Capítulo 8

2161 Palavras
Marina narrando. Fiquei na porta assistindo os dois entrarem no carro se retirando, realmente esse jantar não foi nada do que eu esperava, é claro que digo isso pela presença ilustre do Samuel. Meus dias de paz acabaram, se bem que ele vai se casar e com certeza irá morar bem longe de mim, talvez lá na china me parece bem adequado. Dei um tchauzinho, e respirei fundo entrando para dentro, porém, ao virar meu corpo dei de cara com minha mãe parada me olhando com uma cara nada amigável. __A senhora quer me m***r de susto?! Como pode ficar parada atrás de mim como se fosse um fantasma? - Coloquei a mão no peito indignada. __ Não pense que não vi a forma como tratou o Samuel. Não me diga que ainda não esqueceu o passado? __É claro que esqueci. - Ri nervosa e uniu as sobrancelhas. __Está bem, talvez não totalmente, mas o que a Senhora esperava que eu fizesse? Agisse carinhosamente? Seria muito descaramento, e foi ele que zombou de mim primeiro, parece que não fui a única a não amadurecer aqui. - Cruzei os braços desafiadora. __ Marina, Samuel é como se fosse da nossa família, espero que da próxima vez pare com essa implicância infantil, entendeu mocinha? - Sorri sem mostrar os dentes. __ Ainda não entendo o que a Senhora viu no Samuel que o aprecia tanto, sei que gosta dos dois como filhos adotivos, mas, sempre teve algo em especial pelo Samuel, porquê? __Ele me lembra uma pessoa. Que parece ser durona por fora, mas não é nada disso por dentro. . __ Você já é igualzinha seu pai sabia? __Como não? A senhora faz questão de me lembrar isso quase todos os dias. - Sorri genuinamente. __Continue sendo assim, a maneira como vê a vida sonhadora e alegre, vai tocar o coração de alguém. Alguém que precisa de uma pessoa como você ao seu lado, que em meio ao caos o traga paz e o faça sorrir. ___Está falando do Alex, não é?!dei uma risadinha. __Eu também percebi que ele precisa de mim mãezinha. - Balança a cabeça indo para cozinha, e vou atrás dela a abraçando apertado __O que acha que devo fazer? Pode me dar umas dicas? Como conquistou o papai? __Marina, não começa. ??????????????? Desisti de importunar minha mãe e fui para o meu quarto, caminhei em direção a janela e abri recebendo uma brisa gelada contra meu rosto, a lua estava quase que opaca em meio ao cinza pálido do céu. Mesmo assim, em algum lugar sabia que Deus estava lá olhando por mim, nem sempre nossa vida vai ser repleta de dias ensolarados e noites estreladas e magnificas, as vezes haverá dias nublados e noites cinzentas, mas em todos esses momentos Deus estará lá por nós. Hoje tinha sido um dia difícil, mas mesmo assim sabia que para algumas pessoas poderia ter sido muito pior. O dia mau vem para todos, a questão sempre vai ser, se estamos realmente preparados para passar por eles. Hoje foi um dia complicado, mas estava longe de ser um dia mau, poderia ter sido de fato se Samuel não estivesse naquela praia por mim. E realmente sobre isso serei eternamente grata, e mesmo que não saiba eu vou orar por ele. Para que seu casamento seja perfeito e que seja muito feliz, essa será minha maneira de agradecer. Depois da oração pedindo para Deus abençoar o casamento do Samuel, peguei a bíblia e comecei a meditar na palavra de Deus. Pois nessa esperança fomos salvos. Mas esperança que se vê não é esperança. Quem espera por aquilo que está vendo? Mas, se esperamos o que ainda não vemos, aguardamo-lo pacientemente. Romanos 8:24-25 A verdadeira fé é esperar sobre aquilo que ainda não vemos, por isso esperarei pacientemente no meu Senhor. Porque sei que ele tem o melhor para mim. (..) Acordei no dia seguinte animada para ir ao restaurante, cheguei na cozinha e fui surpreendida pelo meu pai cantarolando, enquanto fazia o café da manhã. __Bom dia! que animação é essa? - Sorri indo abraça-lo. ___Adivinha filhota? Recebi uma ótima grana pelo trabalho no jardim que fiz ontem. Vai dar para comprar umas coisinhas extras. ___Sério? Que máximo pai! __Não é? Soube que o Samuel e o Alex vieram ontem a noite aqui, porque não me chamaram? Sabe que gosto muito dessa família, tenho tantas novidades para contar. Quem sabe o Alex não esteja precisando de um jardineiro naquela mansão? A última vez que fui lá as plantinhas estavam tão murchas pobrezinhas. ___Não queríamos incomoda-lo. __Não seria incômodo algum! Afinal, sabemos que um deles será meu futuro genro. - Levanta a Sobrancelha sugestivo. ___Sabemos qual deles será!