Pré-visualização gratuita 1 - O amante
STEPHAN JONES
Ao subir no elevador, ajeito a gravata e me examino. Estou bem-vestido esta noite, com um terno de três peças, meu alfinete de gravata e sapatos estilo Oxford da John Lobb. Combinam perfeitamente com o azul-marinho do meu terno e a gravata vermelha.
Eu preferiria estar em casa agora, lendo um livro, escrevendo ou relaxando no meu apartamento. Festas não são minha praia, não são desde que eu era bem mais jovem. Não me importo de ir a um bar, se não estiver lotado, ou mesmo a uma boate, mas esta é uma festa menor. Tenho certeza de que conheço muita gente que está aqui esta noite e sabe que acabei de assinar com uma nova editora, cujo dono é o homem que está organizando esta festa.
As portas se abrem e eu entro na cobertura. Observo rapidamente o ambiente, ajeitando minha gravata já arrumada e passando a mão pelos cabelos. Por que estou tão ansioso? É só uma festa ïdiota.
É vasto, amplo e cheio de gente. Não é muito diferente do meu apartamento, exceto pelos móveis e cores. Uma pequena orquestra toca música suave em frente às janelas. Daquelas janelas, mesmo de onde estou, do outro lado da sala, consigo ver meu prédio à distância.
— Gostaria de uma bebida, senhor?
Olho para uma jovem atraente vestida com uniforme de garçonete, sorrio e aceno com a cabeça.
— Sim, por favor. Obrigado.
Pego uma taça de champanhe da bandeja que ela segura e continuamos nos encarando por um instante. Ela está corando e percebo que quer me dizer algo, então espero.
— Sou muito sua fã, senhor Jones. Só queria dizer isso.
Levanto uma sobrancelha enquanto tomo um gole da minha bebida, faço uma careta ao sentir o gosto do champanhe e suspiro. Ela falou rápido, e é óbvio que está nervosa.
— Obrigado... Chloe — digo baixinho, inclinando-me para ler seu crachá. — Talvez antes de eu ir embora hoje à noite possamos conversar de novo.
Ela assente, animada com a perspectiva, e enquanto se afasta apressadamente, eu a encaro. Imagino o quão difícil seria convencê-la a voltar para minha casa. Provavelmente não me daria muito trabalho. Penso um pouco e lembro que acabei de colocar lençóis limpos na minha cama depois de dormir com uma mulher ontem à noite e novamente esta manhã, então não teria que perder tempo antes de levá-la para a cama.
— Jones, aqui.
Olho para a multidão e vejo Brandon, acenando para mim, parado em frente a uma lareira ornamentada. Abro caminho com os ombros, cumprimentando quem me cumprimenta primeiro, e paro quando o alcanço. Estou sorrindo novamente, ele aperta minha mão com firmeza e volto minha atenção para a mulher que está ao lado dele.
É a sua esposa, eu sei, porque vi a foto dela no escritório dele. Eu a achava muito atraente, mas ela é muito mais bonita pessoalmente. Deslumbrante, na verdade. Não só o rosto, mas o olhar que dou para o corpo dela me faz concluir que é igualmente perfeito.
— Querida, este é o escritor de quem eu estava te falando, Stephan Jones. Jones, esta é minha esposa, Ella.
Estendo a mão para ela, que a aperta, sem tirar os olhos dela, e observo seu rosto. Ela sorri para mim e eu me concentro em seus olhos, que são de um tom de verde encantador. O delineador e o rímel que ela usa os destacam. Combinam perfeitamente com seu cabelo ruivo escuro e as sardas espalhadas por seu rosto.
— É um prazer conhecer você.
— Prazer em conhecê-la também, Ella? É uma abreviação de outra coisa?
— Estella. — ela diz com um sorriso. — Mas todos me chamam de Ella.
Prefiro Estella.
— Bem, eu sou Stephan. Todos me chamam de Jones, obviamente. Mas você pode me chamar do que quiser. Jones, Stephan, Steph. Não importa qual.
