STEPHAN JONES
Olho-me atentamente no espelho do chão.
Estou vestido de forma um tanto casual, com jeans claro, uma camiseta cinza com decote em V e os mesmos sapatos de ontem à noite. Não me barbei, então minha barba por fazer está escura, e parece que estou começando a deixar a barba crescer. Não estou, claro, só preciso esperar até a noite para me barbear um pouco antes da estreia. Se eu fizesse isso agora, ao meio-dia, ela teria crescido de novo em cinco minutos.
Estou nervoso e odeio ficar nervoso. Passo as mãos no cabelo repetidamente, olho meus dentes no espelho depois de escová-los, aliso as sobrancelhas e tento parar de me mexer enquanto fumo um cigarro.
Não há motivo para ficar nervoso. Vou apenas almoçar com ela. E hoje à noite vamos sair. Não é como se fosse um encontro ou algo assim. Ela é casada. Mas eu a quero e penso comigo mesmo que não deveria tentar vê-la se ela não quiser ter nada a ver comigo de forma sëxual.
Penso em cancelar e esquecer tudo, ir sozinho esta noite e encontrar outra pessoa que me satisfaça. Mesmo que saiba que não me sentiria culpado se algo acontecesse entre nós.
Eu sei que não. Eu a quero e, se eu a tiver, não vou sentir culpa nenhuma. Passei a manhã inteira pensando nela e nunca penso em ninguém além de mim. Minha família é a única exceção, mas mesmo com eles eu sou bem distante. Não vejo meus irmãos há alguns anos, embora uma das minhas irmãs e minha sobrinha mais nova venham passar uma semana comigo no mês que vem. Elas já estavam planejando uma viagem para Nova York de qualquer jeito e eu acabei me mudando para cá, então, em vez de um hotel, elas vão ficar aqui.
Isso me lembra que preciso arrumar um dos quartos de hóspedes para elas. Vou ter que comprar uma cama, lençóis e um edredom e pedir para minha empregada arrumar tudo. Não estou muito ansioso para isso. Gosto que meu espaço seja meu, mas não queria dizer não.
Quando saio e tento pegar um táxi, desejo que meu carro já estivesse aqui. Demorou muito mais para vir da Europa do que eu esperava. Eu poderia simplesmente comprar outro, mas é o único carro que tive desde os meus vinte e poucos anos, e nunca senti necessidade de comprar outro.
Finalmente consigo um e peço para ele chegar o mais rápido possível. Não gosto de me atrasar, mas, felizmente, não é muito longe do meu prédio. Teria sido mais inteligente nos encontrarmos no meu prédio ou no dela e pegarmos um táxi juntos, já que moramos tão perto. Mas não tive notícias dela. Eu esperava uma ligação ou até mesmo uma mensagem de texto confirmando que ainda iamos almoçar. Atribuí isso ao nervosismo dela em me encontrar.
Assim que saio do táxi, olho em volta, verificando cuidadosamente se há paparazzi, mas não noto nenhum. Não me surpreenderia se eu tivesse sido seguido do meu apartamento até aqui. Eles estão loucos para me ver com outra mulher. Não entendo a confusão. Há muitas outras pessoas interessantes para seguir além de mim. Estou pronto para que o interesse por mim se esgote.
Vou até o restaurante, até o posto de atendimento e cumprimento o jovem que está ali.
— Vou me encontrar com alguém. Não sei se ela já chegou ou não. Estella Maddox.
— Sim, senhor. Vou lhe mostrar a mesa dela.
Eu o sigo quando ele começa a andar. É obviamente um restaurante italiano, pequeno, intimista, com iluminação suave e velas nas mesas, mesmo durante o dia. Estou surpreso que ela tenha escolhido este lugar para nós dois.
Quando a vejo, ela está olhando para um cardápio, com uma taça de vinho tinto na mesa à sua frente, e só me nota quando quase chegamos perto dela. Agradeço em voz baixa e sorrio calorosamente enquanto ela se levanta para me cumprimentar. Ela está vestida de forma muito mais casual do que na noite passada, assim como eu. Jeans, um top branco tomara que caia e tênis.
— Desculpe o atraso. Você está linda, Estella.
— Tudo bem, você nem está atrasado. E obrigada.
Beijo as duas bochechas dela e depois me sento.
— Meu carro ainda não chegou da Europa, então tenho pegado táxis para todos os lugares. Ainda não estou acostumado, sempre dirigi.
— Está tudo bem, sério.
— Hum. Você já fez seu pedido?
— Só uma bebida. Queria esperar por você.
Concordo com a cabeça e pego o cardápio à minha frente. Enquanto o examino, percebo que ela está me observando, mas quando olho para ela, ela desvia o olhar.
— O que você vai pedir?
— Espaguete.
— Simples. Vou fazer o mesmo.
Quando o garçom chega à mesa, peço a minha comida e a dela, além de uma taça de vinho. O vinho é servido primeiro, e é bom.
— Então, conte-me um pouco sobre você.
Ela levanta uma sobrancelha e toma um gole.
— O que você gostaria de saber?
— Não sei. Você sabe muito sobre mim. Gostaria de saber um pouco sobre você... Como você começou a trabalhar como modelo?
— Como comecei a trabalhar como modelo? Bem, não sei, na verdade. Fiquei na faculdade por um tempo, mas queria dar uma pausa.
— Você estava na faculdade? Para quê?
— Eu estava estudando literatura inglêsa.
Isso me faz sorrir.
— Oh sério?
— Sim. Eu queria ser escritora.
— E o quê? Você mudou de ideia?
Ela dá de ombros.
— Depois que Brandon e eu nos casamos, fui por um tempo. Depois, decidi dar uma pausa. Um amigo dele me disse que eu poderia facilmente virar modelo, e ele estava certo.
— Concordo.
— Então, você viu meu trabalho?
— Alguns.
— Hum. Você estava no meu i********: ontem à noite, não estava?
Eu a olho e então sorrio.
— Como você sabia disso?
— Você currtiu uma das minhas fotos.
Agora eu rio. Eu nem tinha percebido.
— Sou um homem velho. Devo ter feito isso acidentalmente.
— Um deslize do dedo?
— Exatamente.
Nós dois sorrimos e, assim que colocam a comida na mesa, começamos a comer em silêncio. Está muito bom. Preciso voltar aqui para almoçar ou jantar em breve. Espero que com ela novamente.