Sebas e eu abrimos a porta vagarosamente, tudo estava escuro. Coloquei o dedo indicador na boca pedindo para meu irmão fazer silêncio. Tentamos caminhar pé por pé sem fazer um barulho sequer. E de repente…
- Eu posso saber onde vocês estavam até essa hora?
Sebas e eu nos olhamos surpresos ao percebermos que havíamos sido descobertos, então sem saída, acendi a luz. Vovô ao ver o nosso estado deplorável caiu na gargalhada.
- Mas o que aconteceu com vocês?
- Digamos que sofremos um pequeno acidente. - Disse meu irmão.
Vovô não conseguia parar de rir, ao mesmo tempo que o garoto e eu nos olhávamos sem achar graça nenhuma daquela situação. Eis que meu avô tentou conter o riso e se dirigiu em direção à cozinha.
- O que você vai fazer, vovô? - Perguntou meu irmão.
- Vou pegar umas salsichas, uns pães, e vou fazer um cachorro quente com vocês.
- Ha, ha, ha, muito engraçado. - Falei revirando os olhos e cruzando os braços.
- Me contem, o que houve? - Cruzou os braços e ficou nos encarando.
- Teve guerra de ketchup e de mostarda no Meia Lua.
- E depois tivemos que ajudar o seu Luís a arrumar toda a bagunça. - Falou meu irmão meio chateado com a situação.
- Essa eu queria ver. Esperem só um pouquinho.
O vovô saiu nos deixando sozinhos na sala e foi para seu escritório, pudemos ouvir sua alta risada que durou por longos segundos, em seguida, ele retornou parecendo mais calmo.
- Pronto, passou. - Disse segurando o riso. - Andem, vão tomar banho.
- Eu vou primeiro. - Meu irmão saiu correndo.
- Não, eu que vou primeiro. - Sai às pressas atrás dele.
(...)
Mercedes e eu estávamos caminhando pela escola quando vimos um cartaz falando sobre a segunda fase do Christovão Colombo Tem Talento, minha amiga que percebeu e me alertou. A próxima etapa seria apenas com quem havia passado na primeira fase, e seriam apenas 4 pessoas que passariam para a grande final, que seria na Itália, fiquei muito feliz com isso, pois se eu passasse poderia ver Francesca novamente, havia gostado bastante dela, ai, estava torcendo para Rica e Mercedes também passar, seria uma viagem sensacional. Eu comentei com o garoto sobre isso e ele estava tão empolgado quanto a gente, estava torcendo para nós dois passar pra fase final.
Enquanto Mercedes foi ao banheiro, Rica e eu fomos para o laboratório de ciências para pegar uns materiais para o trabalho que teríamos que fazer durante a aula, segundo a professora.
Nisso entraram os CUCI (Clube Intensificado de Ciências Interativas), que era integrado por Jorge, Luis e Gael, e eles estavam com uma…
- Isso é uma colméia? - Perguntou Ricardo assustado.
- É, mas elas são inofensivas. - Disse Gael.
- Mas são várias. - Falei tentando manter a calma.
Nisso Jorge foi dar um passo, tropeçou em um fio que estava no chão e acabou derrubando a colméia, fazendo as abelhas se agitarem no ar.
- Ok, não vamos nos desesperar, vamos manter a calma e sair sem que elas percebam nosso movimento, vamos bem devagar. - Falei tentando não demonstrar meu desespero.
Os CUCI, Rica e eu tentamos caminhar pé por pé, mas quando notamos tinha dezenas de abelhas que pareciam vir em nossa direção.
- Corre! - Gritou Luis.
Todos saimos correndo porta afora, passamos pelos corredores do colégio enquanto éramos seguidos por um enxame.
- Corram! Abelhas. - Gritou Rica para Caro, Laura e Simone, que estava conversando no corredor.
As três garotas gritaram desesperadas e saíram correndo, nisso outros alunos e até alguns professores que haviam escutado Rica falar sobre as abelhas, saíram correndo. Ao passarmos por Sebas, Camila, Mauricio e Gabo também alertamos sobre as abelhas e os quatro largaram em disparada, era quase a escola inteira correndo. Fomos até a área externa, onde ficava o pátio, a quadra de futebol e a piscina, sem termos mais para onde ir, acabamos nos jogando na piscina, imaginem a cena, cerca de umas 50 pessoas se jogando em uma piscina.
- Ai, meu cabelo. - Reclamou Caro. - Eu estou toda molhada.
- Você está em uma piscina, queria estar seca, por acaso? - Perguntei.
- Ai, não enche, não estou falando com você.
- Você está bem? - Perguntou Ricardo para mim.
- Estou sim. - Falei sem conter o riso.
Notei o diretor observar a cena de longe, por sua expressão facial confusa, eu imaginei que ele estivesse tentando entender o que estava acontecendo, Caro gritou para o homem ligar correndo para os bombeiros, e então ele saiu correndo indo para dentro da escola saindo assim do nosso campo de visão, torci para ele ter ido fazer o que a garota havia dito.
Cerca de uma meia hora depois o corpo de bombeiros chegou com roupas especializadas, pareciam muito bem treinados, eles retiraram as abelhas para nosso alívio, e em seguida, fomos embora. Todos saimos da piscina, os garotos foram para os banheiros masculinos, e nós meninas fomos para o feminino.
- Escapamos por pouco. - Falei enquanto terminava de me arrumar após tomar banho.
- Ai, eu morro de medo de abelhas. - Disse Mercedes.
- Aposto que isso foi culpa sua. - Disse Caro ao vir em minha direção enquanto secava seu cabelo.
- Ah, claro, porque a abelha é o meu inseto preferido... É só o que falta, daqui a pouco, se você perder na mega sena eu vou ser culpada também. - Ironizei.
- Mega o quê? - Perguntou parecendo confusa.
- Nada, não, esquece.
Ela me fuzilou com o olhar, e me deu as costas dando uma jogada de cabelo, que quase acertou meu rosto. Ai, que garota insuportável!
Bom, primeiro eu fiquei parecendo um cachorro quente sem salsicha, e agora quase sou atacada por abelhas, é, acho que minha vida estava bem mais movimentada do que em 2023.
Ah, depois os CUCI nos informaram que a colméia era para um experimento para a aula de ciências, mas que pelo jeito não deu muito certo, e ainda, o diretor colocou os três de castigo por colocar a vida de todos em risco.
(...)
Assim que Sebas e eu chegamos em casa, notamos vovô sentado à mesa escrevendo algo em um caderno.
- Vovô, nem sabe o que aconteceu hoje na escola. - Falou Sebas. - Uns colegas levaram uma colméia pra escola, e elas ficaram enlouquecidas atrás da gente, tivemos que pular na piscina, foi uma loucura.
- Tenho uma coisa pra falar pra vocês. - Vovô disse como se nem tivesse escutado o que meu irmão disse. - Eu andei fazendo alguns cálculos, estudei bastante, li vários livros e eu consegui. Acho que criei a Franken TV.
- O quê? - Meu irmão e eu perguntamos ao mesmo tempo.