A Guerra De Farinha

1516 Palavras
- Aquele garoto é seu namorado? - Perguntou Angela à noite. - Rica? É sim. - Respondi. - Ele é bonito. - Riu. - É mesmo. - Sorri ao lembrar dele. Angela ficaria em minha… Ou melhor, na casa do vovô, ainda bem que meu avôzinho é super legal, e por mais que ele não tenha aprovado a ideia no começo, logo conseguimos convencê-lo, e como na casa só tinha apenas três quartos (o meu, o do vovô e o do Sebas), eu teria que dividir o quarto com a Angela, que dormiria em um colchão ao lado da minha cama, ah, acho que seria legal ter com quem conversar até tarde, por mais que ela não fosse minha melhor amiga. (...) O sinal da escola tocou, avisando que a hora do recreio havia chegado, e em seguida, me dirigi até o Rica. - Hey, bem que podíamos fazer algo hoje, né? - Quê? - Ah, pensei na gente sair… Sei lá… - Você está me convidando para sair? - Perguntou parecendo um pouco surpreso. - É… Estou. Algum problema? - Luna, as garotas não chamam os rapazes para sair. - Falou me deixando meio sem reação. - Hã… Ah, Rica, eu não ligo para essas formalidades, quer dizer… Por que não quebrar um pouco a tradição, não é mesmo? - Sorri de nervosismo. - Só você mesmo, Luna. - Balançou a cabeça em negativo. - Você é tão… tão diferente das outras garotas, por isso eu gosto tanto de vocês. - Falou ao me arrancar um sorriso tímido. - Mas tudo bem, podemos sair sim. Rica e eu combinamos de irmos à tarde a um circo que recém havia chegado na cidade, eu estava super empolgada. Ah, e convidamos Gabo e Mercedes para irem conosco, faríamos um passeio de casais, aposto que seria super legal. - Ah, vocês já sabem da novidade? - Perguntou Mercedes. - Qual? - Questionou Ricardo. - A fase final do Christóvão Colombo Tem Talento será em duplas. - Sério? - Perguntei surpresa. A garota acenou positivamente com a cabeça. Eu ainda não tinha escutado falar sobre isso, e tampouco Rica, mas ficamos super empolgados com a novidade. - Você vai fazer dupla comigo, né? - Rica se direcionou para mim. - Hã… Claro. - Logo olhei para Mercedes. - Se não tiver problema pra você. - Claro que não, amiga, eu vou combinar com o Leandro pra gente cantar juntos. - Falou a garota se referindo ao garoto de outra turma que também havia passado. Confesso que eu tinha gostado muito dessa mudança da fase final do concurso e estava ansiosa para ir para a Itália, como será que estavam o Nico e a Francesca? Será que ainda se lembram de mim? E eu tinha gostado muito da amiga do Rica, havíamos nos dado muito bem, ela era tão legal, seria bom vê-la de novo. Notei Márcio me chamar discretamente, pedi licença alegando que eu precisava falar com a professora de História referente a um trabalho que faríamos (sobre o trabalho era verdade, mas acabei usando isso como pretexto), e então, me dirigi até o corredor dos banheiros, para onde o Márcio havia ido, por sorte Rica e Mercedes não estranharam. - O que houve? - Perguntei. - Sem querer eu escutei sua conversa sobre o Christóvão Colombo Tem Talento… - Sem querer ou você estava me espiando? - Cruzei os braços e o encarei. - Isso não importa, Luna. O importante é que você n******e participar desse concurso, quer dizer… Você já está participando, mas n******e ir pra fase final, você n******e ganhar de jeito nenhum. - E por que não? - Luna, esse não é o teu tempo. Se você ganhar você vai… - Mudar as linhas temporais? - O interrompi. - Exato! E isso pode causar um grande colapso no tempo. - Nossa, isso parece terrível. - Falei ao notar a gravidade do assunto. - Mas eu não posso deixar o Rica na mão. - Luna, dá um jeito, mas pro teu bem e o de todo mundo que você ama, não participa. - Ok, vou dar um jeito. - Falei meio pensativa. As palavras de Márcio não saiam da minha cabeça, ele parecia estar falando a verdade, e… bom, ele nem teria porque mentir, mas o que eu poderia fazer? Não dava pra chegar no Rica e dizer ‘’ah, mudei de ideia, não vou mais participar do Christóvão Colombo Tem Talento, mudança de planos, sabe como é, então se vira, boa sorte’’ ou então ‘’ah, acontece