Um Passeio Diferente

1433 Palavras
No dia seguinte, um sábado, Sebas, Angela, Sttef e eu fomos passear na nossa lancha. Que doideira isso, antes a gente m*l tinha um carro e agora tínhamos dois carros, uma lancha e um helicóptero (que era para voos urgentes e/ou de última hora dos meus pais). Eu nunca tinha andado de lancha antes, mas havia adorado. Ah, claro que tínhamos um motorista, até porque nenhum de nós sabia dirigir aquele meio de transporte. O passeio durou cerca de um pouco mais de duas horas e estava genial. Confesso que por mais que eu ainda quisesse a minha antiga vida de volta, eu também estava gostando de aproveitar um pouco a mordomia daquela nova realidade. (...) - Bom, eu cumpri a minha parte do acordo e te ajudei com a festa. - Falei para meu irmão. - Agora falta você cumprir a sua parte. - A minha parte? - Se fez de desentendido. - Qual era a minha parte mesmo? - Ai Sebas, não se faz, você prometeu que se eu te ajudasse com a festa, você me ajudaria a encontrar a Franken TV. - Pensei que você esqueceria isso. - Falou baixo, mas pude ouvi-lo. - Puxa maninho, você prometeu. - Falei cabisbaixa. - Ah, ok. - Revirou os olhos. - Obrigada, sabia que podia contar com você. - O abracei. - Escuta só, o que eu pensei… (...) Como vovô havia ido viajar naquele final de semana, nós teríamos que esperar até segunda para colocarmos meu plano em prática, eu estava ansiosa para saber se tudo daria certo e se eu conseguiria voltar para 1957. No domingo à tarde, Sttef me convidou para sair, fomos dar umas voltas em um shopping, fizemos algumas compras, fomos ao cinema e assistimos um filme muito legal de terror e depois fizemos um lanche na praça de alimentação. - Ai, eu acho o capitão da equipe de futebol tão bonito. - Falou a jovem. - Ele é amigo do Sebastián, né? Bem que o teu irmão podia me apresentar para ele. - Ah, eu posso ver isso com o meu irmão. - Obrigada Luna, você é a melhor. - Fez uma pequena pausa. - Por que será que demoramos tanto para sermos amigas, hein? Ah Stef, se você soubesse que somos amigas há mais tempo do que você possa imaginar… Queria que você pudesse se lembrar de quando acampamos com o colégio e entramos em pânico quando um sapo entrou em nossa barraca, ou da vez que viajamos juntas para a serra e ao sairmos para fazer compras nos demos conta que havíamos esquecido de levar o endereço da pousada em que estávamos, ficamos mais de uma hora caminhando até encontrarmos o caminho de volta, e aquela vez que teríamos prova de Inglês e por não sermos boas na matéria, resolvemos ‘’roubar’’ da mesa da professora a folha com as respostas, acabamos passando para a turma inteira, mas sei lá o porquê, a professora resolveu mudar toda a prova, toda a turma tirou 0 e eles quiseram nos m***r. Ah, saudade desses momentos… Estávamos caminhando em direção das nossas casas quando eu parei de andar. - Meia Lua? - Quê? O que houve, Luna? - Meia Lua. Me aproximei da lanchonete e me pus a olhar cada detalhe, estava tão diferente. Engraçado que antes eu passava por aquela rua e m*l a olhava, ignorava completamente, mas após ter visto como era linda no fim dos anos 50 eu passei a ver a lanchonete com outros olhos, só que agora ela estava tão acabada, não tinha mais a mesma vibe alegre de antes, não tinha mais cor, mais vida… Estava tão… tão… tão destruída. - Luna, o que está acontecendo? - Perguntou a jovem. - Vem comigo. Puxei minha amiga pela mão e entramos na lanchonete, que estava com a porta arrombada, quase chorei ao ver o estado em que ela estava, tudo quebrado, sujo, as paredes pichadas, estava um caos, eu m*l conseguia caminhar por conta de toda a bagunça. - Jukebox. - Corri até o aparelho, que estava quebrado. - Luna, você está tão estranha. Tá bem que você nunca bateu muito bem das ideias, mas agora você tá me assustando. - Fez