- O encaro de volta sugestiva. __Vocês dois não tem jeito. - Minha mãe apareceu séria. Terminei meu café da manhã ouvindo as histórias do meu pai, em cada casa que arrumava ele tinha uma história interessante para contar, não é porque é meu pai, mas ele era querido em qualquer lugar que fosse. Sua energia era ótima, impossível ficar desanimado perto dele. Peguei o ônibus, e dessa vez sem nenhum contratempo cheguei na hora exata no restaurante, porém, assim que virei a esquina avistei o carro vermelho parado em frente, meu coração acelerou-se em expectativa. O que Alex faz aqui tão cedo? Apressei os passos passando pela porta o procurando, o vejo sentado em uma mesa no canto, e para minha infelicidade, ele não parecia nada bem, estava rodando o canudo no copo de forma monótona como se sua alma não estivesse colada no corpo. __O que houve? O que faz aqui tão cedo? - Sento na mesa preocupada e solta um longo suspiro. __Fiz algo h******l Marina, escondi algo importante do meu irmão e não sei se vai me perdoar. - Me olhou cabisbaixo. __É claro que vai te perdoar, você é a pessoa mais incrível que conheço, nada que fizesse seria grave o suficiente para seu irmão te odiar. __Você não conhece o Samuel, escondi que Fernanda tinha o traído em uma viagem. Eu soube algumas semanas atrás, porque o homem a qual ela traiu estava me ameaçando e pedindo dinheiro em troca do silêncio. Sabe que um escanda-lo desse não é bom para empresa, mas na realidade a empresa é o que menos me importa agora, eu fui um grande covarde, porque não queria ver Samuel sofrer e agora isso está acontecendo e a culpa é toda minha. Alex despejou tudo que estava entalado me deixando surpresa, em pensar que orei por eles ontem. Talvez seja um livramento, nunca se sabe. __Você errou em esconder dele, errou, mas sua intenção por trás foi boa Alex, e se seu irmão te conhece como eu te conheço, pode até ficar chateado com você, mas vai te perdoar. - Segurei suas mãos olhando nos seus olhos. __Você acha Marina? __Tenho certeza, afinal se ele brigar com você vai ter que brigar comigo primeiro. Ele pensa porque eu sou baixinha não tenho força? Vai ver de perto o poder do furacão Marina. - Falo convicta e ri. __Não quero estar na pele do Sam. - Falou sorrindo. ___Não queira mesmo. - Sorri de volta e ficamos nos olhando, de repente o sorriso de Alex foi se desfazendo e soltou minha mão subitamente coçando a nuca disfarçando. ___Bom...Acho que vou te ajudar a servir os pratos hoje, pode pegar um avental para mim. - Disse evitando contato visual. __Claro, vou buscar. Alex me ajudou a servir alguns pratos, aos poucos nossa sintonia foi retomando, exceto as vezes que o percebia se distanciando discretamente de mim, como se tivesse algo o deixando desconfortável, só gostaria de saber o que? entretanto, escolhi não perguntar. Fui atender duas clientes novas, e elas estavam cheias de sorrisinhos e olhares para cima do Alex. __O que desejam? - Perguntei com o bloco de notas. __De você nada. Agora daquele garçom ali, tudo. - Aponta insinuadora e a outra riu. __ Sei... Sinto muito ter que dizer, mas a única atendente aqui nessa mesa vai ser eu, então, ou façam seus pedidos ou podem se retirar. - Elas fazem uma careta e me olham com desdém. ___Está bem. Vou querer esse prato de frutos do mar, sem camarão, sou alérgica a camarão. Minha amiga vai querer o mesmo, só que com todos os alimentos. __Anotado. Para você sem camarão e para ela com camarão. Logo irei trazer os pedidos. - Sorri cordialmente me retirando. Passei perto do Alex e dou um esbarrão nele. __Para de sorrir tanto ou iremos ter uma fila de adolescentes apaixonadas. - alerto seria e dá um sorriso para mim. E..Eu também estou nessa lista. Meu chefe preparava os pratos enquanto aguardava mordendo a tampa da caneta, não sem tirar