Olhei para os lados e então notei que estávamos finalmente em 1957, não pude conter o sorriso ao perceber que eu voltaria a ver o Ricardo.
- Vem.
Peguei meu irmão pela mão e corremos até a casa do vovô, a casinha simples de antes, sem todo aquele luxo. Toquei a campainha e esperamos um pouco até meu vovô jovem abrir a porta.
- Luna? Sebastián?
- Vovô! - O abracei fortemente. - Senti sua falta.
- Eu também. Mas onde vocês estavam? - Abraçou meu irmão.
- Longa história. - Entrei em casa e fui seguida por meu irmão. Me sentei no sofá. - Uns guardiões do tempo nos levaram de volta para 2023, e estávamos lá até conseguimos voltar para cá. E como estavam as coisas por aqui?
- Tudo tranquilo. - Disse vovô meio confuso. - Estávamos preocupados com vocês, era para você estar na Itália com o Ricardo, Luna, aí de repente ele me ligou dizendo que você havia desaparecido, eu fiquei preocupado, mas sem saber o que fazer ou o que dizer a ele, acabei falando que você havia me dito que teve uma emergência e precisou ir correndo para sua cidade, acho que ele acreditou.
- Obrigada vovô, o senhor foi dez. - Falei ao lhe arrancar um terno sorriso.
Ah, eu nem acreditava que estava outra vez em 1957, engraçado como eu gostava bem mais de uma época onde eu nem era nascida do que da época que eu fui criada, até porque em 2023 eu não tinha a Mercedes, nem o Ricardo e meu vovô era um senhor muito rabugento, preferia o daquela época, era bem divertido, mais bem humorado e muito mais carinhoso, quer dizer, antes o meu ‘’veinho’’ não era assim, mas desde que nossa avó desapareceu misteriosamente ele se transformou em outra pessoa, alguém triste e amargurado, sem alegria e sem v*****e de viver.
- E o Ricardo? - Perguntei.
- Ué, ainda está na Itália.
- Queria falar com ele.
- Bom, ele me deu o número dele, deixei anotado ao lado do telefone, se quiser li…
Antes que meu avô terminasse aquela frase, eu corri para o telefone fixo e logo vi o papel com o número do Ricardo, tocou duas vezes até que o meu futuro sogro atendeu.
- Oi, é a Luna. O Ricardo está?
- Oi menina, você desapareceu sem dizer nada, nos preocupamos.
- Desculpa, tive um imprevisto.
- Tudo bem, meu filho me contou. Bom, ele não está no momento, mas peço para ele retornar quando voltar.
- Tá bem, eu estou na casa do meu a… do meu primo. - Falei. - Ele tem o número.
- Ok Luna, eu falo com ele.
- Obrigada. - Desliguei a ligação. - Ele não estava.
- Não fica assim, depois vocês se falam. - Disse vovô.
Aposto que Ricardo já nem se lembrava mais de mim, talvez estivesse passeando com o Nico e a Francesca e já nem se importava mais comigo, será que ele me esqueceu tão rápido?
- Luna, tem um lugar que eu quero ir. - Falou meu irmão. - Você vai comigo?
- Tá. - Dei de ombros.
(...)
Assim que meu irmão e eu entramos no Meia Lua, ele foi logo falar com seu Luís, que era como um amigo para meu irmão, já eu me sentei à mesa enquanto admirava aquele lugar cheio de vida, e pensar que um dia ele ficaria tão destruído… De repente escutei uma música que eu conhecia muito bem, ah, aquela voz...
- Ricardo?
Olhei para todos os lados na esperança de vê-lo, mas ele não estava, então olhei para trás e notei que o jukebox estava tocando a música Te Regalo la Luna, do garoto.
- Luna?
Escutei uma voz chamar por mim, uma voz bem familiar, olhei na direção de onde ela vinha e então a avistei.
- Mercedes!
Corri na direção da minha amiga e a abracei, ah, se ela soubesse o quanto senti sua falta. Desfiz o abraço e olhei para Mercedes e logo me lembrei da Stef, queria poder estar com as duas, pena que eram de épocas completamente diferentes.
- Pensei que você estava na Itália com o Ricardo. - Falou.
- Eu estava, mas tive uns imprevistos.
- Senti sua falta.
- Eu também. - Falei ao abraçá-la novamente.
(...)
Mercedes e eu fomos para minha casa, enquanto meu irmão ficou trabalhando no Meia Lua, incrível como logo ele que era tão irresponsável gostava tanto do serviço, as vezes ele conseguia me surpreender.
- Ricardo ligou. - Falou vovô assim que eu cheguei em casa.
- Sério? E o que ele disse? Como ele está? Quando volta? Perguntou por mim? O que ele falou? Ai, diz logo!
- Primeiro, respira. - Respirei fundo. - Segundo, ele está bem, ficou aliviado quando eu disse que você havia voltado, queria falar contigo, mas eu disse que você não estava, então ele ficou de ligar outra hora.
Ai, que azar! Logo quando eu não estava, Ricardo resolveu ligar, tudo bem que o pai dele havia me dito que pediria para o filho me retornar, mas pensei que demoraria mais para isso acontecer. Puxa, queria tanto ter falado com ele, cheguei a ligar novamente, mas ele já não estava mais. d***a, parecia alguma conspiração que não queria que a gente se falasse.
Mercedes e eu fomos para meu quarto, tínhamos muito assunto para colocar em dia e ela ainda fez questão de me passar alguns conteúdos das matérias da escola.
- Você fez falta aqui. - Falou.
- Ai amiga, eu também senti tanto a sua falta, eu olhava para Stef e sentia tanta falta de você. - Falei ao me arrepender no segundo seguinte.
- Quem é Stef? - Me perguntou confusa.
- Hã… Uma amiga. É que acho vocês tão parecidas.
- Que legal! Um dia você me apresenta ela?
- Claro. - Respondi desejando que ela esquecesse o assunto.
(...)
No dia seguinte, Sebas e eu estávamos almoçando quando a campainha tocou, me levantei para ver quem poderia ser aquele horário, fiquei com medo de ser o Márcio ou a Martina novamente, mas acho que eles não eram de tocar a campainha. Então abri a porta e tive uma tremenda surpresa.
- Você?