uma pequena pausa. - Esse lugar está abandonado há anos e você nunca se importou com isso, quer dizer, não que eu saiba. - Ah, é que eu gosto de coisas antigas. - Tentei conter as lágrimas que queriam descer. - Mas já passou, estou bem, podemos ir embora. - Obrigada. Stef saiu da lanchonete, eu dei uma última olhada para aquele lugar enquanto lembrava dos poucos, mas bons momentos que tive naquela lanchonete, e então fui atrás da minha amiga. (...) Na segunda - feira, meu irmão e eu fomos visitar nosso avô, que morava perto de nossa casa, não era nem uma mansão como a nossa, mas era uma residência bem grande. - Vocês? - Perguntou vovô ao abrir o portão de sua casa e se deparando com a gente. - Oi vovô. - Falei. Nisso um lindo Golden Retriever veio correndo até a gente. - Galileu. - Falei ao vê-lo. - Não, esse é o Isaac Newton, esse é a 6° geração após o… Espera… Luna, como você sabe do Galileu? - Hã… Olhei para Sebas em busca de ajuda, como se logo o meu irmão pudesse me ajudar a sair dessa. - O senhor nos falou, vovô. - Disse o garoto. - Não falei, não. Só quem sabia do Galileu era a avó de vocês. - Isso, foi a vovó que nos contou. - Falei. Ele nos deu uma olhada desconfiada e logo nos convidou para entrar, e assim o fizemos. Vovô também tinha uma casa muito bonita e assim como nós, possuia alguns empregados. Ah, ele estranhou o fato de irmos visitá-lo, mas metemos um caô qualquer e ele pareceu acreditar. - Vovô, eu estava lembrando aqui que eu tenho um trabalho da escola pra fazer. - Falei. - Temos que montar nossa árvore genealógica com fotos de toda nossa família, será que o senhor pode me emprestar uma foto sua e da vovó, por favor? - Tá, mas vou ter que procurar, não sei onde eu guardei. Vocês esperam aqui? - Claro, Sebas e eu temos todo o tempo do mundo, pode ir bem sossegado, sem pressa. Vovô se retirou da sala indo em direção ao seu quarto e assim que ele se afastou, dei uma espiada para saber que a barra estava realmente limpa e então falei para meu irmão: - Eu vou procurar aqui embaixo e você procura lá em cima, quem encontrar telefona pro outro e avisa onde está. Entendeu? - Peraí, onde eu procuro mesmo? - Ai!. Em cima, Sebas! - Calma, era brincadeirinha, eu entendi. - Então anda, vai logo. Meu irmão foi para um lado, onde ficavam as escadas e eu fui para o outro, comecei a abrir cada porta na esperança de encontrar a Franken TV. Passei por dois banheiros, três quartos, e de repente entrei em um cômodo que tinha milhões de bugigangas, tinha algumas caixas e então vi algo quadrado que estava coberto por um pano branco, puxei o pano e lá estava ela. - Eu sabia que te encontraria. - Falei. Liguei para meu irmão e avisei que eu tinha encontrado a Franken TV, dei as coordenadas de onde eu estava, e pouco depois ele apareceu onde eu me encontrava. - Ai que bom que você achou. - Ele disse. - Só vou ajustar aqui e nós já vamos. - Não, Luna, eu não quero ir, eu gosto dessa vida, gosto da mordomia que a gente tem e de ser namorado da Angela. - Sebas, você n******e ser tão egoísta, nosso irmão virou um cachorro e você nem liga pra isso, e se voltando pra 1957 a gente consiga trazer nosso irmão de volta? - Como? - Não sei, mas eu preciso tentar. Ai, nem sei mais o que estou dizendo, mas por favor não me deixe sozinha. Eu não posso te prometer que teremos essa vida, mas e se eu te prometer que quando a gente voltar você vai ser namorado da Sofia de novo? - Promete? - Prometo, e conte comigo para o que precisar. E eu posso contar com você? - Sempre. - Deu um meio sorriso. Ajustei os botões que estavam na parte de trás da TV com os números 1-9-5-7, fui para frente da televisão, ao lado do meu irmão e um clarão saiu do aparelho, e então já não estávamos mais na casa do nosso avô.
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