STEPHAN JONES
Concentro-me na mão dela. Está pousada na base da taça de vinho, a aliança brilhando, as unhas impecavelmente cuidadas num tom claro de vermelho. Quero colocar as minhas em cima dela, senti-la, é tão menor em comparação com as minhas. Dá para perceber. Eu poderia cobrir as dela com facilidade.
— Você não comeu muito — murmuro.
Ela olha para o prato e balança a cabeça.
— Não tenho muito apetite agora.
— Por quê?
Isso também é óbvio.
— Acho que devo ir para casa.
Quero dizer a ela que deve ficar e que podemos conversar sobre esses sentimentos que estão se formando entre nós, mas não consigo dizer as palavras.
— Certo. Vou pegar a conta.
— Eu posso pagar pelo meu.
— Não, acho que não. Eu cuido disso.
Faço um gesto para o garçom e, quando ele chega, peço a conta. Ela não protesta quando ele retorna com a conta e eu lhe entrego meu cartão. Termino minha taça de vinho e me recosto, apoio as mãos nas coxas e a encaro.
Estou lançando a ela o olhar que ela mencionou ontem à noite, aquele que pode "derrubar alguém". Isso a faz desviar o olhar, ficar tímida, mas eu não paro. Consigo transmitir facilmente o que estou pensando com apenas um olhar, sempre fui capaz.
Eu quero te föder. Você não vê isso? Quão mais óbvio eu poderia ser? Você quer que eu diga isso logo de cara? Você precisa ouvir as palavras? É irritante como eu quero te levar para a cama. Isso me irrita. Você vai me fazer correr atrás de você? Eu não corro atrás de ninguém, mas por você acho que vou abrir uma exceção.
O garçom interrompe meus pensamentos. Assino meu nome no recibo e ficamos parados juntos. Enquanto saímos, encaro a nuca dela e imagino como ficaria meu punho com um punhado de seus cabelos enquanto eu a fodo por trás.
— Vamos pegar um táxi juntos? Ou você veio dirigindo?
— Não, peguei um táxi.
Paramos na calçada e eu levanto a mão no momento em que um táxi está prestes a passar. Ele para, abro a porta para ela e entro atrás dela. Ela dá o endereço ao motorista, eu dou o meu e ficamos sentados em silêncio.
— O que você está achando de Nova York até agora?
Eu dou de ombros.
— Não moro aqui há tempo suficiente para chegar a um consenso. Mas sempre que visito, gosto muito.
De repente, lembrei que ia autografar o livro dela.
— Você trouxe o livro? Eu tinha esquecido até agora.
Ela sorri, enfia a mão na bolsa, tira o livro e me entrega junto com uma caneta. Observo-o por um instante, virando-o nas mãos. Está bem gasto, mas é uma primeira edição, como ela disse.
— Quanto você pagou por isso?
Agora seu sorriso cresce.
— Usei toda a mesada que tinha economizado para comprá-lo. Algumas centenas de dólares.
Isso me faz sorrir. Hoje sorri mais do que há muito tempo, mesmo estando com um humor estranho no momento.
— Seus pais não teriam comprado isso para você?
Um olhar preocupado cruza seu rosto.
— Não. Eles definitivamente não teriam feito isso.
Eles provavelmente não a deixaram ler livros que eram para um público muito mais maduro do que o de adolescentes. Mas ela encontrou um jeito. Eu fiz o mesmo, mas com coisas muito piores do que ler um livro.
Abro e encaro a página em branco, tentando pensar no que escrever. Sempre que dou um autógrafo, mantenho a mensagem o mais simples possível.
Obrigada pela leitura, Estella. Espero ler algo que você escreveu um dia. Seria um prazer. - Stephan Jones
Devolvo a ela e observo enquanto ela sorri lentamente enquanto lê, depois fecha o livro e o coloca de volta na bolsa.
— Você já escreveu alguma coisa?
— Nada de bom — ela diz calmamente.
Balanço a cabeça e dou um meio sorriso.
— Tenho certeza de que isso não é verdade. Ficarei feliz em ler qualquer coisa que você tenha escrito.
Eu encaro o rosto dela enquanto ela olha pela janela.
— Talvez um dia.
Meus olhos percorrem seu corpo lentamente e então olho fixamente para a frente. Não quero ficar olhando para ela nem deixá-la desconfortável. Nem tenho certeza se ela quer falar agora e não sei o que eu diria.
Quando chegamos ao prédio dela, pedi ao motorista para esperar um minuto porque eu já volto, e então saí com ela.
