Olhei deslumbrada para todos os lados, ao notar onde eu estava e onde eu gostaria de estar para sempre, era aquela a minha casa, o meu lugar.
Fui correndo até a casa do vovô e toquei a campainha duas vezes.
- Já vai! - Gritou uma voz de dentro da casa, uma voz que eu conhecia muito bem.
Aguardei ansiosa na frente da casa, queria pular de alegria, era tão bom estar em 1957 de novo.
‘’Lar, doce lar.’’ - Pensei.
E então, ele abriu a porta. Era vovô. Estava tão bonito, com trajes elegantes, cabelo bem penteado, parecia que ia para alguma festa.
- Luna? - Sorriu ao me ver e se pôs a me abraçar.
- Vovô! - O abracei também.
- Você voltou. Entre, venha, entre, por favor.
Nós dois entramos na casa, e eu já fui logo sentando no sofá, vovô pegou uma cadeira e se sentou perto de mim.
- E cadê o Sebas?
- Ah, ele não quis vir, pelo menos, não agora. - Fiz uma breve pausa. - Senti saudade.
- Eu também. - Seus olhinhos brilhavam de alegria.
- Mas aonde você vai todo lindo desse jeito?
- Vou sair com a Isa. Estou bonito? - Se levantou e girou para eu apreciar seu look.
- Está um gato. - Falei ao lhe arrancar um sorriso bobo. - E me conta… já se declarou para a Isa?
- Ainda não. - Voltou a se sentar. - É que… Eu não sei como ela vai reagir. Tenho medo dela dizer que ‘’não’’.
- Olha… Eu acho que ela não faria isso. Se eu fosse você arriscaria. - Notei vovô ficar meio pensativo. - E que horas vocês marcaram?
- Ah, é só à noite, mas já quis me arrumar, porque senão eu ficaria mais ansioso do que eu já estou.
- Ah, vovô… - Dei um beijo no rosto dele. - Bom, vou ver o Rica e meus amigos.
(...)
Como já era por volta de 17h, e a escola estava fechada, eu resolvi ir direto para o Meia Lua, na esperança de encontrar alguém, mas logo que entrei no local, eu não avistei ninguém, o que me deixou um pouco triste.
- Luna! - Escutei uma voz atrás de mim.
Me virei e o vi. Era seu Luis, sorri um pouco desapontada ao vê-lo, eu gostava muito dele, era um senhor super gente fina, mas eu preferia que fosse outra pessoa.
- Estava sumida… Fazia tempo que eu não te via por aqui. - Falou o senhor de forma amigável.
- É que eu estava viajando.
- E o Sebastián? Ai, esse garoto some do nada e sempre me deixa na mão. Não sei mais o que fazer com ele.
- Ah, o Sebas está passando por uns problemas pessoais, mas assim que der ele volta. Ah, e ele disse que gosta muito do senhor e que sente sua falta.
- Ai, esse menino… - Deu um leve sorriso e se dirigiu para voltar ao trabalho.
Me sentei à mesa, porém um pouco cabisbaixa, esperava tanto encontrar alguém no Meia Lua. Onde será que eles poderiam estar se a escola estava fechada? Será que estavam em casa mesmo o dia estando tão bonito?
Pedi um suco de abacaxi para seu Luis e me pus a tomar, quando de repente eu os vi entrar.
- Luna? - Ela parecia surpresa em me ver.
- Mercedes! - Corri e abracei minha amiga.
- Quando você voltou? - Ela perguntou.
- Agora pouco.
- Nossa, o Rica vai ficar tão feliz em saber disso. - Falou Gabo, que estava acompanhado da garota.
- E cadê ele?
- Ah, não sei. Acho que está em casa. Mas se você quiser, posso pedir o telefone da lanchonete emprestado para o seu Luis pra eu ligar pro Rica e convidá-lo para vir aqui.
- Ah, sim, por favor, faça isso.
