As Mudanças

1267 Palavras
Alguns dias haviam se passado, aos poucos Sebas e eu estávamos nos acostumando com aquela nova realidade, embora eu ainda preferisse minha antiga vida. Mamãe e papai estavam sempre trabalhando, eu m*l os via, chegavam em casa ao anoitecer, tomavam banho, jantavam e iam dormir, se eu trocava uma frase com eles era muito, estavam sempre ocupados ou com pressa. Vovô estava um senhor muito rabugento, reclamava de tudo, não tinha paciência pra nada e vivia chamando a nossa atenção, às vezes acho que ele buscava pretexto para brigar conosco. Quanto à Stef, estávamos nos entendendo bem, havíamos nos tornado boas amigas como antigamente, ainda bem que ela continuava uma garota incrível. Ah, Sebas estava todo bobo (e convencido) por estar namorando a Angela, mas acho que o que mais me impressionou nisso foi descobrir que por conta desse namoro, meu irmão havia se tornado super popular no colégio, bom, o fato da Angela ser a garota mais popular da escola não havia mudado, mas Sebas? E ainda ele fazia parte da equipe de futebol do colégio, estava cheio de amigos, não parecia o meu irmão. Ah, como eu sentia falta da Mercedes, do Ricardo, do meu vovô Andrés jovem, e a essa altura do campeonato já estava sentindo falta até das implicâncias da Caro. E para piorar tudo, eu fui embora (ou melhor, me levaram embora) sem eu poder me despedir, sem dizer para onde ia ou se um dia voltaria, Ricardo e vovô devem estar preocupados comigo e eu não tinha nenhum método para me comunicar com eles. (...) Era uma sexta - feira, eu estava sentada no sofá vendo TV quando ouvi passos se aproximando, era o meu irmão que estava chegando em casa, ele pulou no sofá sentando ao meu lado. - Sabe onde eu estava? - Perguntei. - Espera, vou tentar descobrir por telepatia. - Falei de forma irônica. - Sério que você consegue ler pensamentos? - Perguntou entusiasmado. - Tá, vê se você consegue adivinhar. Sebas se virou para mim e ficou me encarando seriamente, tenho certeza de que ele realmente estava me falando por pensamento achando que eu poderia adivinhar. - Já sei, você estava com a Angela. - Uau, você é boa nisso. - Falou surpreso. - Luna, isso é um dom, você podia trabalhar com isso, já pensou? Ficaríamos mais milionários ainda. Ah, o que meu irmão tinha de bonito ele tinha de e******o, nem o Martin acreditaria nisso, aliás, acho que nem uma criança de 5 anos seria capaz de creer que alguém pode ler pensamentos. Sinceramente, às vezes ele me dava uma canseira, Sebbas não sabia distinguir o que é ironia e o que é verdade, tadinho, tão bobinho… - Não seja i****a, Sebastián, ninguém pode ler pensamentos, eu apenas dei a resposta mais óbvia possível, já que vocês não se desgrudam. - Ah… - Falou desapontado. - Mas você acertou, eu estava com ela. Ai maninha, nem acredito que depois de mais de um ano ela finalmente percebeu como eu sou lindo, divertido, querido, charmoso… - Convencido… - Falei. - Convencido. - Fez uma pequena pausa. - Quê? - Parou e pensou por uns segundos. - É, um pouco. Ah, mas o que importa é que agora estamos juntos. - Me abraçou alegremente. - Fico feliz de te ver tão feliz. - Obrigado, mas você não parece feliz. O que houve? Saudade do Ricardo? - Ah Sebas, às vezes você me surpreende, sabia? É tão burrinho para algumas coisas e tão inteligente para outras. - Isso é um elogio? Acenei positivamente com a cabeça e ele deu de ombros. - Valeu, então. Mas me diga, sente muita falta dele? - Muita. Ah, o que será que ele deve estar pensando por eu ter desaparecido sem avisá-lo? Tomara que não esteja zangado comigo, ai, será que algum dia voltarei a vê-lo? E para piorar, vovô não gostava nem de mencionar sobre a Franken TV, eu cheguei a perguntar por ela, mas ele sempre desconversava e logo trocava de assunto, eu não tinha ideia de onde ela poderia estar. Droga, por que Márcio e a tal da Martina tinham que me trazer de volta para 2023? E logo para uma realidade que não era a minha. - Hey, olha só o que eu estava pensando. - Falou meu irmão, fazendo eu olhar para ele. - O nosso pai vai viajar hoje à noite à trabalho e a mamãe vai com ele, e os dois voltam só no domingo, certo? - E dai? - Dei de ombros. - Bem que a gente podia dar uma festa na piscina, né? Ai, eu sempre sonhei em fazer isso. - Falou super empolgado. - Sem nossos pais saberem, imagino… - Óbvio. Ai, depois que eles saírem podemos dispensar os funcionários, damos uma folguinha para eles. - E se o vovô ficar conosco? - Perguntei. - Duvido. Se fosse nosso avô de antigamente certamente ele ficaria com a gente, mas esse Andrés ai, jamais, ele diz que damos muito trabalho e que adolescente é um ser muito rebelde, e que lhe dá alergia. - Verdade. - Falei cabisbaixa. Logo voltei a olhar para ele. - Ok, eu topo em darmos uma festa, mas em troca você precisa me ajudar a encontrar a Franken TV, combinado? - Estiquei minha mão. - Combinado. - Apertou minha mão firmando acordo. É, acho que dar uma festa não era uma ideia tão r**m, e imediatamente fomos para o meu quarto para planejarmos tudo sobre a festa, não quisemos continuar na sala, pois alguém poderia escutar e aí já era festinha, e enquanto Sebas ligava para o pessoal da nossa escola para convidar a galera já que agora ele era popular, eu aproveitei para encomendar os comes e bebes. Eu não estava muito no clima de festa, mas acho que seria legal para eu me distrair, sem falar que amo uma boa festinha, e estava feliz que a Stef havia confirmado presença, pelo menos eu não ficaria tão sozinha e teria com quem conversar. (...) No dia seguinte, um sábado, esperamos nossos pais saírem, e alguns minutos depois dispensamos todos os empregados, falamos que nossos pais haviam nos avisado para darmos folga para eles durante todo aquele dia, por sorte todos acreditaram e ficaram bem felizes com a notícia. E assim que eles saíram começamos a arrumar tudo para a festa, confesso que eu estava um pouco empolgada, nunca tinha dado uma festa na piscina. 98% das pessoas que Sebas havia convidado foram à nossa festa, nossa casa estava lotada, eu não conhecia nem 10% daquele pessoal, já meu irmão sabia o nome de todo mundo, e por falar nele, a criatura não desgrudava da Angela nem por um minuto, quer dizer, exceto quando um dos dois precisava usar o banheiro, já estava me dando enjoo vê-los juntos. Fiquei a festa toda com Stef, que mesmo não se lembrando da nossa antiga amizade, estava sendo a mesma amiga de sempre. Como havíamos dispensado todos os empregados, acabamos contratando garçons e garçonetes para servir os comes e bebes, e pagamos eles com o nosso cartão de crédito, sim, tínhamos cartão de crédito só nosso, porém, como eu sou menor de idade, o meu estava no nome da minha mãe, mas era apenas eu que usava. A festa havia sido ótima, todo mundo se divertiu bastante, eu tinha adorado tudo e por algumas horas até consegui parar de pensar um pouco no Ricardo, bem que podíamos dar mais festas. Stef dormiu em minha casa nessa noite, acabamos fazendo pipocas e fofocamos um pouco, era bom relembrar os velhos tempos...
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