Depois que ela solta minha mão, continuo a encará-la. Percebo que estou encantado por ela, e isso nunca acontece comigo. Estou tão impressionado com sua beleza que esqueço que estou em uma sala cheia de gente, principalmente com o marido dela, que tem sido um bom amigo para mim. Então, desvio o olhar para o meu copo, em sinal de respeito.
— Eu realmente gostei de O Amante.
Olho para ela novamente.
— Como?
— Foi muito bom, muito bem escrito.
Meu sorriso se alarga. Esse foi meu primeiro livro, escrevi ele há mais de vinte anos, quando ainda estava na faculdade, e não esperava que fosse um sucesso tão grande. Ele lançou minha carreira e me colocou no mapa.
— Obrigado. Esse foi meu primeiro livro.
— Eu sei, mas não consegui perceber. É muito bom.
Inclino a cabeça levemente para o lado e a encaro. Então, ela sabe um pouco sobre mim, tipo, qual foi meu primeiro livro publicado. O quanto ela sabe? Já me procurou antes? Sou um homem reservado, muito reservado, mas há detalhes da minha vida na internet, já dei algumas entrevistas, porque é bom para a publicidade. É o que minha porta-voz me diz, pelo menos.
— Você só leu esse?
— Não. Eu li todos os seus livros. O Amante é simplesmente o meu favorito.
— Obrigado.
Então ela é fã, assim como a garçonete. Eu sempre me sinto um pouco constrangido quando recebo um elogio desses, cara a cara. Principalmente de uma mulher tão bonita quanto ela.
— Se você tiver uma cópia, ficarei feliz em autografá-la, se quiser.
— Na verdade, eu tenho uma primeira edição. Adoraria que você a autografasse.
Eu sorrio.
— Se você tiver outros, eu os assinarei também.
— Sim. Temos muitos livros.
Ela faz um gesto para a minha esquerda e eu olho para uma coleção de livros que ocupa uma estante embutida na parede do outro lado da sala de estar. Daqui, consigo ver uma pequena parte dos meus livros, mas há tantos nas prateleiras que mäl consigo distingui-los.
— Alguns são do Brandon, mas a maioria é meu. Eu também leio online. Mas prefiro cópias impressas.
Olho para Brandon, que está conversando com outra pessoa, sorrindo e rindo. Ele não está interessado na nossa conversa, e tudo bem. Prefiro falar com ela sem ser interrompido.
— Eu entendo. Você tem uma coleção e tanto. Eu também prefiro cópias impressas.
— Tenho certeza de que nossa coleção não é nada comparada à sua.
Eu rio.
— Eu tenho muitos livros, mas isso é de se esperar de um escritor, não é? Tenho certeza de que também sou bem mais velho que você. Tive muito mais tempo para comprar livros. Mas me surpreende que o Brandon não tenha mais, já que ele é editor.
— Quarenta e cinco não é tão velho assim.
Agora me pego sorrindo de verdade e tenho certeza de que ela me procurou. Ou se deu ao trabalho de ler a capa de um dos meus livros, que tem o ano em que nasci. Percebo que ela está corando.
— E quantos anos você tem?
— Acabei de fazer vinte e dois.
— Então, feliz aniversário atrasado.
— Obrigada.
No silêncio entre nós, meu copo é tirado de mim por outra garçonete, e eu pego outro.
— Tem algum lugar onde eu possa fumar?
— Sim — ela diz, assentindo. — Vou te mostrar. Brandon, nós vamos lá fora um minuto.
— Ok, querida.
Ele beija a bochecha dela e a visão me faz estremecer. Parece tão robótico, quase sobrenatural, e quando ela começa a andar, eu a sigo. Subimos uma escada, atravessamos um cômodo grande que imagino ser um quarto de hóspedes, e chegamos a uma porta dupla.
Ao sairmos para uma sacada, seguro a porta para duas pessoas que estão voltando para dentro, e então finalmente ficamos sozinhos.