Desistir?

652 Palavras
Adrian — Tem nada acontecendo — respondo tentando levantar o vidro do carro para despistar, mas Jade empurra o microfone para dentro do veículo. — Nossa fonte garantiu que havia rombos misteriosos, como o senhor explica isso? — Sua fonte está enganada. Agora, me dê licença, por favor. Começo a avançar com o carro lentamente, tentando fazer as pessoas se afastarem. — O senhor vai mesmo embarcar em seu cruzeiro para investigação? — Não tem o que ser investigado, querida. Por favor, me dê licença. Ela ainda tentou insistir, mas me desviei de toda forma possível, e consegui fechar o vidro e sair com o carro. Balancei os ombros e a cabeça, afastando a tensão que se formava. Meu telefone tocou e era minha mãe, mas não queria falar com ninguém, precisava colocar minha cabeça no lugar e decidir o que eu faria agora. Afinal, meu plano foi descoberto, e de alguma forma a informação que deveria ser sigilosa escapou. Ao chegar em meu apartamento, retiro a camisa e o sapato e vou para a minha área de treinamento. Gosto muito de luta, e socar o saco de bater é minha forma de extravasar o que estou sentindo e colocar a mente no lugar. Enrolo uma faixa nas mãos e começo a socar e chutar o saco de bater. Sinto o suor escorrer conforme me lembro da conversa de hoje com minha ex-namora e a notícia sobre ser pai. A realidade me atinge como um soco no estômago. Eu quero ser pai um dia, mas não com uma mulher com quem nem consigo dialogar mais. Uma mulher que me persegue, que quer saber cada passo meu. Ter um filho em meio a essa circunstância é algo que eu não queria, mas se for verdade, não há o que ser feito além de aceitar a criança e criá-la com todo amor que ela merece. Já estou totalmente lavado de suor, o cós da minha calça já está umidecido e minha pele molhada brilha. Chego a uma conclusão quando estou exausto e meus músculos doem: preciso embarcar nesse cruzeiro, essa informação só vazou porque é de interesse de alguém. Como que a imprensa ficou sabendo do rombo e da minha viagem, mas não ficou sabendo da gravidez? Giro o corpo dando um último chute forte e certeiro no saco de bater. Vou tomar uma belo banho já decidido sobre o que farei. Quando saio de meu banho com apenas uma toalha enrolada na cintura, vejo que meu telefone toca novamente. Desta vez atendo, pois sei que depois ouviria um mundo de coisas. — Fala, mamãe. Acabei de sair do banho e estou morto de fome — falo caminhando para minha cozinha e preparando um sanduíche. — Fiquei sabendo que a Jade te cercou na saída do prédio, o que ela queria? — Ela perguntou sobre o rombo e sobre a minha viagem. — Mas não era segredo? — Era, mas de alguma forma isso vazou. — Coloco o pão com queijo na sanduicheira para aquecer o pão e derreter o queijo. Amo. — E agora, o que vai fazer? — De que adiantaria, mãe. Se eu embarcar todos os envolvidos já sabem, então, mudança de planos. Vou contratar detetives. — Sério? — É, mãe, não tem jeito. A senhora teria uma ideia melhor? Ela fica em silêncio por um tempo e então responde. — Não, meu filho, eu não tenho — suspira fundo e eu a acompanho no gesto. — Bom, mamãe, meu lanche está pronto. Vou comer que estou cheio de fome. Ela dá uma risada e se despede. Não sei se há escutas pela casa ou pelo escritório; pessoas infiltradas; falsos amigos... por tanto minhas ideias estão guardadas só para mim, e durante o restante da semana não falei nada com ninguém nem mesmo falei sozinho dentro de casa. Meus novos planos estão em total sigilo, desta vez quero ver alguém descobrir.
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