A Guerra

1653 Palavras
- Luna, que doideira é essa que você está dizendo? - Perguntou Mercedes. - Desculpa ser tão direta assim, mas… Bom, você é minha melhor amiga e eu sinto que posso confiar em ti. - Claro que pode. Só que… Isso é loucura! Quer dizer… Não estou te chamando de louca, mas como é possível uma pessoa viajar no tempo? - Ah, é que meu avô é um grande cientista, então ele pegou uma tv antiga e fez umas invenções lá possibilitando viajarmos no tempo. - Uau! Isso é… É… É fantástico. - Falou com os olhos brilhantes. - Nem acredito que eu tenho uma amiga do futuro. Me conta, já existem carros voadores? E robôs? As roupas são muito diferentes? - Não, não e sim. Bom, vamos pra minha casa para a gente conversar melhor sobre isso. (...) Eu ainda nem conseguia crer que havia dito tudo para Mercedes, minha amiga, por sua vez, ficou muito surpresa e eufórica com tudo que eu lhe contei, mas como uma excelente amiga, prometeu que guardaria segredo e que me ajudaria no que eu precisasse. Horas mais tarde, vovô, Sebas e eu estávamos jantando, e eu acabei contando para os dois que havia dito toda a verdade para minha amiga, e como eu já imaginava, meu avô ficou bem bravo comigo, disse que eu não podia ter feito isso e que eu poderia alterar a linha temporal, acho que ele tinha razão, mas naquele momento eu senti que precisava me abrir para Mercedes e talvez ela pudesse me ajudar de alguma forma. - Ah vovô, onde que tem uma lan house aqui perto? - Perguntou meu irmão. - Preciso fazer umas pesquisas na internet para um trabalho da escola. - Lan house? Internet? - Vovô perguntou confuso. - Do que você está falando? - Ah, isso ainda não foi inventado, né? - Perguntou decepcionado. - Então como farei meu trabalho? - Ué, pesquisando nos livros da biblioteca da tua escola, que é como todo mundo faz. - Respondeu vovô como se fosse uma pergunta extremamente óbvia. - Eu vou ter que ler? - Ele parecia incrédulo com essa hipótese. - Ah, ler é legal, a leitura exercita o cérebro, estimula a criatividade e faz com que o leitor escreva melhor. - Falei. - Maninha, quanto você quer para fazer o meu trabalho? Afinal, você gosta tanto de ler, acho que não seria difícil para você. - Ah, nem vem, eu já tenho os meus para fazer, cada um com seus trabalhos. - Peguei minha louça da mesa e a levei até a pia. - É, deixa de ser preguiçoso, Sebastián, se quiser eu te ajudo, mas é apenas uma ajuda, você tem que fazer também. - Disse vovô para meu irmão. - Ok. - Revirou os olhos. - Melhor que nada. (...) Alguns dias haviam se passado. Eu continuava achando Márcio um mala, ele não falava tanto comigo, mas era quase a minha sombra, me perseguia pela escola toda, me vigiava no Meia Lua e no programa, acho que ele só me deixava em paz quando eu ia pra casa, parecia obcecado e eu já estava de saco cheio, se não fosse pelo Rica, eu diria ‘’ok, você venceu, eu volto pra casa pra você me deixar em paz’’, mas eu sabia que se eu fizesse isso acabaria me arrependendo em seguida. Vovô estava ajudando meu irmão com as pesquisas dos livros que meu irmão havia pego na biblioteca, enquanto isso, eu fiquei sentada no sofá da sala vendo um filme chato na TV, se chamava Loving You e era sobre a vida de Elvis Presley, com o próprio cantor como protagonista. Percebo meu avô olhar diversas vezes para a TV. - Sebas, será que não podemos terminar isso depois? - Perguntou para meu irmão. - Claro. - Se pôs rapidamente a guardar o seu material. Vovô se sentou ao meu lado e ficou vidrado na TV, ele nem piscava. - Gosta do Elvis? - Perguntei. - E quem não gosta? Ele é um fenômeno, o cara é demais, canta, dança, atua, ele é sensacional. - É? - Questionou Ruben. - Mas ele está mor… Tapei a boca do meu irmão antes que ele falasse besteira, afinal, da boca dele não saia nada de fundamental, era asneira atrás de asneira. - Ele está o quê? - Perguntou vovô alterando o olhar entre a Tv e a gente. - Nada, bobagem dele. - Falei. Olhei com reprovação para aquele lesado, que deu de ombros sem entender o que havia feito, ai, será que eu terei que fazer uma lista com as coisas que ele pode ou não falar? Assim que o filme acabou, eu ajudei meu avô a preparar o almoço, enquanto Sebas atrapalhava na esperança de também ajudar, e aí não bastando a besteira que ele quase disse pouco antes, o a******o ainda soltou: - Vovô, quando o senhor vai construir a Franken tv? - Franken