As Trapalhadas de Sebas

1354 Palavras
Luna Eu estava em casa, sentada no sofá e pensando na apresentação do Rica e também da Mercedes no Christóvão Colombo Tem Talento, estavam tão lindos, eles dominaram o palco, inclusive, a minha amiga que é super tímida. - No que está pensando? - Vovô se sentou ao meu lado. - No Christóvão Colombo Tem Talento, aí as apresentações foram demais, parecia até um reality show. - Reality o quê? - Hã… Nada não. Esquece. Nisso a campainha de casa tocou, pensei que pudesse ser Rica me chamando para fazer algo, mesmo eu sabendo que não era, pois ele havia dito que teria compromisso em família. No fim, era apenas Isa, ela me cumprimentou educadamente, e depois fiquei notando os flertes entre ela e vovô, eles pareciam dois adolescentes descobrindo o amor, era tão bonitinho de ver, mas… Eu também ficava meio em dúvida sobre o que fazer, pois eu queria muito que meu avô fosse feliz e sua felicidade estava estampada em seu rosto, não queria estragar isso, mas também tinha medo do relacionamento deles avançar, afinal, se eles ficassem juntos pra valer e se casassem e tal, minha mãe não existiria e nem meus irmãos e eu. (...) Eu estava no colégio, os corredores estavam praticamente vazios, todo mundo estava em suas salas, eu também deveria estar, mas ao terminar a prova de Geometria, acabei pedindo permissão para ir ao banheiro, e a professora acabou autorizando. Ao retornar do banheiro, eu virei em um corredor, estava meio distraída, e então… Pluft… Esbarrei em algo, ou melhor, em alguém. Acabei gritando de susto e ele fez o mesmo, e aí percebi de quem se tratava. - Sebas? - Luna! Meu irmão abriu um enorme sorriso, assim como eu, e então nós dois nos abraçamos, fiquei tão feliz em vê-lo, senti muita saudade do meu irmão. Mas o que ele estava fazendo em 1957? Eu pensei que ele não quisesse voltar. - Senti sua falta. - Falei. - Eu sei que sim, por isso vim te ver. - Falou com ar de deboche. Cruzei os braços e fiquei encarando-o seriamente. - E… Bom, eu também senti sua falta. - Ai, Sebas. - Sorri e voltei a abraçá-lo. - Angela! - Falou ao desfazer nosso abraço. - Quê? - Perguntei sem entender. - Eu viajei com a Angela, mas nos perdemos aqui pela escola. - VOCÊ O QUÊ? - Me ajuda a encontrá-la. - Olhou para todos os lados. - Mas eu preciso voltar pra aula. - Por favor. Eu queria muito fazer o certo e voltar pra minha sala, mas resolvi ajudar o meu irmão, sem falar que ela perdida em outro tempo, sem conhecer nada e nem ninguém poderia dar r**m, ela podia colocar tudo a perder. Sebas e eu saimos pela escola em busca da garota, porém, era como se ela nunca tivesse passado por ali, não conseguíamos encontrá-la em nenhum lugar. Entramos no laboratório para procurar pela garota, mas ela também não estava, porém, da janela eu a vi caminhando pelo corredor, olhava para todos os lados como se estivesse procurando algo, provavelmente era o meu irmão. Nisso, o sinal para o recreio tocou, e não demorou muito para os alunos e professores começarem a sair de suas salas, corri para a porta ao ver que a Angela ia passar pelo laboratório, eu abri a porta rapidamente, a puxei pelo braço para dentro da sala e fechei a porta. - Angela! - Disse Sebas. - Chuchu! - Falou a garota. Os dois se abraçaram, e eu fiquei vendo a cena sem crer que meu irmão realmente tinha levado a garota para 1957, ele realmente não mede as consequências. Tentei explicar o que aquilo podia ocasionar no nosso futuro, mas agora já era tarde, a burrada já estava feita, só espero que quando eu voltar ao presente não tenhamos mudado mais nada. Saimos do laboratório e logo avistei Caro e sua trupe, Caro ao nos ver veio imediatamente em nossa direção, sendo