os olhos do Alex, não é fácil gostar de gente bonita a concorrência é muito grande. ___Você está cuidadosa hoje. Estou surpreso. - Meu chefe me elogia. __ Achou que seria desastrada para sempre? Aquilo foi um erro normal que qualquer pessoa cometeria, sei ser cuidadosa quando quero. __Que bom, agora deixa a caneta e pega os pratos para aquelas belas jovens, antes que elas desgastem o Senhor Alex de tanto olhar. - Disse sorrindo. __O senhor também viu isso? Essa juventude não sabe o que é ser discreta mesmo. - Balanço a cabeça inconformada pegando os pratos. __Ah, lembre-se! o esquerdo e com camarão e o direito sem camarão. - Fala atento. __Entendi. - Levo os pratos na palma das mãos sem esquecer suas colocações, porém quando chego perto do balcão percebi que estava fechado, chamei meu amigo para vir ao meu socorro. Ele veio até mim sorrindo. Pensei que ele iria abrir o balcão para mim, mas ao invés disso colocou suas mãos embaixo das minhas me fitando. __ Eu entregarei os pedidos para você. - Sorrio cavaleiro. Fico hipnotizada quase que em transe, sentindo o calor das suas mãos sobre as minhas. __Oi?.. Como quiser. - Digo envergonhada deslizando minhas mãos por baixo da suas e abrindo o balcão. __Olha amiga! ele vai vir aqui. - Escutei um gritinho estridente. Foi como se voltasse a realidade __Não! aquelas meninas vão devora-lo vivo. Corri na sua direção quase de forma automática, como se não pudesse controlar meu corpo, breco na sua frente agarrando seu braço. ___Espera.Ri nervosa. __Deixa que eu mesma levo, afinal é o meu trabalho, é minha obrigação fazer isso, se meu chefe me ver aproveitando da sua boa vontade é capaz de me demitir e você se sentiria culpado, e já tem culpa demais para administrar. -Confirmo robôticamente. __Tem certeza? Estou te ajudando de boa vontade. __Eu sei, mas como disse é meu trabalho, obrigada, de nada. - Peguei os pratos das suas mãos levando na mesa das garotas. __Aqui está, bom apetite. - Falei educadamente colocando em ordem determinada. __Você gosta dele, não é? __Isso não é relevante no momento. A questão aqui, e que são muito novas para pensar em namorar, tem que estudar primeiro. ___Até parece. - Resmunga. __Bom apetite. - As olhei sorrindo e me retiro. Todavia, meu momento de sossego acabou mais rápido do que imaginava, e foi interrompido pelo grito aflito de uma das jovens. ___Socorro! Minha amiga está passando mau. - Alex e eu olhamos assustados, primeiro pensei que seria uma bela atuação digna de óscar para capturar a atenção do meu amigo. Mas, depois percebi pela cor ruborizada da garota e sua dificuldade de respirar que era algo sério. Ambos corremos para acudir a menina, estendi a mão para verificar sua temperatura corporal. ___Não toque nela! A culpa é toda sua, ela disse que era alérgica a camarão. Que tipo de garçonete você é? - Bate na mesa chamando atenção de todos. __Se minha amiga morrer, vou denunciar essa espelunca. Vocês deveriam fechar esse lugar tamanha irresponsabilidade. ___Chega! Alex disse autoritário. __Não é hora de fazer escanda-los e sim levar sua amiga para o hospital. Você vai vir comigo, ou não? - Perguntou para menina que assentiu mordendo o lábio. ___Eu também vou.. - O encarei aflita e me olhou serío.. ___Melhor não, deixa que eu assumo daqui. - Usa seu olhar acolhedor e engoli seco segurando o choro. __Por favor, me dê noticias. - Imploro e assente saindo com a garota nos braços. Sentei na cadeira sem conseguir conter minhas lagrímas. __Como posso ter cometido um erro tão grande desses? Como posso ser tão desastrada? Se essa garota morrer nunca vou me perdoar. ___Marina, eu sei como deve estar se sentindo agora. - Meu chefe colocou a mão nas minhas costas. __ Só que dessa vez eu não posso te perdoar, o erro que cometeu é muito grave, se essa garota morrer estamos perdidos. E se elas nos denunciarem, posso perder o restaurante, então mesmo gostando de você, saiba que não posso tolerar esse tipo de situação, está demitida. - Balancei a cabeça cobrindo o rosto, enquanto vejo o mundo literalmente desabar sobre minha cabeça.
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