Andrés
No caminho até a casa da Isa, eu parei meu carro em uma floricultura, comprei um pequeno buquê de hortênsias azuis, que é a flor preferida dela, e então, segui meu caminho até a casa de Isa, que não era muito longe. Volta e meia eu olhava as horas no relógio com medo de me atrasar, pois não queria deixá-la esperando.
Estacionei meu carro na frente da casa de Isa, peguei o buquê, que eu havia deixado nos bancos traseiros, respirei fundo e então me dirigi até a porta da entrada, enquanto rezava para ela não notar o quanto eu estava suando de nervosismo.
Toquei a campainha e aguardei por infinitos segundos, até que… Eu acho que havia ficado sem batimentos cardíacos, meu coração tinha parado, eu tinha morrido e estava vendo um anjo, o mais lindo dos anjos.
- Oi Andrés. - Falou docemente.
- Oi Isa. - Dei um sorriso bobo. - Você está… - A olhei da cabeça aos pés. - Divina.
- Ai, obrigada. E você está muito elegante. - Fiquei mudo diante de tanta beleza. - Ai, que flores bonitas!
- Flores? Ah, claro… São para você. - Lhe estiquei o buquê.
- Sério? Não precisava. - Pegou o ramo de flores. - São hortênsias! - As cheirou. - Tão cheirosas! Obrigada. Eu amei.
Isa me deu um beijo no meu rosto me pegando de surpresa e me deixando totalmente envergonhado, e em seguida, ela se retirou por alguns minutos para colocar o buquê em um vaso com água.
- Vamos? - Perguntou ao retornar.
- Vamos! - Sorri.
Fomos até o meu carro e eu abri a porta do carona para Isa, que agradeceu com um largo sorriso. Entrei no veículo e dirigi até o restaurante em que eu a levaria, que não era muito longe. As vezes quando parávamos em algum semáforo, eu admirava a beleza da mulher que estava ao meu lado e adorava como ela ficava tímida cada vez que eu fazia isso.
O restaurante que fomos era bem bonito e havia inaugurado há cerca de seis meses, mas foi o tempo suficiente para se tornar o meu preferido.
- Eu não conhecia esse restaurante. - Disse a mulher assim que chegamos.
- Tenho certeza que você vai adorar. - Falei ao puxar a cadeira para ela sentar.
- Obrigada.
Isa se sentou, pegou o cardápio e se pôs a ler. A observei. Não conseguia parar de pensar o quanto ela era linda, a mulher mais linda que eu já vi na vida, a mulher da minha vida.
Logo o garçom chegou para saber o que gostaríamos de comer, mas ainda não havíamos nos decidido.
- O que você nos recomenda? - Perguntei.
- Bom, temos a moda da casa. - Disse o garçom. - Está saindo bastante e ninguém reclamou ainda.
- Ah, vou querer experimentar, então. - Falei. Logo dirigi o meu olhar para Isa. - E o que você vai querer?
- Ah, pra mim pode ser o mesmo, por favor.
- E para beber? - O homem perguntou.
- Eu vou querer um refrigerante. - Falei.
- E para mim pode ser um suco de laranja, por favor.
O homem se retirou e eu voltei a olhar para Isa, que abaixou a cabeça timidamente. Ah, se ela soubesse que isso só aumenta o charme dela… Olho para a sua mão, que estava levemente em cima da mesa, queria tocá-la, mas fico com receio dela retirar.
- Hã… A Luna voltou. - Falei quebrando o silêncio.
- Sério? - Perguntou animada. - Que legal! A Luna é uma boa garota.
- É sim. - Sorri ao lembrar da minha neta.
- E o Sebas?
- Ah, ele não veio dessa vez.
Logo nossos pedidos chegaram e começamos a jantar. Mas enquanto eu comia, volta e meia olhava para ela, pois Isa sempre foi uma mulher muito bonita, elegante e chique, mas nessa noite, ela estava mais divina do que de costume.
- Isso está delicioso! - Falou com um singelo sorriso.
- Está mesmo.
Após nosso jantar, ficamos conversando um pouco na parte externa do restaurante, a noite estrelada só ressaltava o brilho nos olhos damulher. E de repente começou a trovejar anunciando que viria uma forte tempestade pela frente.
- Acho melhor irmos antes da chuva. - Falou.
- Também acho. - Sorri lhe arrancando um sorriso tímido.
Fomos rapidamente até o meu carro com medo de pegarmos uma forte chuva, pois não parava de trovejar e de relampear. Abri a porta do veículo para ela, que entrou e então, à passos ligeiros, eu entrei no lado do motorista.