que eu sou uma viajante do tempo, desculpa por não contar isso antes, mas como regra de uma viajante fica p******o participar desse concurso, foi m*l’’, será que ele me odiaria muito se eu fizesse isso? Ai, não, eu não podia, ainda mais que era em dupla, e isso era tão importante pra ele, eu nem ligava tanto, mas Rica queria muito, ele estava tão empolgado, não queria decepcioná-lo, eu precisava dar um jeito, mas qual? (...) À tarde, eu sai com Rica, Mercedes e Gabo, tivemos uma tarde incrível, um clima extremamente agradável, e o passeio foi ótimo, me diverti bastante. Ao chegar em casa, me deparei com vovô e Isa sentados no sofá e estavam se beijando. Tossi de forma f*****a para eles notarem minha presença, e em seguida, os dois pararam de se beijar. - Luna? - Isa ficou visivelmente envergonhada. - Ah, desculpa, não vimos você chegar. - Percebi… - Falei. - Hã… Vocês viram o Sebas e a Angela? - Eles saíram, falaram que não iriam muito longe, acho que daqui a pouco estão aí. - Respondeu vovô. Pedi licença para os dois, e fui para meu quarto, deixando ambos sozinhos novamente. Me deitei em minha cama e fiquei relembrando cada segundo daquela tarde sensacional, mas logo me lembrei do Martin, quando ele era menor ele amava circo, e dizia que quando crescesse seria palhaço para fazer as pessoas rirem, uma vez ele até ficou amigo de alguns palhaços e trapezistas do circo que estava na cidade naquela época, porém, algum tempo depois eles foram embora e meu irmão foi crescendo e esqueceu disso, hoje ele sonha em ser cientista, assim como o vovô. Ah, saudade do meu irmãozinho… Sebas e Angela chegaram em seguida, de onde eu estava pude ouvir as vozes deles no andar de baixo. Sai do meu quarto e fui até os dois. Meu irmão me contou super empolgado que eles tinham dado uma volta pela cidade e que havia mostrado tudo para Angela, e ela parecia tão animada com as novidades. - Sabe o que eu estou com v*****e de comer? - Perguntou meu irmão. - Bolo de chocolate, lembra daqueles que a gente fazia com a mamãe? - Claro que eu lembro. - Respondi. - Podíamos fazer, né? Aposto que o vovô e a Isa iam adorar. - Acha que acertamos? - Perguntou meio desconfiado. - Ah, não custa tentar. - Dei de ombros. Sebas e eu fomos até a cozinha e resolvemos preparar o tal bolo de chocolate, já Angela preferiu ir tomar banho. - O que vocês vão aprontar? - Perguntou vovô. - Vamos fazer um bolo de chocolate. - Bom, vê se não vão aprontar. - Pegou a chave do carro. - Isa e eu vamos dar uma saída, daqui a pouco estamos de volta. - Tá bom. Ah, Isa, vê se volta mesmo para provar o nosso bolo. - Claro que sim, vou adorar prová-lo. - Falou com um largo sorriso no rosto. Os dois saíram de casa, e logo Sebas e eu começamos a preparar o bolo, ou a tentar, porque ele mais atrapalhava do que ajudava. - Pega o leite na geladeira pra mim, por favor. - Pedi. - Claro. - Colocou os ovos que estavam em sua mãos em cima da mesa e foi em direção à geladeira. - Não, não deixa os ovos aí, vai… - Tentei correr de onde eu estava para pegá-los. - Caiu. - Xi, foi m*l. - Dá pra prestar mais atenção, por favor. O que será que fez seu Luis contratar o meu irmão? Ele é tão atrapalhado, não presta atenção em nada, até o Martin seria bem mais eficaz para me ajudar, acho que eu deveria fazer o bolo sozinha, mas eu também não tinha coragem de dizer isso para o meu irmão, ele estava empolgado em me ajudar. - Hey, quer ver uma coisa? - Ele perguntou. - O quê? Sebas pegou um pouco de farinha e soprou, fazendo voar em meu rosto. - SEBASTIÁN! Dá pra parar de brincar? - Peguei um punhado de farinha e joguei nele de raiva. Queria irritá-lo também, mas não deu certo, porque ele achou graça, e então pegou mais farinha e jogou em mim, e quando eu menos percebi já estávamos fazendo uma guerra de farinha por toda a cozinha do vovô, que havia ficado toda suja, mas até que foi bem divertido, Sebas conseguia me provocar e fazer eu me divertir ao mesmo tempo. Foi um bolo bem divertido de fazer.
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