tv? - Ele perguntou sem entender. - É, a invenção que o senhor fez na sua tv e que nos permitiu viajar para o passado. Idiota, b***a, lesado, a******o, burro… Será que esqueci algum adjetivo para meu irmão? Pior que dessa vez eu nem estava tão perto dele, então não pude calá-lo, mas tentei fazer sinais para ele calar a boca, e quem disse que adiantou? - Ah, eu vou criar em… em… Eu não sei. - Disse vovô. - Acho que seria legal se pudéssemos ir de vez em quando pra casa pra eu ver a Angela e depois voltar, tipo, ficar um pouco lá e um pouco aqui. Vovô ficou pensativo com o que meu irmão havia dito, e eu fiquei sem saber o que fazer ou o que dizer, minha v*****e era brigar com ele para o garoto deixar de falar demais, mas deixei para fazer isso mais tarde. Sem dizer nada e ainda meio confuso, o vovô apenas se retirou da cozinha, indo em direção ao seu quarto, fiquei sem entender o que ele havia ido fazer. (...) No dia seguinte, no começo da noite, Rica me convidou para ir tomar um sorvete com ele no Meia Lua. Estávamos conversando, o clima estava ótimo, ele era tão divertido, me sentia tão bem ao seu lado. De repente Mauricio e Gabo vêm em nossa direção. - Oi, Luna, oi Ricardo. - Falou Mauricio. - O Mauricio quer jogar sinuca, vocês querem jogar com a gente? - Ah, eu não sei jogar, mas vocês podem jogar, eu fico olhando, não tem problema. - Falei. - Eu posso te ensinar. - Disse Rica com um terno sorriso. - Então tá bem. - Sorri também. Nos dirigimos até a mesa de sinuca, Mauricio pegou um dos tacos e Rica pegou o outro, se pôs ao meu lado, me alcançou o taco e me mostrou como eu deveria segurar, colocou seus braços por cima dos meus para me ensinar como jogar. Nisso apareceram Santiago, Jesus e Frank, eles eram os garotos mais chatos e irritantes da escola, e Frank era primo de Caro, acho que a chatisse é de família. - Pelo visto você esqueceu mesmo a minha prima. - Falou Frank para Ricardo. - Ah, vê se não enche, faz tempo que eu terminei com a Caro, e Luna e eu somos apenas amigos. Apenas ‘’amigos’’, se doeu? Doeu, mas a gente ignora a dor e finge que nada aconteceu, mas será que isso queria dizer que eu estava me precipitando? Talvez ele nem goste tanto de mim como eu gosto dele. - Sabia que a minha prima ainda não te esqueceu? Inclusive, ela estava agora mesmo conversando com a Simone e a Laura que não sabe onde errou e que não entende como você pode preferir essa daí. - Hey… - Pensei em me pronunciar. - Primeiro, o nome dela é Luna, e segundo, a Luna tem duas coisas que sua priminha não tem: humildade e caráter. - Disse Ricardo me arrancando um sorriso. O garoto ignorou os três, e voltou a me ensinar como jogar sinuca, porém minutos depois, vi algo jorrar em Rica, era Frank que havia jogado ketchup nele. - Ora, seu… Rica pegou a mostarda e mirou em Frank, que se abaixou, e acabou acertando Santiago, que jogou o ketchup em mim, mas que diabos eu tinha a ver com isso? Vingança, talvez? Talvez. E então se iniciou uma guerra de ketchup e mostarda entre os três garotos versus Rica, Mauricio, Gabo e eu, até eu entrei nessa, peguei o ketchup e mirei em Jesus, porém ele se mexeu para jogar mostarda no Gabo, e nisso acabei acertando a Caro, que recém havia entrado acompanhada de Simone e Laura. - Meu vestido de cetim. - Falou furiosa. - Tinha que ser você, Luna. Mas você vai ver só… A garota pegou a mostarda e acertou em cheio no meu rosto, foi tão rápido que nem deu tempo de me abaixar, então até as rosas gatas entraram na guerra de ketchup e mostarda. Seu Luis gritava triste a aborrecido para pararmos, mas a gente não conseguia parar. Sebas que trabalhava como garçom, estava na cozinha e nem notou o que tinha acontecido, porém ao sair carregando uma bandeja com um pedido, ele escorregou no chão que estava escorregadio e derrubou a bandeja que tinha um milk shake e um copo de suco. Ao se apoiar em uma mesa para levantar, ele acabou virando-a e caiu novamente. - Ai, d***a. - Resmungou. E a bagunça estava feita, e tudo por culpa de Frank que começou tudo, mas até que foi engraçado, acho que eu nunca me diverti tanto desse jeito, e no fim, acabou sobrando até para meu irmão, que também acabaram sujando de mostarda e ketchup. Apesar de tudo, não posso negar o quanto me diverti, só estava torcendo para vovô não brigar com a gente após ver o estado em que estávamos.
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