Foi só o tempo de estacionar o carro na frente da casa de Isa, para a chuva começar a cair, uma chuva muito forte. Tirei minha jaqueta e coloquei em cima da cabeça dela, evitando que ela se molhasse.
Corremos até sua casa, e logo ela abriu a porta e entrou às pressas, um pouco assustada com os trovões que não paravam de cair.
- Que pena que essa chuva resolveu vir hoje para estragar nosso encontro. - Falei.
- Não estragou, não. Eu amei. - Falou docemente.
- Mesmo?
- Claro. Foi uma noite muito agradável.
- Eu também gostei. - Lancei um sorriso bobo. - Bom, eu já vou indo.
- Mas como? Está tendo um dilúvio lá fora, é perigoso você dirigir com esse tempo. - Fez uma breve pausa. - Se você quiser, pode ficar aqui até a chuva passar, e… bom, qualquer coisa, eu tenho quarto de hóspedes.
- Você não se importa?
- Claro que não. Eu vou preparar a banheira do banheiro dos hóspedes para você tomar um banho e se esquentar.
- Tá bom. Obrigado. - Falei timidamente.
Isa se retirou por alguns minutos e eu fiquei lhe esperando na sala, não demorou muito para ela retornar me avisando que a banheira já estava pronta, me emprestou uma roupa que era de seu irmão, que estava trabalhando na Europa.
- Acho que vai servir em você. - Falou ao me entregar a roupa.
- Obrigado.
Isa me conduziu até o banheiro dos hóspedes e me avisou que iria tomar banho também, no outro banheiro de sua residência.
Tomei um delicioso banho e enquanto eu me lavava, eu tentava criar coragem para pedir a mulher em namoro, e se ela falasse que não? E se ela me dissesse que gosta de outro? Não sei se eu estava pronto para ouvir isso e ter meu coração quebrado pela primeira vez.
Ao terminar de me vestir, fui até a sala, onde Isa estava, ela já havia tomado banho também e estava secando suas lindas madeixas louras.
- Eu… Eu não quero incomodar. - Falei.
- Não é incômodo. - Ela disse sorridente. - Hã… Vou ver se está passando algum filme na tv pra gente ver.
- Tá bem.
Me ajeitei no sofá e ela começou a mudar os canais, até encontrar um de filme. Ela se ajeitou no sofá ao meu lado, fazendo meu coração acelerar os batimentos. Ficamos vendo o filme, mas eu nem conseguia prestar tanta atenção já que o nervosismo por estar tão perto da Isa era imenso.
E de repente, caiu um trovão, a loira se assustou e acabou por me abraçar, fazendo eu quase desmaiar.
- Desculpe… - Desfez o abraço e se ajeitou novamente no sofá.
- Não por isso.
Ela sorriu timidamente e voltamos a ver o filme. Porém, para a nossa surpresa, faltou luz. e pelo jeito, havia sido na rua toda, estava tudo muito escuro.
- Ai, ainda bem que você está aqui comigo, eu odeio ficar sozinha no escuro. - Falou.
- Bom, agora eu estou aqui com você para te proteger.
- Obrigada.
E de repente, mais um trovão. Ela se agarrou em meu pescoço com o susto, e então, nossas bocas ficaram tão próximas, provavelmente ela devia estar escutando as batidas do meu coração.
- Andrés…
- Isa…
E nisso, nós dois nos beijamos. Um beijo tão terno e bonito, que fez todos os pelos do meu corpo se arrepiarem. E eu queria que meus lábios morassem nos lábios dela por todo o sempre.
Assim que nossas bocas se afastaram um pouco, pude vê-la sorrir, acho que ela tinha gostado tanto quanto eu, o que me deixou um pouco mais tranquilo, fazendo eu esbanjar um sorriso meio tímido.
- Isa… Você… Você quer namorar comigo?
Seu sorriso aumentou ao ouvir minha pergunta, ah, como eu amava esse sorriso, que me fazia sorrir também.
- Eu… Quero. Quero, sim.
Nós dois esbanjamos enormes sorrisos e então, eu a beijei novamente.
Nossa, eu nem conseguia acreditar que eu estava namorando a Isa, sonhei há tanto tempo com isso e agora era real, era verdade, era felicidade que não cabia em mim, queria sair correndo, cantando, gritando aos quatro ventos o quanto eu estava feliz.
A mulher falou que eu poderia ficar no quarto de hóspedes, ela preparou a cama para mim e assim que ela se retirou, eu me deitei, no entanto, custei para dormir, a alegria era maior que o sono e o cansaço.
Aaaah, eu estava namorando com a Isa.