seguida por suas amigas. - E essa estranha aí, quem é? - Perguntou a pior das três. - Estranha? Quem? Eu? - Angela riu. - Eu sou a Angela, e vocês? Quem são? - Isso não te interessa. - Falou de nariz empinado. - Nossa, o pessoal dessa época é bem m*l educado, né? - Ela comentou fazendo eu a olhar seriamente. - Como assim ‘’dessa época’’? - Perguntou Laura. - Nada não, ela está brincando, Angela tem um ótimo senso de humor. Sebas confirmou minha afirmação, e nós dois demos risadas tentando disfarçar. As garotas nos olharam como se fôssemos alguns ET´s, o que acho que não estávamos tão longes de ser, já que viemos de um lugar muito, muito, muito distante. Inventei uma desculpa qualquer para as três e saimos dali, porém, por que será que eu sentia elas nos observando? Rica e Mercedes ao verem meu irmão resolveram ir falar com ele, e já apresentamos Angela para os dois, alegando que era uma amiga da nossa cidade e que estava de passeio, os dois acreditaram. Notei Márcio me olhando e o garoto fez sinal para mim, percebi que ninguém mais havia visto e menti que iria ao banheiro, sem que percebessem fui até o pátio, que fica próximo ao toalete feminino. - Luna, a Martina acabou de me dizer que está furiosa porque agora temos mais uma viajante do tempo. - Eu não tenho nada a ver com isso, culpa do meu irmão, briga com ele. - Falei. - Então dá um jeito no seu irmão. - E o que você quer que eu faça se ele é um irresponsável, inconsequente e não entende a gravidade disso? Eu falo, falo, falo, mas ele nunca me escuta. - Luna, é sério, a Martina está furiosa, desse jeito ela vai querer que vocês voltem pra 2023 pra sempre. - Márcio, por favor tenta conversar com ela, que eu vou tentar fazer os dois não fazerem nenhuma bobagem. - Ah, você ainda vai me meter em problemas… - Por favorzinho. - Só dessa vez. - Falou o garoto. - Obrigada, você é demais. Eu sorri e ele fez o mesmo. Voltei para onde estavam Rica e meus amigos, e logo o sinal da escola tocou, anunciando que o recreio havia chegado ao fim. Sebas foi embora junto de Angela, e eu voltei para minha sala para finalizar aquela manhã de aula. (...) Ao chegar em casa, Sebas me contou que havia dito para vovô a verdade, que Angela também era de 2023 e estava conhecendo um pouco de 1957. Quando será que ele vai aprender a falar menos e pensar mais? Ah, ele bem que poderia ser inteligente como a irmã dele, preciso me lembrar de quando voltar pra casa, de perguntar para mamãe se não tem como meu irmão ter sido trocado na maternidade, isso explicaria tanta coisa… Após o almoço resolvemos ir até o Meia Lua, Angela reparou em cada detalhe e notou todas as mudanças do local. Me sento com ela à mesa, enquanto Sebas vai falar com seu Luis, que se alegra muito ao ver o meu irmão, o que é recíproco, já que o garoto sentia muita saudade do senhor, e imediatamente o garoto pegou seu avental e começou a trabalhar, recuperando seu posto na lanchonete. Ele fez algumas entregas de pedidos nas mesas e logo reclamou da demora para esquentar os pedidos. Enquanto Angela lia o cardápio, eu fiquei observando o meu irmão para ver se ele falaria alguma besteira (ou seja, se ele seria ele). - Vocês bem que podia comprar um microondas, né? - Sugeriu o b***a para seu Luis. - Um o quê? - Um micro… Corri para perto dos dois em fração de segundos. - Sebas, Sebas, por que você não para de incomodar o seu Luis, hein? - Lhe dei um olhar intimidador. - Tá bom, tá bom. - Deu uma revirada de olhos. Sebas foi até a nossa mesa e eu chamei sua atenção por falar demais, ah, como esse garoto me dá trabalho, mas era bom tê-lo de volta, sentia saudade das trapalhadas dele.
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