A Despedida

1124 Palavras
- Como assim, vovô ? - Perguntei surpresa. - Você n******e. Quer dizer… Acho que você n******e. - Claro que eu posso, e veja só. Ele se dirigiu até a TV que estava coberta por um pano branco. - Tcharam. - Falou ao tirar o pano da TV. - Uau! É a Franken TV. - Disse meu irmão. Era ela mesma! Era a Franken TV e estava igual a de 2023, igual como eu a conhecia, mas como? E tão rápido… Eu não conseguia crer naquilo que meus olhos estavam vendo, mas e se isso alterasse o nosso futuro? E se agora o Martin não fosse um cachorro, mas sim um macaco, ou um leão? Cruzes, eu não quero um leão na minha casa, não. - Legal, agora vou poder ver a Angela de novo. - Falou meu irmão empolgado. Ai, como Sebas consegue pensar tanto nele? Até parece que não se importa com mais ninguém, talvez nem se importe mesmo, ou quem sabe, se importa só com a tal namorada, sinceramente, não entendo como podemos ser irmãos se somos tão diferentes. Vovô parecia muito feliz com sua invenção, seus olhos brilhavam e meu irmão também estava muito contente com a ideia de poder ver a Angela de novo, por isso preferi não falar nada, não queria estragar a alegria deles, mas confesso que fiquei com medo de algo dar errado na nossa vida do futuro. Ai, fiquei sem saber o que fazer. - Posso experimentar? - Perguntou Sebas. - Ainda não, preciso fazer alguns últimos ajustes. - Disse vovô. - Mas eu quero ser o primeiro a experimentar, pois caso algo dê errado, não quero colocar a vida de ninguém em risco. - E acha que pode dar errado? - Perguntei com receio da resposta. - Ah, pode, tipo, de ir pra época errada. Mas espero fazer tudo certinho. É, tomara que pelo menos ele faça tudo certo mesmo. Sebastián queria muito que assim que fosse possível a gente viajasse para 2023, eu não queria ir por conta da Mercedes e do Rica, mas ele era meu parceiro de viagem no tempo, tinha me acompanhado duas vezes, senti que eu devia isso pra ele, não queria deixá-lo na mão. (...) Eu estava no Meia Lua, recém havia chegado, e logo avistei Mauricio e Gabo jogando sinuca, enquanto Mercedes ficava vendo-os ao mesmo tempo que admirava Gabo. Me dirigi até eles. - Oi, vocês viram o Ricardo? - Perguntei. - O Mauricio não viu ele desde a escola. - Falou Mauricio. - Ah, ele me disse que daqui a pouco viria pra cá. - Falou Gabo. Logo olhou na direção da porta. - Olha ele aí. Segui o olhar do garoto e então eu o vi, Rica estava lindo com uma camisa branca, uma jaqueta preta de couro e uma calça jeans, engoli a seco e fui até ele. - Luna! - Falou com um lindo sorriso. - Oi. - Eu disse timidamente. Nós dois fomos até uma mesa e nos sentamos nos bancos. Meio sem saber como, eu lhe contei que talvez eu ficasse um tempo fora, mas que eu voltaria, e como eu já imaginava ele não ficou nada feliz com isso, estava com medo que eu não voltasse, e confesso que eu também tinha medo de algo dar errado e eu não conseguir mais voltar. Não, eu não podia nem pensar na hipótese de nunca mais vê-lo. - Eu volto, se você me esperar eu volto. - Falei. - Vou te esperar o tempo que for preciso, nem que demore 100 anos. - Falou sem tirar os olhos de mim. - Então me espera, porque quando você menos esperar, eu estarei de volta. - Vou contar os segundos. - Pegou levemente em minha mão. Nisso avistei dona Esmeralda, a mãe de JJ e Camila, a irmã do garoto, entrarem no Meia Lua, ao nos verem, as duas vieram até a nossa mesa e nos cumprimentaram de forma amistosa. Dona Esmeralda era uma mulher muito simpática e gentil, me convidou para jantar em sua casa naquela noite, ela parecia gostar muito de mim, e a verdade é que eu também gostava bastante dela. - Luna, por favor… aceite e jante com… a gente. - Pediu Camila. - É, aceite, por favor. - Falou Rica. Foi meio difícil recusar um convite desses, e acabei aceitando com um sorriso meio tímido por ter o olhar fixo de Ricardo em mim. (...) No dia seguinte aproveitei para me despedir de Mercedes, sentiria tanta falta dela também. A garota me desejou boa sorte e disse q queria que eu voltasse logo, e eu queria o mesmo. À noite, eu estava na casa de Ricardo, e enquanto ele e Camila arrumavam a mesa para o jantar, dona Esmeralda me chamou no quarto dela para falar comigo e disse o quanto gostava de mim, ah, ela era tão doce e meiga, queria ter uma sogra como ela, ou melhor, queria tê-la como sogra. - O Ricardo fala muito de você, sabia? - Espero que seja só coisas boas. - Com certeza. - Sorriu docemente. - Ah, acho que tenho umas fotos de quando Ricardo era pequeno, quer ver? - Eu adoraria! Dona Esmeralda pegou um álbum de fotografias e começou a me mostrar algumas fotos, como de quando Rica perdeu o primeiro dente, do primeiro dia de aula, de quando ele ganhou o primeiro violão. - O que estão fazendo? - Perguntou o garoto ao entrar no quarto. - Sua mãe está me mostrando umas fotos de quando você era pequeno. Ai, você era tão lindinho, e ainda é. - Olha Luna, essa foi do primeiro banho dele. - Disse dona Esmeralda ao me mostrar uma foto que o garoto estava nu em uma banheira quando era recém nascido. - Já chega, né mãe? - O garoto pegou o álbum às pressas, fechando-o e guardando-o todo envergonhado, fazendo eu rir. - A mesa já está posta, podemos jantar. Nós três nos dirigimos para a sala de jantar, nos sentamos à mesa e começamos a jantar, dona Esmeralda cozinhava muito bem. Me diverti tanto com eles, eram encantadores e tão simpáticos, foi um jantar maravilhoso. (...) Eu estava em casa, vovô havia terminado de fazer os últimos ajustes na Franken Tv, e meu irmão estava ansioso para rever a Anngela, e quanto eu? Ah, só estava torcendo para dar tudo certo. - Se cuidem, por favor. - Disse vovô. - Pode deixar, eu vou cuidar de mim e do Sebas. Me despedi do vovô e meu irmão fez o mesmo. Ajustei os botões para 2023 e nós dois fomos para a frente da TV, uma luz clara saiu do aparelho e então não estávamos mais em 1957.
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