— Eu acompanho você até lá dentro.
O elevador particular deles, assim como o meu, fica em uma área própria, atrás de uma porta que ela precisa destrancar. Depois que ela a abre, vou me despedir, mas me vejo entrando no espaço fechado com ela. Ela fica surpresa, suspira baixinho enquanto me encara, e a porta se fecha com um clique suave.
Concentro-me em seus lábios, eles parecem muito macios e beijáveis. A tensão é insuportável e pesada, e decido naquele momento que preciso quebrá-la. Sou muito mais alto que ela e preciso me inclinar para baixo, ao pressionar meus lábios contra os dela, comparo a sensação a fogos de artifício explodindo em meu estômago. Afasto-me dela, deslizo minha língua para dentro e a puxo contra meu corpo.
Poderíamos voltar para a minha casa. Ou subir para a casa dela. Poderíamos ficar num quarto de hotel.
Beijo-a lenta e profundamente, e enquanto meu päu começa a endurecer, pressiono-me contra sua barriga. Me movo e a encosto na parede enquanto deslizo minhas mãos em seus pulsos. Prendo-os facilmente contra a parede acima de sua cabeça enquanto continuo a beijá-la.
Quero devorá-la, o tësão que sinto por ela é avassalador, algo diferente do que estou acostumado. Pergunto-me novamente o que há de tão diferente nela, mas não me importo no momento. Estou muito focado no gosto que ela tem de vinho e em como sua boca é quente e doce... em como seu corpo é pequeno e delicado contra o meu... em como seria bom me enterrar dentro dela.
Estou pensando muito à frente. Ela obviamente não é do tipo que se joga na cama com alguém de primeira. Duvido que ela faria isso mesmo se não fosse casada.
Eu me afasto e encosto minha testa na dela, tento controlar minha respiração, mas não consigo. Procuro seus olhos, que parecem pesados de luxúria e desejo, e não desgrudam dos meus. É tão fácil perceber que ela não está satisfeita com Brandon, talvez ela nunca tenha se satisfeito com nenhum homem com quem já esteve, mas eu sei que poderia satisfazê-la.
— Eu estava me perguntando quando você ia fazer isso. — ela respira suavemente.
— Eu quis no momento em que te vi.
As palavras saem da minha boca sem que eu perceba, jorrando, e é a verdade. Não é uma cantada para tentar levá-la para a cama. É sério. Mas, quando vou beijá-la, ela me impede com as mãos no meu peito, me empurrando. Não me mexo, mas também não a beijo.
— Não consigo fazer isso, Stephan. Simplesmente não consigo.
— É tão fácil perceber que você me quer. — sussurro. — Você não quer isso?
— O que eu quero... e o que eu posso fazer são duas coisas completamente diferentes.
Quero beijá-la de novo de qualquer jeito, tentar convencê-la, mas não o faço. Preciso de toda a minha força para nem tentar tränsar com ela aqui mesmo. Em vez disso, beijo sua testa suavemente e acaricio suas bochechas com meus polegares.
— Ok. — eu sussurro. — ...Ok. Não cancele comigo hoje à noite, por favor. Quero te ver. Estarei aqui para te buscar às sete.
Demoro um instante antes de me virar e ir embora. O táxi continua esperando e a viagem, mesmo curta, é insuportável. Estou com calor e suado, à beira de um colapso total, e não consigo entender isso. Ela já é inebriante para mim e tudo o que fiz foi beijá-la. É uma sensação dolorosa, profunda dentro de mim, quase o suficiente para machucar.
Tento afastar a sensação quando finalmente volto para casa, mas preciso me sentar. Minhas pernas estão pesadas, assim como meu estômago, e cada pensamento que tenho dela faz meu päu latejar e doer. Sirvo-me de uma bebida depois de algum tempo e fumo um cigarro, ando lentamente pela sala de estar e então me sento à minha mesa.
Abro uma pasta em branco e começo a digitar sobre ela. Parece que estou escrevendo em um diário, mas preciso tirar tudo de mim agora mesmo. Como ela é linda, como me sinto atraído por ela, anotando versos que me vêm à mente e que me lembram dela, pequenas anotações...
Faz séculos que não faço isso. Ainda tenho o caderno em que escrevi sobre o meu primeiro amor. Está guardado numa das gavetas da minha mesa, enterrado lá no fundo, porque raramente o olhei desde que terminamos.
Fecho os olhos, inclino-me para trás na cadeira e penso apenas nela.