Gabo se dirigiu para falar com seu Luis, enquanto Mercedes e eu nos dirigimos até a mesa que eu estava sentada anteriormente, nos sentamos nos bancos e colocamos os assuntos em dia, ela estava curiosa para saber o que eu havia feito em 2023, mas infelizmente, eu não podia falar muita coisa, já que era p******o dar muitas informações do futuro.
Ai, eu estava tão feliz por estar de volta à 1957 e por estar com minha amiga, agora faltava só Rica para minha felicidade ficar completa, mas algo me dizia que isso estaria prestes de acontecer.
Em seguida, Gabo se juntou à nós e nos informou que havia falado com o Ricardo, que lhe disse que em breve iria para o Meia Lua, mas o garoto acabou por não contar que eu estava de volta, pois queria que fosse uma surpresa.
Gabo ficou uma boa parte do tempo do lado de fora da lanchonete esperando pelo amigo, e assim que ele nos informou que o garoto estava chegando, eu me escondi para que ele não me visse logo que entrasse no local.
- E ai, cadê o Mauricio? - Era a voz do Ruca.
- Ah, ele não está aqui, tinha compromisso. - Disse Gabo. - Mas vamos entrar.
Pude observá-lo de trás do balcão da lanchonete. Noto seu Luis se aproximar de onde eu estava, coloco o dedo indicador nos lábios pedindo por silêncio, ele dá um meio sorriso e se retira para entregar um pedido em uma mesa.
- Ah Rica, nós temos uma surpresa para você. - Disse Mercedes.
- Surpresa? E o que é?
Nisso, eu sai do meu ‘’esconderijo’’ e fui até onde eles estavam.
- Surpresa! - Falei.
- Lu... Luna?
O garoto abriu um imenso sorriso, o sorriso mais lindo do mundo, e então, correu para me abraçar. Ah, que saudade que eu estava desse abraço, que saudade eu estava dele.
Rica nem tentava disfarçar a felicidade que estava sentindo por eu estar de volta. Notei Gaboo fazer sinal para Mercedes e então, os dois se afastaram da gente, nos deixando a sós. Em seguida, nos sentamos à mesa.
- Pensei que você não fosse mais voltar. - Falou ao pegar suavemente em minha mão, que estava em cima da mesa.
- Também pensei. - Falei em tom de voz baixo.
- Quê?
- Hã… Nada não. Me conta… Sentiu minha falta?
- Todos os segundos dos minutos das horas dos dias. - Eu ri. - E você? Sentiu a minha falta?
- Não parei de pensar um segundo sequer em você.
Ele sorriu e sem tirar os olhos de mim, deu um beijo em minha mão, me deixando meio sem graça.
- Que bom que você chegou a tempo da próxima etapa do Christóvão Colombo Tem Talento.
- E quando é?
- Dentro de alguns dias.
- Ai, eu estou ansiosa!
- Eu também!
Rica não parava de me olhar, o que me deixava meio sem graça, ele conseguia ser irresistivelmente irresistível, e eu adorava isso, adorava o modo como ele me olhava, como me sorria, era tudo tão perfeito nele.
Ficamos conversando por bastante tempo no Meia Lua, até que começou a escurecer e ele fez questão de me levar até em casa.
- Nos vemos amanhã? - Perguntou.
- Com certeza. - Sorri timidamente.
Ele deu um beijo em meu rosto e então eu me dirigi em direção da porta da casa do vovô, olhei para Rica, que ainda estava lá parado, acenei para ele, que acenou de volta, e então foi embora.
Ao entrar em casa, avistei vovô falando com Galileu, pelo que entendi, ele estava dando ordens ao animal para ele se comportar.
- Ainda não saiu? - Perguntei.
- Estou de saída. Decidi que vou me declarar para a Isa, me deseja sorte?
- Toda sorte do mundo, vovô. - Falei.
Ele me deu um beijo no rosto, pegou a chave do carro e então, saiu de casa.
Me sentei ao lado de Galileu, que estava sentado no sofá, e comecei a fazer carinho no cachorro.
- É, eu sei que isso pode atrapalhar o futuro, mas eu quero deixar o vovô ser feliz, pelo menos por algum tempo. - Falei.