaço que dava para uma porta. O Luke fez o mesmo na parede oposta. Quando vi as luzes das sirenes brilharem na rua, me encostei na porta e caí para dentro da casa. O portão estava aberto.
O lugar estava m*l iluminado, mas consegui ver que se tratava dos fundos de que parecia um convento. Janelas vitorianas com vitrais com tema religioso e uma bela torre com um sino, confinavam que se tratava de um convento. O Luke já havia falado que onde íamos lutar era na rua acima de um convento, por isso o local da luta era conhecido como santuário. Pura heresia. Eu reconheci a igreja na parte da frente. O cheiro de vela e incenso também era bem forte. Talvez viesse das luminárias estendidas por todo o pátio. Me equilibrei e fechei a porta, empurrando meu corpo para trás e encostando no muro. Só ficaria ali alguns minutos e depois voltaria para meu caminho.
— O senhor precisa de ajuda? — a voz doce soou atrás de mim.
Olhei na direção e vi uma garota vestindo roupa branca e um véu. Um pouco diferente das freiras que eu conhecia em suas roupas pretas. Ela também era jovem demais para ser uma freira. Ela segurava uma luminária e manteve certa distância.
— Oh, desculpe. Eu… caí aqui.
Ela me olhou dos pés à cabeça, mas baixou a visão quando parou no meu peito nu. Eu nem lembrava que estava só com shorts de box. - Não pensei em colocar uma camisa enquanto estava sendo perseguido pela polícia. Mas estranhamente, fiquei com vergonha de aparecer assim na frente de uma freira.
A sirene soou na rua e ela olhou em volta, analisando a situação. Eu também olhei bem, porque a garota bem podia ser uma assombração de convento com aquelas vestes brancas. Pisquei algumas vezes para ver se ela não virava fumaça e sumia da minha vista.
— Eu vou embora em um minuto. — avisei.
— Você estava em uma daquelas lutas clandestinas idiotas na rua de cima?
Como ela sabia? A luta era para ser secreta. E ela podia falar a palavra i****a sendo uma freira?
— Acredite, você não é o primeiro que entra aqui esse mês. Por isso, sempre conferimos as portas e fechamos antes de dormir. Bom, eu só me atrasei um pouco. — Ela mostrou o molho de chaves. — Por que continuam insistindo nessas lutas quando o lugar já é conhecido pela polícia?
Ela estava realmente me fazendo perguntas?
— Ah, sim. Eu estava lá. Eu não sou perigoso, juro. Vou embora em um minuto.
Ela franziu a testa e bateu com o dedo na boca, como se estivesse pensando.
Caralho. Era normal achar aquela freira sexy? Deus, eu ia para o inferno. Mas ela era bonita demais, de um jeito angelical.
— Espere, vou pegar alguma coisa para seu… ferimento. — Ela fez círculos com a mão, para indicar que estava falando do meu rosto, que deveria estar um pouco quebrado pelo soco. O Jack tinha um belo gancho de direita.
Ela sumiu por alguns minutos e não ouvi mais sinal da polícia. Eu poderia ir embora, mas estava tão tentado a ficar.
— Aqui está! — ela voltou segurando algumas gazes e um tubo com algum remédio.
Ela olhou para a distância entre nós. Seus pés ainda estavam no pátio do convento. Era como uma barreira invisível que ela estava tensa em romper. Ela respirou fundo e cruzou finalmente o jardim em minha direção. Conseguia ver seus ombros tencionarem enquanto ela caminhava até mim.
Ela me olhou por um instante e p**a que pariu. O rosto daquela garota era lindo. Ela realmente parecia um anjo e eu estava me sentindo muito estranho.
— Você pode limpar a bagunça em seu rosto e se cobrir com isso. — Ela me deu um xale branco. — Está frio, então eu pensei que seria bom.
Ela se preocupou comigo?
— Ah, sim. Eu não queria te envergonhar com a minha falta de roupa. Eu sinto muito que eu não esteja vestido adequadamente. É que não deu tempo.
— Você não precisa me explicar nada. Só use isso e limpe seu rosto. — ela olhou em volta. — Logo virá alguém.
— Você está preocupada? — Enrolei o xale em meu corpo de forma desajeitada, manchando o pobre manto branco de sangue.
— É o certo, não é? Eu não deveria estar aqui fora com você.
— Por quê? É contra o manual das freiras?
— Eu não sou uma freira, eu sou uma noviça.
— E qual a diferença?
— Eu não fiz o meus votos ainda.
— Então, você ainda pode desistir? — ela me olhou como se eu tivesse dito uma coisa terrível. — Desculpe, mas por que alguém como você ia querer passar a vida em um convento?
— Como eu?
Eu não sabia ao certo se poderia elogiar uma freira e não ferir alguma regra religiosa.
— Você é muito... jovem. — suas bochechas coraram.
Com as mãos tremidas, ela molhou a gaze com o líquido e me deu. Ela parecia tensa quando passou a gaze para mim, mas depois desistiu e deu um passo em minha direção - sua mão estendida em direção ao meu rosto. Eu me abaixei para ajudá-la a colocar o líquido ardido em minha pele. Ignorei a dor e apenas aproveitei o momento para analisar o seu rosto perfeito de perto.
— Geralmente, as pessoas pulam de dor quando colocamos álcool em suas feridas. — sua voz suave fez minha pele esquentar.
— Essa não é a maior dor que já senti na vida. Acredite.
Seus olhos cruzaram os meus por um instante.
— Eu imagino. Deve ser horrível apanhar para viver.
Um sorriso grave saiu da minha garganta.
— Nem perto disso, gata.
O “gata” foi instintivo, mas a fez se afastar. Eu confesso que fiquei um pouco chateado com isso.
Um grito abafado foi ouvido na direção oposta do pátio. Outra garota apareceu e saiu correndo rapidamente.
— Você precisa ir embora. Ela vai alertar aos superiores e logo estarão todos aqui. — ela virou para se afastar.
— Espere. — segurei seu braço. Foi um toque rápido, porque logo ela se afastou. — Desculpe, eu não queria tocar em você. Foi instintivo.
— Você deveria usar a razão, além do instinto. E precisa ir embora agora. — Sua voz soou irritada desta vez. — Terei problemas em me explicar se te verem aqui.
— Está bem. — Tirei o xale do corpo. — Aqui está.
— Você pode ficar. Está frio lá fora. — ela olhou para o pátio, nervosa.
— Obrigado… pela ajuda. Você pode me dizer o seu nome?
Ela me olhou e abriu a boca para falar, mas logo mudou de ideia. Talvez não fosse certo entre as freiras dizer seu nome para estranhos. A garota só se virou e correu para dentro do convento. Ouvi um bater de porta antes que ela desaparecesse na escuridão.
Fiquei sem um nome e sem forças nas pernas por alguns instantes antes de fazer meu caminho para fora do convento. Talvez tenha sido o mais próximo de Deus que pude estar na vida. Um encontro com um anjo. Será que ela era humana? p***a, eu estava muito louco e nem bebi.
— Nate! — O Luke correu em minha direção, assim que sai do convento. — Nossa, cara. Estou aqui há uma eternidade te esperando. Mais um minuto e eu iria entrar lá. Pensei que as freiras tinham te prendido e chamado a polícia. Você está bem?
— Ótimo.
— O que houve lá dentro?
— Eu vi um anjo.
— O quê?
— É uma longa história. Vamos voltar para casa.